{"id":70411,"date":"2025-09-13T23:56:18","date_gmt":"2025-09-13T23:56:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/70411\/"},"modified":"2025-09-13T23:56:18","modified_gmt":"2025-09-13T23:56:18","slug":"perda-de-olfato-pode-ajudar-a-identificar-casos-precoces-de-alzheimer-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/70411\/","title":{"rendered":"Perda de olfato pode ajudar a identificar casos precoces de Alzheimer, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"autor\">Por Ac\u00e1cio Moraes \/ Folhapress<\/p>\n<p>A dificuldade de sentir determinado cheiro pode ser sinal precoce do desenvolvimento de Alzheimer, segundo mostra um novo estudo alem\u00e3o publicado na revista cient\u00edfica Nature Communications. Os autores do trabalho acreditam que \u00e9 poss\u00edvel instrumentalizar esse sintoma para identificar casos prematuros da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 havia evid\u00eancias de que a perda de olfato estava associada a outras dem\u00eancias, como o Parkinson, afirma Paulo Caramelli, pesquisador e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). &#8220;A redu\u00e7\u00e3o desse sentido, a partir de certa idade, pode ser um marcador precoce de alguma doen\u00e7a neurodegenerativa. \u00c9 algo para ficar alerta&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nos estudos mais recentes, essa condi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vem se consolidando como um preditor do Alzheimer. O especialista, entretanto, ressalta que n\u00e3o \u00e9 preciso alarme. Antes de fazer o diagn\u00f3stico, \u00e9 necess\u00e1rio descartar outras causas otorrinolaringol\u00f3gicas para essa perda sensorial, al\u00e9m de exames complementares para avaliar a cogni\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>A nova pesquisa revela mais detalhes sobre o mecanismo no qual a neurodegenera\u00e7\u00e3o afeta o nosso nariz. Os pesquisadores apontam que a resposta imune do c\u00e9rebro est\u00e1 envolvida no ataque de fibras neuronais envolvidas no sistema de processamento dos cheiros que sentimos.<\/p>\n<p>Esse ataque remove as conex\u00f5es entre as \u00e1reas chamadas de bulbo olfativo, respons\u00e1vel por receber os sinais enviados pelos receptores de cheiros dos narizes, e o locus ceruleus, que entre outras tarefas, faz parte do processamento sensorial.<\/p>\n<p>O estudo sugere que, em est\u00e1gios iniciais do Alzheimer, ocorrem mudan\u00e7as na fibras nervosas que ligam essas duas regi\u00f5es. Essas altera\u00e7\u00f5es ativam o sistema de defesa do c\u00e9rebro, as microglias, que respondem quebrando as fibras modificadas.<\/p>\n<p>Desenvolvido com camundongos e humanos, o trabalho inclui an\u00e1lises feitas nos c\u00e9rebros de roedores com quadro de Alzheimer induzido e em amostras de pessoas falecidas com a doen\u00e7a. Tamb\u00e9m foram usados resultados de exames de tomografia por emiss\u00e3o de p\u00f3sitrons (PET Scan) de pacientes vivos com essa neurodegenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados abrem caminho para identificar pacientes com risco de desenvolvimento de Alzheimer ainda nos est\u00e1gios precoces da doen\u00e7a. Assim, esses poder\u00e3o ser encaminhados para exames cada vez mais dispon\u00edveis, com o teste de biomarcadores, e se confirmada a condi\u00e7\u00e3o, iniciar mudan\u00e7as no estilo de vida que ajudem na preven\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o da doen\u00e7a o quanto antes.<\/p>\n<p>Foi com base nessa prerrogativa que pesquisadores brasileiros desenvolveram, no ano passado, um tablet que possui 20 fragr\u00e2ncias diferentes e que \u00e9 capaz de auxiliar no rastreamento e na detec\u00e7\u00e3o precoce de doen\u00e7as neurodegenerativas.<\/p>\n<p>Batizado de MultiScent 20, o dispositivo libera aromas no ambiente e o paciente deve identificar e preencher um question\u00e1rio na tela. Os resultados s\u00e3o transmitidos ao m\u00e9dico respons\u00e1vel. Atualmente, a tecnologia j\u00e1 \u00e9 utilizada em consult\u00f3rios particulares e em algumas universidades. O rastreamento preventivo \u00e9 recomendado a partir dos 57 anos.<\/p>\n<p>De acordo com Viviane Z\u00e9tola, professora da UFPR (Universidade Federal do Paran\u00e1), o est\u00edmulo sensorial, diretamente relacionado com a nossa reserva cognitiva, tamb\u00e9m leva \u00e0 preven\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as &#8220;Um treino olfativo pode, se n\u00e3o evitar, pelo menos atrasar o surgimento do Alzheimer&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O mesmo vale para outras habilidades sensoriais, especialmente a vis\u00e3o e a audi\u00e7\u00e3o. A perda de qualquer uma dessas duas habilidades \u00e9 amplamente considerada como um fator de risco importante para o avan\u00e7o de dem\u00eancias, como o Alzheimer. Al\u00e9m de reserva cognitiva, os sentidos tamb\u00e9m constituem formas de o indiv\u00edduo interagir com o meio no qual vivem, e mediam aspectos diversos, como a cria\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria e a sociabilidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem estudos que buscam avaliar essas comorbidades e instrumentaliz\u00e1-las para fazer diagn\u00f3sticos mais precoces da dem\u00eancia. Um trabalho recente , por exemplo, prop\u00f5e o emprego de exames oftalmol\u00f3gicos de rotina para detectar altera\u00e7\u00f5es microsc\u00f3picas nos vasos sangu\u00edneos da retina que possam refletir o processo neurodegenerativo que ocorre no c\u00e9rebro. Por enquanto, os resultados foram positivos com camundongos, mas precisam ser replicados em testes cl\u00ednicos com humanos.<\/p>\n<p>Mas enquanto tais exames n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis, os pesquisadores concordam que idosos e, sobretudo, familiares, devem ficar atentos a qualquer ind\u00edcio de que est\u00e1 havendo uma perda sensorial de qualquer g\u00eanero. Se for o caso, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar um profissional de sa\u00fade que possa descartar causas subjacentes e avaliar o quadro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Ac\u00e1cio Moraes \/ Folhapress A dificuldade de sentir determinado cheiro pode ser sinal precoce do desenvolvimento de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":70412,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[314,18867,1347,116,18737,32,33,117],"class_list":{"0":"post-70411","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alzheimer","9":"tag-casos-precoces","10":"tag-estudo","11":"tag-health","12":"tag-perda-de-olfato","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70411"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70411\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}