{"id":59132,"date":"2025-09-04T23:05:25","date_gmt":"2025-09-04T23:05:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59132\/"},"modified":"2025-09-04T23:05:25","modified_gmt":"2025-09-04T23:05:25","slug":"ron-howard-explora-utopia-em-eden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59132\/","title":{"rendered":"Ron Howard Explora Utopia em &#8216;Eden&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Iniciada h\u00e1 quase meio s\u00e9culo, a carreira de Ron Howard como realizador distingue-se por uma curiosa diversidade. Lembremos apenas dois dos seus t\u00edtulos mais recentes: The Beatles: Eight Days a Week (2016), document\u00e1rio centrado na lend\u00e1ria digress\u00e3o americana do quarteto de Liverpool, ou a epopeia familiar Lamento de uma Am\u00e9rica em Ru\u00ednas (2020), baseada num livro de mem\u00f3rias de JD Vance (atual vice-presidente dos EUA). Agora, <strong>com <\/strong><strong>Eden<\/strong><strong>, reencontramos o gosto pelas adapta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias reais, neste caso inspirando-se na experi\u00eancia de Margret Wittmer (1904-2000), uma alem\u00e3 que integrou o primeiro grupo de colonos que se fixaram na ilha Floreana<\/strong>, no arquip\u00e9lago de Col\u00f3n (ilhas Gal\u00e1pagos), algures na solid\u00e3o imensa do oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Pela singeleza com que tenta retratar uma ilus\u00e3o ut\u00f3pica, t\u00edpica de um colonialismo \u201crom\u00e2ntico\u201d, <strong>este \u00e9 um filme fora do seu tempo<\/strong>. Ali\u00e1s, at\u00e9 mesmo difundido num tempo desgarrado. Ao contr\u00e1rio das grandes produ\u00e7\u00f5es dos EUA que chegam, quase em simult\u00e2neo, aos espetadores internacionais, Eden foi revelado no Festival de Toronto de 2024, estreou-se na Alemanha em abril deste ano, tendo surgido nas salas dos EUA h\u00e1 pouco mais de uma semana.<\/p>\n<p><strong>Ron Howard parece procurar o esp\u00edrito aventureiro de algum cinema de Hollywood produzido, sobretudo, na d\u00e9cada de 50<\/strong> \u2014 lembremos A Rainha Africana (1951) de John Huston, com o par Humphrey Bogart\/Katharine Hepburn. O certo \u00e9 que aquilo que Eden tem para oferecer n\u00e3o passa de uma vers\u00e3o meramente instrumental das peculiaridades desse cinema,  como se a acumula\u00e7\u00e3o de paisagens ex\u00f3ticas, entrecortadas por di\u00e1logos de pueril \u201cfilosofia\u201d, bastasse para fazer passar alguma vibra\u00e7\u00e3o genuinamente humana.<\/p>\n<p><strong>Friedrich Ritter e Dore Strauch (Jude Law e Vanessa Kirby) s\u00e3o os \u201cs\u00edmbolos\u201d desse desejo de construir um mundo liberto dos v\u00edcios da civiliza\u00e7\u00e3o, mas a sua exist\u00eancia vai-se transfigurando num cruel exerc\u00edcio de sobreviv\u00eancia.<\/strong> Margaret Wittmer e o marido (Sydney Sweeney e Daniel Br\u00fchl) chegam a Floreana esperando encontrar os \u00eaxtases da sua imagina\u00e7\u00e3o, sendo depois seguidos por uma baronesa algo exc\u00eantrica que, al\u00e9m de querer construir um hotel naquele cen\u00e1rio inclemente, \u201cobriga\u201d a talentosa Ana de Armas a um absoluto desastre interpretativo&#8230; <\/p>\n<p><strong>No final, s\u00e3o-nos mostradas fotografias de Margaret Wittmer e das outras personagens retratadas.<\/strong> Subitamente, durante breves segundos, tais imagens transportam alguma verdade f\u00edsica e an\u00edmica que Eden nunca consegue sugerir. O filme de Ron Howard comete mesmo a \u201cproeza\u201d de nem sequer saber tirar partido da exuber\u00e2ncia das paisagens (a maior parte do estado australiano de Queensland), filmadas com a ret\u00f3rica grosseira de um an\u00fancio de perfume&#8230; A utopia est\u00e1 morta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Iniciada h\u00e1 quase meio s\u00e9culo, a carreira de Ron Howard como realizador distingue-se por uma curiosa diversidade. 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