{"id":72628,"date":"2025-09-15T17:01:14","date_gmt":"2025-09-15T17:01:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72628\/"},"modified":"2025-09-15T17:01:14","modified_gmt":"2025-09-15T17:01:14","slug":"no-refugio-de-diogo-noronha-e-carlota-morais-pires-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/72628\/","title":{"rendered":"No ref\u00fagio de Diogo Noronha e Carlota Morais Pires \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p><strong>Como \u00e9 a vossa gest\u00e3o familiar neste sentido, considerando que ambos t\u00eam trabalhos muito din\u00e2micos e os dois t\u00eam filhas pequenas?<\/strong><br \/><strong>DN:<\/strong> Eu fa\u00e7o quest\u00e3o que as nossas filhas comam o melhor que puderem. A toda hora, todos os dias. Os fornecedores e mercados, j\u00e1 tenho isso tudo, naturalmente. N\u00e3o \u00e9 um dilema.<br \/><strong>CMP:<\/strong> Antes n\u00e3o tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o, comprava coisas banais no supermercado. E hoje em dia, acho que faz parte da rotina. J\u00e1 sabemos que compramos as coisas no Mios\u00f3tis, que j\u00e1 tem essa sele\u00e7\u00e3o \u00f3tima de produtos.<br \/><strong>DN:<\/strong> No Mios\u00f3tis e no Celeiro \u2013 sendo que \u00e9 por esta ordem \u2013 compro coisas mais transformadas. Depois temos o Mercado do Pr\u00edncipe Real, que est\u00e1 muito perto de c\u00e1, onde j\u00e1 vou h\u00e1 muitos anos, tamb\u00e9m para os restaurantes, e onde tenho rela\u00e7\u00f5es com algumas pessoas que vendem, estabelecidas j\u00e1 h\u00e1 muitos anos. Mas tamb\u00e9m compro profissionalmente, mando e-mails, encomendo coisas. \u00c9 toda uma din\u00e2mica que se cruza, n\u00e3o \u00e9? Eu sou profissional de cozinha. \u00c0s vezes, quando compro para os eventos e projetos, tamb\u00e9m compro aqui para casa. Quando compramos prote\u00edna animal, comemos, maioritariamente, peixe. Depois, quando comemos carne, compramos \u00e0s Manas (Talho das Manas) e a\u00ed compramos cabazes maiores e alguma coisa congelada, que nos permite tamb\u00e9m ter essa gest\u00e3o di\u00e1ria em casa um bocadinho diferente.<\/p>\n<p><strong>E as meninas gostam?\u00a0<\/strong><br \/><strong>DN:<\/strong> As nossas filhas adoram. A filha da Carlota, quando come\u00e7\u00e1mos a viver juntos, tamb\u00e9m come\u00e7ou a ser introduzida nesta dieta.<br \/><strong>CMP:<\/strong> Estava a almo\u00e7ar comigo no outro dia e eu comi umas batatas e ela disse: \u2018m\u00e3e, apetece-me uns br\u00f3colos\u2019 (risos).<br \/><strong>DN:<\/strong> No fim de semana, tivemos um evento na sexta-feira e h\u00e1 sempre uma coisa ou outra que sobra. O jantar de s\u00e1bado, com amigos, foi uma massa fresca que fui comprar aqui ao restaurante italiano, que fazem massa fresca e vendem para fora, com uma bisque de carabineira. As nossas filhas tamb\u00e9m j\u00e1 sabem o que \u00e9 bom. Desde que a minha filha nasceu, fa\u00e7o quest\u00e3o de dar a maior variedade poss\u00edvel. Ou seja, frutos secos, leguminosa, os gr\u00e3os, os vegetais todos. Come imensos fermentados, misos, massas fermentadas. Tudo aquilo que \u00e9 do meu universo culin\u00e1rio e da minha proposta. \u00c0s vezes percebo que s\u00e3o coisas que se calhar t\u00eam demasiada complexidade. Mas depois tamb\u00e9m se v\u00ea que elas querem l\u00e1 voltar. E lambem-se, j\u00e1 sabem, perguntam, dizem: \u2018eu quero isto e n\u00e3o quero aquilo\u2019.<\/p>\n<p><strong>E participam na cozinha?<\/strong><br \/><strong>CMP:<\/strong> N\u00f3s fazemos quest\u00e3o de puxar por elas. E elas adoram fazer parte, ajudar, sentem-se super capazes depois.<br \/><strong>DN:<\/strong> Acho que esse \u00e9 o gosto tamb\u00e9m da nossa vida familiar em casa. \u00c9 perceber que as nossas filhas tamb\u00e9m se envolvem nesses processos todos. De uma forma muito natural, o que para um pai \u00e9 super gratificante. Perceber que realmente h\u00e1 aqui uma din\u00e2mica familiar em casa que \u00e9 a nossa. E que \u00e9 a nossa vida, a nossa forma de estar. E perceber que os nossos filhos se integram nisso de uma forma super natural e org\u00e2nica. N\u00f3s acreditamos que estamos a dar o melhor aos nossos filhos.<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou o interesse do Diogo pela cozinha?<\/strong><br \/><strong>DN:<\/strong> H\u00e1 imensas formas de entrar a cozinhar. Mas pelo menos num contexto mais portugu\u00eas, porque \u00e0s vezes os meus colegas de profiss\u00e3o v\u00eam de um registo tradicional e de mem\u00f3rias mais ligadas \u00e0 fam\u00edlia e tudo isso. Que eu tamb\u00e9m tenho, obviamente. Mas, para mim, um momento chave de ter come\u00e7ado a cozinhar realmente tem a ver com uma mudan\u00e7a que eu fiz na minha alimenta\u00e7\u00e3o e na minha dieta aos 17 anos. Os meus primeiros livros de cozinha s\u00e3o todos livros macrobi\u00f3ticos e vegetarianos. Tornei-me vegano com essa idade, muito ligado \u00e0 macrobi\u00f3tica. E como tenho uma fam\u00edlia grande\u2026 Cheguei \u00e0 casa e os meus pais disseram: \u2018desenrasca-te\u2019.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 de onde vem tamb\u00e9m as experimenta\u00e7\u00f5es com a fermenta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/><strong>DN:<\/strong> Sim. Como estava muito focado nisso, entrei muito a fundo nessa cultura, de base vegetal. E tamb\u00e9m, na altura, h\u00e1 20 e tal anos, era um veganismo que, se calhar, n\u00e3o era t\u00e3o comercial, digamos assim, como \u00e9 o atual. N\u00e3o havia tanta abertura, tantas op\u00e7\u00f5es de dietas. Obviamente que entrando pela macrobi\u00f3tica e por uma cozinha mais de base ou de raiz asi\u00e1tica, japonesa e por a\u00ed fora, que \u00e9 onde se iniciou o movimento macrobi\u00f3tico, naturalmente, e talvez de uma forma n\u00e3o t\u00e3o consciente, o tema da fermenta\u00e7\u00e3o sempre me acompanhou e sempre esteve presente. Sendo que nos \u00faltimos seis ou sete anos comecei a entrar mais nesta explora\u00e7\u00e3o. O tema da fermenta\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhoso. Exige algumas condi\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes as cozinhas t\u00eam ou n\u00e3o t\u00eam. Em termos de temperatura, higiene, porque depois h\u00e1 um risco de alguma contamina\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 mais forte e robusto do que as pessoas pensam. \u00c0s vezes, quando entram no universo da fermenta\u00e7\u00e3o, as pessoas acham que isto \u00e9 tudo muito sens\u00edvel. Isto n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o sens\u00edvel. S\u00e3o bact\u00e9rias, fungos, s\u00e3o todas essas coisas que est\u00e3o vivas e temos que lhes dar as condi\u00e7\u00f5es para estarem saud\u00e1veis e para n\u00e3o desenvolver outro tipo de bact\u00e9rias e de fungos e por a\u00ed fora. Isto (aponta para um frasco) esteve ali na nossa cozinha com os tamarilhos durante, sei l\u00e1, meses. E eu no outro dia, pensei: ok est\u00e1 na altura de filtrar isto e meter no frio. Mas n\u00e3o foi pasteurizado. E agora est\u00e1 ali no frio e eu olho para isto: o que \u00e9 que eu vou fazer? Vou fazer um vinagre. E fa\u00e7o. \u00c9 um bocado esta a minha rela\u00e7\u00e3o com alguns ingredientes e com alguns condimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como \u00e9 a vossa gest\u00e3o familiar neste sentido, considerando que ambos t\u00eam trabalhos muito din\u00e2micos e os dois&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72629,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,4533,2547,114,115,186,170,1079,32,33],"class_list":{"0":"post-72628","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-comida","10":"tag-decorau00e7u00e3o","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-lifestyle","14":"tag-livros","15":"tag-moda","16":"tag-portugal","17":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72628\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}