{"id":59948,"date":"2025-09-05T16:06:19","date_gmt":"2025-09-05T16:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59948\/"},"modified":"2025-09-05T16:06:19","modified_gmt":"2025-09-05T16:06:19","slug":"estudo-avalia-como-complicacoes-por-arboviroses-estao-associadas-a-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/59948\/","title":{"rendered":"Estudo avalia como complica\u00e7\u00f5es por arboviroses est\u00e3o associadas \u00e0 desigualdade"},"content":{"rendered":"<p>Um novo estudo da Fiocruz, publicado na revista <a href=\"https:\/\/linkinghub.elsevier.com\/retrieve\/pii\/S2667193X25001875\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Lancet Regional Health Americas<\/a>, investiga a dengue e a chikungunya e como elas afetam diferentes popula\u00e7\u00f5es em contextos vulner\u00e1veis no Brasil. O resultado mostra que negros e ind\u00edgenas t\u00eam maior n\u00famero de anos de vida perdidos nas duas doen\u00e7as, quando comparados com pessoas brancas. Enquanto negros s\u00e3o os que mais perdem anos de vida pela chikungunya, os ind\u00edgenas s\u00e3o os que mais perdem anos de vida pela dengue. Em ambos os casos, os dois grupos morrem em m\u00e9dia 22 anos antes do esperado. Se comparado a pessoas brancas, esse n\u00famero n\u00e3o passa de 13 anos.<\/p>\n<p>Ao prestar aten\u00e7\u00e3o em quem s\u00e3o os mais afetados neste ciclo persistente de desigualdades, as comunidades que convivem com barreiras de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe sofrem maior impacto negativo. \u201cA motiva\u00e7\u00e3o do estudo nasce \u00e0 medida em que enxergamos que h\u00e1 desigualdades no Brasil e, a partir desta constata\u00e7\u00e3o, medimos o quanto isso reflete na vida das pessoas que adoeceram por dengue ou chikungunya\u201d, explica Thiago Cerqueira-Silva, pesquisador associado ao Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs) da Fiocruz Bahia e l\u00edder do estudo.<\/p>\n<p>O artigo utiliza dados de casos notificados das duas doen\u00e7as no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), totalizando mais de 13 milh\u00f5es de casos de dengue e outros 1 milh\u00e3o de chikungunya. A an\u00e1lise foi feita levando em conta a hospitaliza\u00e7\u00e3o e a mortalidade, tendo em vista os fatores de risco como idade, sexo e comorbidades. O artigo tamb\u00e9m mediu os anos de vida perdidos de pessoas com essas doen\u00e7as, revelando um impacto desigual da dengue e chikungunya por regi\u00e3o geogr\u00e1fica e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Cerqueira-Silva os resultados demonstram que h\u00e1 um problema estrutural em rela\u00e7\u00e3o a esses grupos que os torna mais vulner\u00e1veis a complica\u00e7\u00f5es causadas por estas doen\u00e7as. \u201cEsta escolha de quantificar os anos de vida perdidos em grupos distintos \u00e9 um diferencial da abordagem do nosso estudo no que diz respeito \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o das duas doen\u00e7as, essa \u00e9 a estrat\u00e9gia que utilizamos para descrever o impacto da desigualdade no Brasil\u201d, comenta o l\u00edder do estudo in\u00e9dito. Os anos de vida perdidos podem ser interpretados como quantos anos as pessoas poderiam ter vivido em m\u00e9dia caso n\u00e3o tivessem morrido de forma precoce por estas doen\u00e7as. \u00a0<\/p>\n<p><strong>Risco aumentado por regi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Ao olhar para diferentes regi\u00f5es, foi poss\u00edvel perceber que os jovens do Norte e do Nordeste concentraram mais anos de vida perdidos tanto por dengue quanto por chikungunya, se comparados aos do Sul e Sudeste. Informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1ria ao expor os grupos que mais sofrem as consequ\u00eancias destas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Considerando outras caracter\u00edsticas das popula\u00e7\u00f5es, a idade \u00e9 o fator de pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o para as duas doen\u00e7as, com as crian\u00e7as menores de 1 ano e os idosos apresentando maiores riscos de adoecimento. Pessoas com hist\u00f3rico de doen\u00e7as, a exemplo da diabetes ou hipertens\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e3o sob maior risco de perda de tempo de vida.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es do estudo incentivam pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade que combatam desigualdades estruturais presentes no Brasil. Mais do que isso, os pesquisadores ressaltam que \u00e9 importante o monitoramento das a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica pelo governo de forma estratificada por regi\u00e3o, etnias e ra\u00e7as, pois \u201c\u00e9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m de m\u00e9dias nacionais ao avaliar o resultado de pol\u00edticas p\u00fablicas. Uma pol\u00edtica pode parecer um sucesso na m\u00e9dia nacional, mas pode estar falhando em cuidar de grupos espec\u00edficos\u201d, conclui Cerqueira-Silva. O <a href=\"https:\/\/cidacs.bahia.fiocruz.br\/aesop\/implementacao-do-sistema-aesop-integrado-plano-de-acao-para-reducao-de-arboviroses-do-ministerio-da-saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Plano de A\u00e7\u00e3o para Redu\u00e7\u00e3o da Dengue e outras Arboviroses<\/a> \u00e9 um esfor\u00e7o levado em considera\u00e7\u00e3o no combate \u00e0s doen\u00e7as transmitidas por mosquitos.<\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es do estudo v\u00e3o de encontro com a impossibilidade de investigar os agentes determinantes da desigualdade, seja por piores condi\u00e7\u00f5es de vida, seja por menor acesso a bens e servi\u00e7os de sa\u00fade, dentre outras quest\u00f5es que mobilizam maior aten\u00e7\u00e3o em torno do tema. Participaram do estudo as institui\u00e7\u00f5es parceiras London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um novo estudo da Fiocruz, publicado na revista The Lancet Regional Health Americas, investiga a dengue e a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":59949,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[5725,16887,1891,116,32,33,117,16888],"class_list":{"0":"post-59948","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-chikungunya","9":"tag-cidacs-fiocruz-bahia","10":"tag-dengue","11":"tag-health","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude","15":"tag-the-lancet-regional-health-americas"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59948\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}