{"id":58804,"date":"2025-09-04T18:05:07","date_gmt":"2025-09-04T18:05:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58804\/"},"modified":"2025-09-04T18:05:07","modified_gmt":"2025-09-04T18:05:07","slug":"uso-de-adocante-pode-estar-relacionado-a-demencia-04-09-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/58804\/","title":{"rendered":"Uso de ado\u00e7ante pode estar relacionado a dem\u00eancia &#8211; 04\/09\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Talvez seja melhor ter mais modera\u00e7\u00e3o ao trocar o a\u00e7\u00facar pelo ado\u00e7ante na hora do cafezinho. Uma nova pesquisa cient\u00edfica revelou que o ado\u00e7ante pode estar relacionado \u00e0 perda de mem\u00f3ria e ao decl\u00ednio de diferentes fun\u00e7\u00f5es cognitivas.<\/p>\n<p>O resultado do trabalho mostra que o consumo de altas doses di\u00e1rias de ado\u00e7ante pode acelerar a perda de capacidades cognitivas em 62%, com preju\u00edzos mais pronunciados entre pessoas com 35 a 60 anos de idade. Pacientes com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/diabetes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">diabetes<\/a> tamb\u00e9m se mostraram mais propensos a sofrer de neurodegenera\u00e7\u00e3o ao usar altos n\u00edveis de dulcificantes.<\/p>\n<p>Segundo Claudia Suemoto, professora da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e coordenadora respons\u00e1vel pela pesquisa, j\u00e1 existem evid\u00eancias de que o uso de ado\u00e7antes pode causar problemas como c\u00e2ncer e doen\u00e7as cardiovasculares e metab\u00f3licas, mas o novo estudo traz de forma in\u00e9dita uma medida dos efeitos dessas subst\u00e2ncias tamb\u00e9m na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Para chegar a esses resultados, a equipe de pesquisadores usou dados do ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Sa\u00fade do Adulto), com informa\u00e7\u00f5es de mais de 12 mil participantes coletadas entre 2008 e 2010. Durante a pesquisa, todos os volunt\u00e1rios tiveram de detalhar suas dietas, e com isso os cientistas conseguiram mensurar tanto o consumo intencional de ado\u00e7antes quanto a ingest\u00e3o de dulcificantes incorporados a alimentos ultraprocessados.<\/p>\n<p>Ainda, a performance cognitiva dessas pessoas foi avaliada no come\u00e7o, no meio e no fim do per\u00edodo de estudo usando protocolos padr\u00e3o. Os pesquisadores avaliaram aspectos como flu\u00eancia verbal, mem\u00f3ria e velocidade de racioc\u00ednio. Por fim, as an\u00e1lises estat\u00edsticas foram ajustadas para eliminar poss\u00edveis fatores de<strong> <\/strong>confus\u00e3o \u2014idade, sexo, n\u00edvel de atividade f\u00edsica, \u00edndice de massa corporal e morbidades (diabetes ou hipertens\u00e3o).<\/p>\n<p>Os resultados jogam luz aos efeitos delet\u00e9rios de ado\u00e7antes sobre a nossa sa\u00fade. Suemoto, contudo, chama aten\u00e7\u00e3o para as limita\u00e7\u00f5es do trabalho. Em primeiro lugar, como a pesquisa ainda \u00e9 nova, \u00e9 preciso replicar os resultados em outros estudos ao redor do mundo. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para mudar pol\u00edticas p\u00fablicas baseado apenas em um \u00fanico estudo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pesquisas sobre os efeitos na sa\u00fade de elementos espec\u00edficos da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/dieta\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dieta<\/a> t\u00eam muitos fatores de confus\u00e3o que s\u00e3o dif\u00edceis de isolar. Participantes que possuem maus h\u00e1bitos alimentares tamb\u00e9m t\u00eam tend\u00eancia a outros h\u00e1bitos ruins, como sedentarismo e tabagismo, e problemas de sa\u00fade, como diabetes e hipertens\u00e3o, que influenciam os resultados.<\/p>\n<p>Nesse estudo, os pesquisadores buscaram ajustar estatisticamente o que foi poss\u00edvel. &#8220;Ainda assim, algum grau de confus\u00e3o residual existe. A gente pode ajustar o que mediu&#8221;, diz Suemoto. Tal limita\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito para a robustez dos resultados, que foram <a href=\"https:\/\/www.neurology.org\/doi\/10.1212\/WNL.0000000000214023\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicados nesta quarta-feira (3) na prestigiada revista Neurology<\/a>.<\/p>\n<p>Por fim, como os dados foram coletados entre 2008 e 2010, a pesquisa n\u00e3o inclui a sucralose entre os ado\u00e7antes estudados. Essa subst\u00e2ncia, que \u00e9 amplamente utilizada hoje no pa\u00eds, ainda n\u00e3o estava dispon\u00edvel comercialmente \u00e0 \u00e9poca. Outras evid\u00eancias cient\u00edficas, entretanto, revelam que este dulcificante n\u00e3o deve ter efeitos diferentes dos demais.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/full\/10.1161\/STROKEAHA.116.016027\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo<\/a> de 2017 com 1.500 participantes com mais de 60 anos mostrou que o consumo de bebidas ado\u00e7adas artificialmente aumentou os riscos de AVC (acidente vascular cerebral) isqu\u00eamico, dem\u00eancia geral e dem\u00eancia da doen\u00e7a de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alzheimer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alzheimer<\/a>. Entre as bebidas analisadas estavam aquelas com adi\u00e7\u00e3o de sucralose.<\/p>\n<p>Manuella Toledo Matias, geriatra do Hospital Universit\u00e1rio Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Para\u00edba), afirma que a aten\u00e7\u00e3o para fatores de risco modific\u00e1veis de dem\u00eancia, entre eles a alimenta\u00e7\u00e3o, pode reduzir em 40% a chance de desenvolver essas doen\u00e7as. Nesse sentido, a especialista destaca a import\u00e2ncia de eliminar o uso de ado\u00e7antes, se poss\u00edvel, ou troc\u00e1-los por seus equivalentes naturais. Al\u00e9m disso, segundo ela, \u00e9 importante consumir mais alimentos in natura e evitar ultraprocessados. &#8220;Devemos descascar mais e desembalar menos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre o consumo de ultraprocessados e o decl\u00ednio cognitivo j\u00e1 est\u00e1 bem estabelecida no meio cient\u00edfico. Aqui no Brasil, <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamaneurology\/fullarticle\/2799140\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">resultados do pr\u00f3prio ELSA<\/a> mostraram que uma dieta baseada em comida industrializada com baixo teor nutritivo est\u00e1 relacionada a um aumento de 28% na velocidade do avan\u00e7o da dem\u00eancia. Os resultados, que tamb\u00e9m foram obtidos pelo time de pesquisa da professora Suemoto, serviram de motiva\u00e7\u00e3o para o trabalho mais recente, voltado para os efeitos espec\u00edficos dos ado\u00e7antes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez seja melhor ter mais modera\u00e7\u00e3o ao trocar o a\u00e7\u00facar pelo ado\u00e7ante na hora do cafezinho. 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