{"id":72092,"date":"2025-09-15T09:39:09","date_gmt":"2025-09-15T09:39:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72092\/"},"modified":"2025-09-15T09:39:09","modified_gmt":"2025-09-15T09:39:09","slug":"a-coreia-do-norte-e-onde-este-homem-de-95-anos-quer-morrer-a-coreia-do-sul-recusa-se-a-deixa-lo-cumprir-o-desejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72092\/","title":{"rendered":"A Coreia do Norte \u00e9 onde este homem de 95 anos quer morrer. A Coreia do Sul recusa-se a deix\u00e1-lo cumprir o desejo"},"content":{"rendered":"<p>Capturado durante a Guerra da Coreia e preso durante d\u00e9cadas por se recusar a renunciar \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, Ahn Hak-sop, de 95 anos, tem agora um \u00fanico desejo antes de morrer: regressar \u00e0 Coreia do Norte e ser sepultado ao lado dos seus camaradas.<\/p>\n<p>Ahn passou a maior parte da sua vida a resistir ao que chama de \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d americana da Coreia do Sul \u2013 primeiro como soldado no ex\u00e9rcito norte-coreano e mais tarde como dissidente no pa\u00eds que o capturou.<\/p>\n<p>A sua recusa em renegar o apoio inabal\u00e1vel \u00e0 Coreia do Norte condenou-o a mais de quatro d\u00e9cadas atr\u00e1s das grades no Sul.<\/p>\n<p>Agora fr\u00e1gil, debilitado e confinado a uma cadeira de rodas, afirmou \u00e0 CNN que anseia atravessar a fronteira para a Coreia do Norte uma \u00faltima vez e descansar no pa\u00eds que definiu toda a sua vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, Ahn avan\u00e7ou lentamente at\u00e9 uma ponte que conduz \u00e0 Zona Desmilitarizada (DMZ) da pen\u00ednsula coreana, implorando permiss\u00e3o para atravessar uma das fronteiras mais militarizadas do mundo e entrar na Coreia do Norte.<\/p>\n<p>Horas mais tarde, em meio a um tumulto de agentes de seguran\u00e7a e manifestantes que exigiam que as autoridades sul-coreanas o deixassem passar, foi-lhe negado o acesso \u00e0 passagem terrestre para a Coreia do Norte e foi enviado de volta.<\/p>\n<p>A recusa foi devastadora.<\/p>\n<p>\u201cSinto falta do Norte, \u00e9 insuport\u00e1vel\u201d, reiterou, segurando uma bandeira norte-coreana.<\/p>\n<p>\u201cQuero ser sepultado na terra livre.\u201d<\/p>\n<p>O governo da Coreia do Sul pro\u00edbe contactos n\u00e3o autorizados com a Coreia do Norte, e os civis n\u00e3o podem entrar na fortemente fortificada DMZ. A Guerra da Coreia de 1950-53 terminou com um armist\u00edcio, e n\u00e3o com um tratado de paz, o que significa que as duas Coreias permanecem tecnicamente em guerra.<\/p>\n<p>Se Ahn tivesse sido autorizado a regressar, Pyongyang poderia ter apresentado a sua repatria\u00e7\u00e3o como uma vit\u00f3ria simb\u00f3lica: um antigo prisioneiro de guerra a regressar de uma na\u00e7\u00e3o que considera o seu maior advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas, para Ahn, a quest\u00e3o \u00e9 muito mais pessoal e existencial. Enfraquecido pela doen\u00e7a, ap\u00f3s ter sido hospitalizado v\u00e1rias vezes este ano, afirma que o seu \u00fanico desejo \u00e9 ser sepultado no solo da Coreia do Norte. Ou, como lhe chama, \u201ca p\u00e1tria da minha ideologia, a Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia (RPDC)\u201d.<\/p>\n<p>Ahn \u00e9 um dos seis antigos prisioneiros de longo prazo ainda vivos na Coreia do Sul que recentemente pediram para regressar ao Norte.<\/p>\n<p>O governo de Seul est\u00e1 a analisar \u201cv\u00e1rias op\u00e7\u00f5es numa perspetiva humanit\u00e1ria\u201d, apontou um respons\u00e1vel do Minist\u00e9rio da Unifica\u00e7\u00e3o, sublinhando que qualquer decis\u00e3o exigiria a coopera\u00e7\u00e3o de Pyongyang.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o fomos libertados\u201d <\/p>\n<p>Ahn nasceu em 1930, na Ilha de Ganghwa, ao largo da costa oeste da Coreia, durante o dom\u00ednio colonial japon\u00eas sobre a pen\u00ednsula. Cresceu num contexto de turbul\u00eancia e incerteza: um dos irm\u00e3os foi for\u00e7ado a integrar o ex\u00e9rcito japon\u00eas, outro desertou. Quando a pol\u00edcia foi procur\u00e1-lo, Ahn fugiu e encontrou ref\u00fagio em casa de uma tia.<\/p>\n<p>Quando o Jap\u00e3o se rendeu em 1945, Ahn tinha 15 anos. Em vez de celebrar, disse ter-se sentido tra\u00eddo por uma proclama\u00e7\u00e3o do general Douglas MacArthur que colocou a Coreia a sul do paralelo 38 sob controlo militar americano.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o deu \u00e0s autoridades norte-americanas amplos poderes sobre os assuntos pol\u00edticos, econ\u00f3micos e de seguran\u00e7a do Sul at\u00e9 que fosse formado um novo governo.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, ao olhar para a proclama\u00e7\u00e3o, percebi que n\u00e3o t\u00ednhamos sido libertados\u201d, afirmou. \u201cFoi assim que tudo come\u00e7ou. Foi por isso que iniciei movimentos antiamericanos.\u201d<\/p>\n<p>Quando a Guerra da Coreia come\u00e7ou em 1950, Ahn era aluno do ensino secund\u00e1rio em Kaesong, ent\u00e3o uma cidade movimentada perto do paralelo 38. Assistiu ao avan\u00e7o e recuo dos ex\u00e9rcitos ao longo da nova linha divis\u00f3ria entre Norte e Sul. E, em 1952, alistou-se formalmente no Ex\u00e9rcito Popular da Coreia do Norte, servindo no departamento de recolha de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68bee5d7d34ee0c2fecfd28d.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Ahn Hak-sop (Charlie Miller\/CNN) <\/p>\n<p>\u00c0 medida que a guerra chegava a um impasse sangrento em 1953, Ahn foi capturado. Dos dez soldados da sua unidade, afirmou ter sido o \u00fanico sobrevivente.<\/p>\n<p>De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o sul-coreana da \u00e9poca, se tivesse assinado um documento a renunciar ao Norte e \u00e0 ideologia comunista, teria direito a liberdade condicional. Por\u00e9m, recusou-se e permaneceu preso no Sul durante os 42 anos e seis meses seguintes.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas na pris\u00e3o <\/p>\n<p>O cativeiro de Ahn \u00e9 um dos mais longos de sempre para um prisioneiro de guerra norte-coreano detido no Sul. Descreveu esse tempo como implac\u00e1vel, n\u00e3o apenas pelo sofrimento f\u00edsico, mas tamb\u00e9m pela press\u00e3o psicol\u00f3gica para abandonar as suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio, tentaram converter-me atrav\u00e9s da conversa\u201d, recordou. \u201cQuando n\u00e3o resultou, come\u00e7aram a torturar-me.\u201d<\/p>\n<p>Ahn alega ter sofrido castigos brutais, incluindo espancamentos e exposi\u00e7\u00e3o a \u00e1gua gelada.<\/p>\n<p>A certa altura, contou, os interrogadores levaram-no de volta \u00e0 Ilha de Ganghwa para se reunir com as irm\u00e3s, que, em l\u00e1grimas, o imploraram para renunciar ao Norte. Ele recusou.<\/p>\n<p>\u201cIsso foi realmente doloroso\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Quando foi finalmente perdoado em 1995, no feriado do Dia da Liberta\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul, descreveu o momento em termos amargos. Afirmou que simplesmente passou de \u201cuma pris\u00e3o pequena e fechada para uma pris\u00e3o grande e aberta\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo assim, afirmou ter permanecido sob vigil\u00e2ncia apertada, seguido constantemente pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Em 2000, num breve per\u00edodo de distens\u00e3o pol\u00edtica entre Seul e Pyongyang, a Coreia do Sul permitiu que 63 prisioneiros de longo prazo n\u00e3o convertidos regressassem ao Norte.<\/p>\n<p>Ahn teve a oportunidade de atravessar a fronteira, mas tomou a dif\u00edcil decis\u00e3o de ficar.<\/p>\n<p>Os que regressaram foram recebidos na Coreia do Norte com desfiles e bandeiras. Mas Ahn disse que permaneceu em solo sul-coreano porque a sua \u201cmiss\u00e3o\u201d n\u00e3o estava conclu\u00edda. Apesar de d\u00e9cadas no Sul, nunca vacilou na convic\u00e7\u00e3o de que a Coreia do Sul continua a ser uma col\u00f3nia sob influ\u00eancia americana.<\/p>\n<p>\u201cVim para aqui, para uma \u2018col\u00f3nia\u2019 americana, a lutar contra os EUA, mas n\u00e3o consegui fazer nada e apenas cumpri pena na pris\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cComo poderia regressar, sentindo-me envergonhado? Se tenho de gritar \u2018fora os EUA\u2019, tenho de o fazer daqui, n\u00e3o do Norte. Foi por isso que n\u00e3o regressei\u2026 Estava determinado a morrer depois de testemunhar a sa\u00edda dos americanos desta terra.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOu expulso os americanos daqui, ou morro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Atualmente, Ahn vive numa modesta casa em Yonggang-ri, a menos de dois quil\u00f3metros da fronteira norte-coreana que sonha atravessar, afastado da fam\u00edlia alargada.<\/p>\n<p>Para sobreviver, depende dos apoios estatais concedidos a pessoas de baixos rendimentos e da ajuda de conhecidos.<\/p>\n<p>As paredes da sua casa est\u00e3o cobertas de fotografias desbotadas e cartazes norte-coreanos, recorda\u00e7\u00f5es de uma ideologia que moldou a sua exist\u00eancia. O tapete da entrada \u00e9 uma bandeira dos EUA.<\/p>\n<p>\u201cSeria demasiado revoltante ser enterrado numa col\u00f3nia mesmo depois da morte\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Permiss\u00e3o negada <\/p>\n<p>A Ponte da Unifica\u00e7\u00e3o, sobre o rio Imjin, em Paju, na Coreia do Sul, tem sido um ponto de passagem cerimonial para cimeiras, reuni\u00f5es de fam\u00edlias e raras delega\u00e7\u00f5es entre as duas Coreias. Este m\u00eas tornou-se o palco do mais recente confronto de Ahn com o governo sul-coreano.<\/p>\n<p>As autoridades bloquearam a sua passagem, invocando a lei de seguran\u00e7a nacional e a aus\u00eancia de qualquer acordo com Pyongyang que permitisse o seu regresso.<\/p>\n<p>A Coreia do Norte suspendeu todas as comunica\u00e7\u00f5es com o Sul em 2023, tornando mais dif\u00edcil para Seul discutir a repatria\u00e7\u00e3o de Ahn e de outros prisioneiros.<\/p>\n<p>Grupos de direitos humanos na Coreia do Sul manifestaram simpatia pela situa\u00e7\u00e3o de Ahn, mas poucos acreditavam que o governo autorizasse a travessia.<\/p>\n<p>Depois de lhe ser negada a passagem na fronteira, Ahn entrou com dificuldade numa ambul\u00e2ncia \u00e0 sua espera e foi levado dali.<\/p>\n<p>Para Ahn, a recusa veio apenas sublinhar aquilo em que acredita h\u00e1 quase 80 anos: que o seu destino n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, mas sim \u00e0 divis\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>\u201cEstou determinado a regressar \u00e0 p\u00e1tria da minha ideologia, \u00e0 casa dos meus princ\u00edpios\u201d, afirmou. \u201cA RPDC, o in\u00edcio da minha vida.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Capturado durante a Guerra da Coreia e preso durante d\u00e9cadas por se recusar a renunciar \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72093,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[19163,609,836,611,27,28,607,608,333,3459,3092,832,604,135,610,476,15,16,301,830,19162,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-72092","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-ahn-hak-sop","9":"tag-alerta","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-comentadores","17":"tag-coreia-do-norte","18":"tag-coreia-do-sul","19":"tag-costa","20":"tag-crime","21":"tag-desporto","22":"tag-direto","23":"tag-economia","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-governo","27":"tag-guerra","28":"tag-guerra-da-coreia","29":"tag-headlines","30":"tag-justica","31":"tag-latest-news","32":"tag-latestnews","33":"tag-live","34":"tag-main-news","35":"tag-mainnews","36":"tag-mais-vistas","37":"tag-marcelo","38":"tag-mundo","39":"tag-negocios","40":"tag-news","41":"tag-noticias","42":"tag-noticias-principais","43":"tag-noticiasprincipais","44":"tag-opiniao","45":"tag-pais","46":"tag-politica","47":"tag-portugal","48":"tag-principais-noticias","49":"tag-principaisnoticias","50":"tag-top-stories","51":"tag-topstories","52":"tag-ultimas","53":"tag-ultimas-noticias","54":"tag-ultimasnoticias","55":"tag-world","56":"tag-world-news","57":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}