{"id":6877,"date":"2025-07-29T11:46:08","date_gmt":"2025-07-29T11:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/6877\/"},"modified":"2025-07-29T11:46:08","modified_gmt":"2025-07-29T11:46:08","slug":"escandalo-no-telegram-com-partilha-massiva-de-videos-intimos-de-mulheres-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/6877\/","title":{"rendered":"Esc\u00e2ndalo no Telegram com partilha massiva de v\u00eddeos \u00edntimos de mulheres | Crime"},"content":{"rendered":"<p>Um grupo de conversa\u00e7\u00e3o em chin\u00eas no Telegram, denominado MaskPark Tree Hole Forum, divulgou imagens de mulheres fotografadas ou filmadas secretamente em diversos locais \u2014 incluindo casas de banho p\u00fablicas \u2014 a mais de cem mil utilizadores an\u00f3nimos, tanto na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/china\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">China<\/a> como no estrangeiro, segundo revelou o jornal estatal Southern Daily, o primeiro a noticiar a exist\u00eancia destes grupos, na semana passada.<\/p>\n<p>De acordo com a reportagem, alguns utilizadores publicaram imagens privadas das suas actuais ou ex-companheiras, bem como de familiares do sexo feminino. Algumas grava\u00e7\u00f5es \u2014 feitas com c\u00e2maras estenopeicas, que permitem captar imagem a partir de um pequeno orif\u00edcio, em espa\u00e7os p\u00fablicos \u2014 estavam inclusivamente a ser vendidas nestes grupos de conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As hashtags associadas ao tema ultrapassavam os 270 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, nesta ter\u00e7a-feira, na plataforma chinesa de microblogues Weibo. \u201c\u00c9 verdadeiramente assustador como a filmagem secreta se infiltrou no quotidiano\u201d, podia ler-se num coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Apesar de a China possuir leis rigorosas contra a obscenidade e eliminar regularmente conte\u00fados considerados pornogr\u00e1ficos da sua <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/Internet\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">internet<\/a> \u2014 altamente controlada \u2014 a dimens\u00e3o da partilha destas imagens chocou muitos cidad\u00e3os. Para aceder ao Telegram, bloqueado no pa\u00eds, \u00e9 necess\u00e1rio o uso aplica\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/02\/09\/economia\/noticia\/metade-pessoas-teletrabalho-usa-vpn-rede-virtual-privada-1994885\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">VPN<\/a> (redes virtuais privadas).<\/p>\n<p>Outros subf\u00f3runs do Telegram, dirigidos a utilizadores de l\u00edngua chinesa e contendo conte\u00fados pornogr\u00e1ficos, chegaram a atingir os 900 mil membros, indicou ainda o Southern Daily. \u201cO meu ex-namorado filmou-me \u00e0s escondidas durante rela\u00e7\u00f5es sexuais, publicou as minhas fotografias privadas no grupo sem o meu consentimento e divulgou as minhas contas nas redes sociais\u201d, relatou ao jornal uma v\u00edtima, n\u00e3o identificada. A mulher foi alertada para a exist\u00eancia do f\u00f3rum em Maio, por den\u00fancia an\u00f3nima. Acrescentou que muitas mensagens no grupo se auto-eliminavam e que as imagens n\u00e3o podiam ser guardadas nem captadas por captura de ecr\u00e3, devido \u00e0s configura\u00e7\u00f5es da aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo os registos de conversa\u00e7\u00e3o divulgados na reportagem, os utilizadores vendiam ainda objectos do quotidiano \u2014 como bases para incensos \u2014 equipados com c\u00e2maras ocultas, usados para filmar mulheres secretamente. \u201cIsto aumentou a preocupa\u00e7\u00e3o de muitas mulheres, pois os incidentes de voyeurismo parecem omnipresentes\u201d, afirmou Huang Simin, advogada chinesa especializada em casos de viol\u00eancia sexual. \u201cTenho notado um sentimento generalizado de impot\u00eancia relativamente \u00e0 protec\u00e7\u00e3o legal \u2014 uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe forma eficaz de lidar com estes casos.\u201d<\/p>\n<p>O f\u00f3rum principal MaskPark foi desactivado, mas alguns subf\u00f3runs continuam activos no <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/telegram\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Telegram<\/a>, informou o Southern Daily. \u201cA partilha de pornografia n\u00e3o consensual \u00e9 expressamente proibida pelos termos de servi\u00e7o do Telegram e \u00e9 removida sempre que detectada\u201d, declarou \u00e0 Reuters um porta-voz da plataforma. \u201cOs moderadores monitorizam proactivamente as \u00e1reas p\u00fablicas da plataforma e recebem den\u00fancias para remover milh\u00f5es de conte\u00fados nocivos diariamente, incluindo pornografia n\u00e3o consensual.\u201d<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo na Coreia do Sul<\/p>\n<p>Na imprensa chinesa, v\u00e1rios comentadores compararam o caso ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/05\/19\/p3\/noticia\/mulheres-movimento-sulcoreano-4b-nao-querem-mudar-homens-querem-viver-2049443\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">esc\u00e2ndalo do Nth Room<\/a>, na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/coreia-do-sul\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Coreia do Sul<\/a>, onde operadores de grupos pagos no Telegram chantagearam pelo menos 74 mulheres \u2014 incluindo menores \u2014 para que partilhassem imagens sexualmente expl\u00edcitas com dezenas de milhares de utilizadores. O caso provocou uma forte reac\u00e7\u00e3o p\u00fablica na Coreia do Sul, e o principal respons\u00e1vel foi condenado, em 2020, a 40 anos de pris\u00e3o. \u201cComparado com o caso do NthRoom, a perversidade do MaskPark \u00e9 ainda mais banalizada e disseminada. N\u00e3o existe um \u00fanico autor principal \u2014 os utilizadores partilham imagens por \u2018divers\u00e3o\u2019 e n\u00e3o por lucro\u201d, referia uma publica\u00e7\u00e3o no Weibo com mais de 14 mil gostos.<\/p>\n<p>Os utilizadores que publicaram imagens nestas salas de conversa\u00e7\u00e3o podem ser investigados ao abrigo da legisla\u00e7\u00e3o chinesa por \u201cprodu\u00e7\u00e3o, venda e difus\u00e3o de materiais obscenos com fins lucrativos\u201d, bem como por \u201cutiliza\u00e7\u00e3o ilegal de equipamento especial de escuta e recolha de imagens n\u00e3o consentidas\u201d, afirmou Huang. No entanto, acrescentou, os crimes de filmagem e fotografia clandestinas s\u00e3o punidos com relativa brandura, caso o conte\u00fado n\u00e3o seja considerado obsceno \u2014 com coimas at\u00e9 500 yuan (cerca de 65 euros, \u00e0 cota\u00e7\u00e3o actual) e dez dias de deten\u00e7\u00e3o administrativa, nos casos mais graves.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia chinesa tamb\u00e9m enfrenta dificuldades para perseguir criminalmente os infractores do MaskPark, dado que o Telegram \u00e9 encriptado e est\u00e1 alojado fora do pa\u00eds, afirmou um investigador jur\u00eddico chin\u00eas, sob anonimato. \u201cOs processos penais exigem um elevado limiar probat\u00f3rio, pelo que a dissemina\u00e7\u00e3o de imagens \u00edntimas continua, muitas vezes, a n\u00e3o ser punida por falta de provas\u201d, explicou. \u201cN\u00e3o existem regulamentos espec\u00edficos sobre a divulga\u00e7\u00e3o de imagens \u00edntimas de mulheres adultas.\u201d<\/p>\n<p>Ambos os juristas apelaram a uma interven\u00e7\u00e3o mais robusta por parte das autoridades governamentais no combate ao abuso com base no g\u00e9nero em plataformas digitais. &#8220;Espero que, no futuro, a China venha a criar legisla\u00e7\u00e3o penal para regulamentar o voyeurismo e a viol\u00eancia sexual praticados atrav\u00e9s de imagens visuais&#8221;, concluiu Huang.<\/p>\n<p>Laurie Chen<br \/>Tradu\u00e7\u00e3o: S\u00e9rgio Magno<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um grupo de conversa\u00e7\u00e3o em chin\u00eas no Telegram, denominado MaskPark Tree Hole Forum, divulgou imagens de mulheres fotografadas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6878,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[995,27,28,358,586,604,353,246,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,542,23,24,548,110,3483,17,18,29,30,31,3482,63,64,65],"class_list":{"0":"post-6877","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-abre-conteudo","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-china","12":"tag-ciberseguranca","13":"tag-crime","14":"tag-em-destaque","15":"tag-enter","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-headlines","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-para-redes","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-redes-sociais","32":"tag-tecnologia","33":"tag-telegram","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-violencia-sexual","40":"tag-world","41":"tag-world-news","42":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}