{"id":60274,"date":"2025-09-05T21:24:11","date_gmt":"2025-09-05T21:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/60274\/"},"modified":"2025-09-05T21:24:11","modified_gmt":"2025-09-05T21:24:11","slug":"justin-bieber-nao-ha-fome-que-nao-de-em-fartura-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/60274\/","title":{"rendered":"Justin Bieber: n\u00e3o h\u00e1 fome que n\u00e3o d\u00ea em fartura | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>A sequela: uma epidemia cl\u00e1ssica de Hollywood. Por cada O Padrinho: Parte II, h\u00e1 uma dezena de continua\u00e7\u00f5es que, mais do que prolongar a magia da primeira vez, s\u00e3o esfor\u00e7os c\u00ednicos \u2014 e transparentes nesse cinismo \u2014 para infectar as bilheteiras e multiplicar os cifr\u00f5es. Ordenhar uma s\u00f3 vaca leiteira, p\u00f4r a render a mesma propriedade intelectual. Tende a correr melhor na m\u00fasica do que no cinema, sobretudo se n\u00e3o surgirem d\u00e9cadas depois, para fintar desde logo as acusa\u00e7\u00f5es de fal\u00eancia criativa, da necessidade de ressuscitar velhas gl\u00f3rias.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o melhor cen\u00e1rio poss\u00edvel: a oportunidade de escutar mais, conhecer novas imagens de um per\u00edodo f\u00e9rtil. Com Swag II, Justin Bieber segue o exemplo da sua conterr\u00e2nea Carly Rae Jepsen: poucos meses ap\u00f3s um primeiro tomo, lan\u00e7a o segundo, no mesmo comprimento de onda est\u00e9tico e emotivo. Jepsen n\u00e3o interessa para esta hist\u00f3ria s\u00f3 por lan\u00e7ar discos-irm\u00e3os em anos consecutivos (<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/02\/culturaipsilon\/critica\/carly-rae-jepsen-amor-vezes-amor-menos-pop-cheia-acucar-2058861\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">com um controlo de qualidade descomunal<\/a>). Foi ela a autora de Emotion (2015), \u00e1lbum-charneira que for\u00e7ou a cr\u00edtica musical a deixar de julgar a m\u00fasica pop como saco de pancada. E foi nesta aurora que Bieber editou Purpose, avaliado n\u00e3o por pirra\u00e7a, mas por aquilo que era: um trabalho maduro, de pop dan\u00e7\u00e1vel com aspartame tropical, a c\u00e1psula de 2015.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, n\u00e3o lhe pesa tanto o estatuto de mini-\u00eddolo esgani\u00e7ado. O que o trama \u00e9 a auto-sabotagem de diva, os interl\u00fadios com que pontua os discos (num deles equiparou a sua luta \u00e0 de Martin Luther King, noutro certifica-se de que \u201ca pele [dele] \u00e9 branca, mas a alma \u00e9 negra\u201d), e o apetite por serm\u00f5es bem literais. Swag II \u00e9 mais caridoso nesse sentido: s\u00f3 mesmo no finzinho vem uma faixa inteiramente falada de oito minutos, em que Bieber narra o G\u00e9nesis da perspectiva de Ad\u00e3o. OK!<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Outra vez sob o signo do cristianismo e da monogamia, continuamos na lua de mel eterna, aqui como na vida real: uma alegria na primeira pessoa, um mart\u00edrio para quem v\u00ea de fora a pieguice pegada. N\u00e3o se verificam os rumores de que este seria o contraponto super pop de Swag: a paisagem \u00e9 a mesma, R&amp;B caseiro, desta vez um pouco mais polido. Mant\u00eam-se: as teclas sint\u00e9ticas de 1980 e troca o passo; as baterias percutidas com gosto; o timbre juvenil de Bieber, cantor ex\u00edmio que n\u00e3o poucas vezes se esquece do primor t\u00e9cnico da pop industrial. As guitarras, novamente let\u00e1rgicas, deslizam, a sonhar com um groove \u2014 mas enquanto o primeiro Swag n\u00e3o desistia at\u00e9 agarrar esse groove, o segundo cap\u00edtulo passa pelas brasas e perde-o quase sempre.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/youtu.be\/pSH9Ji8-pjI?si=uUuH5h0S9VSHpc-B\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p>Muito se ganha, na verdade, com as escolhas tomadas na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, que apresentam can\u00e7\u00f5es doces numa mistura algo crua: torna mais tang\u00edveis a impaci\u00eancia em Don\u2019t wanna (que evoca o ritmo de Michael Jackson em Wanna be startin\u2019 somethin\u2019) e a co-depend\u00eancia em Dotted line (que, parecendo gravada num telem\u00f3vel, d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o vagamente voyeurista). Open up your heart \u00e9 uma balada de est\u00e1dio, de isqueiro em riste, ouvida atrav\u00e9s do equivalente sonoro de uma c\u00e2mara besuntada de vaselina.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que Swag II priorize a forma sobre a subst\u00e2ncia, porque n\u00e3o faltam aqui m\u00fasicas competentes (s\u00e3o 22 faixas sem contar com a tal autobiografia de Ad\u00e3o). Mel\u00f3dicas q.b., bem cantadas e harmonizadas, e que ainda assim n\u00e3o t\u00eam interesse algum, n\u00e3o guardam surpresa alguma (s\u00e3o exemplos Petting zoo, Lyin\u2019, When it\u2019s over). As cinco can\u00e7\u00f5es depois de Love song \u2014 em que Mk.gee volta a atacar a guitarra com aquela palheta letal \u2014 poder\u00e3o servir como suplemento de melatonina, tal \u00e9 a sonol\u00eancia causada em sucessivas audi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/youtu.be\/pSH9Ji8-pjI?si=Rp-cuCAL8l4zLnOE\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 sempre alguma sacudidela para nos despertar. At\u00e9 \u00e9 pena que Speed demon fique logo ao in\u00edcio: n\u00e3o sendo uma vers\u00e3o de Michael Jackson, o ritmo solu\u00e7ante (reminiscente de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ri5pgDDSSD8\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Zillionaire<\/a>, da brit\u00e2nica Nao) d\u00e1-nos um Bieber electrificado, como se encontra tamb\u00e9m em Bad honey (a malha de guitarra d\u00e1 ares de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=n-qK5MNSwoE\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Prince na era Lovesexy<\/a>). Moving fast, epifania pulsante em tempo real, faz um bom par com Butterflies do \u00e1lbum anterior, tal como Safe space, com um big beat inesperadamente brutal, melhora outra faixa do primeiro Swag (Dadz love).<\/p>\n<p>S\u00e3o impress\u00f5es raras neste \u00e1lbum que \u00e9 o contraponto de Swag apenas num sentido: o primeiro volume revela-se com o tempo, este parece tornar-se mais ba\u00e7o. Um disco de barriga inchada, que \u00e9 o que acontece quando a lua-de-mel se arrasta por demasiado tempo (uma hora e 13 minutos, neste caso). Mas talvez isto seja s\u00f3 a inveja a falar.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n             <a class=\"embedly-card\" data-card-controls=\"0\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ULTXmaDQLVk\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A sequela: uma epidemia cl\u00e1ssica de Hollywood. 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