{"id":57643,"date":"2025-09-03T20:23:20","date_gmt":"2025-09-03T20:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/57643\/"},"modified":"2025-09-03T20:23:20","modified_gmt":"2025-09-03T20:23:20","slug":"as-maratonas-de-series-fazem-nos-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/57643\/","title":{"rendered":"As maratonas de s\u00e9ries fazem-nos bem"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/close-hungry-woman-eating-popcorn-while-watching-movie-evening-home-588843678.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">Zigic Drazen  \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-698150\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/a87ff679a2f3e71d9181a67b7542122c-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Uma nova an\u00e1lise ao fen\u00f3meno do \u201cbinge-watching\u201d revelou potenciais benef\u00edcios deste comportamento, incluindo a possibilidade de os espectadores constru\u00edrem \u201cmundos mentais\u201d onde as hist\u00f3rias e personagens continuam para al\u00e9m da narrativa original.<\/strong><\/p>\n<p>Fazer <strong>maratonas a ver s\u00e9ries<\/strong> de forma compulsiva na televis\u00e3o ou nas plataformas de streaming como o Netflix faz-nos bem, conclui um novo estudo.<\/p>\n<p>Os resultados do <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0001691825004147?via%3Dihub\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, conduzido por cientistas da Universidade da Ge\u00f3rgia, nos EUA, foram apresentados num artigo recentemente publicado na Acta Psychologica.<\/p>\n<p>Os investigadores conclu\u00edram que o <strong>envolvimento mental cont\u00ednuo<\/strong> com hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s maratonas televisivas, pode<strong> melhorar a mem\u00f3ria<\/strong> e ajudar os espectadores a gerir emo\u00e7\u00f5es em per\u00edodos de stress.<\/p>\n<p>Benef\u00edcios semelhantes foram encontrados na<strong> leitura compulsiva de livros<\/strong>, embora de forma menos acentuada.<\/p>\n<p>\u201cOs seres humanos s\u00e3o criaturas que vivem de hist\u00f3rias\u201d, diz <strong>Joshua Baldwin<\/strong>, investigador da U.Georgia e autor principal do estudo, num <a href=\"https:\/\/news.uga.edu\/binge-watching\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">comunicado<\/a> da universidade.<\/p>\n<p>Baldwin sugere que as <strong>narrativas mais longas<\/strong> criadas durante maratonas de televis\u00e3o podem ajudar a <strong>satisfazer necessidades humanas b\u00e1sicas<\/strong>, como ligar-se a outras pessoas, sentir-se aut\u00f3nomo e confiante, ou at\u00e9 seguro e protegido.<\/p>\n<p>\u201c<strong>As hist\u00f3rias t\u00eam personagens que desempenham esses pap\u00e9is<\/strong>, e podemos satisfazer essas necessidades atrav\u00e9s delas\u201d, explica o investigador.<\/p>\n<p>Para explorar os potenciais benef\u00edcios de um comportamento frequentemente considerado pouco saud\u00e1vel, os cientistas recrutaram<strong> centenas de estudantes<\/strong> para dois ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Cada participante foi <strong>convidado a listar tr\u00eas hist\u00f3rias memor\u00e1veis<\/strong> de televis\u00e3o, livros e filmes que continuavam a pensar mesmo quando j\u00e1 n\u00e3o as estavam a ver ou a ler. Foram tamb\u00e9m convidados a identificar <strong>tr\u00eas hist\u00f3rias n\u00e3o memor\u00e1veis<\/strong>, de que nunca se lembravam fora do momento de visionamento ou leitura.<\/p>\n<p>Ao organizar as respostas, a equipa selecionou a hist\u00f3ria mais memor\u00e1vel e a segunda menos memor\u00e1vel de cada categoria. Os investigadores justificaram a <strong>escolha da segunda, e n\u00e3o da terceira<\/strong>, \u201cpor receio de que nem todos os participantes conseguissem listar tr\u00eas hist\u00f3rias\u201d.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0s hist\u00f3rias selecionadas, os participantes responderam a perguntas sobre o <strong>meio (televis\u00e3o, cinema ou livro)<\/strong>, a dura\u00e7\u00e3o de cada sess\u00e3o de visionamento ou leitura e a sua aprecia\u00e7\u00e3o global da narrativa.<\/p>\n<p>Em especial, cada participante foi questionado sobre a frequ\u00eancia com que interagia mentalmente com as hist\u00f3rias e personagens fora desses momentos \u2014 um processo designado de <strong>envolvimento retrospetivo-imaginativo (RII)<\/strong>.<\/p>\n<p>Um segundo conjunto de perguntas incidiu sobre a <strong>motiva\u00e7\u00e3o geral<\/strong> para ver televis\u00e3o ou ler, incluindo op\u00e7\u00f5es como \u201c<strong>expans\u00e3o de horizontes<\/strong>\u201d ou \u201cescapismo\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, cada volunt\u00e1rio respondeu a quest\u00f5es sobre a sua <strong>tend\u00eancia<\/strong> para ver televis\u00e3o de forma compulsiva, o <strong>tempo livre de que dispunha<\/strong> e os n\u00edveis de stress sentidos.<\/p>\n<p>Como esperado, a equipa verificou que os participantes que viam v\u00e1rios epis\u00f3dios de uma s\u00e9rie numa s\u00f3 sess\u00e3o<strong> apresentavam n\u00edveis mais elevados de RII<\/strong> relativamente \u00e0 hist\u00f3ria do que aqueles que viam epis\u00f3dios isolados.<\/p>\n<p>Os autores do estudo sugerem que este maior envolvimento fantasioso se deve \u00e0 <strong>maior memorabilidade das hist\u00f3rias <\/strong>acompanhadas em maratonas televisivas, em compara\u00e7\u00e3o com um consumo epis\u00f3dico.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas que t\u00eam o h\u00e1bito de ver s\u00e9ries em maratona muitas vezes n\u00e3o o fazem de forma passiva, mas <strong>continuam ativamente a pensar nelas depois<\/strong>\u201d, disse Baldwin. \u201c<strong>Querem realmente envolver-se com as hist\u00f3rias<\/strong>, mesmo quando n\u00e3o est\u00e3o a ver televis\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A equipa encontrou tamb\u00e9m <strong>correla\u00e7\u00f5es semelhantes com a leitura<\/strong> compulsiva. Baldwin afirmou que essa rela\u00e7\u00e3o fazia sentido, dado o maior envolvimento conseguido em sess\u00f5es de leitura prolongadas.<\/p>\n<p>\u201cSe pensarmos em pessoas que s\u00e3o grandes leitoras, que chegam a ler um livro inteiro de uma vez, \u00e9 prov\u00e1vel que tenham uma<strong> melhor mem\u00f3ria dessa obra<\/strong> e maior tend\u00eancia para se envolver mentalmente com a hist\u00f3ria depois de a terminarem\u201d, explicou o investigador.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise mais profundada dos question\u00e1rios revelou que a <strong>maior dura\u00e7\u00e3o<\/strong> associada \u00e0s maratonas televisivas ou de leitura tornava as hist\u00f3rias \u201cmais memor\u00e1veis\u201d, aumentando assim as probabilidades de ocorr\u00eancia de RII.<\/p>\n<p>Os autores conclu\u00edram ainda que os participantes que recorriam \u00e0 visualiza\u00e7\u00e3o compulsiva como forma de escapismo <strong>tinham maior propens\u00e3o para se envolver<\/strong> em fantasias sobre as hist\u00f3rias vistas.<\/p>\n<p>\u201cAs maratonas de televis\u00e3o podem tornar as hist\u00f3rias mais memor\u00e1veis, ajudando os espectadores a ligar os fios narrativos e a reter uma vis\u00e3o mais ampla do enredo\u201d, escreveram os investigadores. \u201cIsto \u00e9 especialmente verdade em s\u00e9ries longas, com<strong> m\u00faltiplas linhas narrativas<\/strong> e muitas personagens para acompanhar.\u201d<\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o do estudo, os cientistas recordam que ver televis\u00e3o em maratona \u201ctem sido, <strong>por vezes, encarado como uma atividade disfuncional<\/strong> associada ao excesso e \u00e0 indulg\u00eancia inconsciente\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, os resultados mostram que \u201c<strong>n\u00e3o \u00e9 sempre o caso<\/strong> de o consumo consecutivo de media ser disfuncional, como prova o envolvimento em RII dos participantes com narrativas vistas em maratona ou leituras prolongadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muito debate sobre se <strong>os media s\u00e3o bons ou maus<\/strong>, mas \u00e9 sempre uma quest\u00e3o complexa\u201d, disse Baldwin. \u201cDepende sempre do conte\u00fado em si, das raz\u00f5es que levam as pessoas a v\u00ea-lo, do contexto psicol\u00f3gico do indiv\u00edduo e da situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" 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