{"id":66183,"date":"2025-09-10T20:10:44","date_gmt":"2025-09-10T20:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66183\/"},"modified":"2025-09-10T20:10:44","modified_gmt":"2025-09-10T20:10:44","slug":"livro-revela-estrategias-juridicas-pela-liberdade-adotadas-por-pessoas-escravizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66183\/","title":{"rendered":"Livro revela estrat\u00e9gias jur\u00eddicas pela liberdade adotadas por pessoas escravizadas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-121520 size-1col\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/capa-livro-1-630x372.png\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"372\"\/><\/p>\n<p>O Anfiteatro Jo\u00e3o Carri\u00e7o recebe, nesta quarta-feira, 10 de setembro, \u00e0s 18h30, o evento de lan\u00e7amento do livro \u201cA\u00e7\u00f5es de liberdade em Juiz de Fora: protagonismos, autonomias e insurg\u00eancias\u201d, obra que revela estrat\u00e9gias jur\u00eddicas adotadas por pessoas negras escravizadas para reivindicar a pr\u00f3pria liberdade d\u00e9cadas antes da assinatura da Lei \u00c1urea.\u00a0<\/p>\n<p>Fruto de uma pesquisa in\u00e9dita, a obra re\u00fane hist\u00f3rias de luta e afirma\u00e7\u00e3o de direitos de pessoas negras na regi\u00e3o. Os registros analisados trazem \u00e0 tona vozes que, mesmo sob um regime escravista, atuaram juridicamente para garantir suas exist\u00eancias com dignidade.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 assinado por tr\u00eas pesquisadores com v\u00ednculos acad\u00eamicos com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF): Vanessa Ferreira Lopes, servidora t\u00e9cnico-administrativa em Educa\u00e7\u00e3o (TAE) da Diretoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas (Diaaf), com gradua\u00e7\u00e3o e mestrado em Hist\u00f3ria pela UFJF; Luan Pedretti, graduado em Hist\u00f3ria e doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela UFJF; e Giovana Castro, doutora em Hist\u00f3ria pela UFJF, com tese indicada ao Pr\u00eamio Capes em 2025.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-121444\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/giovanna-castro.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Giovana Castro, uma das autoras do livro, \u00e9 doutora em Hist\u00f3ria pela UFJF, com tese indicada ao Pr\u00eamio Capes em 2025, e coordena o Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria Oral e Imagem Afrikas, ao lado da professora Hebe Mattos (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, os autores compartilham uma atua\u00e7\u00e3o em coletivos negros e no ativismo local. Essa viv\u00eancia conferiu \u00e0 pesquisa uma abordagem mais sens\u00edvel e engajada, que busca romper silenciamentos hist\u00f3ricos e disputar a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva da cidade.<\/p>\n<p><b>Ra\u00edzes do projeto<br \/><\/b>A proposta do livro nasceu das discuss\u00f5es desenvolvidas no projeto \u201cJuiz de Fora: Cidade Negra\u201d, iniciativa do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria Oral e Imagem Afrikas (Labhoi\/Afrikas), coordenado pela pesquisadora Giovana Castro e pela professora Hebe Mattos. Criado em 2018 no Departamento de Hist\u00f3ria da UFJF, o projeto investiga as conex\u00f5es da cidade com a di\u00e1spora africana e as hist\u00f3rias negras locais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental para n\u00f3s apresentar a escraviza\u00e7\u00e3o pela voz dos sujeitos diretamente atingidos, atribuindo-lhes subjetividades e trajet\u00f3rias para al\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas passivas que a historiografia tradicional erroneamente cristalizou.\u201c, afirma Vanessa. Para ela, \u00e9 urgente revisitar o passado sob novas lentes, com \u00eanfase nas estrat\u00e9gias legais de resist\u00eancia usadas pela popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p><b>Mem\u00f3ria, repara\u00e7\u00e3o e enfrentamento do racismo<br \/><\/b>Para al\u00e9m da abordagem hist\u00f3rica, \u201cA\u00e7\u00f5es de liberdade em Juiz de Fora\u201d prop\u00f5e uma reflex\u00e3o atualizada sobre o racismo e seus desdobramentos. Segundo Vanessa, o livro desafia leituras simplificadas e termos que esvaziam o debate racial, como o uso superficial da express\u00e3o \u201cracismo estrutural\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-121445\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/vanessa-lopes.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"406\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Vanessa Lopes, mestre em Hist\u00f3ria e TAE da Diretoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas, que tamb\u00e9m assina a obra, ressalta a urg\u00eancia em revisitar o passado sob novas lentes, com \u00eanfase nas estrat\u00e9gias legais de resist\u00eancia usadas pela popula\u00e7\u00e3o negra (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p>\u201cO livro busca, de maneira mais sofisticada e complexa, trabalhar uma mem\u00f3ria sens\u00edvel que persiste na reviv\u00eancia de um passado inconcluso, manifestando-se em diferentes formas de racismo, concretas e vis\u00edveis, presentes nas institui\u00e7\u00f5es, no imagin\u00e1rio social e em posturas nacionais.\u201c, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>Para os autores, \u00e9 necess\u00e1rio pautar a repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica como ferramenta de democracia e contesta\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios herdados de um legado violento. A expectativa dos autores \u00e9 que o livro sirva de refer\u00eancia para pesquisadores e educadores interessados em compreender a forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e, especialmente, a hist\u00f3ria local de Juiz de Fora.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que a obra tamb\u00e9m seja um indicativo da urg\u00eancia de se construir uma hist\u00f3ria p\u00fablica da escravid\u00e3o que supere reducionismos, abrindo espa\u00e7o para a complexidade do tema e para a diversidade de experi\u00eancias que atravessaram mais de tr\u00eas s\u00e9culos na forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-121446\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/luan-pedretti.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"576\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Outro autor \u00e9 Luan Pedretti, graduado em Hist\u00f3ria e doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela UFJF, e com papel de destaque a\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es a partir de coletivos negros universit\u00e1rios (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p><b>Do coletivo \u00e0 escrita: trajet\u00f3ria conjunta dos autores<br \/><\/b>Entre os tr\u00eas autores, Giovana Castro se destaca como uma das ativistas negras mais antigas da cidade, com uma trajet\u00f3ria marcada por atua\u00e7\u00e3o em diversas frentes pol\u00edticas e sociais. Em 2018, essa experi\u00eancia resultou em sua entrada no doutorado em Hist\u00f3ria, onde desenvolveu uma pesquisa sobre a atua\u00e7\u00e3o de mulheres negras nos movimentos sociais locais, tese que foi indicada ao Pr\u00eamio Capes em 2025. Foi Giovana quem coorientou a disserta\u00e7\u00e3o de Vanessa Lopes, dedicada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do movimento negro contempor\u00e2neo em Juiz de Fora no per\u00edodo p\u00f3s-ditadura, em di\u00e1logo com movimentos partid\u00e1rios, comunit\u00e1rios e religiosos.\u00a0<\/p>\n<p>Vanessa relata que sua aproxima\u00e7\u00e3o com esse campo se deu a partir de sua chegada \u00e0 cidade, em 2016, vinda de Tr\u00eas Rios (RJ), quando passou a perceber a for\u00e7a e a complexidade do ativismo negro local. Nesse contexto, conheceu Luan Pedretti, ent\u00e3o estudante de Hist\u00f3ria, com quem passou a atuar em coletivos universit\u00e1rios. Em 2017, junto a outros estudantes negros da UFJF, fundaram o coletivo negro \u201cResist\u00eancia Viva\u201d, que mais tarde se somaria \u00e0 articula\u00e7\u00e3o da \u201cFrente Preta UFJF\u201d, coaliz\u00e3o que promoveu diversos eventos e mobiliza\u00e7\u00f5es importantes entre 2017 e 2020, como as edi\u00e7\u00f5es da \u201cCalourada Preta\u201d, o \u201cQuilombe-se\u201d e as a\u00e7\u00f5es contra fraudes nas cotas raciais.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda que esses coletivos tenham sido desativados com o tempo, foi nesse processo de constru\u00e7\u00e3o coletiva que os autores encontraram pontos de converg\u00eancia entre milit\u00e2ncia, mem\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, assumindo a escrita da hist\u00f3ria como mais uma frente de atua\u00e7\u00e3o. Hoje, Vanessa atua como TAE na UFJF, integrando a Diaaf e colaborando com projetos voltados \u00e0 diversidade, equidade e mem\u00f3ria social.<\/p>\n<p><b>Oficinas aprofundam o debate com a comunidade<br \/><\/b>Al\u00e9m do lan\u00e7amento do e-livro, est\u00e3o previstas duas oficinas did\u00e1ticas no Instituto Casa Cirene Candanda, que prop\u00f5em reflex\u00f5es coletivas sobre liberdade, resist\u00eancia e mem\u00f3ria negra:<\/p>\n<p>\ud83d\udccc <b>Oficinas did\u00e1ticas<br \/><\/b>\ud83d\uddd3\ufe0f 18\/09\/2025, \u00e0s 14h<br \/>\ud83d\uddd3\ufe0f 24\/09\/2025, \u00e0s 18h30<br \/> \ud83d\udccd Av. Bar\u00e3o do Rio Branco, 2288, sala 1606 \u2013 Centro, Juiz de Fora<br \/> \ud83d\udd17<a style=\"color: #800000\" href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSfrON2mYYJiutV8sG4eDgNJi62Pw24eGedWYoPOBbPLCs4XnQ\/viewform?usp=sharing&amp;ouid=118103435545408319125\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Clique aqui para realizar a inscri\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><b>Lan\u00e7amento<br \/><\/b><b\/> \ud83d\udcc5 10 de setembro de 2025<br \/> \u23f0 18h30<br \/> \ud83d\udccd Anfiteatro Jo\u00e3o Carri\u00e7o \u2013 Av. Rio Branco, 2234 (Pr\u00e9dio da Funalfa), Centro \u2013 Juiz de Fora<br \/> \ud83d\udcf2 Acompanhe as atualiza\u00e7\u00f5es em:<a style=\"color: #800000\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DNqSmTst_Uf\/?igsh=MW83bHYwdnRkcnNwMw%3D%3D\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> @acoesdeliberdadejf<\/a><\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Anfiteatro Jo\u00e3o Carri\u00e7o recebe, nesta quarta-feira, 10 de setembro, \u00e0s 18h30, o evento de lan\u00e7amento do livro&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66184,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-66183","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66183\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}