{"id":61572,"date":"2025-09-06T23:40:12","date_gmt":"2025-09-06T23:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61572\/"},"modified":"2025-09-06T23:40:12","modified_gmt":"2025-09-06T23:40:12","slug":"jarmusch-vence-em-veneza-com-father-mother-sister-brother-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/61572\/","title":{"rendered":"Jarmusch vence em Veneza com \u201cFather Mother Sister Brother\u201d \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Jim Jarmusch conquistou este s\u00e1bado a 82.\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra e um dos pr\u00e9mios mais importantes do seu percurso, com um modelo de filme que n\u00e3o costuma de todo ser reconhecido nestas altas vitrines, muito menos a ouro no festival de cinema mais antigo do mundo. <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/08\/31\/para-jim-jarmusch-havera-sempre-afectos-em-deja-vu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Como aqui se trouxe a seu tempo, Father Mother Sister Brother \u00e9 feito de tr\u00eas hist\u00f3rias independentes e desiguais<\/a>, contudo aproximadas por suaves cambiantes, rodadas em Nova J\u00e9rsia, Dublin, Paris e ancoradas em rela\u00e7\u00f5es filiais pais-filhos. Pouco importa que n\u00e3o seja o melhor filme dele porque nem por isso deixou de agradar tanto e de subir o n\u00edvel quando foi exibido \u2014 maus filmes, de resto, \u00e9 coisa que Jim ainda est\u00e1 por fazer.<\/p>\n<p>Nada a dizer deste lado, brinde-se \u00e0 vit\u00f3ria do cineasta norte-americano com spritz-campari, quem sabe se em solo luso, j\u00e1 que Sara Driver (cineasta e companheira do cineasta) tem um projecto antigo em curso que est\u00e1 a desenvolver com a produtora Bando \u00e0 Parte, de Rodrigo Areias. Mais tarde ou mais cedo voltar\u00e1 o casal a passar por Portugal. Jim anda agora encantado com o Porto, descoberta das suas visitas mais recentes.<\/p>\n<p>Nestas cr\u00f3nicas, j\u00e1 se havia escrito que Cannes (a quem Jarmusch deve um palco internacional com 45 anos) n\u00e3o quis Father Mother Sister Brother. Em entrevista no Lido, o cineasta confirmou e detalhou o que aconteceu: \u201cEles queriam passar o filme, mas n\u00e3o ofereceram a Competi\u00e7\u00e3o. Deram uma sec\u00e7\u00e3o paralela. Eu n\u00e3o sou competitivo por natureza. Mas estava interessado que o filme pudesse ser visto pelo maior n\u00famero de pessoas. Pesei depois o meu historial naquele festival e disse-lhes que achei a proposta\u2026 inapropriada. Foi esta a palavra usada. N\u00e3o cederam, eu disse\u00a0bye bye.\u201d \u00c0s vezes, \u00e9 preciso dizer\u00a0bye bye\u00a0na vida. Mal podia imaginar Jim que, quase quatro meses depois\u00a0\u2014\u00a0e logo no ano da sua estreia em Veneza\u00a0\u2014\u00a0teria um Le\u00e3o de Ouro \u00e0 espera.<\/p>\n<p>E contudo, \u00e9 prov\u00e1vel que este pr\u00e9mio tamb\u00e9m tenha resultado da divis\u00e3o de um j\u00fari que lidou em conflito (e os j\u00faris n\u00e3o servem para outra coisa) com <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/09\/05\/de-tanto-bater-por-the-voice-of-hind-rajab-o-coracao-de-veneza-quase-parou\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">The Voice of Hind Rajab<\/a>. O filme que a imprensa anglo-sax\u00f3nica (sobretudo essa) engalanou por antecipa\u00e7\u00e3o contentou-se afinal com o Grande Pr\u00e9mio do J\u00fari\u00a0\u2014\u00a0e tamb\u00e9m h\u00e1 muito a aprender disto, porque \u00e9 democr\u00e1tico discordar, os consensos s\u00e3o quase sempre sinal de fragilidade. N\u00e3o \u00e9 preciso ir \u00e0 bruxa para entender que a obra causou seguramente dissens\u00f5es profundas, levantando problemas \u00e9ticos a que Kaouther Ben Hania n\u00e3o se esquivou, nomeadamente o do uso do \u00e1udio ver\u00eddico de uma crian\u00e7a morta pela guerra em Gaza.<\/p>\n<p>Com a calma cool que lhe \u00e9 reconhecida, Jarmusch l\u00e1 foi levando as coisas para lume mais brando na cerim\u00f3nia, quando disse que estar em Veneza, \u201cna cidade de Casanova, Vivaldi e Terence Hill\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 perceber (e aqui ele citava Benny Safdie) que \u201ca arte n\u00e3o tem que se dirigir directamente \u00e0 pol\u00edtica para se tornar pol\u00edtica, pode engendrar uma conex\u00e3o entre n\u00f3s que \u00e9 realmente o primeiro passo para as coisas se resolverem\u201d. Um gentleman. E assim foi o ouro do filme tunisino com bandeira palestiniana para \u00e0s m\u00e3os do oxigenado de Akron, Ohio. Realce-se que nem Jarmusch, nem ningu\u00e9m na cerim\u00f3nia, deixou de apelar \u00e0 urg\u00eancia do fim da guerra no M\u00e9dio Oriente. Em boa verdade, n\u00e3o houve em Veneza outro assunto ao longo dos \u00faltimos 12 dias.<\/p>\n<p>Recorde-se que o j\u00fari desta edi\u00e7\u00e3o foi presidido pelo cineasta norte-americano Alexander Payne e formado pela italiana Maura Delpero, o franc\u00eas St\u00e9phane Briz\u00e9, o iraniano Mohammad Rasoulof, o romeno Cristian Mungiu (cineastas), bem como pelas actrizes Fernanda Torres (Brasil) e Zhao Tao (China).<\/p>\n<p>Outra nota de felicidade surgiu com a chamada ao palmar\u00e9s de Benny Safdie por The Smashing Machine. Os pr\u00e9mios de interpreta\u00e7\u00e3o a Toni Servillo (por La Grazia, de Sorrentino) e Xin Zhilei (por The Sun Rises On Us All, filme do Cai Shangjun, o \u00faltimo da competi\u00e7\u00e3o a ser mostrado), justificam-se pois n\u00e3o houve nada de transbordante nesta \u00e1rea. Sotto le Nuvole, de Gianfranco Rosi, tamb\u00e9m n\u00e3o fez sombra ao melhor do italiano, o que n\u00e3o o impede de ser um trabalho aturado e rigoroso de uma N\u00e1poles milenar a ecoar ruidosamente no presente. Rosi acredita que a realidade se pode descascar como uma cebola, camada por camada, leve o tempo que levar (neste caso, tr\u00eas anos). Nova distin\u00e7\u00e3o para o italiano (que h\u00e1 12 anos venceu Veneza por Sacro GRA), uma mais para o document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Ozon e Leonardo di Costanzo poderiam ter sido chamados ao palmar\u00e9s mas, ainda assim, o ensemble \u00e9 valioso e distinguiu o melhor que se viu a concurso no Lido, sem esquecer \u00c0 pied d\u2019oeuvre, de Val\u00e9rie Donzelli, surpresa deste festival. Quanto aos desapontamentos,\u00a0foram americanos, sobretudo no caso dos novos trabalhos de Kathryn Bigelow (A House of Dynamite) e Noah Baumbach (Jay Kelly). Curiosamente, dois filmes que v\u00e3o chegar \u00e0 grelha da Netflix sem garantias de uma estreia comercial nas salas.<\/p>\n<p><strong>VENEZA 2025 \u2014 Palmar\u00e9s da 82\u00aa edi\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>LE\u00c3O DE OURO<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFather Mother Sister Brother\u201d, de Jim Jarmusch<\/p>\n<p>(EUA\/It\u00e1lia\/Fran\u00e7a\/Irlanda)<\/p>\n<p><strong>GRANDE PR\u00c9MIO DO J\u00daRI (LE\u00c3O DE PRATA)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cThe Voice of Hind Rajab\u201d, de Kaouther Ben Hania<\/p>\n<p>(Tun\u00edsia\/Fran\u00e7a\/EUA)<\/p>\n<p><strong>MELHOR REALIZA\u00c7\u00c3O (LE\u00c3O DE PRATA)<\/strong><\/p>\n<p>Benny Safdie por \u201cThe Smashing Machine\u201d (EUA)<\/p>\n<p><strong>PR\u00c9MIO ESPECIAL DO J\u00daRI<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSotto le Nuvole\u201d, de Gianfranco Rosi (It\u00e1lia)<\/p>\n<p><strong>MELHOR ARGUMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Val\u00e9rie Donzelli e Gilles Marchand por \u201c\u00c0 pied d\u2019oeuvre\u201d, de Val\u00e9rie Donzelli<\/p>\n<p><strong>MELHOR ACTOR (TA\u00c7A VOLPI)<\/strong><\/p>\n<p>Toni Servillo em \u201cLa Grazia\u201d, de Paolo Sorrentino<\/p>\n<p>(It\u00e1lia)<\/p>\n<p><strong>MELHOR ACTRIZ (TA\u00c7A VOLPI)<\/strong><\/p>\n<p>Xin Zhilei em \u201cThe Sun Rises On Us All\u201d, de Cai Shangjun<\/p>\n<p>(China)<\/p>\n<p><strong>PR\u00c9MIO MARCELLO MASTROIANNI (MELHOR ACTOR OU ACTRIZ EMERGENTE)<\/strong><\/p>\n<p>Luna Wedler em \u201cSilent Friend\u201d, de Ildik\u00f3 Enyedi<\/p>\n<p>(Alemanha\/Fran\u00e7a\/Hungria)<\/p>\n<p><strong>PR\u00c9MIO LE\u00c3O DO FUTURO (MELHOR PRIMEIRA OBRA)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cShort Summer\u201d, de Nastia Korkia<\/p>\n<p>(Alemanha\/Fran\u00e7a\/S\u00e9rvia)<\/p>\n<p><strong>ORIZZONTI \u2013 MELHOR FILME<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEl el Camino\u201d, de David Pablos<\/p>\n<p>(M\u00e9xico)<\/p>\n<p><strong>ORIZZONTI \u2013 MELHOR REALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Anuparna Roy por \u201cSongs of the Forgotten Trees\u201d<\/p>\n<p>(\u00cdndia)<\/p>\n<p><strong>ORIZZONTI \u2013 PR\u00c9MIO ESPECIAL DO J\u00daRI<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLost Land\u201d, de Akio Fujimoto<\/p>\n<p>(Jap\u00e3o\/Fran\u00e7a\/Mal\u00e1sia\/Alemanha)<\/p>\n<p><strong>ORIZZONTI \u2013 MELHOR ACTOR<\/strong><\/p>\n<p>Giacomo Covi em \u201cUn anno di scuola\u201d, de Laura Samani<\/p>\n<p>(It\u00e1lia\/Fran\u00e7a)<\/p>\n<p><strong>ORIZZONTI \u2013 MELHOR ACTRIZ<\/strong><\/p>\n<p>Benedetta Porcaroli em \u201cIl rapimento di Arabella\u201d, de Carolina Cavalli<\/p>\n<p>(It\u00e1lia)<\/p>\n<p>O autor escreve segundo a antiga ortografia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jim Jarmusch conquistou este s\u00e1bado a 82.\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra e um dos pr\u00e9mios mais importantes do seu&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":61573,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[211,210,470,315,114,115,14554,32,33],"class_list":{"0":"post-61572","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-celebridades","9":"tag-celebrities","10":"tag-cinema","11":"tag-cultura","12":"tag-entertainment","13":"tag-entretenimento","14":"tag-festival-de-veneza","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61572\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}