{"id":56554,"date":"2025-09-03T03:04:07","date_gmt":"2025-09-03T03:04:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/56554\/"},"modified":"2025-09-03T03:04:07","modified_gmt":"2025-09-03T03:04:07","slug":"cha-verde-melhora-sensibilidade-a-insulina-e-tolerancia-a-glicose-em-camundongos-obesos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/56554\/","title":{"rendered":"Ch\u00e1 verde melhora sensibilidade \u00e0 insulina e toler\u00e2ncia \u00e0 glicose em camundongos obesos"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Obesidade\n                            <\/p>\n<p>                            Ch\u00e1 verde melhora sensibilidade \u00e0 insulina e toler\u00e2ncia \u00e0 glicose em camundongos obesos<\/p>\n<p class=\"summary\">Estudo em modelo animal analisou o metabolismo dos m\u00fasculos de cobaias induzidas \u00e0 dieta hipercal\u00f3rica. Ao final, com o consumo do extrato da planta, houve aumento na express\u00e3o de genes associados \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de glicose e na atividade de enzima essencial para seu metabolismo<\/p>\n<p>\n                                 Obesidade\n                            <\/p>\n<p>                                                        Ch\u00e1 verde melhora sensibilidade \u00e0 insulina e toler\u00e2ncia \u00e0 glicose em camundongos obesos<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estudo em modelo animal analisou o metabolismo dos m\u00fasculos de cobaias induzidas \u00e0 dieta hipercal\u00f3rica. Ao final, com o consumo do extrato da planta, houve aumento na express\u00e3o de genes associados \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de glicose e na atividade de enzima essencial para seu metabolismo<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/55723.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(55723,'files\/post\/55723.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Pesquisadora defende que os tratamentos naturais e acess\u00edveis ganhem espa\u00e7o no combate \u00e0 obesidade, especialmente como alternativas aos medicamentos caros e muitas vezes com efeitos colaterais (imagem: Laborat\u00f3rio de Fisiologia Celular e Biologia Molecular do Programa Interdisciplinar de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Cruzeiro do Sul)<\/p>\n<p><strong>Fernanda Bassette | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 O ch\u00e1 verde, bebida milenar reconhecida por suas propriedades medicinais e antioxidantes, tem sido amplamente estudado por seus efeitos ben\u00e9ficos em doen\u00e7as metab\u00f3licas, como obesidade e diabetes tipo 2. Estudos recentes financiados pela FAPESP (processos <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/105640\/investigacao-dos-mecanismos-moleculares-envolvidos-no-efeito-antiobesidade-da-camellia-sinensis\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>19\/10616\u20105<\/strong><\/a>, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/110275\/epiomica-uma-validacao-translacional-do-perfil-proteomico-bioquimico-e-metabolico-entre-camundongos-\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">21\/08498\u20104<\/a>\u00a0<\/strong>e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/212473\/investigacao-dos-efeitos-da-epicatequina-no-metabolismo-hepatico-de-camundongas-eutroficas-e-obesas-\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>23\/11295\u20103<\/strong><\/a>) aprofundaram o conhecimento sobre os mecanismos de a\u00e7\u00e3o dessa infus\u00e3o e constataram que o tratamento com ch\u00e1 verde reduziu o peso e melhorou significativamente a sensibilidade \u00e0 glicose e a resist\u00eancia \u00e0 insulina de camundongos obesos. Os achados refor\u00e7am a relev\u00e2ncia da bebida como potencial coadjuvante no tratamento da obesidade em humanos.<\/p>\n<p>\u00c0 frente dos estudos est\u00e1 <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/7844\/rosemari-otton\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Rosemari Otton<\/strong><\/a>, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Interdisciplinar em Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Cruzeiro do Sul. Com mais de 15 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa sobre ch\u00e1 verde, a cientista explica que a motiva\u00e7\u00e3o inicial veio da curiosidade sobre o que h\u00e1 de verdade por tr\u00e1s da cren\u00e7a popular de que a bebida ajuda a emagrecer. Os resultados do trabalho mais recente foram <a href=\"https:\/\/analyticalsciencejournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/cbf.70094\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicados<\/strong><\/a>\u00a0em junho na revista Cell Biochemistry &amp; Function.<\/p>\n<p>Para comprovar os efeitos do ch\u00e1 verde na obesidade, a equipe submeteu camundongos a dietas hipercal\u00f3ricas por quatro semanas, tanto com gordura quanto com o que chamam de \u201cdieta de cafeteria\u201d, que imita a alimenta\u00e7\u00e3o ocidental. \u201cA gente d\u00e1 chocolate, bolacha recheada, doce de leite, leite condensado&#8230; Ou seja, o mesmo tipo de alimento que muita gente consome no dia a dia\u201d, conta Otton.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa primeira fase, os animais foram submetidos ao experimento com ch\u00e1 verde por mais 12 semanas. Nesse per\u00edodo, eles continuaram com a dieta hipercal\u00f3rica, mas parte deles passou a receber extrato padronizado de ch\u00e1 verde, na dose de 500 mg por quilo de peso corporal, por via intrag\u00e1strica (gavagem).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um m\u00e9todo que garante que todos recebam a dose exata que queremos estudar. Se coloc\u00e1ssemos na \u00e1gua, por exemplo, n\u00e3o ter\u00edamos como saber quanto o animal realmente ingeriu\u201d, diz a pesquisadora. Essa quantidade, para humanos, seria o equivalente a consumir cerca de 3 gramas de ch\u00e1 verde por dia, ou tr\u00eas x\u00edcaras.<\/p>\n<p>No entanto, segundo a pesquisadora, nem todo ch\u00e1 verde comercial atende \u00e0 qualidade necess\u00e1ria. \u201cOs sach\u00eas prontos nem sempre garantem a quantidade nem a qualidade dos compostos. O ideal para consumo seria usar o extrato de ch\u00e1 verde padronizado, como os que encontramos em farm\u00e1cias de manipula\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma forma concentrada de utilizar a planta, com garantia da presen\u00e7a dos flavonoides, que s\u00e3o os compostos ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade presentes na planta do ch\u00e1 verde\u201d, ressalta Otton.<\/p>\n<p>Um dos diferenciais metodol\u00f3gicos do estudo foi a temperatura ambiente controlada. Os animais foram mantidos em ambiente de termoneutralidade (28\u202f\u00b0C) durante todo o experimento. Em geral, os biot\u00e9rios mant\u00eam temperatura m\u00e9dia de 22\u202f\u00b0C, o que, para os camundongos, representa um frio cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u201cO frio excessivo ativa mecanismos compensat\u00f3rios de regula\u00e7\u00e3o no organismo dos animais, fazendo com que gastem mais energia para se aquecer. Isso pode mascarar os efeitos reais de qualquer subst\u00e2ncia\u201d, explica a pesquisadora. \u201cSe os animais estiverem num ambiente mais frio, o efeito do ch\u00e1 \u00e9 potencializado pela ativa\u00e7\u00e3o do gasto energ\u00e9tico pelo frio. Mas, ao manter na termoneutralidade, conseguimos ver os efeitos do ch\u00e1 verde de forma \u2018limpa\u2019, sem interfer\u00eancia ambiental\u201d, explica.<\/p>\n<p>Em estudo anterior, <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00394-022-02963-3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> em agosto de 2022 pelo European Journal of Nutrition, camundongos obesos tratados com ch\u00e1 verde tiveram redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30% do peso corporal. \u201cSe uma pessoa perde de 5% a 10% do peso corporal j\u00e1 \u00e9 muito. Ent\u00e3o esse resultado nos animais \u00e9 bem significativo\u201d, afirma a professora.<\/p>\n<p><strong>Efeito muscular<\/strong><\/p>\n<p>Um outro destaque do trabalho mais recente foi a preserva\u00e7\u00e3o da morfologia muscular. A obesidade geralmente reduz o di\u00e2metro das fibras musculares, mas o ch\u00e1 verde impediu essa atrofia nos m\u00fasculos. \u201cUma das formas de avaliar a fun\u00e7\u00e3o muscular \u00e9 olhar o di\u00e2metro da fibra. Se ela aumenta, temos mais componentes musculares ativos. O ch\u00e1 verde conseguiu manter esse di\u00e2metro, o que mostra que ele protege o m\u00fasculo contra os efeitos delet\u00e9rios da obesidade\u201d, explica Otton.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dados morfol\u00f3gicos, os pesquisadores tamb\u00e9m avaliaram a express\u00e3o de genes relacionados ao metabolismo da glicose. O tratamento com ch\u00e1 verde aumentou a express\u00e3o de Insr, Irs1, Glut4, Hk1, Pi3k, genes importantes para a capta\u00e7\u00e3o e uso da glicose nos m\u00fasculos. Tamb\u00e9m foi restaurada a atividade da enzima lactato desidrogenase (LDH), essencial para o metabolismo da glicose.<\/p>\n<p>Segundo Otton, h\u00e1 tamb\u00e9m evid\u00eancias de que o ch\u00e1 verde n\u00e3o afeta o peso de animais magros, o que indica uma a\u00e7\u00e3o seletiva frente ao excesso de gordura corporal. \u201cEle faz o animal obeso emagrecer, mas mant\u00e9m equilibrado o peso do animal magro. Isso mostra que o ch\u00e1 parece precisar de um ambiente com excesso de nutrientes para atuar, o que refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que age diretamente sobre as c\u00e9lulas adiposas.\u201d<\/p>\n<p>Outro aspecto investigado pela equipe foi a a\u00e7\u00e3o dos compostos isoladamente. \u201cO ch\u00e1 verde \u00e9 uma matriz complexa, com dezenas de compostos bioativos. A gente j\u00e1 tentou separar esses compostos e estudar seus efeitos individualmente, mas o extrato integral \u00e9 sempre mais efetivo. H\u00e1 uma sinergia entre os compostos que n\u00e3o conseguimos reproduzir quando est\u00e3o isolados\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo a cientista, uma hip\u00f3tese para explicar o mecanismo de a\u00e7\u00e3o do ch\u00e1 verde na obesidade \u00e9 o envolvimento da adiponectina, uma prote\u00edna produzida pelos adip\u00f3citos com fun\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria e reguladora do metabolismo. \u201cFizemos um estudo com camundongos nocauteados para adiponectina, ou seja, que n\u00e3o a produzem. E nesses animais o ch\u00e1 verde n\u00e3o teve efeito. Isso sugere que a adiponectina \u00e9 uma pe\u00e7a-chave no mecanismo de a\u00e7\u00e3o do ch\u00e1\u201d, comenta.<\/p>\n<p><strong>Efeitos na vida real<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos resultados animadores no estudo com camundongos, Otton ressalta que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar uma dose segura e eficaz de ch\u00e1 verde para humanos, principalmente por causa da variabilidade dos extratos e do comportamento individual de cada pessoa. \u201cO ideal \u00e9 um consumo cr\u00f4nico, como vemos em pa\u00edses asi\u00e1ticos. No Jap\u00e3o, por exemplo, as pessoas consomem ch\u00e1 verde todos os dias, a vida inteira, e os \u00edndices de obesidade s\u00e3o baixos. Mas isso \u00e9 diferente de tomar ch\u00e1 por cinco meses esperando um efeito milagroso no emagrecimento\u201d, pondera.<\/p>\n<p>A pesquisadora defende que os tratamentos naturais e acess\u00edveis ganhem espa\u00e7o no combate \u00e0 obesidade, especialmente como alternativas aos medicamentos caros e muitas vezes com efeitos colaterais. \u201cA ideia \u00e9 termos compostos seguros, naturais, eficazes e com qualidade. A planta Camellia sinensis oferece isso. Ainda estamos estudando todos os compostos envolvidos, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o ch\u00e1 verde, como matriz vegetal rica em flavonoides, tem um potencial terap\u00eautico importante.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que a ci\u00eancia sempre busca construir solu\u00e7\u00f5es reais. \u201cO que a gente v\u00ea no animal nem sempre se reproduz em humanos. Mas se queremos fazer essa transla\u00e7\u00e3o para a vida real, precisamos pensar em todos os detalhes, como a temperatura ambiente. S\u00e3o esses cuidados que aumentam a validade dos nossos dados. Estamos longe de ter todas as respostas, mas estamos chegando cada vez mais perto.\u201d<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Does green tea ameliorate obesity in mice kept at thermoneutrality by modulating skeletal muscle metabolism?\u00a0pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/analyticalsciencejournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/cbf.70094\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>https:\/\/analyticalsciencejournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/cbf.70094<\/strong><\/a>.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Obesidade Ch\u00e1 verde melhora sensibilidade \u00e0 insulina e toler\u00e2ncia \u00e0 glicose em camundongos obesos Estudo em modelo animal&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":56555,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[16079,16077,16078,13423,16081,116,5949,16084,1022,32,33,117,16080,16083,16082],"class_list":{"0":"post-56554","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-camundongos","9":"tag-cha-verde","10":"tag-cobaias","11":"tag-fisiologia","12":"tag-habitos-alimentares","13":"tag-health","14":"tag-metabolismo","15":"tag-nutrigenomica","16":"tag-obesidade","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-saude","20":"tag-termoneutralidade","21":"tag-tratamentos-acessiveis","22":"tag-tratamentos-naturais"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}