{"id":55043,"date":"2025-09-02T03:44:03","date_gmt":"2025-09-02T03:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/55043\/"},"modified":"2025-09-02T03:44:03","modified_gmt":"2025-09-02T03:44:03","slug":"se-morrerem-na-ucrania-ninguem-notara-russia-recruta-250-mil-presos-para-a-guerra-40-com-doencas-graves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/55043\/","title":{"rendered":"&#8220;Se morrerem na Ucr\u00e2nia, ningu\u00e9m notar\u00e1&#8221;: R\u00fassia recruta 250 mil presos para a guerra, 40% com doen\u00e7as graves"},"content":{"rendered":"<p>  <a href=\"https:\/\/www.euromaster.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">&#13;<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1756780928_75_Automonitor_900x150-1.jpg\" alt=\"Euromaster\" style=\"max-width: 900px; width: 100%; height: auto; display: block; margin: 0 auto;\"\/>&#13;<br \/>\n  <\/a><\/p>\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e1 a levar Moscovo a ultrapassar limites que at\u00e9 h\u00e1 poucos anos pareciam impens\u00e1veis. Segundo investiga\u00e7\u00f5es recentes, em apenas tr\u00eas anos, a R\u00fassia recrutou cerca de 250 mil reclusos para combater no conflito, sendo que 40% destes sofrem de doen\u00e7as graves como VIH, tuberculose ou hepatite.<\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio do Carnegie Politika, citado pelo The Kyiv Independent, os casos de VIH detetados nas for\u00e7as armadas russas multiplicaram-se por treze at\u00e9 ao final de 2022, continuando a aumentar durante 2023. A deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias em hospitais de campanha \u2014 com transfus\u00f5es de sangue sem controlo, reutiliza\u00e7\u00e3o de seringas e consumo de drogas \u2014 agravou a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Olga Romanova, jornalista exilada e fundadora da ONG R\u00fassia Atr\u00e1s das Grades, afirma que j\u00e1 n\u00e3o existe um processo formal de mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cRecrutam todos indiscriminadamente. N\u00e3o h\u00e1 planos para os tratar e, se morrerem em combate, ningu\u00e9m dar\u00e1 por isso\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>O recrutamento de presos portadores de doen\u00e7as graves come\u00e7ou em 2022, sob a lideran\u00e7a de Yevgueni Prigozhin, ent\u00e3o chefe do Grupo Wagner. Os internos eram identificados com pulseiras vermelhas ou brancas, consoante a patologia, e alguns acabaram capturados pelo ex\u00e9rcito ucraniano.<\/p>\n<p>Apesar da promessa de sal\u00e1rios que podiam chegar aos 200 mil rublos por m\u00eas (cerca de 2.500 d\u00f3lares), a remunera\u00e7\u00e3o raramente \u00e9 paga e a assist\u00eancia m\u00e9dica \u00e9 inexistente. Para muitos, o \u00fanico incentivo \u00e9 a promessa de liberdade caso sobrevivam ao conflito.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a usada como arma<\/strong><br \/>Iryna Yakovets, assessora legal da ONG ucraniana 100% Life, acusa Moscovo de transformar a doen\u00e7a em arma de guerra. \u201cEnviam-nos para a frente precisamente porque s\u00e3o seropositivos e, na vis\u00e3o russa, n\u00e3o t\u00eam valor como seres humanos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es ocupadas pela R\u00fassia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave. Segundo Vira Yastrebova, diretora do Eastern Human Rights Group, as autoridades locais obrigam os doentes a integrar unidades de assalto sem qualquer acesso a tratamento. Al\u00e9m disso, para obter medica\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio possuir passaporte russo, documento que Moscovo imp\u00f5e a quem vive em territ\u00f3rios como Donetsk ou Lugansk.<\/p>\n<p>Em cartazes afixados nos centros de recrutamento, a mensagem \u00e9 fatalista: \u201cEsta \u00e9 a tua \u00faltima oportunidade\u201d. Muitos recorrem a grupos privados online para tentar obter medicamentos ou procuram fugir para o estrangeiro em busca de assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p><strong>Propaganda digital para recrutar<\/strong><br \/>A escassez de combatentes levou tamb\u00e9m o Minist\u00e9rio da Defesa russo a apostar no recrutamento atrav\u00e9s da internet. Em grupos da rede social VKontakte multiplicam-se an\u00fancios que prometem recompensas milion\u00e1rias, perd\u00e3o de d\u00edvidas ou mesmo cidadania acelerada em troca do alistamento.<\/p>\n<p>Alguns destes an\u00fancios referem abertamente que aceitam pessoas com VIH, hepatite ou registo criminal, usando at\u00e9 c\u00f3digos como \u201cUmbrella\u201d para se referirem a doentes com patologias potencialmente letais. A efic\u00e1cia da estrat\u00e9gia \u00e9 incerta, mas a propaganda digital tornou-se um canal paralelo de mobiliza\u00e7\u00e3o, com publica\u00e7\u00f5es di\u00e1rias em grupos que re\u00fanem dezenas de milhares de seguidores.<\/p>\n<p>Em Kiev, a abordagem \u00e9 distinta. Embora o estatuto de seropositivo n\u00e3o implique automaticamente a exclus\u00e3o do servi\u00e7o militar, cada caso \u00e9 analisado individualmente. Normalmente, os soldados com VIH s\u00e3o destacados para fun\u00e7\u00f5es de apoio, o que lhes permite continuar a receber terapia antirretroviral.<\/p>\n<p>Ainda assim, a guerra complica a log\u00edstica. Diagn\u00f3sticos passam despercebidos em exames m\u00e9dicos e as interrup\u00e7\u00f5es na cadeia de fornecimento obrigam muitos soldados a depender de envios familiares para manter o tratamento. \u201cSe um soldado VIH positivo acaba numa unidade de combate, a situa\u00e7\u00e3o torna-se cr\u00edtica\u201d, alerta Yakovets.<\/p>\n<p>Enquanto Moscovo insiste num recrutamento sem barreiras \u00e9ticas, Kiev tenta sustentar um sistema que permita integrar doentes sem colocar em risco a sua sa\u00fade nem a dos restantes militares. Uma realidade que, em qualquer dos lados, transformou a guerra num multiplicador da epidemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; A guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e1 a levar Moscovo a ultrapassar limites que at\u00e9 h\u00e1 poucos anos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":55044,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-55043","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55043\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}