{"id":61382,"date":"2025-09-06T20:27:14","date_gmt":"2025-09-06T20:27:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61382\/"},"modified":"2025-09-06T20:27:14","modified_gmt":"2025-09-06T20:27:14","slug":"a-saga-de-10-horas-ate-a-administracao-do-antidoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61382\/","title":{"rendered":"a saga de 10 horas at\u00e9 \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do ant\u00eddoto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entre a mordidela e a administra\u00e7\u00e3o do ant\u00eddoto passaram 10 horas<\/strong><strong>, quando o recomendado pelo Centro de Informa\u00e7\u00e3o Antivenenos (CIAV) s\u00e3o seis horas. <\/strong><strong>No Hospital de Portalegre n\u00e3o havia o ant\u00eddoto, no Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9 (Lisboa) havia um, mas n\u00e3o o mais adequado.<\/strong> <strong>Caso foi denunciado <\/strong><strong>no Facebook <\/strong><strong>com cr\u00edticas aos cuidados de sa\u00fade em Portugal.<\/strong><\/p>\n<p>Ter\u00e7a-feira, dia 26 de agosto, cerca das 10h30, na zona de Marv\u00e3o: Fabien foi mordido no dedo por uma v\u00edbora por volta dessa hora. Ligou de seguida para o 112, que remeteu a chamada para o CIAV, o servi\u00e7o do Instituto Nacional de Emerg\u00eancia M\u00e9dica (INEM) que presta aconselhamento m\u00e9dico especializado sobre intoxica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Dessa chamada, confirmada pelo CIAV \u00e0 SIC, resultou o encaminhamento para o Hospital de Portalegre e, segundo declara\u00e7\u00f5es do doente, a recomenda\u00e7\u00e3o foi de administra\u00e7\u00e3o de gelo at\u00e9 que a ambul\u00e2ncia chegasse. J\u00e1 em Portalegre, onde n\u00e3o havia o ant\u00eddoto, foi visto, segundo relata, cerca das 11h30. <\/p>\n<blockquote><p> \u201cJ\u00e1 estavam em contacto com a equipa do Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9 quando estava a ser visto, n\u00e3o tinham o ant\u00eddoto\u201d, deu conta Fabien.  <\/p><\/blockquote>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 SIC, a respons\u00e1vel pelo CIAV, F\u00e1tima Rato, confirma que<strong> o \u201cHospital de Portalegre realmente, na altura, n\u00e3o tinha dispon\u00edvel o ant\u00eddoto\u201d<\/strong> tendo combinado com a equipa m\u00e9dica que iriam contactar os hospitais da regi\u00e3o \u201cpara ver se teriam alguma alguma ampola que pudessem dispensar\u201d.<\/p>\n<blockquote><p> \u201cMuitas vezes isto acontece [disponibiliza\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos entre hospitais] para utiliza\u00e7\u00e3o imediata e depois o hospital faz a aquisi\u00e7\u00e3o e devolve\u201d, afirma a respons\u00e1vel detalhando que esta \u00e9 uma gest\u00e3o operacional. <\/p><\/blockquote>\n<p>Duas horas \u00e0 espera de ambul\u00e2ncia<\/p>\n<p>No Hospital de Portalegre, enquanto era clinicamente observado, foram-lhe administrados analg\u00e9sicos at\u00e9 ser reencaminhado para o Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9, em Lisboa, que j\u00e1 estava a par do seu caso. <\/p>\n<p>O homem relata que<strong> foi a\u00ed que ocorreu o \u201cmaior caos\u201d tendo esperado \u201cmais do que duas horas\u201d at\u00e9 chegar a ambul\u00e2ncia para o transferir para a unidade hospitalar em Lisboa. <\/strong><\/p>\n<blockquote><p> \u201cNo Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9 cheguei por volta das 18h00, a\u00ed foi super r\u00e1pido, fui diretamente para a cirurgia pl\u00e1stica\u201d, conta \u00e0 SIC elogiando os \u201ccuidados muito bons\u201d que tem recebido da equipa m\u00e9dica desde o primeiro momento no hospital lisboeta.  <\/p><\/blockquote>\n<p>Passos seguintes? Identificar a v\u00edbora respons\u00e1vel pela mordidela: <strong>\u201cMostraram-me imagens para identific\u00e1-la e era uma v\u00edbora-cornuda.\u201d <\/strong><\/p>\n<p>Apesar de o Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9 ter ant\u00eddotos para casos como este, segundo Fabien, \u201cn\u00e3o tinham o ant\u00eddoto mais indicado para este tipo de v\u00edbora\u201d. Por isso, recorreram ao Hospital de Santa Maria porque, este sim, tinha o ant\u00eddoto mais apropriado. <\/p>\n<p>E o rel\u00f3gio n\u00e3o parou. Eram j\u00e1 perto das 20h00 quando o ant\u00eddoto foi administrado. <\/p>\n<p>Dores insuport\u00e1veis e risco de perder o dedo<\/p>\n<p>Fabien relata \u00e0 SIC as <strong>dores insuport\u00e1veis<\/strong> que este tipo de mordidela provoca, apontando que duraram \u201ctr\u00eas dias\u201d e, em alguns momentos, chegava a \u201cchorar de dor\u201d. O dedo de Fabien entrou mesmo em <strong>processo de necrose.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> \u201cTemia a amputa\u00e7\u00e3o, mas os m\u00e9dicos acalmaram-me e disseram que tudo fariam para que tal n\u00e3o acontecesse\u201d, apontou.  <\/p><\/blockquote>\n<p>O homem ficou internado no S\u00e3o Jos\u00e9 e explica que no dia seguinte (27 de agosto) come\u00e7ou a fazer<strong> Oxigenoterapia Hiperb\u00e1rica &#8211; um tratamento reconhecido como eficaz em casos de necrose<\/strong> -, mantendo-se a fazer este tratamento durante mais de uma semana.<\/p>\n<p>Segundo afirma, foram-lhe administradas &#8220;tr\u00eas doses do ant\u00eddoto, tr\u00eas doses de plasma e v\u00e1rios antibi\u00f3ticos&#8221; estando o tratamento ao dedo a evoluir favoravelmente e a recuperar &#8220;mesmo bem&#8221;. No in\u00edcio desta semana, a equipa m\u00e9dica decidir\u00e1 quando ser\u00e1 poss\u00edvel avan\u00e7ar para uma<strong> &#8220;<\/strong><strong>pequena cirurgia para tirar o tecido morto e ver como reconstruir&#8221; o dedo.<\/strong><\/p>\n<p>Portalegre est\u00e1 a &#8220;desenvolver esfor\u00e7os&#8221; para ter ant\u00eddoto<\/p>\n<p>\u00c0 SIC, o Hospital de Portalegre explica que os casos que t\u00eam ocorrido s\u00e3o \u201cpontuais\u201d, em particular na regi\u00e3o do Parque Natural da Serra de S\u00e3o Mamede.<\/p>\n<p>Confirma ainda <strong>\u201cn\u00e3o dispor de ant\u00eddoto para o veneno da v\u00edbora-cornuda\u201d<\/strong>, mas garante que \u201cquando estes casos acontecem, o Hospital de Portalegre segue todos os procedimentos protocolados, entre os quais a transfer\u00eancia das v\u00edtimas para outras unidades de refer\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, sublinha que <strong>\u201c<\/strong><strong>atualmente, o ant\u00eddoto existente est\u00e1 apenas dispon\u00edvel em hospitais centrais\u201d<\/strong>, mas que est\u00e3o \u201ca desenvolver esfor\u00e7os para poder contar com a disponibilidade deste f\u00e1rmaco&#8221; na ULS Alto Alentejo. <\/p>\n<p>Como \u00e9 feito o tratamento?<\/p>\n<p>De acordo com o Hospital de Portalegre, \u201co tratamento \u00e9 geralmente sintom\u00e1tico, focado na estabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, controlo da dor, preven\u00e7\u00e3o de infe\u00e7\u00f5es e monitoriza\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es\u201d. <\/p>\n<p>A unidade de sa\u00fade do Alto Alentejo acrescenta ainda que \u201co encaminhamento das v\u00edtimas para unidades de refer\u00eancia visa, sobretudo, cuidados especializados e acompanhamento cir\u00fargico em casos mais graves, sendo que na larga maioria dos casos o controlo dos sintomas acontece fora do ambiente hospitalar, ap\u00f3s alta m\u00e9dica&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Administra\u00e7\u00e3o do ant\u00eddoto deve ser feita nas primeiras seis horas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a recomenda\u00e7\u00e3o do CIAV, <strong>a administra\u00e7\u00e3o do ant\u00eddoto \u201cdeve ser feita nas primeiras seis horas\u201d,<\/strong> pelo que \u201cquanto mais depressa, melhor\u201d. <\/p>\n<p>Quanto \u00e0s consequ\u00eancias de uma administra\u00e7\u00e3o tardia, F\u00e1tima Rato adianta que nunca teve \u201cconhecimento de nenhum caso em que fosse necess\u00e1rio fazer amputa\u00e7\u00e3o\u201d, no entanto, \u201cdepende da reatividade individual\u201d ao veneno. <\/p>\n<p><strong>Respons\u00e1vel do CIAV defende stock m\u00ednimo em locais mais prov\u00e1veis de ataques<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 SIC, F\u00e1tima Rato explica que a disponibilidade do ant\u00eddoto \u00e9 \u201cuma quest\u00e3o hospitalar\u201d em que cada hospital define \u201cos f\u00e1rmacos que tem e em que quantidades e as aquisi\u00e7\u00f5es que faz\u201d, portanto, acrescenta, \u201cisso depende exclusivamente dos hospitais\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, defende que \u201cnas zonas <strong>onde \u00e9 mais prov\u00e1vel que isso aconte\u00e7a, os hospitais devem, de facto, estar dotados de um stock m\u00ednimo\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p> \u201cNuma perspetiva de uma gest\u00e3o correta, at\u00e9 regionalmente, os hospitais entre si podem ter &#8216;x&#8217; ampolas cada um e depois, no imediato, na altura em que \u00e9 preciso, se n\u00e3o tiverem, recorrerem a outro pr\u00f3ximo e faz-se essa gest\u00e3o\u201d, afirma.  <\/p><\/blockquote>\n<p>Em todo o caso, na opini\u00e3o da respons\u00e1vel, \u201cos hospitais devem estar preparados para fazer face a estas situa\u00e7\u00f5es\u201d, mesmo as mais improv\u00e1veis como, por exemplo, existir dois ou tr\u00eas ataques no mesmo dia.<\/p>\n<p><strong>Zonas mais montanhosas registam mais casos<\/strong><\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.icnf.pt\/api\/file\/doc\/0bf233c4ecb8a077\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">v\u00edbora-cornuda \u00e9 uma esp\u00e9cie que existe em todo o territ\u00f3rio portugu\u00eas<\/a>, maioritariamente em zonas montanhosas. A mordidela n\u00e3o \u00e9 letal, ainda assim \u00e9 necess\u00e1rio trat\u00e1-la rapidamente caso ocorra.<\/p>\n<p>Segundo a respons\u00e1vel do CIAV, \u201ch\u00e1 zonas em Portugal, onde \u00e9 mais frequente haver as mordidelas de v\u00edbora\u201d, mas <strong>\u201cpode acontecer em qualquer zona\u201d<\/strong><strong>, sendo \u201cas zonas mais montanhosas e mais quentes\u201d mais comuns. Exemplos disso s\u00e3o a Serra da Estrela ou zona do Ger\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p>Ainda assim, F\u00e1tima Rato indica que j\u00e1 se registaram casos em Sintra.<\/p>\n<p><strong>Em caso de mordidela, o que fazer? <\/strong><\/p>\n<p>F\u00e1tima Rato explica que se for mordido por uma v\u00edbora, a primeira coisa a fazer \u00e9<strong> ligar para o CIAV, atrav\u00e9s do 800 250 250<\/strong>, porque os profissionais deste centro de informa\u00e7\u00e3o sabem distinguir mais facilmente que tipo de mordidela est\u00e1 em causa &#8211; se de uma cobra comum ou de uma v\u00edbora &#8211; e efetuar as recomenda\u00e7\u00f5es mais indicadas para o caso em quest\u00e3o. <\/p>\n<blockquote><p> \u201cNessa altura, tamb\u00e9m conseguimos orientar o doente para o s\u00edtio mais adequado para fazer face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica\u201d, explica.  <\/p><\/blockquote>\n<p>Alguns conselhos relevantes mencionados pela m\u00e9dica do INEM s\u00e3o a imobiliza\u00e7\u00e3o do membro atingido e<strong> nunca fazer \u201caquilo que se v\u00ea nos filmes\u201d como cortes na pele ou chupar o veneno. \u201cIsso \u00e9 altamente contraindicado\u201d<\/strong>, sublinha a respons\u00e1vel. <\/p>\n<p>A par disso, pode \u201caplicar um bocadinho de frio numa primeira fase e at\u00e9 tomar um analg\u00e9sico\u201d, mas estas medidas servem apenas para um momento inicial pois \u00e9 recomendado que recorra rapidamente a uma unidade de sa\u00fade. <\/p>\n<p>Caso n\u00e3o se recorde do n\u00famero do CIAV, F\u00e1tima Rato aconselha a desloca\u00e7\u00e3o imediata a uma unidade de sa\u00fade porque as equipas m\u00e9dicas far\u00e3o o contacto com o centro de informa\u00e7\u00e3o para o tratamento e recomenda\u00e7\u00f5es mais apropriadas.<\/p>\n<blockquote><p> \u201cO circuito est\u00e1 assim definido e penso que funciona\u201d, defende a respons\u00e1vel.  <\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre a mordidela e a administra\u00e7\u00e3o do ant\u00eddoto passaram 10 horas, quando o recomendado pelo Centro de Informa\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":61383,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-61382","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61382\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}