{"id":63149,"date":"2025-09-08T17:31:27","date_gmt":"2025-09-08T17:31:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/63149\/"},"modified":"2025-09-08T17:31:27","modified_gmt":"2025-09-08T17:31:27","slug":"highest-2-lowest-explora-tensao-e-amor-por-ny","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/63149\/","title":{"rendered":"Highest 2 Lowest Explora Tens\u00e3o e Amor por NY"},"content":{"rendered":"<p>Dispon\u00edvel a partir de amanh\u00e3 em streaming (AppleTV+), o novo filme de Spike Lee apresenta-se com o t\u00edtulo Highest 2 Lowest. Nele se sugere um contraste entre o \u201cmais alto\u201d e o \u201cmais baixo\u201d, identificando algum tipo de tens\u00e3o ou, talvez, uma paradoxal aproxima\u00e7\u00e3o. No Brasil, por exemplo, chamaram-lhe Luta de Classes, enquanto o t\u00edtulo espanhol \u00e9 Del Cielo al Inferno. Desta vez, <strong>a conserva\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo original \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o totalmente l\u00f3gica, j\u00e1 que na sua ambiguidade po\u00e9tica a express\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo de uma can\u00e7\u00e3o \u2014 quem a interpreta (de forma prodigiosa!) numa cena fulcral do filme \u00e9 a brit\u00e2nica Ayana-Lee.<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em conta a descoberta do filme pelo leitor\/espetador, seria inadequado dizer mais do que isto sobre a raiz dram\u00e1tica da express\u00e3o \u201chighest 2 lowest\u201d. Seja como for, justifica-se o sublinhado de um detalhe que est\u00e1 longe de ser secund\u00e1rio, ali\u00e1s conhecido atrav\u00e9s de todas as formas de promo\u00e7\u00e3o desta produ\u00e7\u00e3o com chancela dos Apple Studios. Acontece que <strong>David King, a personagem central, composta pelo admir\u00e1vel Denzel Washington (na sua quinta colabora\u00e7\u00e3o com Spike Lee), \u00e9 uma lenda viva da edi\u00e7\u00e3o musical<\/strong>, admirado e respeitado por uma carreira de intransigente defesa da m\u00fasica negra atrav\u00e9s da sua empresa Stackin\u2019 Hits Records.<\/p>\n<p>Estamos perante um filme que come\u00e7a por ser um herdeiro leg\u00edtimo e hipersofisticado da tradi\u00e7\u00e3o do thriller. Com curiosas ramifica\u00e7\u00f5es. Isto porque o argumento de Highest 2 Lowest, assinado por Alan Fox, <strong>tem duas inspira\u00e7\u00f5es: antes do mais, o cl\u00e1ssico <\/strong><strong>O C\u00e9u e o Inferno<\/strong><strong> (1963), do japon\u00eas Akira Kurosawa (cujo t\u00edtulo ingl\u00eas \u00e9 <\/strong><strong>High and Low<\/strong><strong>); depois, o romance <\/strong><strong>King\u2019s Ransom<\/strong><strong>, de Ed McBain<\/strong> (publicado em 1959, e que tamb\u00e9m j\u00e1 servira de ponto de partida ao filme de Kurosawa).<\/p>\n<p><strong>A tens\u00e3o dram\u00e1tica instala-se a partir do momento em que o filho de King \u00e9 raptado, sendo-lhe exigido um avultado resgate.<\/strong> Por um lado, o eventual pagamento desse resgate ir\u00e1 p\u00f4r em causa todo um processo de reconvers\u00e3o financeira previsto para a Stackin\u2019 Hits Records; por outro lado, uma mudan\u00e7a perversa modifica o quadro geral dos acontecimentos: de facto, o raptor enganou-se e tem em seu poder o filho de Paul (Jeffrey Wright), motorista e confidente de King \u2014 o que, entenda-se, n\u00e3o anula a exig\u00eancia do resgate e as amea\u00e7as que a acompanham&#8230;<\/p>\n<p>Dizer que Highest 2 Lowest \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o brilhante sobre a tradi\u00e7\u00e3o do policial \u00e9 pouco para celebrar o g\u00e9nio narrativo de Spike Lee. Desde logo, porque <strong>ele \u00e9 (continua a ser) um dos mais extraordin\u00e1rios retratistas da complexidade de personagens e povos de Nova Iorque<\/strong> \u2014 o gen\u00e9rico de abertura, feito com imagens de marca nova-iorquinas (e Oh, What a Beautiful Mornin\u2019, da dupla Rodgers\/Hammerstein II, na banda sonora), \u00e9 das coisas mais belas que, em tempos recentes, o cinema nos prop\u00f4s. Depois, porque esta \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma f\u00e1bula desencantada, ainda que temperada por uma esperan\u00e7a talvez surpreendente, sobre o mais dif\u00edcil dos temas. A saber: a circula\u00e7\u00e3o do dinheiro.<\/p>\n<p>Apenas em streaming<\/p>\n<p>Simplificando, <strong>Highest 2 Lowest<\/strong> \u00e9 um objeto em que, \u00e0 semelhan\u00e7a de outros momentos emblem\u00e1ticos da filmografia de Spike Lee \u2014 penso em A \u00daltima Hora (2002), um dos primeiros t\u00edtulos a integrar refer\u00eancias aos efeitos do 11 de setembro \u2014, <strong>\u00e9 uma confiss\u00e3o de amor por Nova Iorque.<\/strong> Spike Lee revisita e reinventa matrizes de \u201ccontos morais\u201d cl\u00e1ssicos, de Elia Kazan a Martin Scorsese, preservando um esp\u00edrito narrativo algures entre o realismo e a epopeia.<\/p>\n<p>Resta dizer que, <strong>ao contr\u00e1rio do que aconteceu nos EUA (ainda que por um per\u00edodo limitado), <\/strong><strong>Highest 2 Lowest<\/strong><strong> n\u00e3o est\u00e1 nas salas escuras<\/strong>, impedindo-nos assim de saborear em tamanho grande o requinte visual da dire\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica de Matthew Libatique \u2014 e tamb\u00e9m a envolv\u00eancia da sua banda sonora. O que, bem entendido, n\u00e3o impede de ficar, desde j\u00e1, como um dos filmes maiores de 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dispon\u00edvel a partir de amanh\u00e3 em streaming (AppleTV+), o novo filme de Spike Lee apresenta-se com o t\u00edtulo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":63150,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[4503,470,306,114,115,4502,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-63149","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-as-estreias-da-semana","9":"tag-cinema","10":"tag-edicao-impressa","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-estreias-da-semana","14":"tag-film","15":"tag-filmes","16":"tag-movies","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}