{"id":70873,"date":"2025-09-14T10:18:21","date_gmt":"2025-09-14T10:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/70873\/"},"modified":"2025-09-14T10:18:21","modified_gmt":"2025-09-14T10:18:21","slug":"mais-de-2-000-armas-nucleares-foram-detonadas-nos-ultimos-80-anos-isso-prejudicou-a-vida-a-saude-e-as-terras-das-pessoas-que-estavam-nas-proximidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/70873\/","title":{"rendered":"Mais de 2.000 armas nucleares foram detonadas nos \u00faltimos 80 anos &#8211; isso prejudicou a vida, a sa\u00fade e as terras das pessoas que estavam nas proximidades"},"content":{"rendered":"<p>\t                &#8220;Para n\u00f3s, a Guerra Fria nunca acabou. Ainda vivemos com os seus efeitos.&#8221;<\/p>\n<p>Mais de 2.000 armas nucleares foram detonadas nos \u00faltimos 80 anos. Os seus efeitos ainda perduram em todo o mundo <\/p>\n<p>Criada em Salt Lake City, Utah, nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, Mary Dickson estava entre os milh\u00f5es de crian\u00e7as americanas que aprenderam a &#8220;baixar-se e proteger-se&#8221; em caso de uma guerra nuclear.<\/p>\n<p>&#8220;Lembro-me de pensar &#8216;isso n\u00e3o vai nos salvar de uma bomba'&#8221;, conta \u00e0 CNN. Naquela \u00e9poca, Dickson n\u00e3o sabia que armas nucleares estavam a ser detonadas no estado vizinho de Nevada, enquanto os EUA testavam o seu novo arsenal. Ela morava a favor do vento, na dire\u00e7\u00e3o em que grande parte da precipita\u00e7\u00e3o radioativa dos testes atmosf\u00e9ricos se espalhava.<\/p>\n<p>Diz que sofreu de cancro da tir\u00f3ide; a irm\u00e3 mais velha faleceu de l\u00fapus aos 40 anos; a irm\u00e3 mais nova soube recentemente que o seu cancro intestinal espalhou-se para outras partes do corpo; e as sobrinhas tamb\u00e9m t\u00eam problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Dickson diz que uma vez contou 54 pessoas do seu bairro de inf\u00e2ncia, com cinco quarteir\u00f5es, que sofreram de cancro, doen\u00e7as autoimunes, defeitos cong\u00e9nitos ou abortos espont\u00e2neos.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro o que causou o cancro, uma vez que \u00e9 dif\u00edcil atribuir responsabilidade direta, mas \u00e9 geralmente aceite na comunidade m\u00e9dica que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o aumenta o risco de cancro, dependendo do n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o aumenta a probabilidade de contrair cancro e o risco aumenta \u00e0 medida que a dose aumenta: quanto maior a dose, maior o risco&#8221;, afirma a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA, citando estudos que acompanham grupos de pessoas expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Coletivamente, aqueles que viveram e foram expostos nos estados vizinhos ao local de testes de Nevada, incluindo Arizona, Nevada, Utah, Oregon, Washington e Idaho, ficaram conhecidos como &#8220;downwinders&#8221;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"668\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845099_808_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>Mary Dickson discursa durante o F\u00f3rum da ICAN sobre a Proibi\u00e7\u00e3o Nuclear, em Viena, \u00c1ustria<\/strong> foto ICAN\/Alexander Papis <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 devastador&#8221;, diz Dickson, dramaturga e defensora dos sobreviventes dos testes com armas nucleares nos EUA. &#8220;N\u00e3o sei dizer quantos amigos tive e cujo cancro voltou&#8230; O dano psicol\u00f3gico n\u00e3o desaparece. Passamos o resto da vida preocupados com o facto de que cada caro\u00e7o e cada dor pode significar que o cancro voltou.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Para n\u00f3s, a Guerra Fria nunca acabou&#8221;, acrescenta. &#8220;Ainda vivemos com os seus efeitos.&#8221;<\/p>\n<p>A era nuclear come\u00e7ou h\u00e1 80 anos, quando os EUA lan\u00e7aram duas bombas at\u00f3micas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, perto do fim da Segunda Guerra Mundial. As bombas mataram instantaneamente cerca de 110.000 pessoas e ajudaram a desencadear a corrida ao armamento da era da Guerra Fria, na qual os EUA e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, bem como a Gr\u00e3-Bretanha, a Fran\u00e7a e a China, se apressaram a desenvolver armas nucleares cada vez mais poderosas.<\/p>\n<p>Entre 1945 e 1996, estes pa\u00edses realizaram mais de 2000 testes, cada um estabelecendo a sua pr\u00f3pria dissuas\u00e3o nuclear que, dependendo do ponto de vista, sustenta ou compromete a seguran\u00e7a mundial at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n<p>E, tal como no Jap\u00e3o, onde centenas de milhares de pessoas morreram devido a ferimentos e doen\u00e7as relacionadas com a radia\u00e7\u00e3o nos anos ap\u00f3s 1945, estes testes nucleares prejudicaram a vida, a sa\u00fade e as terras das pessoas que viviam nas proximidades.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"735\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845099_644_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>As bombas nucleares lan\u00e7adas sobre Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 continuam a ser as \u00fanicas utilizadas em tempo de guerra <\/strong>foto Popperfoto\/Getty Images <\/p>\n<p>Mais tarde, a \u00cdndia, o Paquist\u00e3o e a Coreia do Norte tamb\u00e9m realizaram os seus pr\u00f3prios testes, antes de uma s\u00e9rie de tratados internacionais ter restringido quase completamente a pr\u00e1tica. Apenas a Coreia do Norte testou armas nucleares no s\u00e9culo XXI \u2014 mais recentemente em 2017 \u2014 e nenhum teste atmosf\u00e9rico foi realizado desde 1980.<\/p>\n<p>Ainda assim, &#8220;n\u00e3o \u00e9 um problema do passado&#8221;, aponta Togzhan Kassenova, investigadora n\u00e3o residente da Carnegie Endowment for International Peace, que estuda pol\u00edtica nuclear.<\/p>\n<p>Embora essas armas nucleares tenham sido detonadas h\u00e1 d\u00e9cadas, &#8220;muitas pessoas ainda est\u00e3o a pagar o pre\u00e7o&#8221;, diz \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>&#8220;Partilhamos as mesmas hist\u00f3rias&#8221; <\/p>\n<p>As pot\u00eancias nucleares anteriores testaram as suas bombas em locais que consideravam remotos e pouco povoados, muitas vezes em territ\u00f3rios que haviam colonizado, longe dos seus pr\u00f3prios centros populacionais.<\/p>\n<p>&#8220;As suas prioridades eram tais que acreditavam que os testes eram absolutamente necess\u00e1rios por raz\u00f5es de seguran\u00e7a nacional e, se considerarmos isso uma verdade absoluta e tudo o resto uma esp\u00e9cie de &#8216;provavelmente ficar\u00e1 tudo bem&#8217;, \u00e9 muito f\u00e1cil entrar numa situa\u00e7\u00e3o em que a resposta padr\u00e3o \u00e9 faz\u00ea-lo&#8221;, diz Alex Wellerstein, professor associado do Stevens Institute of Technology, em Nova J\u00e9rsia, \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>Os EUA realizaram os seus testes nucleares principalmente no Nevada e nas Ilhas Marshall, no centro do Oceano Pac\u00edfico; a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no Cazaquist\u00e3o e no arquip\u00e9lago do Oceano \u00c1rtico de Novaya Zemlya; o Reino Unido na Austr\u00e1lia e no atol do Pac\u00edfico de Kiritimati, anteriormente conhecido como Ilha Christmas; a Fran\u00e7a na Arg\u00e9lia e na Polin\u00e9sia Francesa; e a China em Lop Nur, um local remoto no deserto da prov\u00edncia de Xinjiang, no oeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"1333\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845100_853_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>Aigerim Seitenova perto de um monumento dedicado aos sobreviventes nucleares na sua cidade natal, Semey. O monumento retrata uma m\u00e3e a proteger o filho com o corpo de uma nuvem em forma de cogumelo <\/strong>foto cortesia de Aigerim Seitenova <\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica testou mais de 450 bombas no seu local de testes de Semipalatinsk, no Cazaquist\u00e3o, entre 1949 e 1989, em cidades ultrassecretas, constru\u00eddas para testes nucleares. Os residentes nas proximidades &#8220;n\u00e3o sabiam realmente toda a extens\u00e3o disso&#8221;, diz \u00e0 CNN Aigerim Seitenova, especialista em justi\u00e7a nuclear e igualdade de g\u00e9nero e que cofundou a Qazaq Nuclear Frontline Coalition.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos dos meus familiares faleceram muito cedo, quando eu era crian\u00e7a, e eu n\u00e3o entendia porque \u00e9 que eles estavam a falecer aos 40 e 50 anos&#8221;, conta. Revela que ela e muitos membros da sua fam\u00edlia sofrem de problemas de sa\u00fade cr\u00f3nicos. &#8220;Na \u00e9poca, eu achava que eles eram velhos.&#8221;<\/p>\n<p>Anos de sigilo em torno do local de testes deram lugar a anos de tabu, afirma Seitenova, acrescentando que fazer um document\u00e1rio sobre o impacto intergeracional do legado nuclear do Cazaquist\u00e3o nas mulheres foi um &#8220;processo de cura&#8221; para ela, enquanto procurava restaurar a sua ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Seitenova explica que, quando o filme foi traduzido para japon\u00eas e exibido em Hiroshima, isso refor\u00e7ou-lhe a convic\u00e7\u00e3o de que &#8220;as experi\u00eancias do povo cazaque n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Partilhamos as mesmas hist\u00f3rias da Polin\u00e9sia Francesa, Ilhas Marshall e Austr\u00e1lia&#8221;, sublinha.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"927\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/999.webp\" width=\"999\"\/><br \/>\n  <strong>Soldados observam a detona\u00e7\u00e3o termonuclear da Opera\u00e7\u00e3o Hardtack I em 1958, perto das Ilhas Marshall<\/strong> foto Corbis Historical\/Getty Images <\/p>\n<p>&#8220;Somos os principais especialistas no impacto humanit\u00e1rio das armas nucleares&#8221;, acrescenta Seitenova, lamentando que, embora os cientistas ocidentais se considerem especialistas, &#8220;aqueles que realmente viveram essas experi\u00eancias nem sempre s\u00e3o levados a s\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil compreender o impacto total dos testes nucleares \u2013 \u00e9 algo contestado e dif\u00edcil de quantificar, dada a dificuldade em atribuir problemas de sa\u00fade a uma \u00fanica causa e em avaliar as consequ\u00eancias sociais mais amplas para as comunidades. V\u00e1rios estudos tentaram medir esses efeitos, muitas vezes produzindo resultados que cont\u00eam grandes incertezas.<\/p>\n<p>Um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Cancro (NCI) em 1997 estimou que os testes nucleares \u00e0 superf\u00edcie realizados em Nevada entre 1951 e 1962 teriam produzido entre 11.300 e 212.000 casos adicionais de cancro da tir\u00f3ide ao longo da vida; uma revis\u00e3o posterior das conclus\u00f5es concluiu que o n\u00famero de casos adicionais provavelmente situava-se na extremidade inferior do intervalo.<\/p>\n<p>Estudos realizados na regi\u00e3o em torno do local de testes de Semipalatinsk descobriram que as taxas de mortalidade por cancro e as taxas de mortalidade infantil durante o per\u00edodo mais intenso de testes nucleares, de 1949 a 1962, foram mais altas do que em outras partes do Cazaquist\u00e3o. Kassenova diz que, quando volta \u00e0 regi\u00e3o, encontra crian\u00e7as que s\u00e3o descendentes da quarta ou quinta gera\u00e7\u00e3o daqueles que viveram esse per\u00edodo e t\u00eam problemas de sa\u00fade que atribuem \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"650\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845101_956_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>Um hospital constru\u00eddo pelos sovi\u00e9ticos em 1978, a 100 quil\u00f3metros do local de testes, na pequena cidade de Karaul, serve todas as pequenas aldeias da regi\u00e3o <\/strong>foto John van Hasselt\/Corbis\/Getty Images <\/p>\n<p>Outro estudo do NCI realizado nas Ilhas Marshall projetou que entre 0,4% e 3,4% dos casos de cancro ao longo da vida entre os marshaleses que viveram l\u00e1 entre 1948 e 1970 podem ter sido causados pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Esse n\u00famero sobe para entre 28% e 69% para as 82 pessoas que viviam nos at\u00f3is de Rongelap e Ailinginae, sobre os quais a precipita\u00e7\u00e3o radioativa caiu como neve ap\u00f3s um teste de 1954 com o nome de c\u00f3digo &#8220;Castle Bravo&#8221;.<\/p>\n<p>Equivalente a 7.232 bombas de Hiroshima <\/p>\n<p>Al\u00e9m de afetar a sa\u00fade das pessoas, esses testes tiveram consequ\u00eancias ambientais significativas. Entre 1946 e 1958, os EUA realizaram 67 testes nucleares conhecidos nas Ilhas Marshall, com um rendimento explosivo total equivalente a 7.232 bombas de Hiroshima.<\/p>\n<p>Os EUA realojaram os marshaleses que viviam nos at\u00f3is ou nas proximidades dos locais de teste e alguns ainda n\u00e3o regressaram \u00e0 sua terra natal, apesar das tentativas nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Milhares de marshaleses vivem agora em Springdale, Arkansas, onde preservam a cultura do seu povo, e tamb\u00e9m em comunidades mais pequenas em Oklahoma, Kansas e Missouri.<\/p>\n<p>Cinco ilhas foram parcial ou totalmente destru\u00eddas e partes das Ilhas Marshall continuam &#8220;contaminadas&#8221; quase 70 anos depois, diz Ivana Nikoli\u0107 Hughes, que faz parte de uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de Columbia que tem vindo a investigar os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"794\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845101_369_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>Uma equipa avan\u00e7ada de homens de Bikini junto a embarca\u00e7\u00e3o de desembarque para ajudar os Seabees, da Marinha dos EUA, a construir novas casas para os habitantes da ilha de Rongerik. Os habitantes de Bikini tiveram de evacuar a sua ilha antes da &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Crossroads&#8221;, os testes nucleares realizados pelas for\u00e7as armadas dos EUA no atol de Bikini, em julho de 1946 <\/strong>foto AP <\/p>\n<p>Alguns is\u00f3topos radioativos concentram-se nas fontes alimentares, explica Hughes \u00e0 CNN, citando o processo de &#8220;bioacumula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Encontr\u00e1mos valores muito elevados de um is\u00f3topo chamado c\u00e9sio-137 nos alimentos e esse is\u00f3topo \u00e9 quimicamente semelhante ao pot\u00e1ssio&#8221;, afirma. &#8220;Como as plantas continuam a retirar nutrientes do solo, v\u00e3o bioacumular.&#8221;<\/p>\n<p>Os caranguejos-do-coco que vivem nas ilhas &#8220;comem muitos cocos, ent\u00e3o a equipa conseguiu literalmente apontar um detector de radia\u00e7\u00e3o para um caranguejo-do-coco e apresentava leituras elevadas&#8221;, revela Hughes.<\/p>\n<p>&#8220;O solo tem uma certa quantidade, os cocos concentram-na ainda mais e, depois, o caranguejo-do-coco concentra-a ainda mais. Isso aconteceria se os humanos estivessem naquela ilha, comendo regularmente alimentos cultivados localmente.&#8221;<\/p>\n<p>Os EUA limparam algumas partes das Ilhas Marshall e, onde o fizeram, Hughes diz que os investigadores &#8220;n\u00e3o encontraram l\u00e1 ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas, ao construir a infraestrutura necess\u00e1ria para os testes nucleares e nos esfor\u00e7os de limpeza subsequentes, os EUA destru\u00edram a vegeta\u00e7\u00e3o, alterando os ecossistemas locais.<\/p>\n<p>Grande parte dos res\u00edduos foi despejada no atol de Enewetak, numa cratera sem revestimento coberta com uma tampa de bet\u00e3o, agora conhecida como Runit Dome; a Comiss\u00e3o Nuclear Nacional das Ilhas Marshall e as Na\u00e7\u00f5es Unidas levantaram preocupa\u00e7\u00f5es sobre a sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O Departamento de Energia dos EUA afirmou num relat\u00f3rio de agosto de 2024 que os programas de monitoriza\u00e7\u00e3o em curso mostram que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 potencial para um aumento dos riscos para a sa\u00fade dos residentes no Atol de Enewatak devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es atuais ou futuras, considerando os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, incluindo uma hipot\u00e9tica falha do Runit Dome&#8221;. O Departamento de Energia ainda n\u00e3o respondeu ao pedido de coment\u00e1rio da CNN.<\/p>\n<p>Um acerto de contas em curso <\/p>\n<p>\u00c0 medida que os efeitos a longo prazo dos testes nucleares se tornaram cada vez mais reconhecidos, alguns &#8220;downwinders&#8221; receberam compensa\u00e7\u00f5es, cujo n\u00edvel varia de lugar para lugar.<\/p>\n<p>As Ilhas Marshall receberam pagamentos de compensa\u00e7\u00e3o dos EUA, mas afirmam que estes s\u00e3o insignificantes em compara\u00e7\u00e3o com a verdadeira dimens\u00e3o dos danos.<\/p>\n<p>As autoridades do Cazaquist\u00e3o inclu\u00edram 1,2 milh\u00f5es de pessoas no seu regime de compensa\u00e7\u00e3o, de acordo com o Instituto Noruegu\u00eas de Assuntos Internacionais, dando-lhes direito a certos benef\u00edcios financeiros e de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Nos EUA, mais de 27.000 downwinders receberam mais de 1,3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em pagamentos da Lei de Indemniza\u00e7\u00e3o por Exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Radia\u00e7\u00e3o (RECA), criada em 1990 e prorrogada no m\u00eas passado, embora a defensora Mary Dickson tenha afirmado que \u00e9 dif\u00edcil reunir os registos de 50 anos necess\u00e1rios para apresentar um pedido de indemniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que os EUA expandiram o seu programa de compensa\u00e7\u00e3o para os downwinders em julho, ela e a sua irm\u00e3 mais nova passaram a ter direito a uma compensa\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"738\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1757845101_695_1000.webp\" width=\"1000\"\/><br \/>\n  <strong>Este teste nuclear, cujo nome de c\u00f3digo era Dione, foi uma explos\u00e3o de 34 quilotoneladas realizada por Fran\u00e7a no Atol de Mururoa, tamb\u00e9m conhecido como Aopuni, que, juntamente com o seu atol irm\u00e3o Fangataufa, foi palco de quase 200 detona\u00e7\u00f5es at\u00f3micas. Imagem de 1971<\/strong> foto Galerie Bilderwelt\/Hulton Archive\/Getty Images <\/p>\n<p>Entretanto, Fran\u00e7a e o Reino Unido minimizaram durante muito tempo o impacto dos seus programas de testes nucleares. S\u00f3 em 2010 \u00e9 que a Fran\u00e7a reconheceu uma liga\u00e7\u00e3o entre os seus testes e os problemas de sa\u00fade dos argelinos e polin\u00e9sios franceses expostos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o e s\u00f3 em 2021 \u00e9 que cerca de metade destes requerentes recebeu uma indemniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2021, o presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, n\u00e3o chegou a pedir desculpas aos polin\u00e9sios franceses pelo impacto dos testes nucleares, embora tenha admitido que os testes &#8220;n\u00e3o foram limpos&#8221; e afirmado que a Fran\u00e7a tem uma &#8220;d\u00edvida&#8221; para com o territ\u00f3rio insular.<\/p>\n<p>Embora o Reino Unido encaminhe os veteranos dos testes nucleares para solicitarem uma indemniza\u00e7\u00e3o ao abrigo de um regime geral de pens\u00f5es de guerra, as institui\u00e7\u00f5es de caridade dos veteranos continuam a apelar para que os ex-militares, os seus filhos e netos recebam uma indemniza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Afirmam ter sofrido problemas de sa\u00fade como resultado da sua participa\u00e7\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es de testes nucleares do Reino Unido.<\/p>\n<p>Um porta-voz do Minist\u00e9rio da Defesa disse \u00e0 CNN que o departamento est\u00e1 &#8220;empenhado em trabalhar com os veteranos dos testes nucleares e em ouvir as suas preocupa\u00e7\u00f5es&#8221; e que est\u00e1 em curso um trabalho &#8220;para investigar quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas relativas aos registos m\u00e9dicos&#8221;.<\/p>\n<p>Oitenta anos ap\u00f3s o uso devastador de armas nucleares no Jap\u00e3o e d\u00e9cadas ap\u00f3s o per\u00edodo mais intenso de testes \u00e0 superf\u00edcie, o acerto de contas nuclear mundial est\u00e1 longe de ter terminado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Para n\u00f3s, a Guerra Fria nunca acabou. 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