{"id":73348,"date":"2025-09-16T04:14:16","date_gmt":"2025-09-16T04:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/73348\/"},"modified":"2025-09-16T04:14:16","modified_gmt":"2025-09-16T04:14:16","slug":"virus-se-esconde-dentro-de-fungo-para-ficar-mais-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/73348\/","title":{"rendered":"V\u00edrus se esconde dentro de fungo para ficar mais perigoso"},"content":{"rendered":"<p>Um fungo classificado como uma preocupa\u00e7\u00e3o \u201ccr\u00edtica\u201d pela <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/cancer-de-mama-oms-preve-aumento-global-de-casos-e-mortes-ate-2050.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a> pode possuir um aliado inesperado: um v\u00edrus que se encontra dentro dele. Um estudo recente sugere que direcionar o tratamento para este v\u00edrus poderia representar uma nova abordagem para combater infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas perigosas em humanos.<\/p>\n<p>Conhecido como A. fumigatus Polymycovirus-1 (AfuPmV-1M), o v\u00edrus j\u00e1 era identificado antes desta pesquisa, mas agora foi descoberto que ele oferece ao fungo Aspergillus fumigatus diversas vantagens significativas para a sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O A. fumigatus pode infectar indiv\u00edduos que inalarem suas esporas, resultando em infec\u00e7\u00f5es pulmonares agudas ou cr\u00f4nicas, ou at\u00e9 mesmo em uma doen\u00e7a \u201cinvasiva\u201d que se espalha al\u00e9m dos <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/primeiro-transplante-de-pulmoes-incompativeis-e-feito-na-espanha.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">pulm\u00f5es<\/a>. Embora muitas pessoas inalem esporas de Aspergillus diariamente, geralmente apenas aqueles com sistema imunol\u00f3gico comprometido desenvolvem doen\u00e7as graves. <strong>Marina Campos Rocha<\/strong>, autora principal do estudo e pesquisadora p\u00f3s-doutoral da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, explicou que pacientes com doen\u00e7as pulmonares tamb\u00e9m est\u00e3o em risco.<\/p>\n<p>Estima-se que o fungo seja respons\u00e1vel por aproximadamente 2,1 milh\u00f5es de casos de aspergilose invasiva e 1,8 milh\u00e3o de casos de infec\u00e7\u00f5es pulmonares cr\u00f4nicas anualmente, dentre os 6,55 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas registradas mundialmente a cada ano. A taxa de mortalidade das infec\u00e7\u00f5es invasivas varia entre 30% e 80% ao redor do mundo.<\/p>\n<p> Investiga\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>No estudo rec\u00e9m-publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41564-025-02096-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Nature Microbiology<\/a>, cientistas investigaram <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/estudo-com-camundongos-com-cerebros-hibridos-promove-avancos-cientificos.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">camundongos<\/a> infectados com A. fumigatus, que por sua vez estava infectado pelo v\u00edrus AfuPmV-1M, em um cen\u00e1rio descrito por <strong>Rocha<\/strong> como uma situa\u00e7\u00e3o de \u201cboneca russa\u201d. O fungo utilizado foi isolado originalmente dos pulm\u00f5es de um paciente falecido devido \u00e0 aspergilose.<\/p>\n<p>A pesquisa demonstrou que a administra\u00e7\u00e3o de medicamentos antivirais nos camundongos resultou em uma taxa de sobreviv\u00eancia aumentada, menor carga f\u00fangica nos pulm\u00f5es e n\u00edveis reduzidos do v\u00edrus em compara\u00e7\u00e3o aos camundongos que n\u00e3o receberam o tratamento.<\/p>\n<p>Em outras palavras, ao focar exclusivamente no v\u00edrus, os pesquisadores conseguiram diminuir a carga da infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica nos camundongos. Essa conclus\u00e3o contrasta com resultados de um estudo anterior publicado em 2020, que indicava que tratar o v\u00edrus poderia agravar a infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica. <strong>Rocha<\/strong> mencionou que as diferen\u00e7as podem ser atribu\u00eddas a v\u00e1rias raz\u00f5es, incluindo as metodologias distintas empregadas pelas equipes de pesquisa para eliminar as cepas f\u00fangicas do v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Norman van Rhijn<\/strong>, pesquisador do Manchester Fungal Infection Group e que n\u00e3o participou do estudo, elogiou as descobertas feitas por <strong>Rocha<\/strong> e sua equipe como sendo inovadoras. \u201cIsso representa um avan\u00e7o significativo na compreens\u00e3o da capacidade de virul\u00eancia deste fungo e tem potencial para ampliar esses achados em outros pat\u00f3genos humanos\u201d, comentou van <strong>Rhijn<\/strong>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram ainda que os fungos expostos aos antivirais apresentaram uma reprodu\u00e7\u00e3o menos eficaz e uma produ\u00e7\u00e3o reduzida de melanina; essa subst\u00e2ncia \u00e9 conhecida por aumentar a virul\u00eancia e a capacidade dos fungos patog\u00eanicos de sobreviverem em ambientes hostis.<\/p>\n<p>O v\u00edrus em quest\u00e3o n\u00e3o causa danos a camundongos ou humanos, pois depende de receptores e prote\u00ednas espec\u00edficos para se ligar, os quais est\u00e3o ausentes nos mam\u00edferos, segundo <strong>Rocha<\/strong>. Cada v\u00edrus que infecta fungos tende a ser espec\u00edfico a uma \u00fanica esp\u00e9cie f\u00fangica.<\/p>\n<p> Explica\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p><strong>Rocha<\/strong> explica: \u201cNo caso deste v\u00edrus, ele s\u00f3 pode infectar Aspergillus fumigatus; n\u00e3o \u00e9 capaz de afetar outros fungos\u201d. Os pesquisadores acreditam que o v\u00edrus auxilia na sobreviv\u00eancia do fungo ao regular processos relacionados \u00e0 s\u00edntese de RNA, uma mol\u00e9cula gen\u00e9tica envolvida na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas. O v\u00edrus melhora as respostas ao estresse e a s\u00edntese proteica do fungo, facilitando sua resist\u00eancia em condi\u00e7\u00f5es adversas. Al\u00e9m disso, as c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas humanas t\u00eam mais dificuldade em eliminar cepas do fungo infectadas pelo v\u00edrus em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s cepas n\u00e3o infectadas.<\/p>\n<p>Os autores do estudo sugerem que se os antivirais utilizados nos camundongos se mostrarem eficazes tamb\u00e9m em humanos, terapias futuras poder\u00e3o empregar esses medicamentos para debilitar o fungo o suficiente para que o sistema imunol\u00f3gico ou antif\u00fangicos consigam elimin\u00e1-lo do organismo.<\/p>\n<p>Ainda assim, segundo o \u2018Live Science\u2019, <strong>Rocha<\/strong> suspeita que outros pat\u00f3genos f\u00fangicos que afetam humanos possam estar igualmente infectados com v\u00edrus semelhantes que aumentam sua resili\u00eancia. Juntamente com seus colegas, ela est\u00e1 investigando os mecanismos de infec\u00e7\u00e3o envolvidos tanto em fungos infectados quanto n\u00e3o infectados.<\/p>\n<p>\u201cNosso artigo representa apenas o primeiro passo dessa investiga\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu <strong>Rocha<\/strong>. \u201cNosso objetivo mais amplo \u00e9 fornecer uma explica\u00e7\u00e3o mais abrangente sobre como esse processo ocorre em n\u00edvel molecular\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um fungo classificado como uma preocupa\u00e7\u00e3o \u201ccr\u00edtica\u201d pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) pode possuir um aliado inesperado:&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73349,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[109,19396,116,1464,13,16401,32,33,117,16946,1893],"class_list":{"0":"post-73348","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-ciencia","9":"tag-fungo","10":"tag-health","11":"tag-infeccoes","12":"tag-noticias","13":"tag-perigo","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-saude","17":"tag-tratamentos","18":"tag-virus"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}