{"id":62389,"date":"2025-09-07T18:19:08","date_gmt":"2025-09-07T18:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/62389\/"},"modified":"2025-09-07T18:19:08","modified_gmt":"2025-09-07T18:19:08","slug":"viuva-de-verissimo-relembra-61-anos-de-casamento-com-autor-07-09-2025-ilustrissima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/62389\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava de Verissimo relembra 61 anos de casamento com autor &#8211; 07\/09\/2025 &#8211; Ilustr\u00edssima"},"content":{"rendered":"<p><strong>[RESUMO] <\/strong>Em julho, um m\u00eas antes da morte de Luis Fernando Verissimo, a Folha entrevistou L\u00facia, esposa do escritor por 61 anos. Guardi\u00e3 da mem\u00f3ria da fam\u00edlia, ela comenta como conheceu o marido e o inusitado pedido de casamento dele, relembra a conviv\u00eancia com o sogro, Erico, e as hist\u00f3rias da c\u00e9lebre casa da fam\u00edlia em Porto Alegre e descreve a rotina dos \u00faltimos anos de Luis Fernando, fragilizado ap\u00f3s um AVC em 2021.<\/p>\n<p>Vinte dias antes de Luis Fernando Verissimo ser internado em um hospital de Porto Alegre, L\u00facia Helena Verissimo deu uma longa entrevista \u00e0 <b style=\"font-size: 1em; text-align: inherit;\">Folha<\/b>.<\/p>\n<p>Casada por 61 anos com o escritor, L\u00facia, como \u00e9 chamada por todos, contou hist\u00f3rias do marido, do casal, da fam\u00edlia e da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/08\/saga-dos-verissimos-une-erico-e-luis-fernando-na-casa-historica-da-familia-em-porto-alegre.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">casa comprada por Erico e Mafalda Verissimo<\/a>, seus sogros, para onde se mudou pouco depois de se casar e onde at\u00e9 hoje vive.<\/p>\n<p>Com<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/08\/morre-o-autor-luis-fernando-verissimo-cronista-que-uniu-geracoes-de-leitores-aos-88.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> a morte de Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos, na madrugada do \u00faltimo dia 30\/8<\/a>, ela passa a ser a principal guardi\u00e3 da mem\u00f3ria familiar. Aos 81 anos rec\u00e9m-completos (em 29 de julho), aparenta bem menos e demonstra estar com a cabe\u00e7a tinindo.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas filhos do casal (Fernanda, Mariana e Pedro) tinham alertado a reportagem de que a m\u00e3e \u00e9 uma esp\u00e9cie de acervo ambulante da fam\u00edlia, o que foi comprovado na entrevista \u00e0 parte com L\u00facia, cuja eloqu\u00eancia \u00e9 not\u00e1vel, tanto mais pelo contraste com a introspec\u00e7\u00e3o do marido.<\/p>\n<p>Diferentemente dele, n\u00e3o tem o h\u00e1bito de escrever, e lamenta n\u00e3o ter colocado no papel tantas mem\u00f3rias. Provocada pelo rep\u00f3rter a faz\u00ea-lo, disse: <b>&#8220;<\/b>Tem bastante coisa&#8221;.<\/p>\n<p>Carioca, L\u00facia estudou no tradicional col\u00e9gio Pedro 2\u00ba, no Rio, onde foi colega<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2024\/03\/stycer-conta-como-gilberto-braga-mudou-historia-das-novelas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> do novelista Gilberto Braga<\/a> e do <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/colunistas\/thiagostivaletti\/2024\/11\/documentario-retrata-com-afeto-e-delicadeza-a-demencia-de-mauricio-kubrusly.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">jornalista Maur\u00edcio Kubrusly<\/a>. Em 1963, frequentava as aulas pela manh\u00e3, e \u00e0 tarde trabalhava como datil\u00f3grafa na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio do Rio, onde conheceu seu futuro marido. &#8220;O Luis Fernando estava fazendo o jornal deles, cuidando da tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um namoro-rel\u00e2mpago, veio o pedido de casamento, numa hist\u00f3ria que ficaria famosa, at\u00e9 porque foi contada por Erico em suas mem\u00f3rias, &#8220;Solo de Clarineta&#8221;. &#8220;Um dia nosso filho chamou-a (contou-nos a nora mais tarde) e ela imaginou que fosse para passar-lhe um pito por causa de algum trabalho mal-feito [no escrit\u00f3rio onde ambos trabalhavam]&#8221;, relatou o pai.<\/p>\n<p>&#8220;Luis Fernando disse-lhe apenas: \u2018Vamos sair\u2019. Ganharam a rua, caminharam algumas quadras em sil\u00eancio, fizeram alto \u00e0 frente da vitrina duma casa de joias e, apontando para uma cole\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as, o rapaz perguntou \u00e0 colega: \u2018Est\u00e1s vendo aquele anel ali? Te dou cinco minutos para resolver. Queres ou n\u00e3o casar comigo?\u2019. L\u00facia aproveitou apenas uns quatro ou cinco segundos, dos trezentos que Luis Fernando lhe concedera, e respondeu: \u2018Quero\u2019. Deram-se os bra\u00e7os, entraram num botequim e beberam uma Coca-Cola para comemorar o acontecimento.&#8221;<\/p>\n<p>Casaram-se em mar\u00e7o de 1964, ele com 27 anos, ela com 19.<\/p>\n<p>A entrevista com L\u00facia, realizada em 22 de julho, subsidiou uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/08\/saga-dos-verissimos-une-erico-e-luis-fernando-na-casa-historica-da-familia-em-porto-alegre.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">reportagem sobre a saga dos Verissimos<\/a>, sobretudo Erico e Luis Fernando, dois dos escritores mais importantes do pa\u00eds, publicada em 16 de agosto.<\/p>\n<p>Apenas uma parte \u00ednfima da conversa, por\u00e9m, foi aproveitada na ocasi\u00e3o. Leia os principais trechos ainda in\u00e9ditos.<\/p>\n<p><b>Procede a hist\u00f3ria dos cinco minutos que o Verissimo te deu para decidir se aceitava o pedido de casamento dele?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nDeu cinco minutos, a\u00ed n\u00f3s nos casamos e eu brincava sempre com ele, eu te dei o golpe em 64, e ele dizia, a ditadura continua l\u00e1 em casa at\u00e9 hoje. N\u00f3s nos casamos em mar\u00e7o de 64 [\u00e0s v\u00e9speras do golpe militar].<\/p>\n<p><b>Voc\u00eas se conheceram na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio em 63?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nIsso, in\u00edcio de 63.<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o foi menos de um ano de namoro.<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSim, e o Luis Fernando tinha ido pro Rio em 62. Porque, na verdade, o plano dele era ir embora do Brasil pra Inglaterra. Ele parou ali no Rio, foi trabalhar com um empres\u00e1rio americano para ganhar um dinheiro e ir embora pra Inglaterra.<\/p>\n<p><b>Fazer o qu\u00ea?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nAcho que era alguma coisa ligada a cinema, n\u00e3o lembro bem o que tinha de concreto pra ele querer ir pra l\u00e1. Mas ele estava parando no Rio, ele morava na \u00e9poca com uma tia chamada Lucinda (que \u00e9 o nome da nossa neta), Lucinda Martins, que tinha sido casada com o Justino Martins, que foi um grande jornalista da [revista] Manchete.<\/p>\n<p><b>E a\u00ed, pelo casamento, a senhora acabou desistindo de fazer a faculdade de servi\u00e7o social.<\/b><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c9. Eu quase me matriculei na assist\u00eancia social, que era o que eu ia fazer. A\u00ed acabamos casando e logo um ano depois, um ano e pouco depois, a gente veio pra Porto Alegre. Teria sido a minha escolha.<\/p>\n<p><b>A senhora tamb\u00e9m se interessava muito por hist\u00f3ria, n\u00e3o?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nEu gosto muito de hist\u00f3ria de fam\u00edlia.<\/p>\n<p><b>Chama muito a aten\u00e7\u00e3o o fato de a casa ser meio um personagem das obras [de Erico e Luis Fernando], de como isso se entranhou nas obras e nas vidas da fam\u00edlia. Como \u00e9 que a senhora v\u00ea isso?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nEu peguei a partir de 1966, porque n\u00f3s casamos no Rio em 64, a\u00ed a Fernanda nasceu em 65 e agora no fim de julho v\u00e3o fazer quase 60 anos que eu estou morando aqui.<\/p>\n<p>Eles [Erico e Mafalda] moravam aqui desde 1941. Ent\u00e3o eu entrei numa casa pronta. Toda a vida tive uma rela\u00e7\u00e3o maravilhosa com o meu sogro. Consegui ter o privil\u00e9gio de conviver com ele ainda por quase dez anos, de 66 at\u00e9 75, quando ele faleceu. Numa boa. Dona Mafalda depois at\u00e9 os 90 dela tamb\u00e9m, a gente na mesma casa, com uma rela\u00e7\u00e3o bastante harmoniosa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, voc\u00ea viu, n\u00e3o \u00e9 uma casa que tenha luxo, por exemplo, mas \u00e9 uma casa cheia de mem\u00f3rias, objetos, desenhos. Cheguei aqui numa casa pronta, aos pouquinhos alguma coisa nossa foi acrescida.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/1\/01\/mais!\/16.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O seu Erico <\/a>toda a vida achava engra\u00e7ado eu cham\u00e1-lo de seu Erico, me chamava de dona L\u00facia Helena, porque ele insistiu para eu cham\u00e1-lo por voc\u00ea e eu n\u00e3o conseguia, nunca consegui.<\/p>\n<p><b>A\u00ed ele, para descontar, chamava dona L\u00facia Helena.<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nDona L\u00facia Helena, o nome completo, porque geralmente o pessoal me chama de L\u00facia. Toda vida ele recebeu muita gente aqui. Entravam alunos, baixavam \u00f4nibus de col\u00e9gio, percorriam a casa, entrevistavam, tiravam foto. Voc\u00ea ainda hoje tem muito motorista de t\u00e1xi, n\u00e3o Uber, mas de t\u00e1xi antigo, que se voc\u00ea falar em casa do Erico Verissimo, eles sabem direitinho, &#8220;Ah, a casa do Erico, agora do Luis Fernando&#8221;. Geralmente \u00e9 uma pessoa um pouco mais velha.<\/p>\n<p>Teve uma vez uma coisa comovente, um casal do Cear\u00e1 estava tirando fotos da frente da casa. Eu cheguei, eles explicaram, \u2018Ah, nos disseram que era a casa do Erico Ver\u00edssimo\u2019. A\u00ed eu disse, &#8220;Ent\u00e3o entrem, v\u00e3o ver a sala dele ali&#8221;. Quando a mo\u00e7a chegou na porta do escrit\u00f3rio, come\u00e7ou a chorar. Ela disse, &#8220;Eu estou muito comovida porque o nome dos meus irm\u00e3os veio dos personagens do Erico, meus pais eram encantados pelo Erico&#8221;.<\/p>\n<p><b>Como foi crescer, desenvolver uma vida, criar filhos numa casa que era sempre lotada de gente <\/b>\u2014<b>leitores, admiradores, amigos?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nEra uma casa alegre, com muito movimento. Aos s\u00e1bados, havia sempre um encontro dos amigos mais chegados na casa do melhor amigo do Erico, que era o Maur\u00edcio Rosenblatt, av\u00f4 do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs11079909.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Arthur Nestrovski<\/a> [m\u00fasico, cr\u00edtico e ex-diretor art\u00edstico da Osesp]. E aos domingos era aqui. Ent\u00e3o sempre tinha movimento. Pena que naquela \u00e9poca a gente n\u00e3o tinha celular pra [registrar]&#8230; mas quanta gente conhecida, quanta gente famosa eu vi entrar aqui.<\/p>\n<p><b>Por exemplo?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nAh, o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2023\/09\/ulysses-desafiou-a-ditadura-e-se-lancou-anticandidato-a-presidencia-ha-50-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Ulysses Guimar\u00e3es<\/a>, o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2015\/04\/1615631-jurista-paulo-brossard-ex-ministro-do-stf-morre-em-porto-alegre.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Paulo Brossard<\/a>, o Lula veio aqui, mas eu n\u00e3o estava, estava no Rio. Mas veio aqui fazer uma visita ao Luis Fernando e tudo. Ciro Gomes, escritores, o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/especial\/fj1906201001.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Saramago<\/a> tem uma foto muito boa tirada com a minha sogra. A gente brincava com ela e dizia, &#8220;A senhora nunca quer tirar fotografia conosco, porque que tirou com o Saramago?&#8221;. [E ela:] &#8220;Sim, porque voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o pr\u00eamio Nobel, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p><b>Diz que o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2021\/05\/vinicius-de-moraes-ganha-acervo-digital-com-milhares-de-documentos-a-mostra.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Vinicius de Moraes<\/a> tamb\u00e9m esteve, tem uma hist\u00f3ria de um copo&#8230;<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nAh sim, o copo do Vinicius\u2026 Numa das vezes em que esteve aqui, o Vinicius veio com um copo na m\u00e3o, e a gente n\u00e3o tinha percebido isso. De repente apareceu um copo aqui que era do hotel Everest, aqui em Porto Alegre. A conclus\u00e3o foi que era o u\u00edsque que o Vinicius tinha vindo bebendo do hotel. O copo ficou muito tempo aqui e depois acabou quebrando, infelizmente. Era uma lembran\u00e7a do Vinicius. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2024\/06\/chico-buarque-chega-aos-80-no-auge-musical-mas-menos-idolo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chico Buarque<\/a>, Chico&#8230; Ah meu Deus do c\u00e9u, muita gente.<\/p>\n<p><b>O Luis Fernando herdou do Erico a coisa de escrever na toca [escrit\u00f3rio no subsolo da casa], n\u00e9? Ele tamb\u00e9m fazia a mesma coisa do pai de escrever na toca e usar o escrit\u00f3rio de cima para revisar, <\/b><b>refletir?<\/b>N\u00e3o, eram dois espa\u00e7os diferentes. O Erico tinha um pequeno, que hoje at\u00e9 a Fernanda [filha] que est\u00e1 trabalhando l\u00e1, e o Luis Fernando era um espa\u00e7o maior. Mas era ao lado, eram pe\u00e7as coladas. A\u00ed, o Luis Fernando ficava l\u00e1 no escrit\u00f3rio dele, tinha uma rotina de trabalho, n\u00f3s n\u00e3o v\u00edamos nada do que ele escrevia, ele n\u00e3o mostrava. Ele trabalhava o tempo todo l\u00e1 embaixo, n\u00e3o tinha nada aqui em cima.<\/p>\n<p>Mas s\u00f3 que o Luis Fernando durante muitos anos n\u00e3o trabalhava l\u00e1 embaixo porque ele fazia um bom tempo dele na MPM Propaganda. Ele trabalhava muito, sa\u00eda daqui de manh\u00e3, deixava as crian\u00e7as na escola, no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o, subia uma rua chamada Santo Ant\u00f4nio, at\u00e9 a MPM Publicidade, onde ele come\u00e7ou a trabalhar em 69, se n\u00e3o me engano.<\/p>\n<p>Ele fazia o turno da manh\u00e3, almo\u00e7ava em casa e voltava pra MPM.<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/08\/luis-fernando-verissimo-falava-muito-pouco-mas-fazia-o-brasil-inteiro-rir.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> \u00c0s cinco da tarde, seis, ele ia pro jornal<\/a>. Ele fez muita coisa no jornal, internacional, futebol, hor\u00f3scopo&#8230;<\/p>\n<p><b>Isso era na Folha da Manh\u00e3 [di\u00e1rio ga\u00facho hom\u00f4nimo do paulistano embri\u00e3o da Folha]?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nN\u00e3o, era na Zero Hora, na rua Sete de Setembro. A Folha da Manh\u00e3 foi num per\u00edodo em que ele saiu da Zero Hora junto com um amigo querido nosso que se foi agora, o Ruy Carlos Ostermann. Ficou l\u00e1 um tempo, o Ruy saiu, a turma toda que foi junto com o Ruy saiu, e a\u00ed o Luis Fernando foi convidado a voltar pra Zero Hora. Se n\u00e3o me engano, foi em 75.<\/p>\n<p>Ele trabalhou quase 20 anos l\u00e1 em publicidade, fazendo reda\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios at\u00e9, muita coisa, muito pr\u00eamio. A gente ia a S\u00e3o Paulo para ele receber os pr\u00eamios. Ele deixou de ir na MPM porque disse que n\u00e3o queria mais fazer aquele hor\u00e1rio certinho e tudo, ent\u00e3o ele ficou trabalhando em casa. Mas, nos \u00faltimos anos da MPM, ele continuou ligado \u00e0 ag\u00eancia, ent\u00e3o quando queriam alguma coisa diferente, ele fazia, mas a\u00ed n\u00e3o era mais funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas ele trabalhava na parte debaixo da casa, pronto. Ele n\u00e3o trabalhava nada aqui em cima. Todo o espa\u00e7o dele de m\u00fasica, ele tinha o pr\u00f3prio som dele l\u00e1 embaixo e nunca trabalhou com m\u00fasica de fundo. Seu Erico trabalhava com m\u00fasica de fundo, quando fazia as corre\u00e7\u00f5es, ele estava sempre ouvindo m\u00fasica.<\/p>\n<p><b>Sempre foi uma casa muito musical, <\/b><b>n\u00e9?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSempre, sempre. Aqui as crian\u00e7as foram criadas ouvindo m\u00fasica cl\u00e1ssica, Villa Lobos, Vivaldi, Carl Orff&#8230; As crian\u00e7as ouviam tudo, porque toda a casa tinha que ouvir, porque era em alto volume. \u00c0s vezes at\u00e9 o vizinho do lado dizia assim, &#8220;Hoje tava boa a sele\u00e7\u00e3o, hein, seu Erico?&#8221;. Porque a m\u00fasica tamb\u00e9m chegava no vizinho. O vizinho se divertia.<\/p>\n<p><b>E o Luis Fernando ent\u00e3o usou o escrit\u00f3rio de cima mais pra dar entrevista e tal?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nIsso, exatamente. Esse filme agora que o Defante [Angelo Defanti, diretor do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2024\/04\/verissimo-e-sabio-ao-retratar-o-escritor-mais-introspectivo-do-mundo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> document\u00e1rio &#8220;Verissimo&#8221;<\/a>] fez mostra bem ali embaixo a liga\u00e7\u00e3o dele com a janela, com o p\u00e1tio que a gente tem aqui. Mas o trabalho dele era feito na parte de baixo da casa, n\u00e3o trazia nada c\u00e1 pra cima.<\/p>\n<p><b>Pelo que teus filhos falam, e confirmo agora, a senhora \u00e9 a mem\u00f3ria mais afiada da fam\u00edlia, quer dizer, um acervo da fam\u00edlia\u2026<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nOlha, pode ser um acervo, mas eles dizem\u2026 O Luis Fernando, dizem que ele n\u00e3o fala nada. Agora nos \u00faltimos anos, ele dizia que eu n\u00e3o dava tempo. &#8220;N\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o fale, ela que n\u00e3o me deixa falar, ela n\u00e3o d\u00e1 tempo&#8221; [risos].<\/p>\n<p>Eu gostei sempre desse movimento da casa, at\u00e9 depois dos filhos mesmo. Agora a Mariana [filha do meio] t\u00e1 morando em S\u00e3o Paulo, mas a gente sempre tinha a garotada deles aqui, um ou outro pra almo\u00e7ar, pra se encontrar aqui na casa, fazer festa. Tem a churrasqueira l\u00e1 embaixo que mandei fazer, porque quando eles eram adolescentes, eu preferia que fizessem as festas aqui, que o bem ou o mal a gente estava de olho, n\u00e9?<\/p>\n<p><b>A senhora escreveu ou escreve di\u00e1rios ou registros dessas <\/b><b>mem\u00f3rias?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p><b>J\u00e1 pensou em colocar isso no papel de algum modo?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nN\u00e3o, at\u00e9 lamento n\u00e3o ter feito isso, por exemplo, com rela\u00e7\u00e3o a muitas viagens que a gente fez, lugares onde a gente foi, que viajamos bastante, gra\u00e7as a Deus. Desde 71 a gente sai viajando, que era o que gost\u00e1vamos de fazer.<\/p>\n<p>Aquelas experi\u00eancias tr\u00eas vezes que fizemos com os filhos, em 80 em Nova York, 86 em Roma, 90 em Paris. Tudo isso era maravilhoso, foram experi\u00eancias fant\u00e1sticas. Mas eu nunca tomei nota, n\u00e3o me dei&#8230; Lamento at\u00e9, sabe? At\u00e9 pra lembrar&#8230;<\/p>\n<p><b>Foram pequenas temporadas morando nessas cidades?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSim. Nova York a gente foi em 80. As crian\u00e7as trancaram matr\u00edcula na escola aqui, n\u00f3s alugamos um apartamento mobiliado em Nova York, na esquina da rua 74, com a 3\u00aa Avenida. Ficamos l\u00e1 acho que uns sete ou oito meses. A\u00ed quando o dinheiro acabou, voltamos. Eu me lembro que o trabalho do Luis Fernando era mandado pelo malote da Varig, na 5\u00aa Avenida, a gente ia at\u00e9 l\u00e1, onde tinha o escrit\u00f3rio da Varig, e ele mandava o texto dele pelo malote.<\/p>\n<p>Em 86, n\u00f3s ficamos uns oito meses em Roma. Viajamos muito de carro com eles pela It\u00e1lia e tudo mais. E depois em Paris ficamos quase um ano, uns dez meses, tamb\u00e9m num apartamento alugado, mobiliado.<\/p>\n<p>Muito bom o apartamento, perto do Halles. Ali era uma zona, e a gente brincava, porque se sa\u00edsse pra direita, voc\u00ea tava numa rua que \u00e9 a Montorgueil, uma rua famosa por ter um com\u00e9rcio de alimentos. E se virasse pra esquerda, tu dava no puteiro, que era na rue Saint-Denis, era a zona. \u00c0s sete da noite, as gurias estavam todas na rua. Ah, vai pra direita ou vai pra esquerda? Era divertido.<\/p>\n<p>No nosso pr\u00e9dio, uma lembran\u00e7a tamb\u00e9m que era boa, nosso apartamento dava exatamente pra frente da reda\u00e7\u00e3o do Nouvelle Observateur, a gente via o pessoal na Reda\u00e7\u00e3o trabalhando. Eu dizia pro Luis Fernando, olha a\u00ed, n\u00e3o t\u00e1 com saudade de Reda\u00e7\u00e3o?&#8230;<\/p>\n<p><b>Acho que esse \u00e9 um outro tra\u00e7o que une o pai e o filho, n\u00e9? O Erico tamb\u00e9m gostava muito de viajar, n\u00e9? Ele [Erico] usava at\u00e9 uma express\u00e3o muito interessante, ele dizia que tinha fome geogr\u00e1fica. Ele atribu\u00eda ao av\u00f4 tropeiro. E o Luis Fernando tamb\u00e9m gostava muito, acho que acabou herdando isso, <\/b><b>n\u00e9?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c9, com certeza. A gente viajou muito, num determinado momento em que as coisas para n\u00f3s ficaram um pouco mais f\u00e1ceis e tudo, a gente certamente viajava duas vezes por ano, ia para a Europa, faz\u00edamos viagens muito bonitas, alugava carro, ficava zanzando.<\/p>\n<p>E essas temporadas com os filhos, tamb\u00e9m a gente alugava um carro, sa\u00eda passeando com eles.<\/p>\n<p><b>Al\u00e9m das viagens pelo Brasil&#8230; A senhora ia com ele em muitas viagens para festivais liter\u00e1rios, <\/b><b>n\u00e9?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSim, sim, para encontros, feira de livros. Tem uma hist\u00f3ria que eu gosto e a gente adorava porque todas as vezes esses encontros no interior de outros estados, as viagens pra cidades pequenininhas eram sempre uma coisa muito afetuosa, muito carinhosa, que sempre valia a pena.<\/p>\n<p>Uma vez fomos pra uma feira numa cidade chamada Ituiutaba (MG), perto de Uberl\u00e2ndia. A\u00ed eu disse, &#8220;Mas Luis Fernando, como \u00e9 que a gente chega em Ituiutaba?. Ah n\u00e3o, me disseram que a gente pega um \u00f4nibus, desce em Belo Horizonte, e de Belo Horizonte vai at\u00e9 Uberl\u00e2ndia, onde em Uberl\u00e2ndia vai ter um carro nos esperando&#8221;.<\/p>\n<p>Bom, fizemos tudo isso, n\u00e9? E fomos parar em Ituiutaba. A feira era uma maravilha, bem pequenininha, mas tinha faixas, &#8220;Bem-vindos a Ituiutaba&#8221;. Era uma maravilha, a gente passeava e a mo\u00e7a que nos acompanhava dizia assim, &#8220;Aqui \u00e9 o senhor fulano, \u00e9 o dono da farm\u00e1cia, aqui \u00e9 o sicrano, do armaz\u00e9m&#8221;, ou seja, uma maravilha a cidade. Isso \u00e9 o que vale, n\u00e9? Quanto lugar a gente andou, meu Deus.<\/p>\n<p><strong>O Luis Fernando t\u00e1 meio fora de combate a\u00ed, t\u00e1 com uns problemas de sa\u00fade, imagino que isso te fa\u00e7a muita falta.<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nAh, com certeza. Me d\u00e1 muita pena.<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2025\/08\/perto-dos-90-luis-fernando-verissimo-parou-de-escrever-e-so-fala-breves-palavras-em-ingles.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Depois do AVC, dizem que as primeiras palavras que ele come\u00e7ou a falar foram em ingl\u00eas<\/a>, quando ele voltou. <\/b><br \/>&#13;<br \/>\nIsso, isso.<\/p>\n<p><b>Ele foi alfabetizado em ingl\u00eas ou em portugu\u00eas?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nN\u00e3o, em ingl\u00eas. Ele saiu daqui&#8230; Ele teve umas aulas com uma professora, uma senhora longeva, inclusive, que deu algumas aulas pra ele antes, ele come\u00e7ou a se alfabetizar. Mas escola mesmo, escola que ele foi, que n\u00e3o sabia falar nada [em ingl\u00eas], era uma escola americana. Foi em Los Angeles ou S\u00e3o Francisco\u2026<\/p>\n<p><b>Acho que com seis pra sete anos, n\u00e9?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c9, eles foram\u2026 ele nasceu em 36, eles foram a primeira vez [em 1943] e passaram parte da Segunda Guerra l\u00e1, o seu Erico contava que ele [Luis Fernando] matava japon\u00eas adoidado [nas brincadeiras]. Ele tinha 6, 7 anos, e foi alfabetizado numa escola [americana].<\/p>\n<p>Tem outra historinha que o seu Erico contava, que ele foi levado pela professora de volta pra casa. Porque, al\u00e9m da timidez ele n\u00e3o sabia [falar direito ingl\u00eas], ele n\u00e3o conseguiu pedir pra ir ao banheiro. Chegou em casa, coitado, num constrangimento, com a cal\u00e7a toda molhada&#8230;<\/p>\n<p><b>Quer dizer, ele tinha come\u00e7ado a ser alfabetizado em casa, no Brasil, em portugu\u00eas, e meio que emendou a alfabetiza\u00e7\u00e3o com o ingl\u00eas. \u00c9 como se as coisas tivessem se entrela\u00e7ado\u2026<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nExatamente. Tanto que at\u00e9 os neurologistas meio que falavam que, no fundo, o seu c\u00e9rebro vai buscar recursos para voc\u00ea conseguir se comunicar. At\u00e9 hoje, de vez em quando, os rapazes que ficam com ele aqui, \u00e9 muito engra\u00e7ado. Eles dizem&#8230; &#8220;Stop. No. Thank you, my friend&#8221;. Eu digo pros rapazes, voc\u00eas est\u00e3o aprendendo ingl\u00eas [risos].<\/p>\n<p><b>Porque ele ainda fala essas palavras de vez em quando, \u00e9 <\/b><b>isso?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSoltas, &#8220;yeah, yeah&#8221;. &#8220;Thank you, thank you.&#8221; &#8220;Stop.&#8221; S\u00e3o palavras. N\u00e3o chega a fazer uma frase, mas a palavra \u00e9 em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><b>O Luis Fernando nunca foi de falar muito, mas agora ele n\u00e3o est\u00e1 falando mesmo, quer dizer, tirando essas coisas soltas e tal. Voc\u00eas desenvolveram algum m\u00e9todo para estabelecer alguma comunica\u00e7\u00e3o com <\/b><b>ele?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nA gente acaba sabendo, \u00e9 movimento com as m\u00e3os&#8230; tem umas coisas que, por isso que eu digo, a gente n\u00e3o pode avaliar, n\u00e3o se sabe nada do c\u00e9rebro, nada.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos uma vez sentados assistindo \u00e0 televis\u00e3o, vendo no canal Curta! uma entrevista do Paulo C\u00e9sar Pinheiro, de quem ele gosta muito. A\u00ed tem um determinado momento em que o Paulo C\u00e9sar diz assim: &#8220;Eu tive a sorte de conhecer o Pixinguinha, num bar, e um amigo do Pixinguinha tava falando mal da bebida, que ningu\u00e9m devia beber \u00e1lcool, porque o \u00e1lcool era nocivo&#8221;.<\/p>\n<p>E eu achei que o Luis Fernando n\u00e3o estava prestando aten\u00e7\u00e3o. Tava olhando ali, mas sem prestar aten\u00e7\u00e3o. De repente, o Paulo C\u00e9sar falou o seguinte. &#8220;A\u00ed o Pixinguinha disse a seguinte frase: &#8216;O \u00e1lcool s\u00f3 \u00e9 nocivo pra quem \u00e9 mau car\u00e1ter.&#8221; Luis Fernando deu uma gargalhada.<\/p>\n<p>Foi na hora certa, ele entendeu o que Paulo C\u00e9sar estava dizendo. Vou te dizer mais, poderia ser uma frase feita por ele at\u00e9, um tipo de frase que ele poderia ter dito e ele estava acompanhando direitinho. Vai voc\u00ea saber&#8230;<\/p>\n<p><b>Que coisa&#8230;<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nEle deu a risada na hora certa. Paulo C\u00e9sar Pinheiro tem uma m\u00fasica chamada &#8220;\u00daltima Forma&#8221;, n\u00e9? Essa m\u00fasica tem uma frase que diz assim, &#8220;voc\u00ea foi o castigo que Deus me deu&#8221;. \u00c9 uma frase do samba, t\u00e1? E quando eu brigava com ele, eu perdia a paci\u00eancia, ele n\u00e3o cantava a letra, ele n\u00e3o dizia a letra, mas ele cantava a melodia. &#8220;Larararara.&#8221; Tava rindo, n\u00e9? Tava rindo. N\u00e3o dizia a letra porque ele n\u00e3o era bobo, n\u00e9?<\/p>\n<p><b>A\u00ed ia ter que levar outro pito\u2026<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nExatamente. Isso eu te contei do Paulo C\u00e9sar e do Pixinguinha porque ele estava acompanhando. Ele riu na hora certa.<\/p>\n<p><b>E \u00e0s vezes ele pede as coisas com as m\u00e3os, com o olhar?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nSim, sim. J\u00e1 n\u00e3o falava muito, mas ele at\u00e9 chegou um dia a dizer [quando ainda conseguia articular umas poucas frases], &#8220;Eu n\u00e3o falava porque eu n\u00e3o queria, agora eu n\u00e3o falo porque n\u00e3o posso&#8221;.<\/p>\n<p>A gente lamenta muito que ele n\u00e3o quis fazer fonoaudiologia. N\u00e3o colaborava, o que foi uma pena, a impress\u00e3o que me dava \u00e9 que ele achava que era coisa de crian\u00e7a, uma coisa infantil.<\/p>\n<p><b>Hoje ele faz o qu\u00ea? Tipo fisioterapia?<\/b><br \/>&#13;<br \/>\nFaz fisioterapia tr\u00eas vezes por semana. A gente v\u00ea televis\u00e3o, ele v\u00ea GloboNews, v\u00ea o Jornal Nacional direitinho, olha o rel\u00f3gio, oito e meia, que \u00e9 quando come\u00e7a o jornal, a\u00ed ouve o jornal. Pra te dizer a verdade, eu n\u00e3o sei quanto que ele t\u00e1\u2026 Mas ele pega a Zero Hora de manh\u00e3 e folheia ali com bastante aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00ea jogos de futebol, especialmente quando tem campeonato europeu, aqueles jogos bons. E jogos do Inter [Internacional, time do escritor]. \u00c0s vezes v\u00ea a Osesp na Cultura. E [ouve] muita m\u00fasica no computador.<\/p>\n<p>Voc\u00ea viu ali naquela sala, n\u00f3s trouxemos pra cima o computador dele, n\u00e9? E ele fica ali ouvindo muito tempo, muito tempo. Bastante coisa. Ele mesmo controla ali e tudo, e vai ouvindo. A m\u00fasica \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><b>Os 90 anos dele est\u00e3o chegando, ano que vem. Voc\u00eas est\u00e3o preparando alguma festan\u00e7a, alguma coisa? <\/b>N\u00e3o, vamos ver como \u00e9 que o barco t\u00e1 andando. A Fernanda, o Pedro, a Mariana [os filhos] est\u00e3o levantando a obra dele e tudo mais, n\u00e9? Mas n\u00e3o tem plano n\u00e3o. Vamos vivendo cada dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"[RESUMO] Em julho, um m\u00eas antes da morte de Luis Fernando Verissimo, a Folha entrevistou L\u00facia, esposa do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":62390,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[211,210,114,115,236,864,170,10724,32,33],"class_list":{"0":"post-62389","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-celebridades","9":"tag-celebrities","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-folha","13":"tag-literatura","14":"tag-livros","15":"tag-luis-fernando-verissimo","16":"tag-portugal","17":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62389\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}