{"id":7520,"date":"2025-07-29T19:42:20","date_gmt":"2025-07-29T19:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/7520\/"},"modified":"2025-07-29T19:42:20","modified_gmt":"2025-07-29T19:42:20","slug":"o-sisao-do-quirguistao-pode-ajudar-os-nossos-espera-se-que-sim-conservacao-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/7520\/","title":{"rendered":"O sis\u00e3o do Quirguist\u00e3o pode ajudar os nossos? Espera-se que sim | Conserva\u00e7\u00e3o da natureza"},"content":{"rendered":"<p>Dois investigadores portugueses passaram duas semanas no Quirguist\u00e3o, a ajudar equipas locais a marcar sis\u00f5es (Tetrax tetrax). N\u00e3o foi tarefa f\u00e1cil, mas duas aves t\u00eam agora pequenos equipamentos de GPS que poder\u00e3o ajudar a perceber mais sobre esta esp\u00e9cie que est\u00e1 a recuperar a Oriente, enquanto por c\u00e1 continua extremamente amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Foram precisos v\u00e1rios dias para que duas destas aves estep\u00e1rias se tornassem as primeiras da esp\u00e9cie a receber um equipamento GPS fora da Europa Ocidental. \u201cConseguimos marcar dois indiv\u00edduos, que era o nosso objectivo m\u00ednimo. Mas diria que, mais importante do que esta primeira experi\u00eancia, foi conhecermos o sistema, bem como as equipas locais. Estamos preparados para voltar e fazer mais capturas\u201d, diz o investigador Jo\u00e3o Paulo Silva, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Recursos Gen\u00e9ticos da Universidade do Porto (Biopolis-Cibio), que, com o colega Carlos Pacheco, participou nesta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es fortes para os portugueses terem sido chamados a dar uma ajuda aos colegas do Quirguist\u00e3o. A Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica j\u00e1 foi o local com a maior popula\u00e7\u00e3o de sis\u00e3o, antes de as profundas altera\u00e7\u00f5es na paisagem e na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/09\/06\/azul\/noticia\/abandono-cultivo-cereais-portugal-poe-risco-aguiacacadeira-2103205\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/a> terem provocado um enorme decl\u00ednio na sua presen\u00e7a. Em Portugal, o mais recente estudo da esp\u00e9cie apontava para uma diminui\u00e7\u00e3o desta ave que est\u00e1, sobretudo, concentrada na Zona Especial de Protec\u00e7\u00e3o (ZEP) de Castro Verde, na ordem dos 77%, pela que a possibilidade de vir a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/06\/29\/azul\/noticia\/preparado-despedir-sisao-medidas-extincao-portugal-inevitavel-2054804\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">extinguir-se<\/a> \u00e9 mesmo admitida pelos investigadores.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O sis\u00e3o no Quirguist\u00e3o assumiu comportamentos diferentes do nosso, pelo que a sua captura se revelou mais dif\u00edcil do que o previsto&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Foi esta hist\u00f3rica import\u00e2ncia do sis\u00e3o na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, e o facto de a esp\u00e9cie ser estudada por c\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos, que esteve na origem desta primeira colabora\u00e7\u00e3o. \u201cTemos muita experi\u00eancia com captura e marca\u00e7\u00e3o de aves e esta associa\u00e7\u00e3o do Quirguist\u00e3o, a Ornithologia, n\u00e3o tem essa experi\u00eancia. Eles come\u00e7aram a trabalhar com o sis\u00e3o h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, a fazer censos da esp\u00e9cie o que permitiu conhecer melhor a realidade do pa\u00eds\u201d, explica Jo\u00e3o Paulo Silva.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 que os sis\u00f5es do Quirguist\u00e3o podem fazer pelos portugueses? Espera-se que muita coisa explica o investigador portugu\u00eas. \u201cA popula\u00e7\u00e3o do sis\u00e3o, neste momento, est\u00e1 completamente fragmentada. H\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o a Ocidente, sobretudo em Portugal e Espanha, e um pouco em Fran\u00e7a, al\u00e9m da Sardenha, em It\u00e1lia. Depois temos um grande buraco e s\u00f3 se come\u00e7a a ver o sis\u00e3o de novo no Cazaquist\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cAs nossas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/01\/18\/azul\/noticia\/portugal-enfrenta-crise-biodiversidade-aves-meios-agricolas-alertam-cientistas-2077181\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">reduzidas<\/a>, muito amea\u00e7adas, mas com o desmantelamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aumentaram significativamente naquela regi\u00e3o e neste momento \u00e9 sobretudo na \u00c1sia Central que se concentram. E nestas popula\u00e7\u00f5es mais est\u00e1veis podemos compreender aspectos da biologia da esp\u00e9cie num contexto mais bem conservado. Isto pode ajudar-nos a identificar como \u00e9 que devemos gerir esta esp\u00e9cie e que medidas t\u00eam de ser implementadas.\u201d<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Mais f\u00eameas dispon\u00edveis<\/p>\n<p>Para o investigador da Biopolis-Cibio, as f\u00eameas t\u00eam um interesse particular. \u201cAs nossas f\u00eameas t\u00eam uma produtividade muito baixa e na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica \u00e9 muito dif\u00edcil acompanh\u00e1-las. Ao longo destes \u00faltimos 20 anos, talvez se tenha conseguido estudar 20 a 30 f\u00eameas. Isto torna muit\u00edssimo complicado estudar a reprodu\u00e7\u00e3o, numa esp\u00e9cie como esta que \u00e9 muito secretiva. Numa popula\u00e7\u00e3o mais bem conservada isso torna-se mais f\u00e1cil\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Mas as expectativas desta colabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais vastas. Jo\u00e3o Paulo Silva salienta que popula\u00e7\u00f5es de sis\u00e3o do Quirguist\u00e3o s\u00e3o totalmente migradoras, ao contr\u00e1rio das nossas, e as duas semanas passadas na regi\u00e3o confrontaram-no com comportamentos diferentes dos registados nas popula\u00e7\u00f5es da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica \u2014 de tal maneira que os m\u00e9todos utilizados por c\u00e1 para capturar as aves e as marcar n\u00e3o funcionaram ali e foi preciso uma alternativa.<\/p>\n<p>Por isso, diz, h\u00e1 muita coisa a descobrir, a come\u00e7ar por uma pergunta \u00e0 qual ningu\u00e9m sabe ainda dar resposta: para onde vai o sis\u00e3o passar o Inverno quando abandona o Quirguist\u00e3o? \u201cA grande expectativa que temos \u00e9 saber para onde v\u00e3o migrar. Ningu\u00e9m sabe onde passam o Inverno. Pode ser o Azerbaij\u00e3o, o Ir\u00e3o, o Afeganist\u00e3o, a Turquia e h\u00e1 umas novas \u00e1reas de invernada no sul do Uzbequist\u00e3o. Temos uma s\u00e9rie de apostas sobre para onde \u00e9 que os bichos v\u00e3o, porque, de facto, n\u00e3o sabemos nada da sua ecologia migrat\u00f3ria\u201d, diz.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O habitat do sis\u00e3o no Quirguist\u00e3o ocorre num cen\u00e1rio bem diverso do que existe em Portugal&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Perceber mais coisas sobre estes parentes afastados do nosso sis\u00e3o vai implicar maior colabora\u00e7\u00e3o, mais visitas, mais marca\u00e7\u00f5es, mais tempo, porque apenas dois indiv\u00edduos com GPS \u00e9 muito pouco para estabelecer padr\u00f5es. Os equipamentos foram financiados pela Sociedade Ornitol\u00f3gica do M\u00e9dio Oriente, C\u00e1ucaso e \u00c1sia Central (\u200bOSME, na sigla em ingl\u00eas) e h\u00e1 a esperan\u00e7a de que o trabalho se prolongue no futuro.<\/p>\n<p>O sis\u00e3o foi dado como extinto no Quirguist\u00e3o at\u00e9 h\u00e1 cinco anos, supondo-se que teria deixado de se reproduzir no pa\u00eds desde a d\u00e9cada de 1970. O trabalho entretanto desenvolvido aponta para entre 1400 e 1900 casais a reproduzir-se no pa\u00eds, parte dos quais no vale de Chuny, onde os investigadores portugueses estiveram. Na origem da recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie estar\u00e3o mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas \u2014 tanto no tipo de agricultura praticado, menos intensivo, como nas culturas, com o regresso de plantas mais apetec\u00edveis para a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Apesar das boas not\u00edcias que chegam de Oriente, os receios de um retrocesso existem. Novas mudan\u00e7as na paisagem e nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas (nomeadamente o recurso a pesticidas), o aumento da ca\u00e7a furtiva (\u00e9 proibido ca\u00e7ar o sis\u00e3o no Quirguist\u00e3o, mas a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente) e as colis\u00f5es com postes el\u00e9ctricos ou pequenas aeronaves s\u00e3o alguns dos maiores riscos para a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Amea\u00e7as mais ou menos comuns, entre c\u00e1 e l\u00e1, com a nossa profunda desvantagem de termos uma popula\u00e7\u00e3o muito <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/15\/azul\/noticia\/agricultura-nao-competencia-salvar-sisao-portugal-2056900\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">amea\u00e7ada<\/a> e pela qual, desabafa Jo\u00e3o Paulo Silva, \u201cn\u00e3o se fez nada\u201d de novo que possa travar o seu decl\u00ednio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois investigadores portugueses passaram duas semanas no Quirguist\u00e3o, a ajudar equipas locais a marcar sis\u00f5es (Tetrax tetrax). 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