{"id":57684,"date":"2025-09-03T20:54:28","date_gmt":"2025-09-03T20:54:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/57684\/"},"modified":"2025-09-03T20:54:28","modified_gmt":"2025-09-03T20:54:28","slug":"redescoberto-um-dos-tubaroes-mais-raros-do-mundo-apos-mais-de-50-anos-desaparecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/57684\/","title":{"rendered":"Redescoberto um dos tubar\u00f5es mais raros do mundo ap\u00f3s mais de 50 anos &#8220;desaparecido&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Em 1970, o cientista Lionel W.C. Filewood, que deu grandes contributos para o estudo de tubar\u00f5es e raias da Papua-Nova Guin\u00e9, recolheu um tubar\u00e3o perto da foz do rio Gogol, na prov\u00edncia de Madanga, no norte desse mesmo pa\u00eds na regi\u00e3o oriental do Pac\u00edfico Sul.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos mais tarde viria esse tubar\u00e3o viria a ser descrito como uma nova esp\u00e9cie (e tamb\u00e9m um novo g\u00e9nero), de nome Gogolia filewoodi, em homenagem ao local onde foi encontrado e ao seu descobridor.<\/p>\n<p>Acontece que, desde ent\u00e3o, n\u00e3o foram identificados quaisquer outros tubar\u00f5es dessa esp\u00e9cie, apesar dos esfor\u00e7os que foram empreendidos para consegui-lo. Na Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, o G. filewoodi est\u00e1 classificado com o estatuto de \u201cInforma\u00e7\u00e3o Insuficiente\u201d, precisamente devido \u00e0 falta de indiv\u00edduos que possam ser cientificamente estudados.<\/p>\n<p>Contudo, um estudo realizado pela organiza\u00e7\u00e3o WWF da Papua-Nova Guin\u00e9 junto de comunidades piscat\u00f3rias e nos mercados desse pa\u00eds na regi\u00e3o de Madang resultaram na redescoberta do raro tubar\u00e3o. Curioso \u00e9 o facto de as equipas n\u00e3o estarem \u00e0 procura do animal, mas sim a realizar um levantamento das esp\u00e9cies de tubar\u00f5es e raias que serviria de base para o plano nacional de Papua-Nova Guin\u00e9 para proteger esses elasmobr\u00e2nquios.<\/p>\n<p>Entre fevereiro de maio de 2020, foram identificadas cinco f\u00eameas da esp\u00e9cie que haviam sido capturadas exatamente no mesmo local onde, cinco d\u00e9cadas antes, fora descoberta pela primeira vez.<\/p>\n<p>Num artigo publicado recentemente na revista \u2018<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jfb.70196\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Journal of Fish Biology<\/a>\u2019, os investigadores relatam que os cinco animais foram apanhados em mar\u00e7o desse ano perto da foz do rio Gogol, a uma profundidade de 80 metros, por um pescador que usava linha e anzol. Os tubar\u00f5es tinham todos menos de um metro de comprimento e apresentavam a caracter\u00edstica barbatana dorsal com uma base alongada.<\/p>\n<p>Dois anos depois, em setembro, um outro G. filewoodi fora capturado, no mesmo local, mas a uma profundidade de 200 metros. Era um macho, o primeiro alguma vez cientificamente registado.<\/p>\n<p>Apesar de h\u00e1 d\u00e9cadas os cientistas andarem em busca do elusivo tubar\u00e3o, os pescadores locais dizem que \u00e9 frequente apanharem, sem inten\u00e7\u00e3o, exemplares da esp\u00e9cie quando pescam na Ba\u00eda de Astrol\u00e1bio, onde desagua o Gogol. As capturas tendem a acontecer sobretudo entre mar\u00e7o e julho e entre agosto de novembro.<\/p>\n<p>No artigo, os investigadores explicam que a carne de G. filewoodi n\u00e3o \u00e9 especialmente apreciada como alimento e que as barbatanas n\u00e3o t\u00eam qualidade suficiente para entrarem no com\u00e9rcio de barbatana de tubar\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez que parece estar limitado a uma \u00e1rea muito pequena, acredita-se que esse tubar\u00e3o \u00e9 um \u201cmicroendemismo\u201d da Ba\u00eda de Astrol\u00e1bio, para onde corre o rio Gogol. Como tal, e embora ainda n\u00e3o haja dados suficientes para avaliar o seu estado de conserva\u00e7\u00e3o, os autores deste trabalho sugerem que a captura acidental pode ser um fator de amea\u00e7a para esta esp\u00e9cie de tubar\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque parece haver um aumento da pesca nessa zona, mas tamb\u00e9m porque \u201cesp\u00e9cies raras e end\u00e9micas est\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 extin\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sua distribui\u00e7\u00e3o limitada e ao aumento das amea\u00e7as antropog\u00e9nicas nos seus habitats\u201d.<\/p>\n<p>Como tal, os especialistas apelam \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de mais estudos sobre os G. filewoodi, dizendo mesmo que a esp\u00e9cie poder\u00e1 vir a ser considerada \u201cum importante \u00edcone da biodiversidade marinha da Papua-Nova Guin\u00e9\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1970, o cientista Lionel W.C. Filewood, que deu grandes contributos para o estudo de tubar\u00f5es e raias&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57685,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-57684","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57684\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}