{"id":59842,"date":"2025-09-05T14:27:29","date_gmt":"2025-09-05T14:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59842\/"},"modified":"2025-09-05T14:27:29","modified_gmt":"2025-09-05T14:27:29","slug":"acabou-o-mantra-de-crescer-primeiro-poluir-e-limpar-depois-diz-banco-mundial-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59842\/","title":{"rendered":"Acabou o mantra de \u201ccrescer primeiro, poluir e limpar depois\u201d, diz Banco Mundial | Sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p>A degrada\u00e7\u00e3o dos solos, a polui\u00e7\u00e3o do ar e o stress h\u00eddrico representam uma amea\u00e7a econ\u00f3mica global directa, mas uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos naturais poderia reduzir a polui\u00e7\u00e3o para metade, revela um relat\u00f3rio do Banco Mundial, que contraria a ideia de que o crescimento econ\u00f3mico acaba por resultar em melhorias ambientais, \u00e0 medida que os n\u00edveis de rendimento dos pa\u00edses aumentam\u200b.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/documents.worldbank.org\/en\/publication\/documents-reports\/documentdetail\/099082225151536569\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Reiniciar o desenvolvimento: a economia de um planeta habit\u00e1vel<\/a>, publicado pelo Banco Mundial no final de Agosto, descreve que \u201ca pegada da humanidade cresceu de tal forma\u201d que, actualmente, 92% da popula\u00e7\u00e3o mundial enfrenta pelo menos uma das tr\u00eas formas de polui\u00e7\u00e3o, estando exposta \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, a riscos acrescidos para a \u00e1gua ou a solos degradados.<\/p>\n<p>Mas a an\u00e1lise demonstra que os problemas ambientais ocorrem muitas vezes em simult\u00e2neo: cerca de 78% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposta a pelo menos duas destas press\u00f5es ambientais e 20% \u2014 uma em cada cinco pessoas no planeta \u2014 est\u00e1 exposta \u00e0s tr\u00eas.<\/p>\n<p>Isto aumenta n\u00e3o apenas os riscos enfrentados pelas popula\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m os desafios no desenho de pol\u00edticas eficazes. \u201cA abordagem isolada de um factor de stress ambiental pode ter benef\u00edcios limitados se persistirem outros riscos sobrepostos\u201d, l\u00ea-se no documento.<\/p>\n<p>Solos e florestas<\/p>\n<p>Os danos resultantes da polui\u00e7\u00e3o s\u00e3o particularmente graves nos pa\u00edses com baixos rendimentos, mais amea\u00e7ados pela pobreza, pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e pela perda de biodiversidade, onde cerca de 80% das pessoas est\u00e3o expostas aos tr\u00eas tipos de polui\u00e7\u00e3o, afirmou Axel van Trotsenburg, um dos directores-gerais do Banco Mundial, \u00e0 ag\u00eancia Reuters.<\/p>\n<p>No Sul da \u00c1sia, por exemplo, 92% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposta \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar e aos riscos da \u00e1gua, estando os restantes 8% expostos aos tr\u00eas factores de stress. Do mesmo modo, na \u00c1frica Subsariana, 30% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposta \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar e aos riscos da \u00e1gua, e 66% est\u00e1 exposta aos tr\u00eas factores de stress.<\/p>\n<p>Entre os pa\u00edses mais afectados encontra-se o Burundi, onde oito milh\u00f5es de pessoas enfrentam riscos de polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e do ar e sete milh\u00f5es enfrentam a degrada\u00e7\u00e3o dos solos. No Malawi, 12 milh\u00f5es de pessoas enfrentam os tr\u00eas riscos em simult\u00e2neo, elenca o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O Banco Mundial calcula ainda que as florestas contribuem para a forma\u00e7\u00e3o de cerca de metade das nuvens de chuva do mundo. Assim, conclui o relat\u00f3rio, a desfloresta\u00e7\u00e3o reduz a precipita\u00e7\u00e3o a um custo de 14 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, s\u00f3 na regi\u00e3o de nove pa\u00edses na Amaz\u00f3nia Internacional, o que representa um impacto significativo para os pa\u00edses afectados.<\/p>\n<p>Isto tamb\u00e9m significa que as paisagens s\u00e3o menos capazes de armazenar e libertar humidade lentamente ao longo do tempo, o que amplifica os efeitos das secas e resulta num preju\u00edzo de 379 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, ou seja, 8% da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica agr\u00edcola mundial.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aborda ainda o \u201cparadoxo do azoto\u201d \u2014 os fertilizantes aumentam os rendimentos, mas a sua utiliza\u00e7\u00e3o excessiva em algumas regi\u00f5es prejudica as culturas e os ecossistemas.<\/p>\n<p>J\u00e1 passou a era do \u201climpar depois\u201d<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Banco Mundial demonstra que as amea\u00e7as ecol\u00f3gicas causadas pela \u201cincapacidade de manter um planeta habit\u00e1vel\u201d, frequentemente vistas como distantes, passaram a ter impactos econ\u00f3micos reais, que est\u00e3o a ocorrer agora.<\/p>\n<p>Ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, os recursos naturais \u201cimpulsionaram o desenvolvimento, apoiando a sa\u00fade, a alimenta\u00e7\u00e3o, a energia e as oportunidades econ\u00f3micas\u201d, mas num planeta de recursos finitos os limites est\u00e3o a tornar-se cada vez mais vis\u00edveis, pondo em risco o pr\u00f3prio progresso que ajudaram a criar, l\u00ea-se no documento.<\/p>\n<p>Desligar a degrada\u00e7\u00e3o ambiental do crescimento econ\u00f3mico \u00e9 um dos grandes desafios globais contempor\u00e2neos, vis\u00edvel em esfor\u00e7os como a descarboniza\u00e7\u00e3o das actividades econ\u00f3micas, mas os investigadores defendem que o pensamento econ\u00f3mico tamb\u00e9m tem que mudar de forma mais profunda.<\/p>\n<p>\u200b\u201cTemos repetido este mantra de que os pa\u00edses precisam de crescer primeiro, poluir e limpar depois\u201d\u200b, afirma Richard Damania, economista-chefe do Banco Mundial para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e co-autor do relat\u00f3rio, citado pela Reuters.\u200b \u201cO que estas provas nos dizem \u00e9 que isso \u00e9 simplesmente falso.\u201d<\/p>\n<p>Fica arrumada a hip\u00f3tese da \u201c<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/05\/25\/economia\/noticia\/anda-por-ai-um-novo-marx-1637139\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">curva de Kuznets<\/a> ambiental\u201d, segundo a qual o crescimento econ\u00f3mico conduz inicialmente \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental, mas acaba por resultar em melhorias ambientais \u00e0 medida que os n\u00edveis de rendimento aumentam. A an\u00e1lise do Banco Mundial sugere, pelo contr\u00e1rio, que &#8220;o crescimento econ\u00f3mico tem um impacto negativo persistente na biodiversidade em v\u00e1rias fases de desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, a mensagem do relat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 de restri\u00e7\u00e3o, mas de possibilidade: \u201cQuando gerida de forma sensata, a natureza pode impulsionar o crescimento, criar emprego e refor\u00e7ar a resili\u00eancia\u201d, e uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos \u201cproduz benef\u00edcios que excedem largamente os custos\u201d. A redu\u00e7\u00e3o da pegada ambiental \u00e9, ali\u00e1s, um dos resultados de \u201cmaximizar a efici\u00eancia\u201d do ponto de vista econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Contexto fracturante<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio adverte que os custos ocultos da polui\u00e7\u00e3o \u2014 que \u200b\u201c\u200bprejudica silenciosamente a sa\u00fade, a produtividade e a cogni\u00e7\u00e3o, minando o potencial humano\u201d \u2014 s\u00e3o demasiado elevados para serem ignorados.<\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es, o relat\u00f3rio insta os pa\u00edses a reorientar os subs\u00eddios actualmente gastos em actividades prejudiciais, como a explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, apelando a uma mudan\u00e7a para \u201csectores mais limpos\u201d e para a produ\u00e7\u00e3o de \u201ccoisas melhores\u201d, que proporcionam novas fontes de crescimento, criando mais empregos por cada d\u00f3lar investido.<\/p>\n<p>Esta proposta para \u201c\u200breiniciar o desenvolvimento\u201d, contudo, \u00e9 publicada num contexto pol\u00edtico fracturante.<\/p>\n<p>O Banco Mundial e outros credores multilaterais aguardam o resultado de uma revis\u00e3o das suas opera\u00e7\u00f5es pelos EUA \u2014 o maior accionista individual do banco \u2014, ordenada pelo Presidente Donald Trump, em Fevereiro.<\/p>\n<p>Avizinham-se tamb\u00e9m dif\u00edceis negocia\u00e7\u00f5es sobre o financiamento clim\u00e1tico na COP30, a cimeira que se realiza em Novembro, no Brasil. Os dados do Banco Mundial permitem fundamentar as discuss\u00f5es sobre a degrada\u00e7\u00e3o ambiental entre os governos dos seus membros.<\/p>\n<p>Axel van Trotsenburg garante que o Banco Mundial est\u00e1 empenhado em dar resposta a estes desafios, numa altura em que muitos pa\u00edses reduziram os or\u00e7amentos de ajuda internacional. \u201cO nosso compromisso \u00e9 acabar com a pobreza num planeta habit\u00e1vel, ponto final. N\u00e3o vacilaremos nesta mat\u00e9ria\u201d, assegura van Trotsenburg.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A degrada\u00e7\u00e3o dos solos, a polui\u00e7\u00e3o do ar e o stress h\u00eddrico representam uma amea\u00e7a econ\u00f3mica global directa,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":59843,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[964,785,16861,27,28,6391,476,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,119,23,24,16862,3204,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-59842","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-ambiente","9":"tag-azul","10":"tag-banco-mundial","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cop30","14":"tag-economia","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-poluicao","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-recursos-naturais","31":"tag-sustentabilidade","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59842\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}