{"id":61067,"date":"2025-09-06T14:32:18","date_gmt":"2025-09-06T14:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61067\/"},"modified":"2025-09-06T14:32:18","modified_gmt":"2025-09-06T14:32:18","slug":"a-sombra-de-camus-um-estrangeiro-convincente-em-veneza-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61067\/","title":{"rendered":"\u00c0 sombra de Camus, um estrangeiro convincente em Veneza \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Ou seja, lenha para se queimar era coisa que a Ozon n\u00e3o faltava \u00e0 partida. Quando o cineasta evocou influ\u00eancia bressoniana para este filme em particular, temeu-se o pior, tantos j\u00e1 foram por a\u00ed e estatelaram-se. Mas Ozon foi \u00e0 raiz do livro sem copiar ningu\u00e9m. E mostrou em Veneza um filme convincente e seguro, protegido de qualquer ret\u00f3rica sentimental. A op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do preto e branco \u00e9 aposta ganha, gera uma ambi\u00eancia distante, espectral, que sugere a dist\u00e2ncia que separa Meursault do mundo, personagem t\u00e3o actual ontem como hoje. Ozon fecha com Killing an Arab, uma das primeiras can\u00e7\u00f5es dos The Cure, influenciada na mesma fonte.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma obra-prima, encarreguei-me de escrever e pedir pessoalmente ao Robert Smith que me deixasse us\u00e1-la nos cr\u00e9ditos finais\u201d, contou entretanto o cineasta em entrevista ao Observador. \u201cA banda trata essa can\u00e7\u00e3o com um zelo muito particular. Durante longos anos, foi mal interpretada, usada por radicais xen\u00f3fobos e extremistas que nunca leram Camus. Tentei que este filme voltasse a coloc\u00e1-la no seu verdadeiro contexto.\u201d De resto, \u00e9 por causa da can\u00e7\u00e3o dos The Cure que\u00a0L\u2019\u00c9tranger\u00a0n\u00e3o arranca com a celeb\u00e9rrima primeira frase do romance: \u201cAujourd\u2019hui, maman est morte.\u201d O filme come\u00e7a de outra maneira: \u201cJ\u2019ai tu\u00e9 un arabe.\u201d H\u00e1 uma resson\u00e2ncia forte nesta inten\u00e7\u00e3o \u201cque fala dos dias que correm\u201d, concluiu o realizador.<\/p>\n<p>A House of Dynamite, em contraponto, correu mal a Kathryn Bigelow e\u00a0\u00e9 porventura o pior filme da autora de Estranhos Prazeres e Estado de Guerra. De t\u00e3o altas que estavam, as expectativas levaram a esta queda sonante. Chegar\u00e1 em data a anunciar \u00e0 grelha da Netflix sem que se saiba, por enquanto, qual ser\u00e1 o seu percurso nas salas. Ideia do filme? Um m\u00edssil bal\u00edstico intercontinental, com origem remota no Pac\u00edfico (alude-se diversas vezes \u00e0 Coreia do Norte para evitar embara\u00e7os diplom\u00e1ticos mais bicudos), desloca-se \u00e0 velocidade de 6 km por segundo em direc\u00e7\u00e3o a Chicago, metr\u00f3pole com 10 milh\u00f5es de habitantes. Desloca-se t\u00e3o r\u00e1pido, que o GBI americano (Ground-Based Interceptor) n\u00e3o consegue trav\u00e1-lo. E a Am\u00e9rica entra em p\u00e2nico.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe nuclear nunca chega a ter representa\u00e7\u00e3o no ecr\u00e3 \u2014 Bigelow prefere us\u00e1-la como est\u00edmulo e fonte de ansiedade em contagem decrescente (durante o percurso do m\u00edssil impar\u00e1vel), ficcionando com o rigor que se conhece \u00e0 cineasta as reac\u00e7\u00f5es de diversas fontes de poder dos EUA. Acompanhamos essa diversidade de respostas nos poucos minutos que o pa\u00eds tem para reagir, do Minist\u00e9rio da Defesa \u00e0 Stratcom (comando estrat\u00e9gico) do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Emerg\u00eancia Presidencial \u00e0 resposta do pr\u00f3prio Presidente (papel de Idris Elba).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ou seja, lenha para se queimar era coisa que a Ozon n\u00e3o faltava \u00e0 partida. 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