{"id":61554,"date":"2025-09-06T23:17:06","date_gmt":"2025-09-06T23:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61554\/"},"modified":"2025-09-06T23:17:06","modified_gmt":"2025-09-06T23:17:06","slug":"guerra-deixa-economia-russa-a-beira-do-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61554\/","title":{"rendered":"Guerra deixa economia russa \u00e0 beira do colapso"},"content":{"rendered":"<p>        Gastos com a defesa representam 32% do total das despesas do or\u00e7amento de 2025. S\u00e3o mais de 130 mil milh\u00f5es de euros, cujo custo em espiral da guerra traz uma dor econ\u00f3mica crescente para a R\u00fassia, a somar \u00e0 escassez de m\u00e3o de obra. Tudo isto asfixia a economia.    <\/p>\n<p>Numa altura em que as san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia est\u00e3o no topo da agenda da Uni\u00e3o Europeia \u2013 que prepara o 19\u00ba pacote \u2013 e j\u00e1 estiveram (mas n\u00e3o se sabe se ainda est\u00e3o) na dos Estados Unidos, a economia russa continua a apresentar sinais de resili\u00eancia que, podendo esconder males maiores que por a\u00ed veem, tem deixado os analistas econ\u00f3micos surpreendidos.<\/p>\n<p>O crescimento \u00e9 evidentemente impulsionado pelos gastos militares, mas pela substitui\u00e7\u00e3o de parceiros comerciais ocidentais por outros, como a China e a \u00cdndia \u2013 que t\u00eam sustentado o esfor\u00e7o de guerra. Mas esta \u00e9 tamb\u00e9m uma carater\u00edstica que, a m\u00e9dio prazo, ser\u00e1 perniciosa para a economia russa: o com\u00e9rcio com aqueles parceiros tem como base o petr\u00f3leo bruto (cada vez mais importante em consequ\u00eancia dos ataques ucranianos \u00e0s refinarias russas), os combust\u00edveis e os seus derivados, que s\u00e3o vendidos a pre\u00e7o de saldo. A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o tem direito a este desconto de \u2018amizade\u2019 \u2013 o que implica uma situa\u00e7\u00e3o complexa: o bloco ainda n\u00e3o deixou de comprar petr\u00f3leo russo, contribuindo ainda mais para o financiamento da guerra, uma vez que n\u00e3o tem descontos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a R\u00fassia enfrenta desafios significativos: infla\u00e7\u00e3o elevada, escassez de m\u00e3o de obra \u2013 desviada para o esfor\u00e7o de guerra e o risco de estagna\u00e7\u00e3o a longo prazo devido ao foco no setor militar, \u00e0 falta de investimento em setores civis e ao acesso reduzido \u00e0 tecnologia ocidental. A infla\u00e7\u00e3o afetou o poder de compra e for\u00e7ou o Banco Central da R\u00fassia a aumentar as taxas de juros para um n\u00edvel que desencoraja o investimento privado e dificulta o crescimento do setor n\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Os setores autom\u00f3vel, da constru\u00e7\u00e3o e a siderurgia s\u00e3o, segundo os analistas, dos mais afetados. Al\u00e9m disso, o investimento estrangeiro desapareceu \u2013 e se isso, num primeiro momento depois do in\u00edcio da guerra, foi um fator positivo, dado que as empresas estrangeiras trataram de sair da R\u00fassia a qualquer pre\u00e7o (sempre baixo), a infla\u00e7\u00e3o e o encolhimento do mercado interno deu cabo de neg\u00f3cios que pareciam aliciantes.<\/p>\n<p>As san\u00e7\u00f5es fazem, entretanto, o seu papel. S\u00e3o evidentemente um obst\u00e1culo \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologia \u2013 impedindo a moderniza\u00e7\u00e3o da economia \u2013 capturaram os investimentos e dep\u00f3sitos mantidos pelos investidores russos fora das fronteiras, retiraram mercado \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es e induziram uma acentuada m\u00edngua de divisas.<\/p>\n<p>Para os analistas, as perspetivas a longo prazo s\u00e3o desfavor\u00e1veis: os especialistas adiantam um cen\u00e1rio de crescimento potencial mais lento e uma grande dificuldade em recuperar os n\u00edveis de rendimento pr\u00e9-guerra.<\/p>\n<p>Segundo o Trading Economics, o PIB russo expandiu 4,1% em 2024, a mesma taxa do ano anterior, com suporte do aumento dos gastos e do investimento no setor militar.<\/p>\n<p>A R\u00fassia aumentou os gastos estatais com a defesa nacional em um quarto, em 2025, para 6,3% do PIB, o n\u00edvel mais alto desde a Guerra Fria. Os gastos com a defesa representam 32% do total das despesas do or\u00e7amento de 2025. Qualquer coisa como mais de 130 mil milh\u00f5es de euros, cujo custo em espiral da guerra traz uma dor econ\u00f3mica crescente para a R\u00fassia.<\/p>\n<p>O crescimento do PIB dever\u00e1 atingir 1,5% no final de 2025 e n\u00e3o dever\u00e1 ir al\u00e9m dos 1,2% no ano seguinte. Mas com o primeiro trimestre do ano em plena contra\u00e7\u00e3o (o PIB contraiu 3,1% na base anualizada e 0,6% na trimestral), embora a previs\u00e3o ainda seja positiva, tudo indica que a economia est\u00e1 a desacelerar rapidamente, numa altura em que a infla\u00e7\u00e3o atingiu os 8,8% em julho passado. Um dado que vale a pena reter: entre fevereiro de 2020, data da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, e julho de 2025, a R\u00fassia acumulou 915 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares com a venda de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, g\u00e1s e minerais j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o suficiente. A escassez de m\u00e3o de obra e as elevadas taxas de juro para combater a infla\u00e7\u00e3o, acelerada num contexto de despesas militares sem precedentes, est\u00e3o a asfixiar as perspetivas econ\u00f3micas.<\/p>\n<p><strong>Revers\u00e3o geopol\u00edtica<\/strong><br \/>O governo russo tem, por\u00e9m, tentado convencer os russos e o Ocidente de que a resist\u00eancia da sua economia \u00e9, a todos os t\u00edtulos, not\u00e1vel. No entanto, vai deixando evid\u00eancias de que Vladimir Putin j\u00e1 percebeu que n\u00e3o pode continuar a arrastar uma economia de guerra . Aparentemente, a medida mais perene ser\u00e1 a de insistir no desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas com a China, desde logo, mas com outros pa\u00edses que est\u00e3o dispon\u00edveis para isso.<\/p>\n<p>Esta semana, na cimeira da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai (OCX), foi dado um sinal de viragem: uma nova ordem mundial da China ganha for\u00e7a com R\u00fassia e \u00cdndia, ap\u00f3s a escalada de tarifas impostas por Trump, que amea\u00e7a com taxas de 50% sobre produtos indianos em resposta \u00e0 compra de petr\u00f3leo russo pela \u00cdndia.<\/p>\n<p>Xi Jinping defende o multilateralismo contra tarifas dos EUA, propondo ampliar espa\u00e7o para a coopera\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica ganhar peso institucional, com reflexos diretos nas cadeias de energia e no com\u00e9rcio internacional. Putin apoia a nova ordem mundial da China e o interesse de novos pa\u00edses em aderir \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o mostra o potencial do bloco como alternativa \u00e0s estruturas dominadas pelo Ocidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gastos com a defesa representam 32% do total das despesas do or\u00e7amento de 2025. 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