{"id":73852,"date":"2025-09-16T14:08:10","date_gmt":"2025-09-16T14:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/73852\/"},"modified":"2025-09-16T14:08:10","modified_gmt":"2025-09-16T14:08:10","slug":"adocantes-podem-afetar-a-memoria-estudo-da-usp-revela-riscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/73852\/","title":{"rendered":"Ado\u00e7antes podem afetar a mem\u00f3ria? Estudo da USP revela riscos"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, preocupar-se com a sa\u00fade se tornou algo mais presente na vida das pessoas, especialmente ap\u00f3s a pandemia da Covid-19. Entre as preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e1 o consumo elevado de a\u00e7\u00facar, o que est\u00e1 relacionado ao risco de diabetes e obesidade. Como alternativa, um velho conhecido, o ado\u00e7ante artificial, tem tomado o lugar do produto \u00e0 base de cana em diversas ocasi\u00f5es. No entanto, pesquisas recentes alertam sobre o consumo prolongado desse tipo de item. O que seria a solu\u00e7\u00e3o para os riscos do descontrole glic\u00eamico pode ser prejudicial em outros pontos no organismo.\u00a0<\/p>\n<p>Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) sugere que o uso prolongado de ado\u00e7antes artificiais pode estar ligado ao decl\u00ednio cognitivo. A pesquisa, publicada na revista cient\u00edfica Neurology, acompanhou mais de 12 mil pessoas por oito anos, trazendo resultados sobre os poss\u00edveis efeitos, a longo prazo, desses substitutos do a\u00e7\u00facar na sa\u00fade do c\u00e9rebro.\u00a0<\/p>\n<p>Durante o estudo, foi encontrada uma associa\u00e7\u00e3o entre maior consumo dos ado\u00e7antes aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, sorbitol e xilitol a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido na cogni\u00e7\u00e3o global, prejudicando a mem\u00f3ria e a flu\u00eancia verbal. Os participantes que consumiram mais ado\u00e7antes em geral apresentaram uma taxa 62% maior de decl\u00ednio cognitivo global em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles com consumo mais baixo.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o do uso de ado\u00e7antes com o decl\u00ednio cognitivo \u00e9 apontada pelo estudo como resultado da neurotoxicidade e neuroinflama\u00e7\u00e3o provocadas por metab\u00f3litos (produtos resultantes da degrada\u00e7\u00e3o) dos ado\u00e7antes artificiais no intestino. Diversos estudos associam a sa\u00fade do intestino \u00e0 sa\u00fade do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Estudar alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil<\/p>\n<p>A pesquisa, por\u00e9m, apresenta algumas limita\u00e7\u00f5es, e especialistas indicam que faltam estudos mais contundentes na \u00e1rea. Eles pontuam, no entanto, que n\u00e3o se pode descartar a sua relev\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, estudar efeitos da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente dif\u00edcil, porque os m\u00e9todos s\u00e3o limitados.<\/p>\n<p>O estudo da USP utiliza, por exemplo, o autorrelato para captar informa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, os pr\u00f3prios pesquisadores mencionam a impossibilidade de descartar todos os fatores de confus\u00e3o residuais, como h\u00e1bitos simult\u00e2neos que afetam a sa\u00fade ou mudan\u00e7as na dieta ao longo do tempo. A pesquisa tamb\u00e9m n\u00e3o considerou a sucralose. Os estudos come\u00e7aram em 2008, quando esse ado\u00e7ante ainda n\u00e3o tinha se popularizado no Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>A pesquisadora Marcelle Saldanha explica que esses limitadores n\u00e3o inviabilizam a pesquisa pela complexidade que \u00e9 o estudo alimentar. \u201cO padr\u00e3o ouro seria uma pesagem de alimento e um di\u00e1rio alimentar, s\u00f3 que isso \u00e9 invi\u00e1vel na pr\u00e1tica. Fazer isso em uma pesquisa t\u00e3o grande, com 12 mil pessoas, \u00e9 totalmente invi\u00e1vel. Ent\u00e3o, embora haja esse limitador, isso n\u00e3o descredibiliza o que \u00e9 achado, porque \u00e9 o caminho que se tem feito de estudo, \u00e9 o que a gente tem em m\u00e3os para estudar\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Marcelle \u00e9 doutoranda do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Cient\u00edficas Aplicadas da Sa\u00fade do Adulto da UFMG e estuda atualmente a associa\u00e7\u00e3o de ultraprocessados em indiv\u00edduos com decl\u00ednio cognitivo. Em suas pesquisas, ela observa que as bebidas ultraprocessadas ado\u00e7adas &#8211; seja com ado\u00e7antes ou a\u00e7\u00facar &#8211; s\u00e3o as que t\u00eam mais impacto nessa associa\u00e7\u00e3o. Isso porque, dentro desse universo, s\u00e3o os produtos mais consumidos pela popula\u00e7\u00e3o. \u201cEm alguns estudos, a carne ultraprocessada, por exemplo, associou, em outros n\u00e3o. J\u00e1 a bebida ado\u00e7ada sempre esteve associada (ao decl\u00ednio cognitivo)\u201d, diz. Ela pondera, por\u00e9m, que o problema pode estar n\u00e3o apenas nas formas de ado\u00e7ar a bebida, mas tamb\u00e9m em outros ingredientes.<\/p>\n<p>A geriatra e professora Cl\u00e1udia Caciquinho, mestre em Ci\u00eancias da Sa\u00fade pela UFMG, acrescenta que o estudo da USP acende alerta para o consumo, por exemplo, de refrigerantes \u201czero\u201d &#8211; eles viraram \u201cfebre\u201d entre pessoas que fazem algum tipo de dieta. \u201cPor exemplo, uma lata de refrigerante zero. Se eu uso v\u00e1rias, com muita frequ\u00eancia, eu estou mais exposto ao uso de ado\u00e7antes. Ent\u00e3o \u00e9 preciso saber isso, eu tenho que evitar o uso muito longo e em doses altas\u201d, comenta.<\/p>\n<p>OMS desaconselha uso de ado\u00e7antes com objetivo de emagrecimento<\/p>\n<p>Uma diretriz recente da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sobre os ado\u00e7antes n\u00e3o-a\u00e7\u00facar (AINEs, na sigla em ingl\u00eas) recomenda n\u00e3o us\u00e1-los para controlar o peso corporal ou reduzir o risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis. De acordo com a OMS, estudos sugerem que o uso prolongado de ado\u00e7antes artificiais pode estar associado ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doen\u00e7as cardiovasculares e mortalidade em adultos. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o pessoas que j\u00e1 possuem diabetes, cuja recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizar os ado\u00e7antes como alternativa ao a\u00e7\u00facar convencional.\u00a0<\/p>\n<p>A m\u00e9dica geriatra da Sa\u00fade no Lar, Simone de Paula Pessoa Lima, explica que h\u00e1 um consenso entre especialistas e \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade de que o uso de ado\u00e7antes deve ser moderado. \u201cIsso se baseia na ideia de que, embora sejam considerados seguros, seu consumo excessivo pode trazer potenciais riscos, inclusive os que ainda est\u00e3o sendo investigados, como altera\u00e7\u00f5es no metabolismo intestinal, na resposta glic\u00eamica e, conforme o estudo mencionado, poss\u00edveis impactos na sa\u00fade cognitiva\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ela acrescenta que o consumo de ado\u00e7antes deve estar orientado por uma necessidade espec\u00edfica (como \u00e9 o caso da diabetes) e ser acompanhado por profissionais, como m\u00e9dicos e nutricionistas. Al\u00e9m disso, caso o paciente queira diminuir a frequ\u00eancia de consumo dos ado\u00e7antes artificiais, h\u00e1 alternativas, mesmo para pessoas com diabetes, como a est\u00e9via e o eritritol. \u201cA est\u00e9via \u00e9 extra\u00edda de uma planta e n\u00e3o tem impacto na glicemia, enquanto o eritritol \u00e9 um poli\u00f3l que tamb\u00e9m n\u00e3o altera os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue e \u00e9 bem tolerado na maioria dos casos\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cAmbas as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o frequentemente indicadas por nutricionistas como alternativas vi\u00e1veis e seguras. \u00c9 crucial que a escolha do melhor ado\u00e7ante seja feita de forma individualizada, levando em considera\u00e7\u00e3o o perfil metab\u00f3lico, eventuais comorbidades e as prefer\u00eancias do paciente\u201d, pondera Simone.<\/p>\n<p>Diabetes j\u00e1 causa decl\u00ednio mental<\/p>\n<p>Um dos pontos a se observar nessa discuss\u00e3o &#8211; e tamb\u00e9m relacionada \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do estudo da USP &#8211; \u00a0\u00e9 que a diabetes, por si s\u00f3, \u00e9 apontada como um fator relacionado ao decl\u00ednio cognitivo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTemos v\u00e1rios estudos mostrando que a obesidade e a diabetes, por si s\u00f3, j\u00e1 aumentam o decl\u00ednio cognitivo e a incid\u00eancia de dem\u00eancias, como Alzheimer\u201d, pontua Ana Bonassa, p\u00f3s-doutora em metabolismo energ\u00e9tico pela USP, em v\u00eddeo publicado pelo canal Nunca Vi 1 Cientista. Nas redes sociais, a influencer rebate o estudo da USP. \u201cUm estudo que acompanha pessoas que j\u00e1 usam ado\u00e7antes n\u00e3o pode falar que ado\u00e7antes causam decl\u00ednio cognitivo. Ele pode levantar para a gente essas quest\u00f5es, que precisam ser investigadas em estudos que s\u00e3o desenhados para responder essas quest\u00f5es\u201d, indica.\u00a0<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Caciquinho tamb\u00e9m sinaliza aten\u00e7\u00e3o a esse ponto. \u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diabetes, esse \u00e9 um fator de confus\u00e3o, porque a diabetes em si j\u00e1 predisp\u00f5e a ter dem\u00eancia. E quem tem diabetes \u00e9 orientado a n\u00e3o usar a\u00e7\u00facar, ent\u00e3o, usa mais ado\u00e7ante por um per\u00edodo mais longo na vida\u201d, diz. \u201cO estudo n\u00e3o pode afirmar com certeza, com rela\u00e7\u00e3o a quem tem diabetes, qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da diabetes\u201d, pontua.<\/p>\n<p>\u201cDe qualquer forma, mais estudos precisam sempre ser feitos para voc\u00ea determinar que uma coisa faz mal e precisa ser proibida. Mas esses j\u00e1 s\u00e3o ind\u00edcios que a gente precisa estar atento, principalmente ao uso em maior quantidade por tempos mais prolongados\u201d, pondera Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nos \u00faltimos anos, preocupar-se com a sa\u00fade se tornou algo mais presente na vida das pessoas, especialmente ap\u00f3s&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73853,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[17128,11492,19458,116,32,33,117,19457],"class_list":{"0":"post-73852","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-adocantes","9":"tag-declinio-cognitivo","10":"tag-estudo-da-usp","11":"tag-health","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude","15":"tag-saude-do-cerebro"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}