{"id":72442,"date":"2025-09-15T14:47:06","date_gmt":"2025-09-15T14:47:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72442\/"},"modified":"2025-09-15T14:47:06","modified_gmt":"2025-09-15T14:47:06","slug":"minipredador-e-mais-antigo-membro-do-grupo-dos-lagartos-15-09-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72442\/","title":{"rendered":"Minipredador \u00e9 mais antigo membro do grupo dos lagartos &#8211; 15\/09\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Um predador pequenino mas altamente eficiente \u00e9 o prov\u00e1vel antecessor de todos os lagartos e serpentes vivos hoje, indica um estudo liderado por pesquisadores brit\u00e2nicos. Com 245 milh\u00f5es de anos, os f\u00f3sseis do r\u00e9ptil de apenas 10 cm foram encontrados nas rochas da regi\u00e3o inglesa de Devon.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises conduzidas pelo grupo do paleont\u00f3logo Michael Benton, da Universidade de Bristol, indicam que o bicho \u00e9 o mais antigo membro do grupo dos Lepidosauria. Trata-se da subdivis\u00e3o dos r\u00e9pteis que tamb\u00e9m \u00e9 o grupo de vertebrados terrestres com o maior n\u00famero de esp\u00e9cies vivas hoje (cerca de 12 mil, por enquanto).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de cobras, lagartos e seus parentes pr\u00f3ximos, os Lepidosauria atuais abrangem ainda o bizarro e misterioso tuatara (Sphenodon punctatus), que s\u00f3 existe na Nova Zel\u00e2ndia e \u00e9 o \u00fanico sobrevivente de uma diversidade muito maior que estava presente durante a Era dos Dinossauros.<\/p>\n<p>A nova esp\u00e9cie f\u00f3ssil foi batizada como Agriodontosaurus helsbypetrae (&#8220;dente selvagem das rochas de Helsby&#8221;) na descri\u00e7\u00e3o apresentada nesta semana na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09496-9\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nature<\/a>. Embora esteja mais pr\u00f3ximo do tuatara, de acordo com a \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos r\u00e9pteis montada por Benton e seus colegas, o bicho viveu t\u00e3o perto da origem dos Lepidosauria que tamb\u00e9m apresenta algumas caracter\u00edsticas que seriam cruciais para o sucesso evolutivo da maioria dos membros sobreviventes do grupo.<\/p>\n<p>Os elementos-chave entre essas caracter\u00edsticas envolvem, curiosamente, a grande flexibilidade do cr\u00e2nio, conforme explicam os autores do estudo. Serpentes e lagartos de hoje conseguem movimentar os ossos cranianos de um jeito que parece quase m\u00e1gico para mam\u00edferos como n\u00f3s, e isso lhes d\u00e1 a capacidade de ingerir presas proporcionalmente enormes.<\/p>\n<p>Entre esses truques est\u00e1 a mesocinese (o movimento dos ossos do focinho para cima e para baixo) e a metacinese (o movimento dos ossos da caixa craniana, onde est\u00e1 o c\u00e9rebro, em rela\u00e7\u00e3o ao resto do cr\u00e2nio). Um dos pr\u00e9-requisitos para essa grande versatilidade \u00e9 a chamada barra temporal inferior aberta \u2014uma regi\u00e3o \u00f3ssea na qual est\u00e3o presos os m\u00fasculos da mand\u00edbula, que sofre uma pequena modifica\u00e7\u00e3o nessa linhagem.<\/p>\n<p>Nos tuataras e em sua parentela extinta, a barra temporal inferior \u00e9 fechada e o cr\u00e2nio \u00e9 considerado &#8220;acin\u00e9tico&#8221; (pouco m\u00f3vel). Na nova esp\u00e9cie f\u00f3ssil, por\u00e9m, a barra temporal \u00e9 aberta, indicando justamente a origem dessa adapta\u00e7\u00e3o crucial, embora ela tenha se perdido em seus primos mais recentes.<\/p>\n<p>Com uma curiosa apar\u00eancia &#8220;dentu\u00e7a&#8221;, como a de um ser humano com dentes da frente particularmente grandes e projetados para fora da boca, o Agriodontosaurus helsbypetrae, segundo seus descobridores, provavelmente era um predador ativo que capturava insetos de porte grande.<\/p>\n<p>A mand\u00edbula tinha uma abertura consider\u00e1vel e lhe conferia uma mordida forte, al\u00e9m de minimizar os movimentos das presas. A forma c\u00f4nica e pontuda dos dentes tamb\u00e9m era capaz de perfurar a carapa\u00e7a dos insetos mais duros. Depois de garantida a captura, os dentes de tr\u00e1s eram respons\u00e1veis por fatiar a presa em peda\u00e7os menores, atuando quase como tesouras.<\/p>\n<p>Essa efici\u00eancia dos dentes &#8220;normais&#8221; talvez explique porque, ao contr\u00e1rio de muitos de seus parentes primitivos, o bicho n\u00e3o contava com uma caracter\u00edstica bastante estranha do nosso ponto de vista, a presen\u00e7a de dentes palatais (ou seja, &#8220;no c\u00e9u da boca&#8221;). O mais prov\u00e1vel \u00e9 que os dentes palatais n\u00e3o fossem necess\u00e1rios para manter a presa firme na boca.<\/p>\n<p>A estrutura do cr\u00e2nio do bicho tamb\u00e9m sugere que ele tinha vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o agu\u00e7adas, sempre importantes para um bom predador. Entre as presas prov\u00e1veis estavam parentes antigos das baratas e dos gafanhotos de hoje.<\/p>\n<p>Para Benton e seus colegas, a origem dos Lepidosauria nesse momento, o in\u00edcio do Tri\u00e1ssico, pode ser parte das grandes transforma\u00e7\u00f5es pelas quais passavam os ecossistemas terrestres ap\u00f3s a chamada &#8220;Grande Morte&#8221;, a maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria do planeta, que aconteceu h\u00e1 252 milh\u00f5es de anos, no fim do per\u00edodo Permiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um predador pequenino mas altamente eficiente \u00e9 o prov\u00e1vel antecessor de todos os lagartos e serpentes vivos hoje,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72443,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[3504,109,107,108,12623,3920,236,9421,3534,15594,6951,32,33,105,103,104,106,110,19215],"class_list":{"0":"post-72442","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-arqueologia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-cobra","13":"tag-dinossauro","14":"tag-folha","15":"tag-fosseis","16":"tag-insetos","17":"tag-lagarto","18":"tag-paleontologia","19":"tag-portugal","20":"tag-pt","21":"tag-science","22":"tag-science-and-technology","23":"tag-scienceandtechnology","24":"tag-technology","25":"tag-tecnologia","26":"tag-triassico"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72442"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72442\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}