{"id":60894,"date":"2025-09-06T11:37:16","date_gmt":"2025-09-06T11:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/60894\/"},"modified":"2025-09-06T11:37:16","modified_gmt":"2025-09-06T11:37:16","slug":"medicamento-para-tumores-cerebrais-reduz-risco-em-61-05-09-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/60894\/","title":{"rendered":"Medicamento para tumores cerebrais reduz risco em 61% &#8211; 05\/09\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/anvisa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Anvisa<\/a>) aprovou, no dia 11 de agosto, o registro do medicamento vorasidenibe para uso e comercializa\u00e7\u00e3o no Brasil. Ele foi desenvolvido para atuar como uma terapia-alvo no tratamento de pessoas diagnosticadas com astrocitoma e oligodendroglioma, dois tipos raros de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a> que afetam o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/08\/pesquisa-brasileira-investiga-proteina-do-cerebro-que-pode-ajudar-a-regenerar-nervos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> sistema nervoso central<\/a>.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do f\u00e1rmaco foi atestada no ensaio cl\u00ednico Investigating Vorasidenib in Glioma (Indigo), conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores e descrito em um artigo cient\u00edfico <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2304194\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicado no peri\u00f3dico New England Journal of Medicine<\/a> em junho de 2023. &#8220;Foi a an\u00e1lise dessa pesquisa que a Anvisa utilizou como base para regulamentar o vorasidenibe&#8221;, explica o oncologista Donato Callegaro Filho, do Einstein Hospital Israelita.<\/p>\n<p>No ensaio, os pesquisadores respons\u00e1veis verificaram que os volunt\u00e1rios em tratamento com o vorasidenibe passaram a apresentar uma m\u00e9dia de sobrevida livre de progress\u00e3o da doen\u00e7a de 27,7 meses. A janela \u00e9 significantemente maior do que aquela apresentada pelo grupo placebo, que n\u00e3o recebeu a medica\u00e7\u00e3o, cuja m\u00e9dia sobrevida livre foi de 11,1 meses.<\/p>\n<p>Esse resultado representa uma redu\u00e7\u00e3o de quase 61% no risco de progress\u00e3o ou morte dos pacientes que receberam a medica\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso \u00e9 especialmente importante para preservar a qualidade de vida em pessoas mais jovens&#8221;, pontua a oncologista cl\u00ednica Ligia Traldi Macedo, do Hospital de Cl\u00ednicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que tamb\u00e9m atua como pesquisadora do Centro de Inova\u00e7\u00e3o Teran\u00f3stica em C\u00e2ncer (CancerThera).<\/p>\n<p>Outro destaque da pesquisa \u00e9 que o per\u00edodo at\u00e9 que uma nova interven\u00e7\u00e3o fosse necess\u00e1ria tamb\u00e9m foi significativamente maior no grupo que tomou o medicamento: ap\u00f3s 24 meses, 83% dos pacientes que usaram vorasidenibe n\u00e3o haviam precisado de outro tratamento, contra 27% dos que receberam o placebo.<\/p>\n<p>O fato de o vorasidenibe ser um comprimido oral e ter poucos efeitos colaterais facilita seu uso. &#8220;Esse fator pode torn\u00e1-lo mais toler\u00e1vel para os pacientes continuarem com o tratamento em longo prazo. N\u00e3o \u00e9 um medicamento curativo, mas \u00e9 mais uma ferramenta para ajudar a ter um controle da doen\u00e7a por mais tempo&#8221;, observa Callegaro Filho.<\/p>\n<p>Como funciona o medicamento<\/p>\n<p>O rem\u00e9dio \u00e9 um comprimido de 10mg ou 40mg de uso di\u00e1rio, que age especificamente sobre muta\u00e7\u00f5es nas enzimas metab\u00f3licas conhecidas como isocitrato desidrogenases 1 e 2 (IDH-1 e IDH-2), presentes nesses tumores.<\/p>\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas levam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o excessiva de uma subst\u00e2ncia chamada 2-hidroxiglutarato (2-HG), que interfere na divis\u00e3o celular e no DNA normal do paciente, contribuindo para o crescimento do c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O vorasidenibe reduz a produ\u00e7\u00e3o de 2-HG ao bloquear a a\u00e7\u00e3o das enzimas mutadas, atrasando o avan\u00e7o da doen\u00e7a e at\u00e9 reduzindo o volume do tumor. &#8220;Da\u00ed a vantagem do medicamento&#8221;, afirma o m\u00e9dico do Einstein. &#8220;Essa alternativa oral adia abordagens de tratamento mais complexas, como a radioterapia e a quimioterapia, que podem ter efeitos colaterais prejudiciais em longo prazo.&#8221;<\/p>\n<p>Alternativa mais segura de tratamento<\/p>\n<p>O astrocitoma e o oligodendroglioma s\u00e3o considerados tumores espor\u00e1dicos, que raramente t\u00eam uma causa heredit\u00e1ria associada. Eles podem surgir em qualquer regi\u00e3o do c\u00e9rebro nas c\u00e9lulas da glia (que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de envolver e nutrir os neur\u00f4nios, mantendo-os unidos) e se desenvolver de forma bastante lenta.<\/p>\n<p>Os sintomas variam de acordo com o local atingido e o tamanho do tumor. Mas, no geral, se manifestam por meio de epis\u00f3dios de convuls\u00e3o e, a longo prazo, dor de cabe\u00e7a e d\u00e9ficits neurol\u00f3gicos progressivos, como altera\u00e7\u00e3o na fala, mudan\u00e7a no comportamento ou dificuldade motora.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica desses quadros parte de uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica cl\u00ednica, acompanhada por exames de imagem, como tomografia computadorizada e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. A confirma\u00e7\u00e3o do caso se d\u00e1 por via histol\u00f3gica, a partir da an\u00e1lise de uma amostra do tecido tumoral, coletada em cirurgia.<\/p>\n<p>Durante esse procedimento, os m\u00e9dicos j\u00e1 tentam retirar o m\u00e1ximo poss\u00edvel da \u00e1rea afetada sem causar novos d\u00e9ficits neurol\u00f3gicos \u2014mas n\u00e3o h\u00e1 garantia de que tudo ser\u00e1 removido. &#8220;Os astrocitomas e oligodendrogliomas s\u00e3o chamados de tumores \u2018difusos\u2019 porque se infiltram no tecido cerebral de forma pouco delimitada, dificultando sua remo\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta Ligia Macedo.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Feita a cirurgia, o paciente que conseguiu ter uma ressec\u00e7\u00e3o radical do tecido cancer\u00edgeno segue em observa\u00e7\u00e3o para monitorar poss\u00edvel recrescimento do tumor. J\u00e1 nos casos em que ainda existe res\u00edduo, discute-se um tratamento complementar. &#8220;At\u00e9 agora, esse cuidado era restrito a radioterapia, quimioterapia ou outra cirurgia. Mas o vorasidenibe representa uma nova perspectiva terap\u00eautica&#8221;, afirma a m\u00e9dica Fernanda Salek, diretora de Oncologia da farmac\u00eautica francesa Servier, fabricante do medicamento.<\/p>\n<p>Entrada no mercado brasileiro<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 Ag\u00eancia Einstein, a Anvisa reitera que a indica\u00e7\u00e3o aprovada \u00e9 para o tratamento de gliomas (astrocitoma e oligodendroglioma) de baixo grau com muta\u00e7\u00e3o em IDH-1 ou IDH-2. &#8220;Os pacientes devem ser maiores do que 12 anos e terem sido submetidos a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica pr\u00e9via, incluindo bi\u00f3psia, ressec\u00e7\u00e3o subtotal ou ressec\u00e7\u00e3o macrosc\u00f3pica total, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia imediata.&#8221;<\/p>\n<p>Embora o registro do vorasidenibe tenha sido concedido pela Anvisa, ele ainda precisa passar por algumas etapas antes de poder ser comercializado. Uma delas \u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara de Regula\u00e7\u00e3o do Mercado de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicamentos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Medicamentos<\/a> (CMED), \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os dos rem\u00e9dios no pa\u00eds. Ap\u00f3s essa aprova\u00e7\u00e3o, o f\u00e1rmaco come\u00e7ar\u00e1 a ser importado, j\u00e1 que n\u00e3o ser\u00e1 produzido no pa\u00eds, segundo a fabricante.<\/p>\n<p>Para ser inclu\u00eddo no rol de medicamentos cobertos pelos conv\u00eanios particulares, o vorasidenibe tamb\u00e9m precisa passar por avalia\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a> (ANS). J\u00e1 para sua oferta pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sus\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SUS<\/a>), a an\u00e1lise envolve outras inst\u00e2ncias, como a Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS (Conitec). Esses processos costumam levar meses ou anos at\u00e9 a conclus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) aprovou, no dia 11 de agosto, o registro do medicamento vorasidenibe&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":60895,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[5671,1776,4288,236,116,5059,3083,1208,32,33,2197,2198,117,4483],"class_list":{"0":"post-60894","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-anvisa","9":"tag-cancer","10":"tag-cerebro","11":"tag-folha","12":"tag-health","13":"tag-medicamento","14":"tag-medicamentos","15":"tag-medicina","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-quimioterapia","19":"tag-radioterapia","20":"tag-saude","21":"tag-sus"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}