{"id":69546,"date":"2025-09-13T10:37:10","date_gmt":"2025-09-13T10:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/69546\/"},"modified":"2025-09-13T10:37:10","modified_gmt":"2025-09-13T10:37:10","slug":"novo-livro-infantil-de-capicua-e-uma-fabula-sobre-a-crise-da-habitacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/69546\/","title":{"rendered":"Novo livro infantil de Capicua \u00e9 uma f\u00e1bula sobre a crise da habita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Talvez n\u00e3o tenhamos reparado nele em Cor-de-Margarida, a estreia de Capicua na literatura para a inf\u00e2ncia, mas o caracol que agora protagoniza o seu novo livro j\u00e1 por l\u00e1 se escondia. Regressa mais velho e cansado, longe da energia de outros tempos, e atreve-se a colocar a pergunta que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 obra: <strong>Como \u00e9 que um caracol foge de casa?<\/strong> A resposta \u00e9 uma f\u00e1bula bem-humorada sobre a crise da habita\u00e7\u00e3o. O lan\u00e7amento est\u00e1 marcado para 20 de Setembro, \u00e0s 11.00, na Casa do Jardim da Estrela. Antes, convers\u00e1mos com a rapper e escritora, que quer\u00a0p\u00f4r as fam\u00edlias a reflectir n\u00e3o s\u00f3 sobre o significado de ter casa, pertencer e cuidar, mas tamb\u00e9m sobre a import\u00e2ncia da consci\u00eancia de classe. \u201cMuitas vezes queixamo-nos de barriga cheia sobre os nossos problemas de primeiro mundo.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o restam d\u00favidas de que <a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/lisboa\/pt\/musica\/capicua-a-musica-e-um-megafone-para-as-minhas-causas\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o seu trabalho \u00e9 um megafone para as suas causas<\/a>, ou que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/lisboa\/pt\/noticias\/capicua-fazer-musica-para-criancas-tambem-e-fazer-musica-para-os-pais-033022\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o universo natural ocupa um lugar privilegiado no seu imagin\u00e1rio<\/a>. Afinal, al\u00e9m de se focar numa das grandes quest\u00f5es da actualidade, Ana Matos Fernandes, mais conhecida por Capicua,\u00a0transporta-nos\u00a0novamente para o meio da natureza. O nosso guia\u00a0\u00e9 um caracol farto de andar de casa \u00e0s costas, j\u00e1 a um passo de aderir ao partido das lesmas. Mas, porque n\u00e3o \u00e9 todos os dias que se toma uma decis\u00e3o t\u00e3o radical, l\u00e1 opta por ir de f\u00e9rias. \u00c9 nessa viagem, do campo \u00e0 costa, que se abordam v\u00e1rios quesitos do problema da habita\u00e7\u00e3o, desde a dificuldade que \u00e9 ter \u201ctoca pr\u00f3pria\u201d \u2013 como sonha uma certa toupeira, que gostava de sair de casa dos pais e constituir fam\u00edlia \u2013 \u00e0 ma\u00e7ada que \u00e9 manter uma habita\u00e7\u00e3o em boas condi\u00e7\u00f5es \u2013 como se queixa uma aranha, cuja teia est\u00e1 sempre a ser abalroada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"ea5e7f7d-cc1f-07ad-812a-6ccab50f3d3f\" class=\"photo lazy inline\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757759829_215_image.webp.webp\" alt=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?\" data-caption=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua (texto) e Matilde Horta (ilustra\u00e7\u00e3o)\" data-credit=\"Nuvem de Letras\" data-width-class=\"\" data-image-id=\"106317337\"\/>&#13;<br \/>\nNuvem de LetrasComo \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua (texto) e Matilde Horta (ilustra\u00e7\u00e3o)&#13;<\/p>\n<p>\u201cFui rascunhando a ideia na minha cabe\u00e7a, mas a escrita foi relativamente intuitiva. Apesar de a prosa n\u00e3o ser o meu habitat natural, gostei muito de explorar os di\u00e1logos\u201d, revela Capicua. Entre express\u00f5es como \u201cora, cebolas!\u201d \u2013 ecos da oralidade portuguesa adaptados \u00e0 realidade da horta \u2013 e o jeito pedinch\u00e3o do caracol, o que salta \u00e0 vista, sugere, \u00e9 a din\u00e2mica de confronto. \u201cA exaspera\u00e7\u00e3o dos outros animais, que est\u00e3o ali a aturar um caracol carente quando t\u00eam problemas a s\u00e9rio para resolver, cria uma tens\u00e3o que achei muito engra\u00e7ada e que me deu gozo trabalhar\u201d, diz. \u201cProcuro sempre abordar temas profundos de forma leve e ir\u00f3nica, recorrendo ao imagin\u00e1rio infantil, que est\u00e1 muito associado \u00e0s plantas e aos animais.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, diz-nos, procura n\u00e3o \u201capatetar\u201d e faz mesmo quest\u00e3o de usar palavras desafiantes, como \u201cdesaustinada\u201d, \u201cchorrilho\u201d, \u201cresoluto\u201d ou \u201cziguezagueante\u201d. \u201cQuando escrevi o primeiro disco-livro do <a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/lisboa\/pt\/miudos\/o-disco-infantil-e-muito-verde-de-capicua-e-pedro-geraldes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">M\u00e3o Verde<\/a>, em 2016, ainda n\u00e3o era m\u00e3e e preocupei-me bastante em ser acess\u00edvel. Depois apercebi-me, nos concertos ao vivo, que era precisamente nos momentos em que eu fazia refer\u00eancias mais complexas, ou em teoria menos apropriadas \u00e0 idade, que as crian\u00e7as ficavam mais intrigadas. E depois com a maternidade descobri que, de facto, simplificar a linguagem \u00e9 muito desinteressante porque elimina logo a possibilidade de haver uma s\u00e9rie de quest\u00f5es e de d\u00favidas, que s\u00e3o aquelas que v\u00e3o estimular a curiosidade e a conversa.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"6bfa14df-019b-7129-b7bc-b139e25cca86\" class=\"photo lazy inline\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757759829_778_image.webp.webp\" alt=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?\" data-caption=\"\" data-credit=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua e Matilde Horta (Nuvem de Letras. 48 pp. 14,95\u20ac).\" data-width-class=\"\" data-image-id=\"106317338\"\/>&#13;<br \/>\nComo \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua e Matilde Horta (Nuvem de Letras. 48 pp. 14,95\u20ac).&#13;<\/p>\n<p>O desejo de Capicua para este novo livro \u2013 que acredita ter \u201ccamadas para crian\u00e7as de idades diferentes, mas tamb\u00e9m para os pr\u00f3prios pais, que s\u00e3o muitas vezes os leitores\u201d \u2013 \u00e9 precisamente promover o di\u00e1logo e o pensamento. \u201cEssa \u00e9 sempre a minha maior vontade, at\u00e9 porque esses s\u00e3o os livros que sobrevivem melhor ao tempo. Se depois de o fechar, n\u00e3o houver mais nada para explorar, ou para pensar, \u00e9 uma perda de oportunidade. Penso que tenho vindo a trabalhar cada vez mais esse eixo individual-colectivo que \u00e9 o reflectirmos sobre as\u00a0nossas pr\u00f3prias ang\u00fastias mas dentro do contexto em que vivemos e do mundo que nos rodeia. E acho que a literatura \u00e9 de facto uma ferramenta incr\u00edvel para que as crian\u00e7as pensem pela sua pr\u00f3pria cabe\u00e7a e os adultos possam iniciar conversas sobre certas quest\u00f5es de uma forma l\u00fadica.\u201d<\/p>\n<p>Nenhuma crian\u00e7a deveria preocupar-se com ter ou n\u00e3o um tecto. Mas, como se costuma dizer, de pequenino \u00e9 que se torce o pepino, e a verdade \u00e9 que a instabilidade residencial est\u00e1 associada a uma redu\u00e7\u00e3o significativa no desempenho cognitivo at\u00e9 aos dez anos, como conclui um <a href=\"https:\/\/ispup.up.pt\/projeto\/hug-os-efeitos-na-saude-da-gentrificacao-da-relocalizacao-e-da-inseguranca-residencial-nas-cidades-um-estudo-multi-coorte-quase-experimental\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo recente do Instituto de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade do Porto<\/a>. \u201cEu realizei o sonho da casa pr\u00f3pria h\u00e1 muito pouco tempo \u2013 ainda nem vivo l\u00e1 porque est\u00e1 em obras \u2013, mas \u00e9 cada vez mais uma miragem num contexto em que os jovens, e at\u00e9 pessoas j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o jovens assim, na casa dos 30 e muitos, n\u00e3o conseguem concretizar. N\u00e3o s\u00f3 por causa dos pre\u00e7os das habita\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m da precariedade e dos baixos sal\u00e1rios que temos, que impedem muita gente de sair de casa dos pais, de deixar de partilhar casa em modo rep\u00fablica de estudantes ou at\u00e9 de se divorciar.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"9796d6f5-142f-79da-681d-f1fc7c4411ed\" class=\"photo lazy inline\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757759830_678_image.webp.webp\" alt=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?\" data-caption=\"\" data-credit=\"Como \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua e Matilde Horta (Nuvem de Letras. 48 pp. 14,95\u20ac).\" data-width-class=\"\" data-image-id=\"106317463\"\/>&#13;<br \/>\nComo \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua e Matilde Horta (Nuvem de Letras. 48 pp. 14,95\u20ac).&#13;<\/p>\n<p>No livro, o caracol percebe o qu\u00e3o afortunado \u00e9 por n\u00e3o estar \u00e0 merc\u00ea dos desafios que tantos outros enfrentam. Na vida real, falta muitas vezes essa capacidade de olhar em redor. \u201cEm que lugar das hierarquias sociais nos encontramos? Porque \u00e9 que h\u00e1 tantas desigualdades? Porque \u00e9 que nem todos t\u00eam direito a uma casa pr\u00f3pria? Porque \u00e9 que uns correm riscos e outros n\u00e3o? Porque \u00e9 que uns t\u00eam de trabalhar tanto para ter uma casa e outros j\u00e1 nasceram com ela? Acho que essas quest\u00f5es s\u00e3o interessantes trabalhar em contexto escolar e familiar\u201d, remata Capicua, que entretanto j\u00e1 est\u00e1 a pensar noutras hist\u00f3rias.\u00a0<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo livro dever\u00e1 ser \u201cde poemas no universo da bot\u00e2nica\u201d, at\u00e9 porque \u00e9 uma das suas paix\u00f5es, ou n\u00e3o fosse uma orgulhosa \u201cagricultura urbana\u201d. Mas tamb\u00e9m gostava de escrever um livro sobre o Porto, a sua cidade-natal. Tudo a seu tempo. Primeiro quer voltar aos palcos com o pr\u00f3ximo disco-livro da M\u00e3o Verde. \u201cGostava que fosse na Primavera.\u201d At\u00e9 l\u00e1, convida \u00e0s fam\u00edlias a abra\u00e7ar a aventura do caracol. A primeira apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 em Lisboa, na companhia da ilustradora Matilde Horta, que d\u00e1 vida e cor \u00e0 hist\u00f3ria, mas a hora do conto tamb\u00e9m passar\u00e1, como n\u00e3o poderia deixar de ser, pela Invicta, a 27 de Setembro, em hor\u00e1rio a confirmar, na Biblioteca Almeida Garrett.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que um caracol foge de casa?, de Capicua (texto) e Matilde Horta (ilustra\u00e7\u00e3o). Nuvem de Letras. 48 pp. 14,95\u20ac.<\/p>\n<p><strong>\ud83c\udfc3 O \u00faltimo \u00e9 um ovo podre: cruze a meta no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TimeOutLisboa\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/timeoutlisboa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaImNsW6LwHeF5LgS52C\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Whatsapp<\/strong><\/a><\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez n\u00e3o tenhamos reparado nele em Cor-de-Margarida, a estreia de Capicua na literatura para a inf\u00e2ncia, mas o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":69547,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,18740,114,115,170,18739,18741,32,33],"class_list":{"0":"post-69546","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-categorias-miudos","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-livros","13":"tag-miudos","14":"tag-noticias-criancas","15":"tag-portugal","16":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69546\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}