{"id":72518,"date":"2025-09-15T15:41:18","date_gmt":"2025-09-15T15:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72518\/"},"modified":"2025-09-15T15:41:18","modified_gmt":"2025-09-15T15:41:18","slug":"o-que-e-o-fenomeno-semelhante-a-um-ataque-cardiaco-que-afeta-mulheres-apos-a-menopausa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72518\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o fen\u00f4meno semelhante a um ataque card\u00edaco que afeta mulheres ap\u00f3s a menopausa"},"content":{"rendered":"\n<p>A cena \u00e9 quase sempre a mesma: dor s\u00fabita, falta de ar, palpita\u00e7\u00f5es. No pronto-socorro, o diagn\u00f3stico inicial sugere\u00a0infarto. Mas nem sempre o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 com as art\u00e9rias obstru\u00eddas. Em alguns casos, trata-se da s\u00edndrome do cora\u00e7\u00e3o partido, tamb\u00e9m conhecida como cardiomiopatia de takotsubo, uma disfun\u00e7\u00e3o card\u00edaca tempor\u00e1ria que afeta sobretudo mulheres depois da menopausa.<\/p>\n<p>Descrita pela primeira vez no Jap\u00e3o em 1990, a s\u00edndrome recebeu o nome de takotsubo porque o cora\u00e7\u00e3o adquire, nos exames de imagem, o formato semelhante ao de uma armadilha usada para capturar polvos \u2014 a palavra japonesa descreve esse objeto. Segundo um\u00a0estudo\u00a0publicado no\u00a0Journal of the American College of Cardiology,\u00a088% dos casos acometem mulheres, com idade m\u00e9dia de 69 anos.<\/p>\n<p>\u201cEla acontece primordialmente depois da menopausa e pode se repetir mais de uma vez ao longo da vida\u201d, explica\u00a0Gl\u00e1ucia Maria Moraes de Oliveira,\u00a0presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). \u201cA s\u00edndrome \u00e9 disparada por estresse f\u00edsico ou emocional, como a morte de algu\u00e9m, uma perda amorosa, uma cirurgia, um assalto ou um AVC, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Sintomas que confundem com infarto<\/strong><\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas s\u00e3o quase id\u00eanticas \u00e0s do infarto, o que dificulta o diagn\u00f3stico. \u201cA mulher pode ter dor s\u00fabita no peito, mas tamb\u00e9m dor nas costas, no bra\u00e7o ou na mand\u00edbula. Pode sentir fadiga intensa, falta de ar, palpita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 desmaios\u201d, detalha Oliveira. \u201cNos exames, aparecem altera\u00e7\u00f5es no eletrocardiograma e nas enzimas card\u00edacas, como a troponina, que simulam o infarto.\u201d<\/p>\n<p>Em muitos casos, s\u00f3 a angiografia coronariana, seja invasiva ou por tomografia, permite confirmar se h\u00e1 obstru\u00e7\u00e3o das art\u00e9rias ou se \u00e9 s\u00edndrome de takotsubo. O formato do cora\u00e7\u00e3o com a ponta abaulada sugere o quadro.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, o \u00f3rg\u00e3o volta a funcionar normalmente ap\u00f3s algumas semanas ou meses. Mas isso n\u00e3o significa que seja uma condi\u00e7\u00e3o inofensiva.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a s\u00edndrome regrida na maioria das vezes, ela pode evoluir para choque cardiog\u00eanico, uma fal\u00eancia cardiovascular grave, e levar \u00e0 morte\u201d, alerta a cardiologista. A recupera\u00e7\u00e3o pode levar de quatro a oito semanas, mas em alguns casos se estende por at\u00e9 um ano, podendo deixar sequelas como insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p><strong>O papel do estresse e da menopausa<\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas ainda n\u00e3o explicaram totalmente por que as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas, mas a queda de estrog\u00eanio ap\u00f3s a menopausa pode ter algum papel. O horm\u00f4nio tem efeito protetor sobre o sistema cardiovascular, e sua redu\u00e7\u00e3o pode tornar o cora\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para Oliveira, no entanto, essa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o. O quadro \u00e9 multifatorial e est\u00e1 associado a fatores como a sobrecarga culturamente imposta \u00e0s mulheres. \u201c\u00c9 uma cardiopatia catecolamin\u00e9rgica, ligada \u00e0 libera\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de horm\u00f4nios do estresse. O estrog\u00eanio n\u00e3o \u00e9 a causa direta, mas cria um ambiente prop\u00edcio, especialmente em mulheres que j\u00e1 t\u00eam ansiedade ou depress\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Quando procurar ajuda<\/strong><\/p>\n<p>A mensagem principal, segundo a cardiologista da SBC, \u00e9 n\u00e3o ignorar os sinais. \u201cToda mulher que sentir dor no peito, fadiga ou falta de ar deve procurar imediatamente o pronto-socorro. Pode ser infarto, pode ser takotsubo. Em todo caso, o diagn\u00f3stico r\u00e1pido \u00e9 fundamental\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da s\u00edndrome do cora\u00e7\u00e3o partido, Oliveira lembra que mulheres podem sofrer de outras condi\u00e7\u00f5es card\u00edacas sem obstru\u00e7\u00e3o das art\u00e9rias, como a doen\u00e7a microvascular. \u201cElas tamb\u00e9m provocam infarto e disfun\u00e7\u00e3o card\u00edaca. Por isso, n\u00e3o d\u00e1 para esperar. Procure atendimento sempre que sentir algo diferente do habitual\u201d, recomenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cena \u00e9 quase sempre a mesma: dor s\u00fabita, falta de ar, palpita\u00e7\u00f5es. 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