{"id":66977,"date":"2025-09-11T11:38:40","date_gmt":"2025-09-11T11:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66977\/"},"modified":"2025-09-11T11:38:40","modified_gmt":"2025-09-11T11:38:40","slug":"bce-devera-manter-juros-com-franca-debaixo-de-pressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66977\/","title":{"rendered":"BCE dever\u00e1 manter juros com Fran\u00e7a debaixo de press\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>        BCE deve manter taxas inalteradas, apesar de a segunda maior economia do euro estar sob press\u00e3o. Frankfurt vai atuar no mercado da d\u00edvida para ajudar a G\u00e1lia? Para j\u00e1, dever\u00e1 evitar atuar, mas se press\u00e3o subir nos mercados poder\u00e1 ter de agir.    <\/p>\n<p>epa12258710 European Central Bank (ECB) President Christine Lagarde addresses a press conference following the meeting of the ECB Governing Council in Frankfurt am Main, Germany, 24 July 2025.  EPA\/RONALD WITTEK<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) dever\u00e1 deixar as taxas de juro inalteradas na reuni\u00e3o de hoje. A reuni\u00e3o tem lugar num momento em que a segunda maior economia da zona euro est\u00e1 debaixo de foco dos mercados devido \u00e0 instabilidade pol\u00edtica e \u00e0 fraca perspetiva econ\u00f3mica e financeira, com a d\u00edvida a escalar e o d\u00e9fice fora de controlo. Ao mesmo tempo, as tarifas de Donald Trump j\u00e1 fazem efeito na economia da zona euro e Bruxelas.<\/p>\n<p>A larga maioria dos economistas inquiridos pela \u201cReuters\u201d consideram que o BCE vai manter intactas as taxas pelo segundo encontro consecutivo. O BCE cortou a taxa de dep\u00f3sitos em 200 pontos base no espa\u00e7o de 12 meses at\u00e9 \u00e0 reuni\u00e3o de junho.<\/p>\n<p>Quase 60% dos inquiridos consideram que o BCE vai manter as taxas inalteradas para o resto do ano. Uma ligeira maioria v\u00ea a taxa a ficar nos 2% ou mais alta at\u00e9 ao final de 2026.<\/p>\n<p>A zona euro dever\u00e1 crescer 1,2% este ano e 1,1% no pr\u00f3ximo, podendo subir para os 1,4% em 2027.<\/p>\n<p>A maior economia europeia contraiu 0,3% no segundo trimestre em consequ\u00eancia dos efeitos tarif\u00e1rios de Trump.<\/p>\n<p>Por sua vez, Luke Bartholomew da Aberdeen Investments, considera que o mais certo \u00e9 o BCE manter as taxas intactas, com os investidores a procurar os \u201csinais\u201d para o caminho futuro e como \u00e9 que Frankfurt pode vir a agir perante a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Sobre Fran\u00e7a, o analista aponta para o risco de haver um sell-off de obriga\u00e7\u00f5es gaulesas \u00e0 boleia da incerteza pol\u00edtica e or\u00e7amental. \u201cIsto representaria um apertar material das condi\u00e7\u00f5es financeiras da zona euro e provavelmente encorajaria mais cortes dos juros. Mas uma interven\u00e7\u00e3o mais direta do BCE para apoiar a d\u00edvida francesa nos mercados \u00e9 improv\u00e1vel de acontecer, dadas as restri\u00e7\u00f5es em vigor nas v\u00e1rias ferramentas de liquidez do BCE e o seu desejo de evitar envolver-se em quest\u00f5es pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p>Mas se a situa\u00e7\u00e3o agudizar, a intransig\u00eancia do BCE poder\u00e1 tornar-se \u201cinsustent\u00e1vel, dada a import\u00e2ncia sist\u00e9mica de Fran\u00e7a. Por agora, ainda estamos longe\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Mauro Valle da Generali Investments considera que, se Fran\u00e7a falhar em aprovar um Or\u00e7amento do Estado para 2026, \u201ca press\u00e3o para Macron demitir-se vai aumentar, potencialmente levando a uma crise constitucional que pode expor as obriga\u00e7\u00f5es a maior volatilidade\u201d.<\/p>\n<p>Os spreads da d\u00edvida francesa podem manter-se nos 80 pontos base, mas em caso de corte no rating, a par de mais incerteza pol\u00edtica, existe o risco de subirem para 100 pontos base, superando at\u00e9 os italianos.<\/p>\n<p>Para Michael Krautzberger da Allianz GI, \u201ccom a infla\u00e7\u00e3o em torno do objetivo e o crescimento pr\u00f3ximo da tend\u00eancia, acreditamos que o BCE dever\u00e1 reiterar que a sua postura monet\u00e1ria se mant\u00e9m \u201cadequada\u201d. Isto implica um padr\u00e3o elevado para qualquer altera\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica monet\u00e1ria. No entanto, Lagarde pode reconhecer alguma resist\u00eancia interna, como j\u00e1 refletiam as atas de Julho\u201d-<b\/><\/p>\n<p>J\u00e1 a Ebury considera que o BCE dever\u00e1 manter as taxas inalteradas, apontando que o crescimento da zona euro \u00e9 mais resiliente do que o esperado e que a infla\u00e7\u00e3o dever\u00e1 manter-se em torno dos 2%. J\u00e1 as previs\u00f5es de crescimento e infla\u00e7\u00e3o poder\u00e3o vir a sofrer revis\u00f5es em alta.<\/p>\n<p><strong>Meloni d\u00e1 \u2018canelada\u2019 a Macron: juros franceses j\u00e1 superam os italianos<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mais complicadas da Europa atualmente e ganha agora mais achas para a fogueira. A tens\u00e3o entre Emmanuel Macron e Giorgia Meloni tem tido v\u00e1rios epis\u00f3dios. Um dos mais recentes foi a troca de galhardetes entre Paris e Roma devido \u00e0 pol\u00edtica fiscal italiana para atrair fortunas estrangeiras num momento em que em Fran\u00e7a discute aumentar a carga fiscal.<\/p>\n<p>A Assembleia Nacional chumbou a mo\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a apresentada por Fran\u00e7ois Bayrou e o presidente franc\u00eas j\u00e1 anunciou o novo primeiro-ministro: Sebastien Lecornu, um aliado de longa data de Macron.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 o facto in\u00e9dito de os juros da d\u00edvida francesa terem superado durante a sess\u00e3o na ter\u00e7a-feira os juros italianos, a primeira vez que tal aconteceu. \u00c9 certo que depois corrigiram, mas isto significa que os investidores acreditam que h\u00e1 um risco maior em comprar d\u00edvida francesa face \u00e0 italiana, algo impens\u00e1vel h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a est\u00e1 tamb\u00e9m a caminho do quinto primeiro-ministro em dois anos, algo que pode ser comparado \u00e0 t\u00edpica instabilidade governativa italiana, at\u00e9 h\u00e1 poucos anos.<\/p>\n<p data-component=\"paragraph\">Historicamente, as obriga\u00e7\u00f5es transalpinas t\u00eam recompensado melhor os investidores devido a maiores riscos econ\u00f3mico-financeiros associados a It\u00e1lia. No pico da crise das d\u00edvidas soberanas em 2012, os juros italianos estavam 4 pontos acima dos gauleses. Em 2022, o spread atinge dois pontos de diferen\u00e7a. Mas a estabilidade do Governo de Giorgia Meloni levou os mercados a apostarem mais em It\u00e1lia, a par do esfor\u00e7o do pa\u00eds para consolidar a sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>O grande desafio de Emmanuel Macron agora \u00e9 convencer as ag\u00eancias de rating que o novo primeiro-ministro vai conseguir dar a volta \u00e0 instabilidade pol\u00edtica e conseguir colocar o pa\u00eds no bom rumo financeiro e econ\u00f3mico, com um novo or\u00e7amento do Estado para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>A primeira ag\u00eancia a pronunciar-se \u00e9 a Fitch que divulga a sua nota na pr\u00f3xima sexta-feira, 12 de setembro. Atualmente, atribui AA- a Fran\u00e7a com uma perspetiva negativa. Em outubro e novembro seguem-se a Moody\u2019s (Aa3) e a S&amp;P Global (AA-), respetivamente. J\u00e1 It\u00e1lia est\u00e1 uns degraus abaixo: com BBB+ da S&amp;P, Baa3 da Moody\u2019s e BBB da Fitch.<\/p>\n<p>\u201cOs \u2018spreads\u2019 franceses s\u00e3o consistentes com uma descida do rating\u201d, disse \u00e0 \u201cBloomberg\u201d Guillermo Felices da PGIM Fixed Income.<\/p>\n<p data-component=\"paragraph\">A mudan\u00e7a que teve lugar na ter\u00e7a-feira deveu-se a quest\u00f5es t\u00e9cnicas: a obriga\u00e7\u00e3o gaulesa que serve de benchmark\u00a0passou a ter uma maturidade mais longa face \u00e0 transalpina, mais uns meses, mas os analistas apontam que marca a continua\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia que arrancou h\u00e1 v\u00e1rios anos e acontece num momento de grande press\u00e3o para Emmanuel Macron.<\/p>\n<p data-component=\"paragraph\">\u201cA expetativa \u00e9 que o pr\u00f3ximo PM seja para ficar. Para os investidores, a grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o eleitorado n\u00e3o vai formar uma maioria clara e n\u00e3o parece preocupado com a deteriora\u00e7\u00e3o or\u00e7amental\u201d, segundo Elliot Hentov da State Street Investment Management, citado pela \u201cBloomberg\u201d.<\/p>\n<p data-component=\"paragraph\">Para Sam Hill do LLoyds, \u201cas expetativas para um desfecho r\u00e1pido dos problemas pol\u00edticos e or\u00e7amentais em Fran\u00e7a dever\u00e3o permanecer constrangidos\u201d, afirmou, apontando que as obriga\u00e7\u00f5es gaulesas v\u00e3o continuar sob press\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"BCE deve manter taxas inalteradas, apesar de a segunda maior economia do euro estar sob press\u00e3o. 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