{"id":67304,"date":"2025-09-11T16:23:21","date_gmt":"2025-09-11T16:23:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/67304\/"},"modified":"2025-09-11T16:23:21","modified_gmt":"2025-09-11T16:23:21","slug":"stephen-king-traido-na-reta-final-de-uma-marcha-desumana-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/67304\/","title":{"rendered":"Stephen King tra\u00eddo na reta final de uma marcha desumana \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Stephen King tinha come\u00e7ado a frequentar a Universidade do Maine quando escreveu, em 1966, The Long Walk, o seu primeiro livro, que seria publicado apenas em 1979, sob o seu pseud\u00f3nimo de Richard Bachman. O escritor criou-o para poder escrever mais do que um livro por ano (a norma convencionada ao tempo pela ind\u00fastria livreira nos EUA para os autores best-sellers), para n\u00e3o prejudicar o nome no mercado saturando-o de t\u00edtulos, e ainda para ver se conseguia ser t\u00e3o bem aceite pela cr\u00edtica e vender um n\u00famero aceit\u00e1vel de exemplares usando um nome fict\u00edcio (no caso de The Long Walk, isso n\u00e3o sucedeu e a obra s\u00f3 teve sucesso quando saiu referenciada a King, em 1984).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria, que alguns cr\u00edticos interpretaram como sendo uma alegoria sobre a experi\u00eancia dos jovens que eram mobilizados para combater na Guerra do Vietname, passa-se num futuro em que os EUA estiveram envolvidos numa guerra gravemente debilitadora do pa\u00eds, que vive sob um governo totalit\u00e1rio sem rosto. <strong>Todos os anos, uma centena de rapazes concorre \u00e0 Long Walk, uma prova em que t\u00eam de caminhar sem parar por uma rota pr\u00e9-estabelecida, mantendo uma cad\u00eancia m\u00ednima. A inten\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 mostrar ao pa\u00eds a sua juventude a dar um exemplo de entrega e de resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m de sacrif\u00edcio extremo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Veja o \u201ctrailer\u201d de \u201cThe Long Walk \u2014 O Desafio\u201d:]<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 que se os participantes n\u00e3o respeitarem a cad\u00eancia estabelecida durante 30 segundos ou mais, s\u00e3o avisados. Depois de tr\u00eas avisos, os soldados que acompanham a marcha abatem o prevaricador a tiro. N\u00e3o h\u00e1 meta e a prova acaba s\u00f3 quando houver um concorrente de p\u00e9. O pr\u00e9mio \u00e9 o que ele desejar \u2013 desde que n\u00e3o prejudique a pol\u00edtica e as a\u00e7\u00f5es do Estado. A prova \u00e9 comandada por um estere\u00f3tipo do militar desumano, o Major (Mark Hamill, num papel que h\u00e1 30 ou 40 anos teria ido para um Lee Marvin ou um James Coburn), que de vez em quando executa ele mesmo um dos infortunados concorrentes f\u00edsica ou animicamente quebrados.<\/p>\n<p><strong>[Veja uma entrevista com Francis Lawrence, David Jonsson e Mark Hamill:]<\/strong><\/p>\n<p>Desde os anos 80 que h\u00e1 planos para filmar The Long Walk. O primeiro candidato foi George A. Romero, tendo-se-lhe seguido Frank Darabont, James Vanderbilt e o noruegu\u00eas Andr\u00e9 Ovredal. O projeto acabou por ser concretizado por Francis Lawrence, realizador de Constantine e de alguns filmes da s\u00e9rie Os Jogos da Fome. <strong>Entre outras altera\u00e7\u00f5es, Lawrence e o argumentista JT Molnar reduziram para metade o n\u00famero de participantes na caminhada, por quest\u00f5es de or\u00e7amento; mudaram a localiza\u00e7\u00e3o dos bosques do Maine para o interior dos EUA; e atenuaram o papel da televis\u00e3o na narrativa e as hist\u00f3rias pessoais de algumas das personagens, bem como a sua origem \u00e9tnica, para assim ser cumprida a inevit\u00e1vel pauta da representatividade das minorias.<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Veja uma entrevista com Cooper Hoffman:]<\/strong><\/p>\n<p>Assim, uma dos protagonistas mais importantes do grupo, juntamente com Raymond Garraty (Cooper Hoffman), Peter McVries (David Jonsson) passou a ser negro. A realiza\u00e7\u00e3o de Lawrence \u00e9 servi\u00e7al, e os atores chamam a si o grosso das despesas dram\u00e1ticas do enredo: as v\u00e1rias motiva\u00e7\u00f5es das personagens para estarem ali e como racionalizam a sua participa\u00e7\u00e3o (ou se iludem sobre ela), e as personalidades que revelam, as rela\u00e7\u00f5es de confronto ou entreajuda, as respostas f\u00edsicas e mentais de cada um \u00e0 crescente dureza e desgaste da marcha, e ao clima de sele\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel e gradual desatino que se instala, causando tentativas de fuga ou revolta, ou as opini\u00f5es sobre as inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas por tr\u00e1s do concurso e a crua e escancarada barbaridade que lhe preside.<\/p>\n<p><strong>[Veja uma sequ\u00eancia do filme:]<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 partida uma descomplicada e pot\u00e1vel s\u00e9rie B de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dist\u00f3pica, mesmo considerando as modifica\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 hist\u00f3ria original, The Long Walk \u2014 O Desafio trai o livro em que se apoia e perde o rumo da jornada na reta final<\/strong> (e o espectador percebe isso, mesmo que n\u00e3o o tenha lido), primeiro, ao inverter os destinos de Garraty e McVries, e depois, ao punir a principal figura de execra\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de ter a coragem de manter a conclus\u00e3o pessimista e desesperan\u00e7ada de Stephen King, o cl\u00edmax l\u00f3gico e coerente com tudo o que aconteceu at\u00e9 l\u00e1 se chegar. Tanta estrada para t\u00e3o frustrante chegada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Stephen King tinha come\u00e7ado a frequentar a Universidade do Maine quando escreveu, em 1966, The Long Walk, o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":67305,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[470,315,114,115,7299,32,33],"class_list":{"0":"post-67304","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-cinema","9":"tag-cultura","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-estreia-da-semana","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67304\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}