{"id":58026,"date":"2025-09-04T03:38:10","date_gmt":"2025-09-04T03:38:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58026\/"},"modified":"2025-09-04T03:38:10","modified_gmt":"2025-09-04T03:38:10","slug":"molecula-da-saliva-do-carrapato-pode-abrir-novas-frentes-contra-a-febre-maculosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58026\/","title":{"rendered":"Mol\u00e9cula da saliva do carrapato pode abrir novas frentes contra a febre maculosa"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Biomedicina\n                            <\/p>\n<p>                            Mol\u00e9cula da saliva do carrapato pode abrir novas frentes contra a febre maculosa<\/p>\n<p class=\"summary\">Estudo apoiado pela FAPESP aponta que subst\u00e2ncia ajuda a explicar como o vetor da doen\u00e7a interage com o sistema imune humano e pode inspirar novos medicamentos anti-inflamat\u00f3rios<\/p>\n<p>\n                                 Biomedicina\n                            <\/p>\n<p>                                                        Mol\u00e9cula da saliva do carrapato pode abrir novas frentes contra a febre maculosa<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estudo apoiado pela FAPESP aponta que subst\u00e2ncia ajuda a explicar como o vetor da doen\u00e7a interage com o sistema imune humano e pode inspirar novos medicamentos anti-inflamat\u00f3rios<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/55715.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(55715,'files\/post\/55715.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">No Brasil, a febre maculosa \u00e9 causada pela bact\u00e9ria Rickettsia rickettsii, transmitida principalmente por aracn\u00eddeos do g\u00eanero Amblyomma, como o carrapato-estrela (imagem: <a href=\"https:\/\/www.inaturalist.org\/people\/finatic\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">BJ Stacey<\/a>\/<a href=\"https:\/\/www.inaturalist.org\/taxa\/263533-Amblyomma-cajennense\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">iNaturalist<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP) lideraram um estudo in\u00e9dito que identificou propriedades imunomoduladoras e anti-inflamat\u00f3rias em uma prote\u00edna da saliva do carrapato Amblyomma sculptum, vetor da febre maculosa brasileira.<\/p>\n<p>Nomeada Amblyostatin-1, a subst\u00e2ncia pode abrir novos caminhos para o enfrentamento da doen\u00e7a, marcada por altas taxas de mortalidade, ajudando a entender como o carrapato modula o sistema imune do hospedeiro e facilita a infec\u00e7\u00e3o pela bact\u00e9ria causadora da febre maculosa. A mol\u00e9cula tamb\u00e9m apresenta potencial para o desenvolvimento de medicamentos contra processos inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Financiada pela FAPESP (<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/105496\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">19\/03779-5<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/108418\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">20\/16462-7<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/110301\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">22\/02742-3<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/224765\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">24\/22525-2<\/a><\/strong>, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/206040\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">22\/07724-3<\/a><\/strong> e <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/211575\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">23\/07831-7<\/a><\/strong>), a pesquisa \u00e9 resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o internacional entre grupos do ICB-USP, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), da Czech Academy of Sciences (Rep\u00fablica Tcheca) e do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cA saliva do carrapato \u00e9 um coquetel de mol\u00e9culas bioativas. Identificar uma delas com forte a\u00e7\u00e3o imunomoduladora, como a Amblyostatin-1, \u00e9 um avan\u00e7o significativo para entender como o vetor interage com o organismo do hospedeiro e transmite a febre maculosa\u201d, explicou \u00e0 Assessoria de Imprensa do ICB-USP\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3116\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Anderson de S\u00e1 Nunes<\/a><\/strong>, um dos pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo.<\/p>\n<p>No Brasil, a febre maculosa \u00e9 causada pela Rickettsia rickettsii, uma bact\u00e9ria intracelular transmitida principalmente por carrapatos do g\u00eanero Amblyomma, como o Amblyomma sculptum. A doen\u00e7a \u00e9 considerada grave, letal e de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria: entre 2013 e 2023, foram registrados 2.059 casos e 703 mortes, o que representa uma taxa de mortalidade de cerca de 34%, segundo dados da Ag\u00eancia Brasil. Por se manifestar inicialmente com sintomas semelhantes aos da dengue e de outras doen\u00e7as comuns, a febre maculosa costuma ser diagnosticada tardiamente, o que compromete a efic\u00e1cia do tratamento. O diagn\u00f3stico precoce \u00e9 decisivo para aumentar as chances de sobreviv\u00eancia dos pacientes (leia mais em: <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/41641\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>agencia.fapesp.br\/41641<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>\u201cQuando o carrapato infectado se alimenta, ele injeta na pele do hospedeiro tanto a bact\u00e9ria quanto mol\u00e9culas da saliva capazes de suprimir a resposta imune. Isso permite que a infec\u00e7\u00e3o avance de forma silenciosa\u201d, disse o professor. \u201cEstudar essas mol\u00e9culas, como a Amblyostatin-1, nos ajuda a compreender os mecanismos que favorecem a transmiss\u00e3o da febre maculosa e pode, no futuro, orientar estrat\u00e9gias para bloquear essa infec\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa foi <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/immunology\/articles\/10.3389\/fimmu.2025.1585703\/full\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicada<\/strong><\/a> no peri\u00f3dico cient\u00edfico internacional Frontiers in Immunology.<\/p>\n<p><strong>Como a Amblyostatin-1 atua<\/strong><\/p>\n<p>A Amblyostatin-1 pertence \u00e0 fam\u00edlia das cistatinas, prote\u00ednas que inibem enzimas do tipo ciste\u00edno proteases chamadas catepsinas. Essas enzimas desempenham pap\u00e9is importantes no sistema imune e em processos inflamat\u00f3rios. No estudo, a mol\u00e9cula demonstrou seletividade na inibi\u00e7\u00e3o de catepsinas espec\u00edficas, como a catepsina S e a catepsina L, associadas a processos de ativa\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A catepsina S, por exemplo, \u00e9 essencial para a ativa\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas dendr\u00edticas, enquanto a catepsina L atua na resposta inflamat\u00f3ria dos neutr\u00f3filos. Ao inibir essas enzimas, a Amblyostatin-1 demonstrou ser capaz de reduzir significativamente a ativa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas dendr\u00edticas e a inflama\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea em modelos animais.<\/p>\n<p>\u201cSab\u00edamos que essas mol\u00e9culas poderiam modular o sistema imune, mas um estudo anterior, que teve a participa\u00e7\u00e3o do nosso grupo de pesquisa, mostrou que a Amblyostatin-1 se destacou por ser a cistatina expressa em maiores n\u00edveis durante a alimenta\u00e7\u00e3o do carrapato, o que sugeria um papel relevante na intera\u00e7\u00e3o com o hospedeiro\u201d, detalha S\u00e1 Nunes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Amblyostatin-1 apresentou baix\u00edssima imunogenicidade, ou seja, n\u00e3o induziu a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos nos animais. Esse \u00e9 um fator importante para o desenvolvimento de medicamentos de uso prolongado, j\u00e1 que o corpo tende a neutralizar subst\u00e2ncias reconhecidas como estranhas. \u201cEssa caracter\u00edstica faz da Amblyostatin-1 um ant\u00edgeno silencioso, ou seja, uma mol\u00e9cula que o organismo n\u00e3o reconhece como uma amea\u00e7a. Isso permite seu uso cont\u00ednuo sem perda de efic\u00e1cia, algo desej\u00e1vel em tratamentos de longo prazo para doen\u00e7as inflamat\u00f3rias\u201d, complementa o professor do ICB.<\/p>\n<p>O artigo Amblyostatin-1, the first salivary cystatin with host immunomodulatory and anti-inflammatory properties from the Neotropical tick Amblyomma sculptum, vector of Brazilian spotted fever pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/immunology\/articles\/10.3389\/fimmu.2025.1585703\/full\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>www.frontiersin.org\/journals\/immunology\/articles\/10.3389\/fimmu.2025.1585703\/full<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Biomedicina Mol\u00e9cula da saliva do carrapato pode abrir novas frentes contra a febre maculosa Estudo apoiado pela FAPESP&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58027,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[16391,16399,16398,16396,10888,12566,16390,16389,16400,116,16394,16392,16397,32,33,16393,117,10290,16395],"class_list":{"0":"post-58026","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-amblyomma-sculptum","9":"tag-amblyostatina-1","10":"tag-bioatividade","11":"tag-biologia-celular","12":"tag-biologia-molecular","13":"tag-carrapatos","14":"tag-doencas-transmitidas-por-carrapatos","15":"tag-entomologia-medica","16":"tag-febre-maculosa","17":"tag-health","18":"tag-imunomodulacao","19":"tag-interacoes-hospedeiro-parasita","20":"tag-patogeno","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-saliva","24":"tag-saude","25":"tag-sistema-imune","26":"tag-vacina-anti-carrapato"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58026\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}