{"id":71844,"date":"2025-09-15T03:18:14","date_gmt":"2025-09-15T03:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/71844\/"},"modified":"2025-09-15T03:18:14","modified_gmt":"2025-09-15T03:18:14","slug":"14-das-pessoas-idosas-residentes-na-cidade-de-sao-paulo-sofrem-de-fragilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/71844\/","title":{"rendered":"14% das pessoas idosas residentes na cidade de S\u00e3o Paulo sofrem de fragilidade"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                            14% das pessoas idosas residentes na cidade de S\u00e3o Paulo sofrem de fragilidade<\/p>\n<p class=\"summary\">Pesquisa acompanhou 1,4 mil indiv\u00edduos com 60 anos ou mais ao longo de nove anos e verificou que, uma vez instalada, \u00e9 dif\u00edcil reverter a condi\u00e7\u00e3o; maior preval\u00eancia \u00e9 entre mulheres, mas risco de morte \u00e9 maior entre homens<\/p>\n<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                                                        14% das pessoas idosas residentes na cidade de S\u00e3o Paulo sofrem de fragilidade<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Pesquisa acompanhou 1,4 mil indiv\u00edduos com 60 anos ou mais ao longo de nove anos e verificou que, uma vez instalada, \u00e9 dif\u00edcil reverter a condi\u00e7\u00e3o; maior preval\u00eancia \u00e9 entre mulheres, mas risco de morte \u00e9 maior entre homens<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/55863.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(55863,'files\/post\/55863.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Dos idosos que participaram do estudo e foram considerados fr\u00e1geis, 51,5% morreram ap\u00f3s quatro anos. Apenas uma minoria (1,3%) transitou de fr\u00e1gil para n\u00e3o fr\u00e1gil durante a pesquisa (imagem: <a href=\"https:\/\/www.freepik.com\/free-photo\/side-view-old-man-sitting-bench_44934108.htm\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Freepik<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Fernanda Bassette | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Um estudo <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40067557\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> na revista European Geriatric Medicine constatou que quase 14% das pessoas idosas residentes em S\u00e3o Paulo sofrem de fragilidade, condi\u00e7\u00e3o que aumenta o risco de quedas, hospitaliza\u00e7\u00f5es e morte. Ao acompanhar os participantes por nove anos, os pesquisadores observaram que a maioria dos afetados permaneceu em estado de fragilidade, ou seja, n\u00e3o apresentou melhora ou at\u00e9 mesmo piorou durante o per\u00edodo.<\/p>\n<p>A pesquisa, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/206738\/trajetorias-de-fragilidade-e-comprometimento-cognitivo-em-idosos-do-estudo-saude-bem-estar-e-envelhe\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>financiada<\/strong><\/a> pela FAPESP, se baseou nos dados do Estudo SABE (Sa\u00fade, Bem-Estar e Envelhecimento) e destaca a import\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o precoce para mitigar os efeitos da fragilidade em uma popula\u00e7\u00e3o que envelhece rapidamente.<\/p>\n<p>O envelhecimento \u00e9 um fen\u00f4meno global. No Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2024, as pessoas idosas deixaram de ser a menor fatia da popula\u00e7\u00e3o e daqui a duas d\u00e9cadas ser\u00e3o a maior. Segundo o instituto, em 2023 as pessoas com mais de 60 anos representavam 15,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, ultrapassando os 14,8% dos jovens que t\u00eam de 15 a 24 anos. \u00c9 a primeira vez que a popula\u00e7\u00e3o mais velha ultrapassa a mais jovem, faixa que vem diminuindo desde os anos 2000. Para se ter uma ideia, em 1980 a propor\u00e7\u00e3o de idosos no Brasil era de 6,1%.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, a doutora em gerontologia <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/668683\/gabriela-cabett-cipolli\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Gabriela Cabett Cipolli<\/strong><\/a> analisou dados de 1.399 indiv\u00edduos com 60 anos ou mais, residentes em S\u00e3o Paulo, entre os anos de 2006 e 2015, em tr\u00eas ondas de avalia\u00e7\u00e3o, para identificar n\u00edveis de fragilidade e propor interven\u00e7\u00f5es preventivas. O trabalho integra sua tese de doutorado, realizado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gerontologia da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), sob orienta\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8856\/monica-sanches-yassuda\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>M\u00f4nica Sanches Yassuda<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/publichealth.jhu.edu\/faculty\/1537\/qian-li-xue\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Qian-Li Xue<\/strong><\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.jhu.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Johns Hopkins University<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Cinco crit\u00e9rios<\/strong><\/p>\n<p>A fragilidade \u00e9 definida como um estado de maior vulnerabilidade fisiol\u00f3gica das pessoas, o que aumenta o risco de desfechos adversos. Segundo Cipolli, a fragilidade dos participantes foi avaliada com base nas respostas de cinco crit\u00e9rios preestabelecidos: perda de peso n\u00e3o intencional, fadiga, fraqueza muscular, lentid\u00e3o na marcha e baixa atividade f\u00edsica. A presen\u00e7a de tr\u00eas ou mais desses fatores caracterizava uma pessoa idosa como fr\u00e1gil. Uma pessoa com um ou dois fatores era considerada pr\u00e9-fr\u00e1gil e sem nenhum dos crit\u00e9rios era um idoso robusto.<\/p>\n<p>Cipolli tamb\u00e9m usou um modelo de an\u00e1lise estat\u00edstica para classificar os participantes em quatro trajet\u00f3rias de fragilidade: est\u00e1vel, piorando, melhorando e flutuante. Os resultados apontaram que, em 2006, 13,7% dos idosos que participaram do estudo foram considerados fr\u00e1geis \u2013 entre eles, mais da metade (51,5%) morreu at\u00e9 2010. Em contraste, entre os idosos inicialmente classificados como n\u00e3o fr\u00e1geis, 56% mantiveram-se nesse estado at\u00e9 2010, e pouco mais da metade continuava n\u00e3o fr\u00e1gil em 2015. Apenas uma minoria transitou de fr\u00e1gil para n\u00e3o fr\u00e1gil (1,3%).<\/p>\n<p>\u201cAnalisei os dados dos pacientes que n\u00e3o tinham fragilidade no come\u00e7o do estudo e comparei com seu estado de sa\u00fade nas outras duas an\u00e1lises. Com isso consegui avaliar se houve transi\u00e7\u00e3o entre os status de fragilidade de cada um, ou seja, se a fragilidade piorou, se houve revers\u00e3o para n\u00e3o fr\u00e1gil ou se a pessoa idosa morreu no per\u00edodo\u201d, explica Cipolli.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo demonstrou que ser do sexo masculino esteve associado a maior risco de morte, ainda que as mulheres apresentem maior preval\u00eancia de fragilidade. Esse aparente paradoxo pode estar relacionado a uma maior resili\u00eancia biol\u00f3gica e social entre as mulheres, hip\u00f3tese que j\u00e1 foi levantada por estudos anteriores.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o de sexo foi algo que chamou aten\u00e7\u00e3o no estudo, com os homens tendo mais risco de morte. E, provavelmente, isso acontece porque historicamente a mulher \u00e9 mais preocupada com a sua sa\u00fade e procura mais assist\u00eancia m\u00e9dica. Elas s\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis quanto os homens, mas t\u00eam menos risco de morrer\u201d, diz Cipolli.<\/p>\n<p>Para Yassuda, orientadora do estudo, os dados refor\u00e7am a natureza progressiva da fragilidade e a dificuldade de revers\u00e3o uma vez instalada, especialmente em popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. \u201cOutro ponto relevante foi a maior mortalidade observada entre os homens, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de considerar diferen\u00e7as de sexo na avalia\u00e7\u00e3o do risco\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade mental<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m trouxe \u00e0 tona a import\u00e2ncia da sa\u00fade mental e cognitiva na trajet\u00f3ria de envelhecimento. Pessoas idosas fr\u00e1geis apresentaram maior probabilidade de apresentar sintomas depressivos e baixo desempenho cognitivo em compara\u00e7\u00e3o com seus pares n\u00e3o fr\u00e1geis. Essas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, segundo Cipolli, possivelmente mediadas por processos inflamat\u00f3rios cr\u00f4nicos, desequil\u00edbrios hormonais e processos neurodegenerativos \u2013 fatores j\u00e1 relacionados tanto \u00e0 fragilidade quanto ao decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p>A pesquisa reafirma achados de estudos internacionais que identificaram taxas semelhantes de transi\u00e7\u00f5es e confirmaram a forte correla\u00e7\u00e3o entre fragilidade e mortalidade. No entanto, Cipolli ressalta que estudos com esse grau de detalhamento e dura\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o escassos em pa\u00edses de renda m\u00e9dia, como o Brasil, onde o conhecimento sobre os determinantes da fragilidade ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a autora do estudo, o cen\u00e1rio de envelhecimento populacional exige pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam o envelhecimento saud\u00e1vel e previnam a perda de funcionalidade. E ressalta que os achados do estudo SABE oferecem subs\u00eddios importantes para embasar futuras a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por isso, identificar precocemente os fatores que predisp\u00f5em \u00e0 fragilidade poder\u00e1 permitir interven\u00e7\u00f5es mais eficazes, como o est\u00edmulo \u00e0 atividade f\u00edsica, o controle das doen\u00e7as cr\u00f4nicas e o acompanhamento da sa\u00fade mental dessas pessoas, prevenindo o agravamento da fragilidade e prolongando a vida com mais qualidade.<\/p>\n<p>\u201cO nosso objetivo era identificar a din\u00e2mica da fragilidade das pessoas idosas brasileiras para incentivar a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o voltadas \u00e0 melhoria dos pacientes, para que futuramente elas n\u00e3o sejam hospitalizadas ou institucionalizadas. Ou, se isso acontecer, que tenham menos perda de autonomia\u201d, pontua a pesquisadora.<\/p>\n<p>Yassuda ressalta que os achados refor\u00e7am a import\u00e2ncia de identificar precocemente pessoas idosas com risco elevado para fragilidade, sobretudo aquelas em idade avan\u00e7ada, com multimorbidades e comprometimento cognitivo. \u201cNa pr\u00e1tica, isso significa investir em rastreamento frequente da fragilidade, promo\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental como formas de prevenir a progress\u00e3o da fragilidade e reduzir a mortalidade\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O artigo Frailty trajectories and mortality risk in community-dwelling older adults: a 9-year follow-up study pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s41999-025-01177-0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s41999-025-01177-0<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sa\u00fade 14% das pessoas idosas residentes na cidade de S\u00e3o Paulo sofrem de fragilidade Pesquisa acompanhou 1,4 mil&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71845,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[19085,1531,1490,19086,9963,116,7444,19087,32,33,17399,117,10426],"class_list":{"0":"post-71844","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cidade-de-sao-paulo","9":"tag-depressao","10":"tag-envelhecimento","11":"tag-fragilidade","12":"tag-gerontologia","13":"tag-health","14":"tag-hospitalizacao","15":"tag-institucionalizacao","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-risco-de-morte","19":"tag-saude","20":"tag-terceira-idade"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71844\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}