{"id":74130,"date":"2025-09-16T18:24:12","date_gmt":"2025-09-16T18:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/74130\/"},"modified":"2025-09-16T18:24:12","modified_gmt":"2025-09-16T18:24:12","slug":"botanico-jorge-paiva-reune-em-livro-100-plantas-da-obra-de-camoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/74130\/","title":{"rendered":"Bot\u00e2nico Jorge Paiva re\u00fane em livro 100 plantas da obra de Cam\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00eds de Cam\u00f5es estudou primeiro em Coimbra, de cuja Universidade Jorge Paiva \u00e9 professor jubilado, antes de partir para Norte de \u00c1frica, Ilha de Mo\u00e7ambique, Goa e Macau, per\u00edodo que parcialmente coincide com a saga dos navegadores portugueses, algumas d\u00e9cadas depois de a armada de Vasco da Gama chegar \u00e0 \u00cdndia, em 1498.<\/p>\n<p>&#8220;Como &#8216;Os Lus\u00edadas&#8217; foram escritos, quase na sua totalidade, no Oriente e centrados nos Descobrimentos, grande parte das plantas referidas neste poema s\u00e3o asi\u00e1ticas, particularmente especiarias e medicinais&#8221;, explica o cientista, que completa 92 anos na quarta-feira.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, o livro &#8216;As plantas na obra po\u00e9tica de Cam\u00f5es&#8217;, resultado de uma investiga\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios anos, &#8220;vai ser disponibilizado em acesso aberto no &#8216;site&#8217; da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC)&#8221;, disse hoje \u00e0 ag\u00eancia Lusa a diretora da institui\u00e7\u00e3o, Carlota Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>No estudo, com 166 p\u00e1ginas, o bi\u00f3logo afirma, por outro lado, que na l\u00edrica de Cam\u00f5es, &#8220;maioritariamente escrita em Portugal e centrada no amor e paix\u00e3o, as plantas referidas s\u00e3o, quase na totalidade, europeias, mediterr\u00e2nicas e, geralmente, utilizadas pelos poetas desde a Antiguidade Cl\u00e1ssica&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas expedi\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas em que participei [um pouco por todo o mundo] coincidiram com algumas das regi\u00f5es por onde Cam\u00f5es andou ou alude nos seus poemas&#8221;, esclarece.<\/p>\n<p>Estando a decorrer as comemora\u00e7\u00f5es oficiais dos 500 anos do nascimento do criador de &#8216;Os Lus\u00edadas&#8217;, que tem como comiss\u00e1rio o camonista Jos\u00e9 Augusto Bernardes, da Universidade de Coimbra, a edi\u00e7\u00e3o do trabalho de Jorge Paiva est\u00e1 prevista no programa desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca em que Cam\u00f5es viveu, as plantas mais conhecidas e citadas na literatura eram mais as plantas medicinais do que as alimentares e, na poesia, as ornamentais ou com relev\u00e2ncia mitol\u00f3gica&#8221;, escreve.<\/p>\n<p>Em &#8216;Os Lus\u00edadas&#8217;, segundo o ambientalista, s\u00e3o referidas cerca de 60 plantas, &#8220;muitas asi\u00e1ticas e arom\u00e1ticas&#8221;, ao passo que na obra l\u00edrica surgem &#8220;muito menos esp\u00e9cies&#8221;, \u00e0 volta de 40, sobretudo &#8220;europeias, campestres ou ornamentais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Cam\u00f5es conhecia bem as plantas medicinais asi\u00e1ticas utilizadas por Garcia de Orta, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da leitura dos &#8216;Col\u00f3quios [dos Simples e Drogas da \u00cdndia&#8217;], como tamb\u00e9m por as observar vivas na natureza. Al\u00e9m disso, (&#8230;) conhecia certamente o horto de Garcia de Orta, em Goa&#8221;, admite.<\/p>\n<p>O investigador, nascido em Angola, em 1933, adianta que, &#8220;durante a sua estada na \u00c1sia, particularmente em Goa, Cam\u00f5es, al\u00e9m dos conhecimentos bot\u00e2nicos e de fitoterapia conseguidos atrav\u00e9s do conv\u00edvio com Garcia de Orta, seguramente teve oportunidade de conv\u00edvios culturais com portugueses ilustres e cultos&#8221; que na altura residiam na col\u00f3nia, anexada pela Uni\u00e3o Indiana, em 1961.<\/p>\n<p>Em &#8216;As plantas na obra po\u00e9tica de Cam\u00f5es&#8217;, Jorge Paiva tamb\u00e9m interpreta refer\u00eancias a \u00e1rvores, ervas e flores origin\u00e1rias de terras que o poeta-soldado nunca visitou, como o Brasil e Timor.<\/p>\n<p>&#8220;Os portugueses quando viram o pau vermelho asi\u00e1tico, chamaram-lhe tamb\u00e9m pau-brasil, mas trata-se da madeira de uma \u00e1rvore das florestas tropicais da \u00c1sia Oriental&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Para Carlota Sim\u00f5es, Jorge Paiva &#8220;re\u00fane v\u00e1rias caracter\u00edsticas que o tornam uma figura \u00edmpar na ci\u00eancia portuguesa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m da sua longevidade e bem conhecida vitalidade, tem um conhecimento profundo (&#8230;) na \u00e1rea da bot\u00e2nica, a que se junta uma invulgar disponibilidade em colaborar com colegas de \u00e1reas muito distintas&#8221;, disse \u00e0 Lusa a diretora da IUC.<\/p>\n<p>No poema \u00e9pico, Cam\u00f5es &#8220;idealizou uma ilha coberta de floresta, com lagos, rios e formosos outeiros&#8221; &#8211; a Ilha dos Amores &#8211; para cantar &#8220;um encontro id\u00edlico entre a tripula\u00e7\u00e3o capitaneada por Vasco da Gama e deusas da mitologia grega&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esteve n\u00e3o s\u00f3 em ilhas do oceano \u00cdndico como, tamb\u00e9m, em algumas ilhas tropicais asi\u00e1ticas do oceano Pac\u00edfico, cobertas de floresta tropical h\u00famida&#8221;, relaciona Jorge Paiva.<\/p>\n<p>Cam\u00f5es passou ainda pelas ilhas atl\u00e2nticas Terceira, Santa Helena e Trist\u00e3o da Cunha, al\u00e9m de outras no \u00cdndico, como a ilha de Mo\u00e7ambique, evidencia.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/cultura\/2854037\/o-agente-secreto-e-o-candidato-do-brasil-a-melhor-filme-internacional\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">&#8216;O Agente Secreto&#8217; \u00e9 o candidato do Brasil a Melhor Filme Internacional<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lu\u00eds de Cam\u00f5es estudou primeiro em Coimbra, de cuja Universidade Jorge Paiva \u00e9 professor jubilado, antes de partir&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":74131,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-74130","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}