{"id":71072,"date":"2025-09-14T13:55:08","date_gmt":"2025-09-14T13:55:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/71072\/"},"modified":"2025-09-14T13:55:08","modified_gmt":"2025-09-14T13:55:08","slug":"centeno-sai-com-o-bce-a-tomar-novamente-as-redeas-do-euro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/71072\/","title":{"rendered":"Centeno sai com o BCE a tomar novamente as r\u00e9deas do euro"},"content":{"rendered":"<p>        BCE controla de novo a infla\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m pausa nos juros (para j\u00e1). Foi a \u00faltima reuni\u00e3o do portugu\u00eas que se fez ouvir por toda a Europa a pedir cortes para estimular o crescimento quando a infla\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a recuar. Sai num momento em que uma das maiores economias do euro arde. Lagarde espera que Paris cumpra as regras or\u00e7amentais.    <\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) perdeu a sua maior \u2018pomba\u2019 , isto \u00e9, o defensor de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais expansionista (dovish), com taxas de juro mais baixas. Foi a \u00faltima reuni\u00e3o de M\u00e1rio Centeno a representar Portugal na sede do BCE em Frankfurt. Agora, o italiano Fabio Panetta e o grego Yannis Stournaras ficam a liderar o ranking dos governadores considerados mais dovish.<br \/>A sa\u00edda do governador do Banco de Portugal ocorre quando termina o ciclo de cortes de juros e a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 controlada. O timing \u00e9 uma coincid\u00eancia,claro, mas n\u00e3o deixa de ser o melhor momento poss\u00edvel nos \u00faltimos anos para deixar Frankfurt. Por outro lado, a segunda maior economia do euro est\u00e1 sob press\u00e3o, Fran\u00e7a.<br \/>Em janeiro de 2024, j\u00e1 M\u00e1rioCenteno estava a defender o corte dos juros para estimular a economia da zona euro. Na altura, o BCE deixava inalteradas as taxas pela terceira reuni\u00e3o consecutiva, isto depois de 10 subidas consecutivas dos juros, para um n\u00edvel recorde de 4% na taxa dos dep\u00f3sitos (2% agora). Mas seria precisar esperar at\u00e9 junho de 2024 para o BCE arrancar com o ciclo de descidas. Foi dif\u00edcil o in\u00edcio, mas culminou em oito cortes no espa\u00e7o de um ano.<br \/>Do lado dos \u2018falc\u00f5es\u2019, o eslovaco Peter Kazimir, os alem\u00e3es Isabel Schnabel e Joachim Nagel, o holand\u00eas Olaf Sleijpen ou o austr\u00edaco Martin Kocher (que substituiu recentemente o ultra-falc\u00e3o Robert Holzmann) que defendem uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais restritiva (hawkish), segundo o ranking do \u201cEconostream\u201d.<br \/>Resta agora saber como vai posicionar-se \u00c1lvaro Santos Pereira. A sua primeira reuni\u00e3o em Frankfurt vai ter lugar a 30 de outubro, onde ter\u00e1 direitos de voto.<\/p>\n<p><strong>O tema quente de Fran\u00e7a<\/strong><br \/>No encontro de quinta-feira, o tema quente foi a situa\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7a. A presidente do BCE bem come\u00e7ava por dizer que n\u00e3o iria comentar individualmente sobre pa\u00edses, mas n\u00e3o resistiu a deixar v\u00e1rios alertas a Paris.<br \/>\u201cEstou confiante que os decisores pol\u00edticos consigam reduzir a incerteza\u201d, come\u00e7ou por dizer na habitual confer\u00eancia de imprensa onde explica as decis\u00f5es do banco central.<br \/>Tamb\u00e9m referiu a import\u00e2ncia de serem cumpridas as regras or\u00e7amentais europeias. \u201cEstou certa que todos os governos querem operar com base nesta moldura or\u00e7amental\u201d, afirmou.<br \/>Questionada sobre se o BCE planeava atuar no mercado para comprar d\u00edvida gaulesa e esfriar as subidas de juros, respondeu que as \u201cobriga\u00e7\u00f5es da zona euro est\u00e3o a funcionar bem e com boa liquidez\u201d.<br \/>\u201cO nosso foco \u00e9 a estabilidade dos pre\u00e7os, mas precisamos de estabilidade financeira, o que requer um mecanismo de transmiss\u00e3o monet\u00e1ria a funcionar bem. Temos todas as ferramentas necess\u00e1rias se essa transmiss\u00e3o n\u00e3o se provar suficiente em toda a zona euro\u201d, segundo Christine Lagarde.<br \/>O BCE anunciou uma pausa no cortes dos juros, pela segunda reuni\u00e3o consecutiva, e a suspens\u00e3o \u00e9 mesmo para continuar. \u201cO processo de desinfla\u00e7\u00e3o acabou\u201d, disse a l\u00edder do BCE. A zona euro est\u00e1 numa \u201cboa posi\u00e7\u00e3o\u201d, com a infla\u00e7\u00e3o a estar (2%) onde o BCE previa. \u201cA infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 atualmente a rondar a meta de 2% e o Conselho de Governadores mant\u00e9m a sua previs\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o inalterada\u201d, segundo o comunicado de Frankfurt.<br \/>Crescimento da zona euro revisto em alta<br \/>As novas proje\u00e7\u00f5es do BCE est\u00e3o em linha com as anteriores, apresentadas em junho. Infla\u00e7\u00e3o de 2,1% em 2025, 1,7% em 2026 e 1,9% em 2027. Retirando a alimenta\u00e7\u00e3o e a energia, a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dever\u00e1 atingir 2,4% em 2025, 1,9% em 2026 e 1,8% em 2027.<br \/>J\u00e1 a economia da zona euro dever\u00e1 crescer 1,2% em 2025, uma revis\u00e3o em alta face a junho (0,9%). A proje\u00e7\u00e3o para 2026 desceu, 1,0%, com a proje\u00e7\u00e3o para 2027 a manter-se inalterada em 1,3%.<br \/>\u201cO Conselho est\u00e1 determinado a assegurar que a infla\u00e7\u00e3o estabiliza na meta de 2% no m\u00e9dio prazo\u201d, segundo o comunicado que garante que as pr\u00f3ximas decis\u00f5es ser\u00e3o \u201cdependentes de dados\u201d e \u201cencontro a encontro\u201d para determinar a \u201cpol\u00edtica monet\u00e1ria mais apropriada\u201d.<br \/>As decis\u00f5es do Conselho do BCE \u201cser\u00e3o tomadas com base na avalia\u00e7\u00e3o do outlook da infla\u00e7\u00e3o e os riscos, \u00e0 luz dos dados financeiros e econ\u00f3micos, assim como as din\u00e2micas da infla\u00e7\u00e3o subjacente e a for\u00e7a da transmiss\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. O Conselho n\u00e3o se est\u00e1 a comprometer com nenhum trajeto de taxas em particular\u201d.<br \/>Os analistas consideram que o ciclo de cortes de taxas de juro do BCE terminou, por agora.<br \/>OBCE \u201cest\u00e1 em cima do muro \u2014 o que n\u00e3o \u00e9 particularmente confort\u00e1vel, mas \u00e9 prefer\u00edvel a cair do lado errado. A infla\u00e7\u00e3o continua elevada, enquanto o crescimento \u00e9 suficientemente resiliente\u201d, disse Roelof Salomons do BlackRock.<br \/>\u201cOutro corte este ano parece improv\u00e1vel. (\u2026) Os mercados ainda precificam que o BCE permanecer\u00e1 em 2% at\u00e9 o final do ano, e o obst\u00e1culo para outro corte \u00e9 bastante alto\u201d, apontou.<br \/>Para o analista Micha\u0142 J\u00f3\u017awiak da Ebury, \u201coutra redu\u00e7\u00e3o das taxas de juro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o cen\u00e1rio base, com os mercados a atribu\u00edrem menos de uma em cada cinco hip\u00f3teses de tal acontecer em 2025\u201d.<br \/>O analista considera que o ciclo de cortes \u201cterminou\u201d, a n\u00e3o ser que se comprove que as tarifas dos EUA \u201c est\u00e3o a ter um impacto muito significativo na economia da zona euro para que o BCE considere uma maior flexibiliza\u00e7\u00e3o. Consideramos isso improv\u00e1vel, especialmente tendo em conta que o enorme programa de est\u00edmulo fiscal da Alemanha dever\u00e1 impulsionar o crescimento no pr\u00f3ximo ano\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fim do al\u00edvio ou pausa?<\/strong><br \/>J\u00e1 Luke Bartholomew da Aberdeen escreveu que o tema mais urgente \u00e9 saber se o BCE \u201cterminou o al\u00edvio ou se est\u00e1 a pausar brevemente antes de realizar mais cortes no futuro\u201d, com as previs\u00f5es econ\u00f3micas a apontarem que os cortes terminaram.<br \/>No futuro, a pr\u00f3xima mexida do BCE at\u00e9 pode vir a ser um aumento da taxa e n\u00e3o um corte, estima.<br \/>Para Carsten Brzeski do banco neerland\u00eas ING, ainda existem riscos descendentes para a infla\u00e7\u00e3o, o que deixa a \u201cporta aberta para outro corte\u201d. Apesar de a \u201cmeta para outro corte ser muito alta, n\u00e3o podemos excluir de todo que o BCE seja obrigado\u201d a atuar \u201cnos pr\u00f3ximos meses\u201d.<br \/>\u201cExistem argumentos v\u00e1lidos que podem for\u00e7ar o banco central a cortar nos pr\u00f3ximos meses\u201d, como o acordo comercial com os EUA, cujas tarifas previstas podem vir a ser mais elevadas, se certos pontos n\u00e3o forem cumpridos, ou uma infla\u00e7\u00e3o abaixo dos 2%.<br \/>Por seu turno, Irene Lauro da Schroders considera que o ciclo de al\u00edvios terminou. \u201cCom a incerteza comercial a recuar, a recupera\u00e7\u00e3o da zona euro vai acelerar\u201d, com a ajuda do programa de est\u00edmulos da Alemanha e o desemprego em n\u00edveis m\u00ednimos.<br \/>O grande risco agora \u00e9 a incerteza pol\u00edtica, com Fran\u00e7a no radar, mas a resili\u00eancia da economia e com a procura interna forte, o BCE \u201cpode se dar ao luxo de manter a pol\u00edtica monet\u00e1ria inalterada\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"BCE controla de novo a infla\u00e7\u00e3o e mant\u00e9m pausa nos juros (para j\u00e1). 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