{"id":56197,"date":"2025-09-02T20:49:13","date_gmt":"2025-09-02T20:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/56197\/"},"modified":"2025-09-02T20:49:13","modified_gmt":"2025-09-02T20:49:13","slug":"os-ensinamentos-do-livro-greve-na-fabrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/56197\/","title":{"rendered":"Os ensinamentos do livro &#8220;Greve na F\u00e1brica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Publicado em 1978, o livro Greve na F\u00e1brica de Robert Linhart nos fornece uma poderosa reflex\u00e3o sobre a cultura oper\u00e1ria e uma rica experi\u00eancia para aqueles que lutam pela emancipa\u00e7\u00e3o de todos os trabalhadores.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Waldemar Guerra | Santos (SP)<\/strong><\/p>\n<p><strong>CULTURA \u2013<\/strong> Um jovem franc\u00eas ingressa numa f\u00e1brica, a montadora de carros Citroen, e logo se depara com aquele sistema de opera\u00e7\u00f5es interligado: m\u00e1quinas, martelos, soldas, fogo, peda\u00e7os de coisas insignificantes se transformando em motores e carros coloridos. A pe\u00e7a chave de tudo isso? Milhares de oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Imediatamente, Robert, sofre com a dificuldade de se adaptar a f\u00e1brica, pois o ritmo das esteiras, os movimentos contados, as les\u00f5es f\u00edsicas impostas para produzir na mesma qualidade e velocidade que os outros oper\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 algo que se adquire da noite para o dia, foram meses nisso.<\/p>\n<p>Mas, finalmente acontece, \u00e9 quando ele se pergunta: \u201cQue fiz eu em quatro meses al\u00e9m dos [motores] 2CV? N\u00e3o vim a Citroen fabricar carros mas \u2018para fazer o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria\u2019. Para dar uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia, \u00e0s lutas, \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o![\u2026] Por onde come\u00e7ar?\u201d Organizar a Greve!<\/p>\n<p>Robert come\u00e7a a mapear os trabalhadores, suas qualidades e defeitos, sua origem de classe, passa a distribuir jornais e organizar conversas pelos corredores, desloca outro militante externo a produ\u00e7\u00e3o para panfletar diariamente. Assim que Citroen ataca aumentando a jornada, j\u00e1 se tem alguns ganhos pra luta e \u00e9 montado uma comiss\u00e3o de f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Aos poucos a reuni\u00e3o p\u00f3s trabalho aumenta, as tarefas s\u00e3o distribu\u00eddas, e Robert se encarrega cada vez mais de tarefas de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da greve. Existem muitas dificuldades, a dire\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica transformou o sindicato em verdadeiros capangas, existe o medo de perder o emprego, etc. Confiar na classe \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nossas tarefas<\/strong><\/p>\n<p>Muitos militantes das nossas fileiras, como eu, receberam a honrosa tarefa de ingressar numa f\u00e1brica, porto, oficina, com a tarefa de se entranhar entre a classe oper\u00e1ria. Essa tarefa n\u00e3o \u00e9 simples, pois a tal \u201cdisciplina f\u00e9rrea\u201d e toda dureza necess\u00e1ria para um oper\u00e1rio n\u00e3o cai do c\u00e9u, nem se desenvolve sem sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso mudar toda rotina de sono, \u00e9 preciso se alimentar direito, \u00e9 preciso n\u00e3o cair na rotina asfixiante da produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso n\u00e3o cair nos desvios pequeno-burgueses de ascens\u00e3o financeira, \u00e9 preciso estudar e n\u00e3o perder a perspectiva revolucion\u00e1ria!<\/p>\n<p>Esse livro em muito descreveu minha rotina e dificuldades, mas sem sombra de d\u00favidas, o erro que Robert comete nos ensina que n\u00e3o devemos analisar as coisas s\u00f3 pela apar\u00eancia, pela fotografia do que parece ser, mas, devemos analisar os acontecimentos em constante movimento.<\/p>\n<p>Aprendemos que n\u00e3o adianta tomar atitudes isoladas e esperar que elas tenham resultados espetaculares, \u00e9 necess\u00e1rio sim o \u201cDi\u00e1rio, Sistem\u00e1tico e Cont\u00ednuo\u201d, pois cada pequeno avan\u00e7o conta pra luta, por mais que pare\u00e7a insignificante.<\/p>\n<p>Lembra daquela<a href=\"https:\/\/averdade.org.br\/2023\/10\/a-importancia-da-brigada-do-jornal-na-formacao-do-revolucionario\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> brigada na f\u00e1brica <\/a>que n\u00e3o vendeu nenhum jornal? O oper\u00e1rio tamb\u00e9m lembra de voc\u00ea l\u00e1. Aquela reuni\u00e3o que voc\u00ea chamou, mas ningu\u00e9m foi? N\u00e3o passou despercebida. A meta \u00e9 n\u00e3o se deixar levar pelos n\u00fameros, ao passo que o menor avan\u00e7o representa o fortalecimento do Partido.<\/p>\n<p>Para concluir, devemos compartilhar mais nossas experi\u00eancias com mat\u00e9rias do nosso jornal sobre a realidade nos nossos postos, mais indica\u00e7\u00f5es de leitura, formar uma corrente forte e contribuir com todo o Partido. Sim, camaradas, \u201cSe nada somos em tal mundo, sejamos tudo, \u00f3 produtores!\u201d<\/p>\n<p><strong>*Greve na F\u00e1brica (L\u2019Etabli) \u2013 Robert Linhart, Editora Paz e Terra, 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Publicado em 1978, o livro Greve na F\u00e1brica de Robert Linhart nos fornece uma poderosa reflex\u00e3o sobre a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":56198,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,2655,16030,1015,864,237,170,16031,32,33,16032],"class_list":{"0":"post-56197","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-fabrica","12":"tag-greve-na-fabrica","13":"tag-instagram","14":"tag-literatura","15":"tag-livro","16":"tag-livros","17":"tag-operario","18":"tag-portugal","19":"tag-pt","20":"tag-robert-linhart"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56197\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}