{"id":72237,"date":"2025-09-15T11:44:10","date_gmt":"2025-09-15T11:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72237\/"},"modified":"2025-09-15T11:44:10","modified_gmt":"2025-09-15T11:44:10","slug":"jovem-ate-aos-44-anos-velho-depois-dos-45-o-atual-codigo-do-trabalho-nao-nos-da-a-vida-que-queremos-e-tira-nos-a-que-merecemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72237\/","title":{"rendered":"Jovem at\u00e9 aos 44 anos, velho depois dos 45: o atual c\u00f3digo do trabalho n\u00e3o nos d\u00e1 a vida que queremos e tira-nos a que merecemos"},"content":{"rendered":"<p>\t                Aos 45, o mercado de trabalho prepara o empurr\u00e3o. Se n\u00e3o se mexer, vai borda fora<\/p>\n<p>As fases da desvaloriza\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Dos 18 aos 24 anos, basicamente n\u00e3o servimos para nada mas servimos para tudo. Dos 25 aos 34, servimos para servir. Dos 35 aos 44, quem nos quer pede para ficar. Dos 45 aos 54, come\u00e7amos a ser demasiado caros e obsoletos para estar. Dos 55 aos 64, faz\u00edamos um favor a todos se fossemos para casa. Este \u00e9 mais ou menos o cen\u00e1rio atual quando olhamos para os n\u00fameros de desemprego, os valores m\u00e9dios salariais e a forma como o mercado nos l\u00ea \u2014 n\u00e3o como pessoas, mas como fases de utilidade.<\/p>\n<p>De quem \u00e9 a culpa? \u00c9 nossa. Mas tamb\u00e9m de um sistema que nos acorrenta \u00e0 estabilidade, ensinando empresas a pesar custos em vez de valorizar for\u00e7as. E de um C\u00f3digo do Trabalho que ensina as empresas a olhar mais para o peso do que para a for\u00e7a. Mais para o custo do v\u00ednculo do que para o valor da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A prenda envenenada do tal sistema <\/p>\n<p>O desemprego jovem mant\u00e9m-se alto \u2014 cerca de <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/emprego\/desemprego\/este-e-o-pior-mercado-de-trabalho-para-recem-formados-dos-ultimos-anos\/20250610\/684567e4d34e3f0bae9f2346\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">10% entre os 20 e os 24 anos<\/a>. Mas n\u00e3o podemos olhar para o desemprego jovem sem olhar para a taxa de rotatividade dos mais velhos. Tudo anda a par, agarrado a uma regula\u00e7\u00e3o laboral que h\u00e1 pelo menos 50 anos evolui na mesma dire\u00e7\u00e3o: proteger o v\u00ednculo, punir a mobilidade, premiar a fidelidade \u2014 at\u00e9 ela deixar de servir. A partir dos 44 anos, a taxa de rotatividade come\u00e7a a desacelerar. Talvez alimentada pelo medo de perder o emprego e de nunca mais o reconquistar. Mas essa fidelidade n\u00e3o se reverte em ganhos para o colaborador. Entre os 25 e os 34 anos, a rotatividade \u00e9 elevada. Entre os 35 aos 44, reduz-se em 50%. O sal\u00e1rio m\u00e9dio sobe apenas 12%. Ver <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/pt\/estatisticas\/salarios-e-pensoes\/salarios\/ganho-e-remuneracao-media-mensal-de-base-por-sexo-e-grupo\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>E dos 45 aos 55? A diferen\u00e7a salarial \u00e9 de apenas 16% face a quem tem menos 20 ou 30 anos de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.gep.mtsss.gov.pt\/documents\/10182\/10925\/bejan2025.pdf\/33c5aa64-f78c-447e-ab5a-5db926ef9804\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">claros<\/a>:\u00a0atingimos o pico de rentabilidade aos 45 anos. A partir da\u00ed, \u00e9 sobreviver sem descer. Mas porqu\u00ea? Ser\u00e1 que os sal\u00e1rios estagnam porque a rotatividade se reduz? Ou ser\u00e1 que as empresas n\u00e3o ajustam porque sabem que o colaborador n\u00e3o tem para onde ir \u2014 ou n\u00e3o quer ir para lado nenhum? Valorizamos a estabilidade em detrimento do sal\u00e1rio e depois queixamo-nos do sal\u00e1rio, esquecendo que escolhemos a seguran\u00e7a. Ou fomos for\u00e7ados a aceit\u00e1-la por um sistema que nos deixa sem sa\u00edda. J\u00e1 diz o ditado: \u201cOlhas para os tombos que dou, mas n\u00e3o v\u00eas aquilo que eu bebi.\u201d Olhas para as minhas quedas, mas ignoras as amarras que me fizeram trope\u00e7ar.<\/p>\n<p>O valor que temos para as empresas \u00e9 artificializado por um c\u00f3digo laboral que privilegia o comodismo. Protege-nos, sim \u2014 mas tamb\u00e9m nos paralisa. \u00c9 a prenda envenenada que n\u00e3o nos d\u00e1 a vida que queremos, e retira-nos a vida que merecemos. Estar acomodado, sem evolu\u00e7\u00e3o de carreira nem de sal\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 perda de dinheiro. \u00c9 perda de valor, de relev\u00e2ncia, de intelecto. \u00c9 ser um boneco sem pilhas, esquecido no topo da prateleira, a observar o mundo sem participar nele. \u00c9 ver a vida passar \u00e0 frente enquanto nos autolamentamos e autoflagelamos com aquilo que achamos que dever\u00edamos ter \u2014 mas n\u00e3o temos. E n\u00e3o fizemos muito por isso. Ou talvez tenhamos feito, mas o sistema fechou-nos as portas.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio dos mais velhos <\/p>\n<p>As empresas retiram vantagem da nossa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. E talvez por isso tenham dificuldade em lidar com as novas gera\u00e7\u00f5es \u2014 mais desprendidas, mais emocionais, mais espont\u00e2neas, e com uma racionalidade que os livros de gest\u00e3o ainda n\u00e3o explicam suficientemente bem. Quanto vale a experi\u00eancia? Os n\u00fameros mostram que 20 anos de experi\u00eancia valem muito pouco. Cada ano representa menos de 1% de acr\u00e9scimo da m\u00e9dia salarial, mas muito mais em impostos. O Estado ganha com a experi\u00eancia, as empresas tamb\u00e9m ganham mas e o trabalhador? Nem por isso. Dezenas de milhares de qualificados entre 45 e 64 anos desistiram de procurar trabalho, n\u00e3o por falta de vontade, mas por um mercado que os silencia.<\/p>\n<p>Em 2021, havia <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/longevidade\/2023-07-19-Encontrar-emprego-depois-dos-50-anos-E-um-desperdicio-de-talento-nao-aproveitar-estas-pessoas-f65845ca\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">83 mil pessoas com qualifica\u00e7\u00e3o superior entre os 45 e os 64 anos desempregadas<\/a>. E 80% delas j\u00e1 tinham desistido de procurar emprego. N\u00e3o por falta de vontade \u2014 por falta de resposta. O mercado n\u00e3o ouve quem j\u00e1 n\u00e3o brilha aos olhos da juventude. Sabemos que o mercado, no longo prazo, tem sempre raz\u00e3o, mas o que far\u00e1 com que a raz\u00e3o inverta a l\u00f3gica? Estaremos ref\u00e9ns de uma regula\u00e7\u00e3o que nos protege at\u00e9 nos expulsar? Que nos segura at\u00e9 nos silenciar?<\/p>\n<p>Um novo ritmo para o trabalho <\/p>\n<p>Toler\u00e2ncia ou ponto de viragem? As grandes empresas come\u00e7am a adaptar-se \u00e0 realidade dos mais jovens, fazendo tudo por reter os seus talentos, inclusive tudo aquilo que nunca quiseram fazer para manter ao m\u00e1ximo a sua liberdade da rota\u00e7\u00e3o de colaboradores. O mercado parece agora estar a evoluir. As empresas que outrora defendiam a rotatividade e a liberdade laboral trope\u00e7am agora na evid\u00eancia: se n\u00e3o forem apelativas, n\u00e3o ter\u00e3o os melhores. E sem os melhores, n\u00e3o competem, e sem competir n\u00e3o persistem. O tal C\u00f3digo do Trabalho, altamente limitador, transformou-se em modelos de motiva\u00e7\u00e3o. As empresas que antes queriam liberdade para despedir procuram agora estrat\u00e9gias para reter \u2014 ignorando mesmo a possibilidade de que, um dia, o colaborador j\u00e1 n\u00e3o seja a pe\u00e7a certa.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>V\u00e1rias empresas implementaram programas de mentoria reversa, onde os colaboradores mais jovens ensinam novas tecnologias aos mais velhos, e estes partilham o seu conhecimento estrat\u00e9gico do neg\u00f3cio.&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O mercado a dar o exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a de mentalidade \u00e9 vis\u00edvel em empresas que j\u00e1 perceberam que a experi\u00eancia n\u00e3o se descarta e que a juventude n\u00e3o se molda. S\u00e3o v\u00e1rias as empresas que implementaram\u00a0 programas de mentoria reversa, onde os colaboradores mais jovens ensinam novas tecnologias aos mais velhos, e estes partilham o seu conhecimento estrat\u00e9gico do neg\u00f3cio. S\u00e3o tamb\u00e9m v\u00e1rias as que t\u00eam modelos de reconvers\u00e3o de compet\u00eancias, tentando absorver os colaboradores mais pelas menos mut\u00e1veis soft skills do que pelas evolutivas hard skills. \u00c9 um modelo em que a experi\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o se complementam, gerando valor para todos e combatendo a obsolesc\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>O mercado n\u00e3o nos quer jovens demais para decidir, nem velhos demais para mudar. Quer-nos sempre no ponto ideal de submiss\u00e3o. E n\u00f3s, entre o medo e a conveni\u00eancia, vamos aceitando, at\u00e9 ao dia em que percebemos que n\u00e3o \u00e9 a idade que nos torna in\u00fateis \u2014 \u00e9 o sil\u00eancio com que aceitamos ser descart\u00e1veis.&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Podemos estar num ponto de viragem trazido pelos mais novos que beneficia os mais velhos. Pode ser este o momento em que o Estado repensa pol\u00edticas e tira partido desta nova realidade. Precisamos de um c\u00f3digo que n\u00e3o prenda os jovens em gaiolas nem corte as ra\u00edzes dos mais velhos, mas que os deixe voar com redes de apoio \u2014 como programas de requalifica\u00e7\u00e3o que valorizem a experi\u00eancia e abram portas a novos come\u00e7os. O desemprego jovem demonstra o medo das empresas em dar a primeira oportunidade, mas os modelos de reten\u00e7\u00e3o agressivos mostram a vontade de manter os melhores. Se este \u00e9 o problema, est\u00e1 na altura de agilizar o C\u00f3digo do Trabalho em componentes que permitam aos jovens conquistar a oportunidade e provar o seu valor \u2014 ao mesmo tempo que protege os mais velhos, que podem j\u00e1 n\u00e3o ter o valor que tinham para uma empresa, mas continuam a ter valor para outras. \u00c9 altura do c\u00f3digo do trabalho puxar pelo bom de cada um e deixar de se alicer\u00e7ar numa falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que o mercado j\u00e1 n\u00e3o consegue suportar.<\/p>\n<p>O novo c\u00f3digo deveria promover as mudan\u00e7as de vida que cada vez mais motivam os colaboradores. Dar-lhes hip\u00f3teses reais de mudar \u2014 sem que essa mudan\u00e7a seja um risco. Porque um mercado de trabalho estagnado, com posi\u00e7\u00f5es fechadas, retira oportunidade a todos. Aos que j\u00e1 est\u00e3o empregados, no s\u00edtio errado, e aos que nunca se empregaram no s\u00edtio certo.<\/p>\n<p>O mercado n\u00e3o nos quer jovens demais para decidir, nem velhos demais para mudar. Quer-nos sempre no ponto ideal de submiss\u00e3o. E n\u00f3s, entre o medo e a conveni\u00eancia, vamos aceitando, at\u00e9 ao dia em que percebemos que n\u00e3o \u00e9 a idade que nos torna in\u00fateis \u2014 \u00e9 o sil\u00eancio com que aceitamos ser descart\u00e1veis. Est\u00e1 na hora de quebrar esse sil\u00eancio e exigir um mercado que nos veja, em todas as idades, como for\u00e7as vivas, n\u00e3o como pe\u00e7as descart\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aos 45, o mercado de trabalho prepara o empurr\u00e3o. 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