{"id":58165,"date":"2025-09-04T07:20:35","date_gmt":"2025-09-04T07:20:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58165\/"},"modified":"2025-09-04T07:20:35","modified_gmt":"2025-09-04T07:20:35","slug":"mercado-cresce-compra-e-leitura-ainda-irregulares-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58165\/","title":{"rendered":"mercado cresce, compra e leitura ainda irregulares \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O estudo \u201cH\u00e1bitos de Compra e Leitura em Portugal\u201d, apresentado esta quarta-feira pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), revela que 76% dos portugueses admitem ter h\u00e1bitos de leitura, embora apenas 58% tenham adquirido livros no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Num mercado editorial que manteve crescimento em 2024, com um aumento de 9% para os 204 milh\u00f5es de euros, sobre os anteriores 187 milh\u00f5es, 76% dos portugueses afirmaram ter lido pelo menos um livro no ano passado, verificando-se um ligeiro crescimento face a 2023 (73%), mas a quantidade de livros lidos por pessoa, no universo da popula\u00e7\u00e3o desceu para uma m\u00e9dia de 5,3, abaixo dos 5,6 do ano anterior.<\/p>\n<p>Entre os leitores, o n\u00famero m\u00e9dio de livros lidos tamb\u00e9m diminuiu, passando de 7,9 em 2023 para 7,2 em 2024, segundo o estudo desenvolvido pela Gfk, para a APEL, que o apresentou esta quarta-feira no encontro Book 2.0 \u2014 O Futuro da Leitura, a decorrer at\u00e9 quinta-feira na Funda\u00e7\u00e3o Champalimaud, em Lisboa, .<\/p>\n<p>\u201cEstes resultados confirmam que, apesar do crescimento sustentado do mercado do livro em Portugal evidenciar uma base est\u00e1vel de leitores, e apesar dos avan\u00e7os verificados nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e no acesso aos livros, a compra de livros e a leitura n\u00e3o s\u00e3o, ainda, uma pr\u00e1tica regular nem um h\u00e1bito di\u00e1rio fortemente enraizado na maioria das fam\u00edlias portuguesas\u201d, disse Miguel Pauseiro, presidente da APEL, citado pelo dossier de apresenta\u00e7\u00e3o do estudo.<\/p>\n<p>\u201cO papel da escola, das fam\u00edlias e da sociedade em geral \u00e9 crucial para que o livro seja definitivamente visto como uma ferramenta essencial de cidadania e de desenvolvimento do potencial humano e para que a leitura se transforme num h\u00e1bito sustent\u00e1vel ao longo da vida\u201d, sublinhou o representante de editores e livreiros.<\/p>\n<p>A leitura por lazer \u00e9 uma atividade praticada por cerca de 60% dos portugueses com 15 ou mais anos, segundo o estudo, que preferem o livro em papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>As mulheres e as pessoas entre os 35 e os 54 anos est\u00e3o entre os mais leais ao livro, com a faixa et\u00e1ria entre os 25 e os 34 anos a apresentar o maior \u00edndice de leitura. O maior crescimento da ades\u00e3o \u00e0 leitura situa-se entre os 15 e os 24 anos.<\/p>\n<p>A falta de interesse e de tempo est\u00e3o entre os principais motivos para o afastamento da leitura. Entre os n\u00e3o leitores, que representam cerca de um em cada quatro residentes em Portugal e percecionam a escola como decisiva no refor\u00e7o dos h\u00e1bitos de leitura adquiridos em casa (40%), as raz\u00f5es mais apontadas para a aus\u00eancia de leitura s\u00e3o a falta de interesse (46%), a falta de tempo (39%) e a prefer\u00eancia por outras atividades de lazer (35%).<\/p>\n<p>Em termos globais, a leitura surge atr\u00e1s de outras ocupa\u00e7\u00f5es de tempos livres, como conviver com amigos (mais de 90%), estar nas redes sociais (84%), ver televis\u00e3o em geral (72%), assistir a eventos culturais ou desportivos (72%) e praticar desporto (63%).<\/p>\n<p>Em termos de compra de livros, em Portugal, o estudo reflete uma descida em 2024 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior: 58% dos residentes adquiriram livros no ano passado, contra 65% em 2023, com uma m\u00e9dia de 3,9 exemplares por pessoa, para 4,8 em 2023.<\/p>\n<p>O mercado livreiro, no entanto, registou em 2024 um crescimento em valor de 9%, alcan\u00e7ando os 204 milh\u00f5es de euros, face aos 187 milh\u00f5es de 2023.<\/p>\n<p>Para a APEL, a conjuga\u00e7\u00e3o destes dados aponta para uma maior concentra\u00e7\u00e3o da compra de livros no universo dos leitores, com destaque para a faixa et\u00e1ria entre os 35 e os 54 anos (82%).<\/p>\n<p>O romance continua a ser a categoria com maior procura (66% em 2024; 61% em 2023), seguido pelo policial e romance hist\u00f3rico, ambos com 45%, e pelo infantojuvenil com 40% em 2024 (42% em 2023).<\/p>\n<p>Quem comprou livros em 2024 f\u00ea-lo sobretudo para consumo pr\u00f3prio (82%, igual a 2023) ou para oferecer (34%, contra 44% em 2023).<\/p>\n<p>Em julho, quando da apresenta\u00e7\u00e3o do encontro Book 2.0, o presidente da APEL, Miguel Pauseiro, disse que os n\u00fameros relativos aos \u00faltimos anos s\u00e3o entusiasmantes, embora haja ainda muito por fazer.<\/p>\n<p>\u201cEntre 2021 e 2024, o mercado livreiro cresceu um pouco mais de 30% em valor e um pouco menos de 30% em unidades [livros vendidos]. Os primeiros meses de 2025 apontam no mesmo sentido\u201d, com \u201cgrande tra\u00e7\u00e3o\u201d nas redes sociais e clubes de leitura, \u201ccom muita atividade e partilha\u201d.<\/p>\n<p>Para Miguel Pauseiro, \u201ctudo isto \u00e9 bom, mas ainda se l\u00ea pouco em Portugal, ler ainda n\u00e3o \u00e9 um h\u00e1bito di\u00e1rio, regular e transversal a toda a sociedade\u201d, com os indicadores \u2018per capita\u2019 a situarem-se entre \u201cos mais baixos da Europa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstamos 30% abaixo de Espanha, 40% abaixo de It\u00e1lia, 80% abaixo dos Pa\u00edses Baixos, no Reino Unido compra-se mais do dobro dos livros \u2018per capita\u2019 e em Fran\u00e7a compra-se quase quatro vezes mais. O n\u00famero de livrarias em Portugal \u00e9 criticamente baixo quando comparado com estes pa\u00edses\u201d, afirmou ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, presente na apresenta\u00e7\u00e3o do Book 2.0, disse por seu lado que \u201cum pa\u00eds que valoriza o livro \u00e9 um pa\u00eds que compreende que educar n\u00e3o \u00e9 apenas transmitir conhecimento, mas tamb\u00e9m formar esp\u00edrito cr\u00edtico, sensibilidade e imagina\u00e7\u00e3o\u201d, levando a \u201cuma sociedade mais preparada, mais livre e mais consciente das escolhas que faz\u201d.<\/p>\n<p>Na altura, Margarida Balseiro Lopes anunciou que o Governo vai avan\u00e7ar com a segunda edi\u00e7\u00e3o do cheque-livro at\u00e9 ao final do ano, e que o valor atribu\u00eddo a cada um desses vales ser\u00e1 refor\u00e7ado, depois de a primeira edi\u00e7\u00e3o, no valor de 20 euros, ter apresentado uma taxa de execu\u00e7\u00e3o de 20%.<\/p>\n<p>Para o presidente da APEL, \u201co valor \u00e9 relevante\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 num ano que vamos fazer leitores, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 com 20 euros\u201d, valor que ficou \u201cmuito longe\u201d dos 100 euros propostos pela associa\u00e7\u00e3o, mais \u201ccompagin\u00e1vel com o objetivo de criar leitores\u201d, segundo Miguel Pauseiro.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se criam leitores com a compra de um livro, criam-se leitores com uma regularidade do h\u00e1bito da leitura e, portanto, isso pressup\u00f5e mais do que uma compra\u201d, defendeu ent\u00e3o o respons\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O estudo \u201cH\u00e1bitos de Compra e Leitura em Portugal\u201d, apresentado esta quarta-feira pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Editores e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":58166,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,315,114,115,864,170,32,33],"class_list":{"0":"post-58165","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-literatura","13":"tag-livros","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}