{"id":66985,"date":"2025-09-11T11:48:18","date_gmt":"2025-09-11T11:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66985\/"},"modified":"2025-09-11T11:48:18","modified_gmt":"2025-09-11T11:48:18","slug":"livros-discutem-por-que-distopias-repercutem-no-presente-10-09-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/66985\/","title":{"rendered":"Livros discutem por que distopias repercutem no presente &#8211; 10\/09\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (10). Quer receb\u00ea-la no seu email? 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A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/risco-do-autoritarismo-de-trump-a-bolsonaro-dispara-novas-distopias-na-literatura.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">reportagem de Walter Porto<\/a> aponta que distopias costumam ser mobilizadas por medo ou \u00f3dio.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de Lynch ao abordar os temores de hoje como perigos de amanh\u00e3 serve \u00e0 ideia de que as pessoas n\u00e3o respondem emocionalmente a fatos, mas a hist\u00f3rias \u2014conclus\u00e3o que explica n\u00e3o s\u00f3 a relev\u00e2ncia do trabalho do irland\u00eas, mas de muitos que vieram antes dele. Por exemplo, o ainda alarmante &#8220;1984&#8221;, de George Orwell, que h\u00e1 d\u00e9cadas imaginou um cen\u00e1rio hoje temido pelo escritor Jason Stanley.<\/p>\n<p>No livro de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o <strong>&#8220;Apagando a Hist\u00f3ria: Como os Fascistas Reescrevem o Passado para Controlar o Futuro&#8221; <\/strong>(trad. Denise Bottmann, L&amp;PM, R$ 69,90, 224 p\u00e1gs.), o fil\u00f3sofo americano discute como poderes pol\u00edticos s\u00e3o capazes de apagar mem\u00f3rias coletivas e formar cidad\u00e3os d\u00f3ceis atrav\u00e9s das narrativas que perpetuam. A obra, segundo a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2025\/08\/livro-mostra-como-manipulacao-e-visao-reducionista-da-historia-dao-lugar-a-fascismo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cr\u00edtica Sylvia Colombo<\/a>, &#8220;mostra que a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 o campo onde se decide se sociedades permanecer\u00e3o democr\u00e1ticas&#8221;.<\/p>\n<p>Acabou de Chegar<\/p>\n<p><strong>&#8220;Para John&#8221; <\/strong>(trad. Marina Vargas, HarperCollins Brasil, R$ 89,90, 224 p\u00e1gs.) re\u00fane transcri\u00e7\u00f5es das sess\u00f5es de psiquiatria da escritora americana Joan Didion. Ao longo de tr\u00eas anos, a autora reflete sobre a rela\u00e7\u00e3o com seu marido John Dunne e sua filha Quintana Roo. Para o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/livro-postumo-de-joan-didion-reune-dialogos-intimos-com-seu-psiquiatra.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cr\u00edtico Gabriel Trigueiro<\/a>, o novo livro soa como o material bruto que deu origem a outros de seus livros mais bem lapidados, como &#8220;O Ano do Pensamento M\u00e1gico&#8221; e &#8220;Noites Azuis&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Te Dou Minha Palavra&#8221;<\/strong> (Companhia das Letras, R$ 79,90, 208 p\u00e1gs.) \u00e9 o livro mais autobiogr\u00e1fico da paulistana Noemi Jaffe, que ela v\u00ea como a culmina\u00e7\u00e3o de toda a sua trajet\u00f3ria. Na obra, hist\u00f3rias e mem\u00f3rias se misturam em suas percep\u00e7\u00f5es. Como a autora diz ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/noemi-jaffe-reve-sua-vida-entre-linguas-e-letras-no-livro-te-dou-minha-palavra.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">editor Walter Porto<\/a>, &#8220;essa disparidade entre o que voc\u00ea sente e o que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 muito chocante&#8221;. &#8220;E as duas coisas est\u00e3o certas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Berg&#8221;<\/strong> (trad. Gisele Ebersp\u00e4cher, DBA, R$ 76,90, 184 p\u00e1gs.) marca a chegada de Ann Quin ao Brasil, j\u00e1 como uma autora cl\u00e1ssica, segundo o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/08\/redescoberta-de-ann-quin-e-chance-de-ler-pela-primeira-vez-um-classico.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cr\u00edtico Felippe Cordeiro<\/a>. O livro subverte o mito de \u00c9dipo e tem como protagonista um filho que se prepara para matar o pai. &#8220;A redescoberta de Quin \u00e9 um presente para a literatura contempor\u00e2nea, pois oferece a oportunidade de &#8216;reler&#8217; pela primeira vez uma voz \u00fanica, que se recusou a ser domesticada&#8221;, escreve o resenhista.<\/p>\n<p>E mais<\/p>\n<p>Gilberto Gil <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/julgar-trama-de-golpe-e-sinal-de-brasil-mais-maduro-que-na-ditadura-diz-gilberto-gil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">registra sua turn\u00ea de despedida<\/a> no livro <strong>&#8220;Tempo Rei&#8221;<\/strong> (Gege Edi\u00e7\u00f5es Musicais, R$ 96), com fotos de momentos marcantes e cifras das m\u00fasicas apresentadas nessa \u00faltima leva de shows. Gil j\u00e1 declarou n\u00e3o ter vontade de recontar sua hist\u00f3ria por um mecanismo tradicional como uma autobiografia e diz se interessar mais pelas interpreta\u00e7\u00f5es dos outros sobre sua obra. Ele tamb\u00e9m afirma ao jornalista Walter Porto estar aberto \u00e0 escrita depois de terminar os shows.<\/p>\n<p>Na obra <strong>&#8220;Na China com o Green Day?!!&#8221;<\/strong> (trad. Alvaro Dutra, Terreno Estranho, R$ 115, 176 p\u00e1gs.), Aaron Cometbus, um ex-roadie do grupo punk, narra suas mem\u00f3rias durante uma turn\u00ea por pa\u00edses da \u00c1sia em 2010. A obra \u00e9, segundo a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/livro-sobre-green-day-traz-boas-historias-de-amigo-proximo-da-banda.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cr\u00edtica de Andr\u00e9 Barcinski<\/a>, &#8220;uma esp\u00e9cie de acerto de contas do Green Day com Cometbus, que havia criticado a banda em algumas ocasi\u00f5es por ter supostamente se vendido ao comercialismo&#8221;.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEm 1592, o jovem poeta portugu\u00eas Bartolomeu Fragoso foi preso pela Inquisi\u00e7\u00e3o em Salvador. Na ocasi\u00e3o, teve seus pap\u00e9is sequestrados pelo governo, entre eles o manuscrito &#8220;O Cancioneiro das Baldaias&#8221;. Mais de 400 anos depois, o pequeno livro foi encontrado na Torre do Tombo, em Lisboa, pela pesquisadora Sheila Hue, e vai ser publicado no Brasil pela editora Ch\u00e3o, como<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/walter-porto\/2025\/09\/guardado-ha-400-anos-livro-sobre-vida-boemia-censurado-na-bahia-vem-a-publico.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> conta o Painel das Letras<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos Livros<\/p>\n<p>A Anthropic respondeu aos processos por uso indevido do conte\u00fado de livros com um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/tec\/2025\/09\/anthropic-fecha-acordo-de-us-15-bi-com-escritores-em-processo-de-direitos-autorais.shtml;utm_medium=social&amp;utm_campaign=sharenativo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">acordo de US$ 1,5 bilh\u00e3o<\/a> (equivalente a R$ 8,1 bilh\u00f5es). A empresa de intelig\u00eancia artificial se comprometeu a fazer o pagamento a autores que a acusaram de usar suas obras para treinar o chatbot Claude e tamb\u00e9m se comprometeu a destruir milh\u00f5es de c\u00f3pias de livros piratas armazenados em seus servidores. O epis\u00f3dio tem sido considerado o primeiro grande acordo da era da IA generativa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s voltar ao mercado, a editora Cosac prepara novas publica\u00e7\u00f5es de livros da antiga Cosac Naify, al\u00e9m de uma vers\u00e3o in\u00e9dita de &#8220;Romeu e Julieta&#8221; e uma cole\u00e7\u00e3o de teatro de Pasolini. Como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/walter-porto\/2025\/09\/cosac-vai-lancar-uma-versao-inedita-de-romeu-e-julieta-e-colecao-de-teatro-de-pasolini.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">conta o Painel das Letras<\/a>, a nova edi\u00e7\u00e3o da obra de Shakespeare traz um ritmo mais veloz, voltado ao teatro, com tradu\u00e7\u00e3o e notas do professor de artes c\u00eanicas Ricardo Cardoso.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nNo \u00faltimo m\u00eas, aconteceu no interior de Minas Gerais a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/fliparacatu-faz-conviverem-grandes-escritores-em-ritmo-de-calmaria-em-minas-gerais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">terceira edi\u00e7\u00e3o do Fliparacatu<\/a>, festival liter\u00e1rio que oferece a grandes escritores um momento de conviv\u00eancia calma e festiva. O evento \u00e9 idealizado por Afonso Borges, gestor cultural por tr\u00e1s dos similares Fliarax\u00e1, Flitabira e Flipetr\u00f3polis. Autoras como Carla Madeira, Ana Maria Gon\u00e7alves e M\u00edriam Leit\u00e3o passaram por l\u00e1 e tamb\u00e9m aproveitaram a oportunidade para falar de seus novos livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esta \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o da newsletter Tudo a Ler desta quarta-feira (10). Quer receb\u00ea-la no seu email? 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