{"id":58569,"date":"2025-09-04T14:35:04","date_gmt":"2025-09-04T14:35:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58569\/"},"modified":"2025-09-04T14:35:04","modified_gmt":"2025-09-04T14:35:04","slug":"adocantes-aceleram-o-declinio-cognitivo-alerta-estudo-da-usp-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58569\/","title":{"rendered":"Ado\u00e7antes aceleram o decl\u00ednio cognitivo, alerta estudo da USP"},"content":{"rendered":"<p>Os ado\u00e7antes artificiais s\u00e3o frequentemente comercializados como op\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis ao a\u00e7\u00facar. No entanto, um crescente n\u00famero de evid\u00eancias cient\u00edfica aponta para riscos associado ao consumo destes compostos. O estudo mais recente, publicado nesta quarta-feira (3) na revista cient\u00edfica Neurology, indica que alguns ado\u00e7antes est\u00e3o associados a um decl\u00ednio cognitivo mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u2014 Ado\u00e7antes de baixa ou nenhuma caloria s\u00e3o frequentemente vistos como uma alternativa saud\u00e1vel ao a\u00e7\u00facar, no entanto, nossas descobertas sugerem que quem consome muito ado\u00e7ante pode estar piorando sua cogni\u00e7\u00e3o \u2014 diz a autora s\u00eanior do estudo, a m\u00e9dica Claudia Kimie Suemoto, professora de geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira vez que um estudo t\u00e3o abrangente analisa o impacto do consumo de substitutos do a\u00e7\u00facar na sa\u00fade cerebral. O mesmo grupo j\u00e1 havia publicado a primeira evid\u00eancia que associava o consumo de ultraprocessados ao decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tOportunidade \u00fanica\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tCart\u00e3o Legacy: muito al\u00e9m de um servi\u00e7o\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" class=\"w-full h-full object-cover\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1756996504_451_900-x-300-com-texto-na-imagem-11.png\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>Uma sequ\u00eancia natural, segundo Suemoto, \u00e9 tentar isolar os elementos que est\u00e3o presentes na alimenta\u00e7\u00e3o ultraprocessada e que tenha, talvez, associa\u00e7\u00e3o com decl\u00ednio cognitivo, como os ado\u00e7antes. Outra motiva\u00e7\u00e3o para a pesquisa foi a experi\u00eancia pessoal da m\u00e9dica, que costumava usar muito ado\u00e7ante. E por fim, havia evid\u00eancias recentes associando o uso de ado\u00e7ante com maior risco de c\u00e2ncer e talvez de doen\u00e7a cardiovascular.<\/p>\n<p>No trabalho, pesquisadores da USP analisaram dados de 12.772 adultos de todo o Brasil, participantes do estudo Elsa Brasil (Estudo Longitudinal de Sa\u00fade do Adulto), que acompanha os mesmos indiv\u00edduos ao longo do tempo, avaliando-os periodicamente, para verificar mudan\u00e7as em vari\u00e1veis espec\u00edficas. A idade m\u00e9dia foi de 52 anos e os participantes foram acompanhados por uma m\u00e9dia de oito anos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do estudo, os participantes responderam a question\u00e1rios sobre dieta, detalhando o que comeram e beberam no \u00faltimo ano. Os ado\u00e7antes analisados foram aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose. Eles s\u00e3o encontrados principalmente em alimentos ultraprocessados, como \u00e1gua saborizada, refrigerantes, bebidas energ\u00e9ticas, iogurte e sobremesas de baixa caloria. Alguns tamb\u00e9m s\u00e3o usados \u200b\u200bcomo ado\u00e7ante independente.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Os participantes ent\u00e3o foram divididos em tr\u00eas grupos com base na quantidade total de ado\u00e7antes artificiais consumidos. O grupo com menor consumo tinha uma ingest\u00e3o di\u00e1ria m\u00e9dia de 20 miligramas por dia e o grupo com maior consumo, 191 mg\/dia, em m\u00e9dia. Para o aspartame, essa quantidade equivale a uma lata de refrigerante diet. O sorbitol apresentou o maior consumo, com uma m\u00e9dia de 64 mg\/dia.<\/p>\n<p><strong>Leia mais: <a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/saude\/adeus-refri-zero-pesquisa-aponta-maior-risco-de-diabetes-por-consumo-de-adocantes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Adeus refri zero? Pesquisa aponta maior risco de diabetes por consumo de ado\u00e7antes<\/a><\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio, meio e no fim do estudo, os volunt\u00e1rios foram submetidos a testes cognitivos para monitorar a mem\u00f3ria, a linguagem e as habilidades de pensamento ao longo do tempo. Os testes avaliaram \u00e1reas como flu\u00eancia verbal, mem\u00f3ria de trabalho, recorda\u00e7\u00e3o de palavras e velocidade de processamento.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ajuste para fatores como idade, sexo, press\u00e3o alta e doen\u00e7as cardiovasculares, os resultados mostraram que pessoas que consumiram as maiores quantidades di\u00e1rias de ado\u00e7ante apresentaram decl\u00ednios um decl\u00ednio 62% mais r\u00e1pido, em compara\u00e7\u00e3o com aquelas que consumiram as menores quantidades. Isso equivale a cerca de 1,6 ano de envelhecimento.<\/p>\n<p>Aqueles no grupo intermedi\u00e1rio apresentaram um decl\u00ednio 35% mais r\u00e1pido do que o grupo mais baixo, equivalente a cerca de 1,3 ano de envelhecimento. Em rela\u00e7\u00e3o ao decl\u00ednio da flu\u00eancia verbal, os participantes nos dois grupos de mais alto consumo apresentaram taxas 110% e 173% maiores, respectivamente. Os maiores consumidores tamb\u00e9m tiveram uma taxa de decl\u00ednio de mem\u00f3ria 32% mais alta que os demais.<\/p>\n<p>Quando os pesquisadores dividiram os resultados por idade, descobriram que pessoas com menos de 60 anos que consumiram as maiores quantidades de ado\u00e7antes apresentaram decl\u00ednios mais r\u00e1pidos na flu\u00eancia verbal e na cogni\u00e7\u00e3o geral, em compara\u00e7\u00e3o com aquelas que consumiram as menores quantidades.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Segundo Suemoto, esse achado pode estar associado a uma quest\u00e3o cultural, j\u00e1 que pessoas mais jovens tendem a usar mais ado\u00e7ante do que os mais velhos. Os pesquisadors tamb\u00e9m descobriram que a liga\u00e7\u00e3o com o decl\u00ednio cognitivo mais r\u00e1pido era mais forte em participantes com diabetes do que naqueles sem a doen\u00e7a, que s\u00e3o justamente as mais propensas a usarem substitutos do a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Ao analisar ado\u00e7antes individualmente, o consumo de aspartame, sacarina, acessulfame-k, eritritol, sorbitol e xilitol foi associado a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido na cogni\u00e7\u00e3o geral, particularmente na mem\u00f3ria. Por outro lado, n\u00e3o foi encontrada nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de tagatose e o decl\u00ednio cognitivo. No entanto, isso n\u00e3o significa que seu consumo esteja liberado e ela seja totalmente segura.<\/p>\n<p>Embora o estudo tenha mostrado uma associa\u00e7\u00e3o entre o uso de alguns ado\u00e7antes artificiais e o decl\u00ednio cognitivo, como se trata de um estudo observacional, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que esses compostos causaram o decl\u00ednio. Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que os resultados s\u00e3o fortes o suficiente para reduzir o consumo de ado\u00e7antes.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 importante ressalta que n\u00e3o existe uma evid\u00eancia conclusiva de causa e efeito. Mas se voc\u00ea tem um sinal de que o consumo de ado\u00e7antes provavelmente n\u00e3o faz bem para c\u00e2ncer, para a sa\u00fade cardiovascular e para a sa\u00fade cerebral, acho que as pessoas t\u00eam que ficar cada vez mais estimuladas a n\u00e3o ado\u00e7arem \u2014 pontua a pesquisadora, que reduziu seu pr\u00f3prio consumo ap\u00f3s este estudo.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m ressalta para a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o de mais pesquisas, n\u00e3o s\u00f3 para confirmar essas descobertas em outras popula\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m para investigar se outras alternativas ao a\u00e7\u00facar refinado, como compota de ma\u00e7\u00e3, mel, xarope de bordo ou a\u00e7\u00facar de coco, podem ser alternativas eficazes.<\/p>\n<p>\u2014 Se isso for realmente confirmado em mais de um estudo, j\u00e1 \u00e9 o suficiente n\u00e3o s\u00f3 mudar o h\u00e1bito individual de cada um, mas tamb\u00e9m a gente come\u00e7ar a pensar em pol\u00edticas p\u00fablicas, como a inclus\u00e3o de alertas nas embalagens \u2014 avalia Suemoto.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas como o ado\u00e7ante poderia prejudicar a sa\u00fade cerebral, existem algumas hip\u00f3teses, como neurotoxicidade e neuroinflama\u00e7\u00e3o provocados por produtos resultantes da degrada\u00e7\u00e3o dos ado\u00e7antes artificiais.<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o seria o potencial dos ado\u00e7antes artificiais de alterar a microbiota intestinal, o que pode impactar a toler\u00e2ncia \u00e0 glicose e afetar a integridade da barreira hematoencef\u00e1lica, uma estrutura que envolve e protege o sistema nervoso central de agressores, sejam mol\u00e9culas ou microrganismos.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 conseguimos mostrar que os alimentos ultraprocessados t\u00eam uma associa\u00e7\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o cerebral e agora tamb\u00e9m, essa quest\u00e3o dos ado\u00e7antes \u2014 diz Paulo Lotufo, um dos autores do estudo e professor titular da Faculdade de Medicina da USP. \u2014 Eu sempre usei ado\u00e7ante. Mas confesso que quando a gente terminou o trabalho, comecei a reduzir e fui me acostumando a tomar caf\u00e9 sem ado\u00e7ante, coisa que eu nunca imaginei que eu ia fazer. E por a\u00ed vai, reduzindo ao m\u00e1ximo o refrigerante diet\u00e9tico, mudando v\u00e1rios h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es do estudo incluem o fato de que nem todos os ado\u00e7antes artificiais foram inclu\u00eddos. Por exemplo, sucralose e st\u00e9via, dois ado\u00e7antes bastante usados atualmente, ficaram de fora porque eles n\u00e3o estavam entre os mais consumidos no Brasil nos anos do estudo, que come\u00e7ou em 2008. Apesar disso, outros estudos j\u00e1 levantaram problemas semelhantes tamb\u00e9m sobre a sucralose, associando o consumo desse ado\u00e7ante \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do desempenho da mem\u00f3ria e da fun\u00e7\u00e3o executiva. Al\u00e9m disso, informa\u00e7\u00f5es sobre a dieta foram relatadas pelos participantes, que podem n\u00e3o se lembrar com precis\u00e3o de tudo o que comeram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os ado\u00e7antes artificiais s\u00e3o frequentemente comercializados como op\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis ao a\u00e7\u00facar. 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