{"id":72594,"date":"2025-09-15T16:42:22","date_gmt":"2025-09-15T16:42:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72594\/"},"modified":"2025-09-15T16:42:22","modified_gmt":"2025-09-15T16:42:22","slug":"o-dilema-dos-drones-porque-o-exercito-mais-avancado-do-mundo-esta-a-tentar-recuperar-o-atraso-no-campo-de-batalha-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72594\/","title":{"rendered":"O dilema dos drones: porque o ex\u00e9rcito mais avan\u00e7ado do mundo est\u00e1 a tentar recuperar o atraso no campo de batalha moderno"},"content":{"rendered":"<p>\t                Um drone de mil d\u00f3lares pode destruir um tanque que custa milh\u00f5es. Invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia provocou uma s\u00e9rie de evolu\u00e7\u00f5es na guerra com drones \u2014 e ex\u00e9rcitos avan\u00e7ados como o dos EUA viram-se em desvantagem.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">O futuro da guerra parecia-se muito com um jogo de v\u00eddeo. Os soldados colocavam \u00f3culos de realidade virtual e moviam os dedos pelo joystick nas palmas das m\u00e3os. Um pequeno drone zumbia e descolava em resposta.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, numa base militar no Texas, nos EUA, soldados americanos treinaram como operar pequenos quadric\u00f3pteros, do tipo dos que agora dominam o campo de batalha na Ucr\u00e2nia e s\u00e3o cada vez mais a arma preferida dos combatentes em todo o mundo.<\/p>\n<p>Com um explosivo acoplado, um drone que custa menos de mil d\u00f3lares pode destruir um tanque que vale milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para as tropas em Fort Bliss, em El Paso \u2014 membros da Companhia de Reconhecimento Multifuncional, Regimento de Cavalaria 6-1 \u2014 a tecnologia e as t\u00e1ticas ainda eram novas. E para as for\u00e7as armadas dos EUA, isso \u00e9 um problema.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia provocou uma s\u00e9rie de evolu\u00e7\u00f5es na guerra com drones \u2014 tanto que os EUA, com um dos ex\u00e9rcitos e complexos industriais de defesa mais avan\u00e7ados do mundo, se viram em desvantagem.<\/p>\n<p>A maioria dos soldados americanos n\u00e3o possui o know-how para lutar com sistemas n\u00e3o tripulados e, embora os EUA se destaquem na constru\u00e7\u00e3o de armamento grande e caro \u2014 ca\u00e7as, tanques, m\u00edsseis guiados com precis\u00e3o \u2014, em muitos aspectos n\u00e3o est\u00e3o preparados para produzir rapidamente grandes quantidades de sistemas pequenos e baratos, como drones.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pela defesa est\u00e3o agora com pressa de recuperar o atraso.<\/p>\n<p>Em julho, o secret\u00e1rio de Defesa, Pete Hegseth, distribuiu um memorando aos l\u00edderes seniores com o objetivo de acelerar a ado\u00e7\u00e3o de drones pelas For\u00e7as Armadas dos EUA. Nos \u00faltimos meses, as tropas americanas come\u00e7aram a construir e imprimir drones em 3D e a treinar em simuladores que lembram jogos de v\u00eddeo, para aprender a guiar pequenos sistemas atrav\u00e9s de janelas, ao redor de esquinas ou dentro da escotilha de um tanque inimigo.<\/p>\n<p>\u201cEste n\u00e3o \u00e9 um problema para amanh\u00e3. \u00c9 um problema para hoje\u201d, afirmou em julho \u00e0 CNN o major-general Curt Taylor, comandante da 1.\u00aa Divis\u00e3o Blindada do Ex\u00e9rcito dos EUA, numa confer\u00eancia do Ex\u00e9rcito na Alemanha. \u201cE a primeira batalha da pr\u00f3xima guerra envolver\u00e1 mais drones do que qualquer um de n\u00f3s j\u00e1 viu.\u201d<\/p>\n<p>Aprender com a Ucr\u00e2nia <\/p>\n<p>Enquanto as unidades militares trabalham para se atualizar, os EUA ainda enfrentam obst\u00e1culos de fabrica\u00e7\u00e3o para igualar as capacidades e a produ\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como a China, avisam analistas e l\u00edderes do setor. Um dos principais desafios \u00e9 que as armas dos EUA n\u00e3o podem conter pe\u00e7as chinesas por motivos de seguran\u00e7a, mas as alternativas dom\u00e9sticas s\u00e3o significativamente mais caras.<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia ofereceu ajuda na produ\u00e7\u00e3o de drones, uma vez que as autoridades em Kiev t\u00eam procurado estreitar os la\u00e7os com Washington para garantir a seguran\u00e7a futura da Ucr\u00e2nia. Embora Washington tenha enviado milhares de milh\u00f5es em armas para a Ucr\u00e2nia, Kiev v\u00ea agora a oportunidade de retribuir aos EUA.<\/p>\n<p>Durante uma visita \u00e0 Casa Branca no m\u00eas passado, o l\u00edder ucraniano Volodymyr Zelensky prop\u00f4s ao presidente Donald Trump um acordo de 50 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares [42,5 mil milh\u00f5es de euros] para fornecer e coproduzir drones com os EUA.<\/p>\n<p>Zelensky disse aos jornalistas que o programa, que ainda n\u00e3o foi finalizado, entregaria 10 milh\u00f5es de sistemas n\u00e3o tripulados anualmente ao longo de cinco anos.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos seis meses, especialmente, houve uma mudan\u00e7a radical na percep\u00e7\u00e3o de como os drones funcionam e no desenvolvimento da ind\u00fastria\u201d, diz \u00e0 CNN Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro da Ucr\u00e2nia que liderou os esfor\u00e7os do pa\u00eds durante a guerra para comprar e produzir drones em massa.<\/p>\n<p>Fedorov afirma que notou um aumento na procura por dados de drones da Ucr\u00e2nia \u2014 dezenas de milhares de v\u00eddeos de c\u00e2maras de drones a mostrarem ataques bem-sucedidos a equipamentos, pessoal e edif\u00edcios que pa\u00edses e empresas de defesa poderiam usar para treinar sistemas de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f24dd34e58bc6795bee0.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Ucr\u00e2nia, Andrii Sybiha, entrega drones FPV de fibra \u00f3tica \u00e0 21\u00aa Brigada Mecanizada em Kiev, em 10 de setembro. Andrew Kravchenko\/Global Images Ukraine\/Getty Images <\/p>\n<p>Fedorov diz que Kiev poder\u00e1 potencialmente alavancar a sua inova\u00e7\u00e3o em drones em troca de mais apoio financeiro ou material no futuro.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 uma carta geopol\u00edtica que o nosso presidente ir\u00e1 considerar como usar\u201d, afirma Fedorov.<\/p>\n<p>\u201cSeria uma grande ajuda para os nossos aliados, e essa \u00e9 exatamente a rela\u00e7\u00e3o certa a ter com eles. Fornecemos drones de alta qualidade, dados de alta qualidade e a nossa experi\u00eancia, e assim recebemos mais assist\u00eancia em seguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Um drone para cada soldado <\/p>\n<p>Em julho, num centro de confer\u00eancias em Wiesbaden, na Alemanha, l\u00edderes militares ucranianos apresentaram uma avalia\u00e7\u00e3o direta da necessidade da NATO de investir em drones, em frente\u00a0a uma sala lotada de oficiais militares da NATO e especialistas da ind\u00fastria de defesa.<\/p>\n<p>O major Robert \u201cMadyar\u201d Brovdi, comandante das For\u00e7as de Sistemas N\u00e3o Tripulados da Ucr\u00e2nia, apostou que n\u00e3o h\u00e1 \u201cum \u00fanico tanque na estrada\u201d que possa sobreviver aos drones com vis\u00e3o na primeira pessoa, conhecidos como drones FPV.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas tamb\u00e9m devem entender que a nossa experi\u00eancia \u00e9 extremamente valiosa para todos voc\u00eas aqui, pois nenhum dos pa\u00edses tem atualmente este tipo de experi\u00eancia\u201d, disse Brovdi atrav\u00e9s do seu tradutor.<\/p>\n<p>O major-general Volodymyr Horbatiuk, vice-chefe do Estado-Maior da Ucr\u00e2nia, disse \u00e0 multid\u00e3o que, embora a artilharia e os m\u00edsseis antitanque sejam vitais, cerca de 80% do sucesso de Kiev em atingir alvos vem dos drones.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 o futuro, \u00e9 a realidade rotineira de como travamos a nossa guerra\u201d, acrescentou Horbatiuk mais tarde.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f38fd34e58bc6795bf06.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um militar ucraniano controla um drone FPV durante um voo de treino num local n\u00e3o revelado no leste da Ucr\u00e2nia, em 16 de agosto. Genya Savilov\/AFP\/Getty Images <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f3dad34ee0c2fed01b90.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O centro de repara\u00e7\u00e3o para um treino da divis\u00e3o de drones perto de Kramatorsk, Ucr\u00e2nia, em 24 de outubro de 2024. Andre Luis Alves\/Anadolu\/Getty Images <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f41dd34e58bc6795bf10.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Emblemas de unidades que operam drones terrestres s\u00e3o exibidos num local confidencial na Ucr\u00e2nia em 8 de agosto Pierre Crom\/Getty Images <\/p>\n<p>Autoridades americanas chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o. O memorando de Hegseth de julho foi repetidamente apontado por l\u00edderes militares que falaram \u00e0 CNN como significativo para colocar os drones nas m\u00e3os das tropas mais rapidamente. O memorando enfatiza que os comandantes devem abra\u00e7ar o risco, n\u00e3o evit\u00e1-lo \u2014 uma abordagem que, ironicamente, \u00e9 quase a ant\u00edtese face \u00e0 forma como as for\u00e7as armadas operam.<\/p>\n<p>\u201cA letalidade n\u00e3o ser\u00e1 prejudicada por restri\u00e7\u00f5es autoimpostas, especialmente quando se trata de aproveitar tecnologias que invent\u00e1mos, mas que demor\u00e1mos a adotar\u201d, escreveu Hegseth. \u201cA tecnologia dos drones est\u00e1 a avan\u00e7ar t\u00e3o rapidamente que o nosso maior risco \u00e9 evitar riscos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNo pr\u00f3ximo ano, espero ver essa capacidade integrada em todos os treinos de combate relevantes, incluindo guerras com drones entre for\u00e7as\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Esse memorando, por si s\u00f3, deu a muitos comandantes a cobertura de que precisavam para agir mais rapidamente. Mas o Ex\u00e9rcito j\u00e1 andava a movimentar-se nessa dire\u00e7\u00e3o como parte de uma iniciativa de moderniza\u00e7\u00e3o mais ampla, trazendo novas armas e tecnologias. A companhia de reconhecimento multifuncional em Fort Bliss foi um produto desse esfor\u00e7o lan\u00e7ado no ano passado.<\/p>\n<p>O coronel Nick Ryan, cujo gabinete supervisiona a integra\u00e7\u00e3o de aeronaves n\u00e3o tripuladas no Ex\u00e9rcito, disse \u00e0 CNN que \u201cj\u00e1 existem planos em vigor\u201d para garantir que todas as unidades do Ex\u00e9rcito \u201crecebam sistemas de aeronaves n\u00e3o tripuladas\u201d no ano fiscal de 2026.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo final \u00e9 que os soldados tratem os drones \u2018como se fossem armas pessoais suas, r\u00e1dios seus, \u00f3culos de vis\u00e3o noturna seus ou uma granada sua\u2019\u201d, disse Ryan. \u201cQue seja algo com que estejam t\u00e3o habituados e familiarizados que fa\u00e7a parte do seu equipamento padr\u00e3o, que levam consigo para todo o lado.\u201d<\/p>\n<p>Bem-vindos aos Drones 101 <\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o inicial de duas semanas em Bliss come\u00e7a numa sala de aula, onde os soldados aprendem a construir os seus pr\u00f3prios drones, o que \u00e9 crucial para saberem como reparar alguma coisa no terreno, caso algo corra mal. Em seguida, come\u00e7am a treinar como pilotar com um simulador de computador que os acostuma ao que \u00e9 essencialmente um controlador de jogos de v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Quando dominam essa parte, os soldados levam os seus drones para uma esp\u00e9cie de \u201cgin\u00e1sio FPV\u201d, onde podem treinar voar por entre pneus suspensos ou portas e at\u00e9 mesmo dentro de uma r\u00e9plica de papel\u00e3o \u2014 com medidas exatas, encontradas online \u2014 de um ve\u00edculo blindado do advers\u00e1rio.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f557d34e58bc6795bf1e.webp\" width=\"601\"\/> <\/p>\n<p>   Um drone \u00e9 pilotado atrav\u00e9s do \u00abgin\u00e1sio FPV\u00bb em Fort Bliss, em El Paso. CNN <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7f588d34e58bc6795bf26.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um soldado treina com um drone com vis\u00e3o na primeira pessoa em Fort Bliss. CNN <\/p>\n<p>O treino n\u00e3o est\u00e1 a acontecer apenas no Texas. Na Europa, todas as unidades do Ex\u00e9rcito dos EUA que passam pela regi\u00e3o sair\u00e3o &#8220;com treino ao n\u00edvel da companhia&#8221; em drones, incluindo a sua utiliza\u00e7\u00e3o para lan\u00e7ar muni\u00e7\u00f5es reais, disse o Brigadeiro-General Terry Tillis, comandante do 7.\u00ba Comando de Treino do Ex\u00e9rcito na Alemanha, a rep\u00f3rteres em Wiesbaden, em julho.<\/p>\n<p>Um novo curso em Fort Benning, Ge\u00f3rgia, com in\u00edcio previsto para outubro, fornecer\u00e1 \u201ctreino b\u00e1sico\u201d a todos os novos soldados que passam pelo One Station Unit Training \u2014 que combina o treino b\u00e1sico dos soldados e o treino avan\u00e7ado para as suas fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u2014 para garantir que eles estejam familiarizados com drones, de acordo com o Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>E em Fort Bragg, na Carolina do Norte, sede da famosa 82\u00aa Divis\u00e3o Aerotransportada do Ex\u00e9rcito, uma nova companhia criada em 2023 est\u00e1 a liderar a inova\u00e7\u00e3o numa s\u00e9rie de esfor\u00e7os, incluindo drones. Essa companhia \u2014 Gainey Company \u2014 tamb\u00e9m trabalha para treinar outros membros da divis\u00e3o em drones, disse o comandante da companhia, capit\u00e3o CJ Drew. Esses cursos de forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o constantemente ajustados com base no feedback de outros soldados dos EUA, bem como no que os militares est\u00e3o a observar na Ucr\u00e2nia com a guerra com drones.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o \u00fanica da 82\u00aa Divis\u00e3o Aerotransportada como for\u00e7a de resposta a crises do pa\u00eds \u2014 uma brigada de soldados preparados para serem destacados em todo o mundo com apenas algumas horas de anteced\u00eancia \u2014 sinaliza que a inova\u00e7\u00e3o em drones e novas tecnologias proporcionam uma vantagem cr\u00edtica aos soldados em situa\u00e7\u00f5es de perigo.<\/p>\n<p>Um pequeno drone poderia \u201csubstituir um observador avan\u00e7ado\u201d \u2014 um soldado que identifica alvos para fogo de artilharia ou apoio a\u00e9reo \u2014 disse o brigadeiro Andy Kiser, vice-comandante geral de opera\u00e7\u00f5es da 82\u00aa Divis\u00e3o Aerotransportada, \u00e0 CNN. Eles tamb\u00e9m podem \u201caprimorar\u201d o trabalho dos batedores de cavalaria, que s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelo reconhecimento e outras miss\u00f5es para reunir informa\u00e7\u00f5es sobre as for\u00e7as inimigas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c7faa8d34e58bc6795bf8a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O treino em Fort Bliss come\u00e7a com os soldados a aprenderem a construir os seus pr\u00f3prios drones. CNN <\/p>\n<p>\u201cIsso ajuda-nos a identificar IEDs com anteced\u00eancia\u201d, disse Kiser. \u201cPodemos potencialmente identificar quaisquer emboscadas blindadas, pequenas emboscadas. Podemos garantir que temos amea\u00e7as inimigas reais nos edif\u00edcios antes de atacar, porque podemos entrar l\u00e1, olhar pelas janelas e ver o que est\u00e1 preparado para nos atacar.\u201d<\/p>\n<p>Emil Michael, um ex-executivo da Uber que agora dirige o escrit\u00f3rio de pesquisa e engenharia do Pent\u00e1gono, disse \u00e0 CNN que os esfor\u00e7os urgentes v\u00e3o al\u00e9m do uso de drones em combate real, mas tamb\u00e9m das fun\u00e7\u00f5es de apoio que eles desempenhar\u00e3o, como entrega de suprimentos essenciais e assist\u00eancia m\u00e9dica. O escrit\u00f3rio de Michael supervisiona o trabalho do Pent\u00e1gono em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e aconselha o secret\u00e1rio de Defesa sobre fabrica\u00e7\u00e3o, engenharia e pesquisa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel fazer muitas coisas que antes representavam risco para os seres humanos e agora podem ser feitas com m\u00e1quinas\u201d, disse Michael. \u201cE isso \u00e9 muito empolgante, pois permite proteger as tropas como nunca antes.\u201d<\/p>\n<p>Entrar no mercado ucraniano <\/p>\n<p>A grande maioria dos drones que os soldados ucranianos utilizam hoje na linha de frente s\u00e3o fabricados na Ucr\u00e2nia. No entanto, nos primeiros meses da guerra, drones de ataque fabricados nos EUA \u2014 100 muni\u00e7\u00f5es inteligentes Switchblade \u2014 foram inclu\u00eddos nos pacotes de assist\u00eancia militar americana.<\/p>\n<p>Os drones leves de asa fixa foram reservados para as principais unidades das for\u00e7as especiais da Ucr\u00e2nia \u2014 um sinal de como Kiev valorizava a tecnologia como uma das primeiras armas modernas que recebeu dos aliados. Mas os EUA acabaram por deixar de fornecer drones Switchblade \u00e0 Ucr\u00e2nia, em parte devido ao feedback dos soldados ucranianos de que eles n\u00e3o eram t\u00e3o eficazes quanto as alternativas contra a guerra eletr\u00f3nica russa.<\/p>\n<p>Dentro da guerra, h\u00e1 uma corrida tecnol\u00f3gica entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia, cada uma tentando melhorar a mais recente inova\u00e7\u00e3o da outra. Isso deu \u00e0s empresas ucranianas uma vantagem sobre os concorrentes estrangeiros, que n\u00e3o tinham contacto direto com os soldados no campo de batalha.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"401\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c80ae7d34ee0c2fed01d05.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um militar ucraniano de uma unidade antirrob\u00f4 observa o c\u00e9u ap\u00f3s disparar uma metralhadora contra um UAV Shahed russo na regi\u00e3o de Donetsk, na Ucr\u00e2nia, em 10 de agosto. Pierre Crom\/Getty Images <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c80b24d34ee0c2fed01d0b.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um UAV Shahed russo cai num campo agr\u00edcola em 10 de agosto, ap\u00f3s ser abatido por uma unidade antirrob\u00f4 ucraniana. Pierre Crom\/Getty Images <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c80b53d34ee0c2fed01d11.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um edif\u00edcio residencial danificado durante um ataque a\u00e9reo russo em Kiev, em 6 de junho, quando a R\u00fassia realizou uma s\u00e9rie de ataques noturnos com drones em toda a Ucr\u00e2nia. Roman Pilipey\/AFP\/Getty Images <\/p>\n<p>\u201cO vencedor \u00e9 quem consegue atualizar a sua tecnologia mais rapidamente\u201d, disse Fedorov, o ministro ucraniano. \u201cAs empresas ucranianas estavam aqui no terreno e recebiam feedback, por isso conseguiram ultrapassar outros tipos de drones que n\u00e3o funcionavam realmente.\u201d<\/p>\n<p>Isso levou alguns dos principais fabricantes de drones dos EUA, como a Neros e a Anduril, a enviar equipas a Kiev e a fechar acordos com o governo ucraniano para colocar os seus drones na linha de frente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vimos sentido em construir um drone FPV e n\u00e3o lev\u00e1-lo para a Ucr\u00e2nia\u201d, disse Soren Monroe-Anderson, CEO e cofundador da Neros.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, a Neros ganhou um contrato para fornecer 6.000 drones de ataque FPV \u00e0 Ucr\u00e2nia ao longo de seis meses. A empresa tem apenas dois anos e faz parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de empresas americanas na esfera da ind\u00fastria de defesa, tradicionalmente dominada por gigantes como a Northrop Grumman e a Lockheed Martin. A Neros \u00e9 uma startup de tecnologia que recebeu financiamento inicial de capital de risco do bilion\u00e1rio Peter Thiel.<\/p>\n<p>\u201cFrancamente, quando come\u00e7\u00e1mos a empresa, o Departamento de Defesa n\u00e3o estava muito interessado no que est\u00e1vamos a fazer\u201d, disse Monroe-Anderson \u00e0 CNN. \u201cEram apenas muitos chav\u00f5es sobre massa cr\u00edtica e constru\u00e7\u00e3o de drones baratos, mas ningu\u00e9m sabia o que era um drone FPV e ningu\u00e9m se importava com pequenos quadric\u00f3pteros.\u201d<\/p>\n<p>Monroe-Anderson disse que levou 30 prot\u00f3tipos de drones FPV na sua primeira viagem \u00e0 Ucr\u00e2nia. A Neros passou por \u201cmuitas\u201d itera\u00e7\u00f5es do seu drone ao longo de viagens sucessivas \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cContinuamos a desenvolver o produto com base no feedback que recebemos da Ucr\u00e2nia, testando-o continuamente l\u00e1 e voltando \u00e0 Ucr\u00e2nia\u201d, disse ele. \u201cE ent\u00e3o, eventualmente, isso se tornou extremamente valioso aos olhos do Departamento de Defesa.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Literalmente 100 vezes mais caro&#8221; <\/p>\n<p>A press\u00e3o por sistemas menores e mais baratos \u00e9 uma revis\u00e3o na forma tradicional de pensar da ind\u00fastria de defesa. As empresas j\u00e1 n\u00e3o podem dar-se ao luxo de levar anos a desenvolver ou atualizar algo que j\u00e1 pode estar desatualizado quando chegar \u00e0s m\u00e3os de um soldado na linha de frente.<\/p>\n<p>Chris Bose, presidente da Anduril Industries, afirma que o problema \u00e9 que o Pent\u00e1gono historicamente tratou os drones da mesma forma que trata a aquisi\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de item de defesa de grande porte. \u201cE basicamente temos que modelar a aquisi\u00e7\u00e3o desse tipo de sistema aut\u00f3nomo, n\u00e3o tripulado e de baixo custo como basicamente o inverso de nossas capacidades militares tradicionais\u201d, disse Bose em entrevista \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>Embora as empresas ucranianas normalmente utilizem pe\u00e7as e chips chineses baratos nos seus drones, esses componentes s\u00e3o proibidos nas armas dos EUA. Monroe-Anderson afirmou que a Neros rapidamente percebeu que fabricar essas pe\u00e7as nos Estados Unidos era, em alguns casos, \u201cliteralmente 100 vezes mais caro\u201d. Produzir grandes volumes reduziria o custo, mas n\u00e3o h\u00e1 demanda suficiente.<\/p>\n<p>E como empresas chinesas como a DJI j\u00e1 dominam o mercado de drones para consumidores, os fabricantes americanos de drones FPV dependem dos contratos do Pent\u00e1gono, que ainda n\u00e3o s\u00e3o de grandes volumes. A iniciativa Replicator do Pent\u00e1gono \u2014 anunciada em 2023 como um programa destinado a impulsionar a produ\u00e7\u00e3o em grande escala de sistemas baratos para as For\u00e7as Armadas dos EUA \u2014 prop\u00f4s-se a construir apenas 3.000 drones em dois anos.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria \u00e9 bastante desanimadora\u201d, disse Monroe-Anderson. \u201cA Neros produz 2.000 drones por m\u00eas, e temos a linha de produ\u00e7\u00e3o de drones com a maior taxa de produ\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, o que para mim \u00e9 surpreendente, pois n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero t\u00e3o grande assim.\u201d<\/p>\n<p>As empresas ucranianas aumentaram a sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o para fabricar quatro milh\u00f5es de drones este ano, afirmou o ministro da Defesa do pa\u00eds em junho. Isso inclui o impressionante arsenal de drones de ataque de longo alcance da Ucr\u00e2nia, alguns dos quais s\u00e3o capazes de atingir alvos a mais de 1.600 km de dist\u00e2ncia. A Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m desenvolveu uma linha de drones navais que combateram com sucesso a frota maior da R\u00fassia no Mar Negro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/68c80c28d34ee0c2fed01d18.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Um soldado da 23\u00aa Brigada Mecanizada opera um drone FPV na Ucr\u00e2nia em 2 de junho. Oxana Chorna\/Global Images Ukraine\/Getty Images <\/p>\n<p>Para incentivar as tropas ucranianas e as unidades de drones, Kiev criou um sistema de pontos que recompensa cada ataque bem-sucedido gravado em v\u00eddeo. Quanto mais pontos um batalh\u00e3o ou companhia marcar, mais drones receber\u00e3o para continuar a atingir alvos. Esses v\u00eddeos, disse Fedorov, agora comp\u00f5em o conjunto de dados de drones que outros pa\u00edses desejam para treinar modelos de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Mas a Ucr\u00e2nia continua aberta a fabricantes estrangeiros de drones, e Fedorov disse que o pa\u00eds se apresentou como um campo de testes para empresas de defesa que desejam ver como os seus produtos se comportam em condi\u00e7\u00f5es reais de guerra. A Brave1, uma incubadora de tecnologia de defesa afiliada ao governo ucraniano, lan\u00e7ou recentemente uma iniciativa chamada \u201cTest in Ukraine\u201d (Teste na Ucr\u00e2nia) para que empresas de defesa se inscrevam para que suas armas sejam utilizadas na linha de frente.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a prolifera\u00e7\u00e3o de drones em ambos os lados aumentou, o campo de batalha ficou paralisado. Qualquer lugar dentro de um raio de 24 km da linha de frente agora \u00e9 considerado uma zona proibida, porque \u00e9 onde a maioria dos drones pode chegar, e alguns atacam at\u00e9 mesmo pequenos grupos de infantaria avistados a p\u00e9. A circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos nessa \u00e1rea \u00e9 especialmente perigosa, limitando as op\u00e7\u00f5es dos ex\u00e9rcitos para reabastecer ou rodar as for\u00e7as.<\/p>\n<p>Analistas e autoridades afirmam que a guerra com drones provavelmente seria diferente num conflito na vasta regi\u00e3o Indo-Pac\u00edfico do que nas linhas de frente frequentemente est\u00e1ticas do conflito entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia. No entanto, \u00e9 prov\u00e1vel que a mesma tecnologia seja utilizada, e a China j\u00e1 produz dezenas de milh\u00f5es de pequenos drones todos os anos, o que \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para os EUA.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de estar preparados para isso&#8221;, afirmou Samuel Bendett, analista militar e consultor do Centro de An\u00e1lises Navais. &#8220;Temos de compreender como \u00e9. Esta \u00e9 uma mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica que, neste momento, \u00e9 irrevers\u00edvel.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um drone de mil d\u00f3lares pode destruir um tanque que custa milh\u00f5es. 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