{"id":5682,"date":"2025-07-28T17:08:08","date_gmt":"2025-07-28T17:08:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5682\/"},"modified":"2025-07-28T17:08:08","modified_gmt":"2025-07-28T17:08:08","slug":"esta-casa-bicolor-em-aveiro-inspirou-se-na-residencia-do-gaudi-portugues-nit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5682\/","title":{"rendered":"Esta casa bicolor em Aveiro inspirou-se na resid\u00eancia do \u201cGaud\u00ed portugu\u00eas\u201d \u2014 NiT"},"content":{"rendered":"<p>Algures no despertar do s\u00e9culo XX, o renomado arquiteto Francisco Augusto Silva Rocha \u2014 o \u201cGaud\u00ed portugu\u00eas\u201d \u2014 decidiu desenhar e erguer, em Aveiro, a sua pr\u00f3pria resid\u00eancia. Este edif\u00edcio discreto, mas com v\u00e1rios elementos singulares e caracter\u00edsticos do estilo Arte Nova, t\u00e3o caracter\u00edstico da malha urbana da cidade nesta altura, continua a ser uma das presen\u00e7as mais marcantes nesta zona.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o direta com este espa\u00e7o surge, atualmente, a Casa de S\u00e1, a partir de um desafio muito espec\u00edfico. O arquiteto queria que a interven\u00e7\u00e3o estabelecesse uma rela\u00e7\u00e3o com aquilo que est\u00e1 \u00e0 volta, mas sem deixar de pertencer a uma paisagem contempor\u00e2nea. \u201cNunca nos passou pela cabe\u00e7a imitar um tempo que n\u00e3o \u00e9 o nosso\u201d, explica \u00e0 NiT Tiago do Vale.<\/p>\n<p>Implantada num lote vazio, esta moradia surge tamb\u00e9m num territ\u00f3rio marcado pela presen\u00e7a an\u00f3nima de edif\u00edcios residenciais indiferenciados, constru\u00eddos na transi\u00e7\u00e3o para o s\u00e9culo XXI. Para os clientes, um casal com dois filhos, este \u201cgesto afirmativo\u201d foi uma \u201c\u00f3tima oportunidade\u201d para aliar uma habita\u00e7\u00e3o qualificada e um pequeno apartamento para rendimento, no r\u00e9s do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm diferentes circunst\u00e2ncias, a zona teria visto mais um pr\u00e9dio de apartamentos, o que seria uma enorme agress\u00e3o para o local. N\u00e3o quisemos fazer o mesmo\u201d, acrescenta o arquiteto, embora admita que \u201cfazer aparecer uma pe\u00e7a t\u00e3o claramente contempor\u00e2nea\u201d pode n\u00e3o ser un\u00e2nime.<\/p>\n<p>Por um lado, retoma os ritmos verticais e horizontais da fachada da casa de Silva Rocha, mantendo o esquema de dois pisos, tr\u00eas v\u00e3os e janela central nas \u00e1guas-furtadas, com p\u00e1tio superior nas traseiras, uma configura\u00e7\u00e3o recorrente na rua. O nicho sob \u201cum generoso \u00f3culo\u201d na parte de baixo \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 peculiar janela redonda da habita\u00e7\u00e3o ao lado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1487115 \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ce2851c60f24cb6d6f4d7d1400a19ac8-e1753694721269.jpg\" alt=\"\" width=\"791\" height=\"639\"  \/>Enquadra-se na envolvente.<\/p>\n<p>A Casa de S\u00e1 vive tamb\u00e9m do contraste de cores entre o preto, na parte superior, e o branco no piso t\u00e9rreo. A escolha do atelier foi uma solu\u00e7\u00e3o \u201cpara resolver o melhor poss\u00edvel a rela\u00e7\u00e3o da casa com a rua e os tr\u00eas v\u00e3os que eram muito opacos.\u201d<\/p>\n<p>Tiago optou pelo ripado, que ajuda a diferenciar a chamada, como associa\u00e7\u00e3o aos grandes armaz\u00e9ns que havia em Aveiro, muitas vezes pintados de preto, bem como as casas de Ria. \u201cHoje em dia, s\u00e3o conhecidas pelas riscas coloridas, mas originalmente eram pretas e ocre ou sangue de boi\u201d, explica.<\/p>\n<p>Depois, estabeleceu outros paralelos diretos como a pedra calc\u00e1ria que define o embasamento ou os azulejos cer\u00e2micos, que revestem o piso t\u00e9rreo, refletindo as texturas do edif\u00edcio original. Nas \u00e1reas superiores, houve ainda um jogo entre a serralharia e a madeira que se prolongam no interior.<\/p>\n<p>Esse posicionamento nunca sobrevive a passagem do tempo \u2013 olhamos para tr\u00e1s e o que \u00e9 imita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 qualificado. Portanto, esta proposta vai buscar a mesma volumetria do edif\u00edcio do lado, os seus ritmos horizontais, a janela central na cobertura, a divis\u00e3o dos pisos e at\u00e9, mesmo que n\u00e3o seja aparente, o ritmo dos v\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cEstas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante diretas e identific\u00e1veis, mas, ao mesmo tempo, com alguma irrever\u00eancia\u201d, acrescenta o respons\u00e1vel, que recusou a fachada principal face \u00e0 moradia pr\u00e9-existente para, no fundo, \u201cmostrar que h\u00e1 uma hierarquia\u201d. \u201cN\u00e3o queremos sobrepor-nos, mas criar um di\u00e1logo pac\u00edfico.\u201d<\/p>\n<p>Criou-se tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o \u201cbastante intensa\u201d com a rua, da\u00ed ter apostado num r\u00e9s do ch\u00e3o mais opaco. \u201cA rua tem um tr\u00e1fego consider\u00e1vel, ent\u00e3o era importante fazer algum tipo de separa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9, por isso mesmo, dado algum destaque ao p\u00e1tio nas traseiras, voltado para norte. N\u00e3o h\u00e1 luz direta, nem raios solares. O resultado desta distribui\u00e7\u00e3o acaba por ser um liga\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre as \u00e1reas sociais e a rua, tirando partido da ilumina\u00e7\u00e3o natural, enquanto as mais privadas relacionam-se apenas com as traseiras. Os \u00faltimos quartos foram colocados nas \u00e1reas furtadas.<\/p>\n<p>Tiago conclui: \u201cCada lugar tem a sua pr\u00f3pria cultura construtiva. Queremos, acima de tudo, propor objetivos que pertencem aos s\u00edtios. Muito antes da nossa afirma\u00e7\u00e3o, de nos pertencerem a n\u00f3s, tem de pertencer ao local em que se insere\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Carregue na galeria para ver mais imagens da Casa de S\u00e1 do fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Morgado.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Algures no despertar do s\u00e9culo XX, o renomado arquiteto Francisco Augusto Silva Rocha \u2014 o \u201cGaud\u00ed portugu\u00eas\u201d \u2014&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5683,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-5682","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5682\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}