{"id":75709,"date":"2025-09-17T21:20:18","date_gmt":"2025-09-17T21:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/75709\/"},"modified":"2025-09-17T21:20:18","modified_gmt":"2025-09-17T21:20:18","slug":"critica-animais-perigosos-subverte-as-formulas-em-um-eficiente-thriller-de-sobrevivencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/75709\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | &#8216;Animais Perigosos&#8217; subverte as f\u00f3rmulas em um eficiente thriller de sobreviv\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Os mist\u00e9rios e os perigos que se escondem no oceano sempre foram alvo de estudo e inspira\u00e7\u00e3o na s\u00e9tima arte \u2013 e in\u00fameros realizadores j\u00e1 se aventuraram pelos sete mares, tendo como objeto principal de foco os amedrontadores tubar\u00f5es. <strong>Steven Spielberg<\/strong>, por exemplo, eternizou o terror <strong>\u2018Tubar\u00e3o\u2019<\/strong> como o primeiro blockbuster do cinema cinco d\u00e9cadas atr\u00e1s, enquanto <strong>Jaume Collet-Serra<\/strong> apostou fichas nas incurs\u00f5es dos thrillers de sobreviv\u00eancia com o \u00f3timo <strong>\u2018\u00c1guas Rasas\u2019<\/strong>. Agora, chegou a vez do diretor <strong>Sean Byrne<\/strong> nos convidar a navegar pelas obscuras \u00e1guas da costa australiana com o suspense <strong>\u2018Animais Perigosos\u2019<\/strong>, que chega aos cinemas nacionais <strong>amanh\u00e3, 18 de setembro<\/strong>.<\/p>\n<p>O longa parte de uma premissa bastante simples e que, em sua completude, cumpre com o que nos \u00e9 prometido: Tucker (<strong>Jai Courtney<\/strong>) administra um neg\u00f3cio popular e bem-sucedido que atrai turistas ao redor do mundo para mergulhar com tubar\u00f5es em uma experi\u00eancia \u00fanica e transformadora, colocando seus clientes frente a frente com um dos animais mais incompreendidos da natureza \u2013 como ele mesmo afirma. Por\u00e9m, ele esconde um segredo terr\u00edvel: por tr\u00e1s da charmosa e apraz\u00edvel fachada, Tucker \u00e9 um impiedoso assassino em s\u00e9rie que sequestra mulheres para servirem de \u201catra\u00e7\u00e3o principal\u201d de um show banhado a sangue e a carnificina. Munido de uma c\u00e2mera amadora, ele grava suas v\u00edtimas serem dilaceradas por essas feras marinhas e utiliza seu conhecimento sobre eles para garantir que nunca seja pego.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/animais-perigosos-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\"   class=\"no-lazy\"\/><\/p>\n<p>Uma dessas v\u00edtimas \u00e9 a jovem Zephyr (<strong>Hassie Harrison<\/strong>), uma jovem andarilha que vive em sua van e que \u00e9 apaixonada por surfe. Ap\u00f3s passar a noite com um agente imobili\u00e1rio chamado Moses (<strong>Josh Heuston<\/strong>), Zephyr cruza caminho com Tucker e \u00e9 capturada e levada at\u00e9 o barco de seu algoz. L\u00e1, ela conhece Heather (<strong>Ella Newton<\/strong>), uma outra prisioneira do serial killer, e percebe que tem poucas chances de sair com vida de l\u00e1 quando ele a for\u00e7a a assistir Heather ser brutalmente assassinada pelos vorazes predadores que rodeiam a embarca\u00e7\u00e3o. Determinada a fugir, ela usa seus instintos para mostrar que n\u00e3o ir\u00e1 se render aos s\u00e1dicos caprichos de Tucker e que far\u00e1 de tudo para garantir que ela tenha o que mere\u00e7a.<\/p>\n<p>Um dos aspectos que mais nos chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira como o embate entre o homem e a natureza promovido pelo filme subverte os tropos conhecidos de \u201cbem e mal\u201d e coloca o pr\u00f3prio ser humano como for\u00e7a-motriz de uma disputa que, na verdade, n\u00e3o existe. Byrne n\u00e3o \u00e9 nenhum estranho ao g\u00eanero e, desde sua estreia diretorial com o \u00f3timo <strong>\u2018Entes Queridos\u2019<\/strong>, mostrou ter uma paix\u00e3o inenarr\u00e1vel por abra\u00e7ar as f\u00f3rmulas do terror e de suas ramifica\u00e7\u00f5es para remodel\u00e1-las em enredos originais e inesperados. E, enquanto <strong>\u2018Animais Perigosos\u2019<\/strong> n\u00e3o chega ao alt\u00edssimo n\u00edvel de qualidade de seu d\u00e9but ou at\u00e9 mesmo de <strong>\u2018The Devil\u2019s Candy\u2019<\/strong>, ainda assim \u00e9 um eficiente e apraz\u00edvel thriller que nos fisga desde a cena de abertura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"777\" class=\"perfmatters-lazy\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/animais-perigosos.jpg\"  data-\/><\/p>\n<p>\u00c9 interessante ver como a figura do tubar\u00e3o se transforma em um \u201cbode expiat\u00f3ria\u201d, em um emblema da condi\u00e7\u00e3o humana em seu n\u00edvel mais puro de sadismo e de barb\u00e1rie. Claro, Tucker tem um passado traum\u00e1tico com esses imponentes animais, mas usa isso como justificativa para fazer o que faz, chegando a se comparar com a for\u00e7a dessas criaturas marinhas \u2013 at\u00e9 ser \u201ccolocado no devido lugar\u201d por Zephyr em uma troca \u00e1cida de farpas que j\u00e1 prenuncia o fim da narrativa. E essa egolatria desmedida \u00e9 encarnada com maestria por um fabuloso trabalho de Courtney como o mortal antagonista, transmutando-se em um medonho psicopata sedento por sangue e gritos.<\/p>\n<p>O restante do elenco apresenta atua\u00e7\u00f5es t\u00e3o boas quanto a de Courtney, com \u00f3bvio destaque a Harrison como a implac\u00e1vel Zephyr, uma lutadora por natureza que, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais adversas, recusa a se render \u2013 algo que \u00e9 not\u00e1vel em v\u00e1rias final girls de filmes slasher; e a Newton, que apesar de n\u00e3o ter muito tempo de tela, \u00e9 pe\u00e7a essencial para dar o tom da narrativa. Heuston tem seus momentos de gl\u00f3ria e nos chama a aten\u00e7\u00e3o por n\u00e3o se configurar como o t\u00edpico par rom\u00e2ntico da protagonista, afastando-se dos estere\u00f3tipos que poder\u00edamos imaginar encontrar aqui.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"1038\" height=\"778\" class=\"perfmatters-lazy\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/animais-perigosos-3.jpg\"  data-\/><\/p>\n<p>O filme n\u00e3o \u00e9 livre de erros e, conforme Byrne faz quest\u00e3o de construir um espet\u00e1culo visual \u2013 que inclui escolhas nost\u00e1lgicas e cl\u00e1ssicas dos \u00edcones do g\u00eanero dos anos 1980 e 1990, como a t\u00e9trica trilha sonora de <strong>Michael Yezerski<\/strong> ou a burlesca e inquietante fotografia de <strong>Shelle Farthing-Dawe<\/strong>, se esquece em alguns momentos de polir os excessos narrativos. O roteiro de <strong>Nick Lepard<\/strong> parte de f\u00f3rmulas previs\u00edveis, mas que se configuram uma praticidade robusta, manchadas por certos di\u00e1logos inadvertidamente engra\u00e7ados e one-liners preciosistas demais para serem levados a s\u00e9rio, al\u00e9m de uma predile\u00e7\u00e3o pelo excesso que torna o escopo um tanto quanto impalp\u00e1vel.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, o resultado de <strong>\u2018Animais Perigosos\u2019<\/strong> \u00e9 mais do que satisfat\u00f3rio e se vale principalmente da falsa sensa\u00e7\u00e3o convidativa que promove aos espectadores e do trabalho dos atores envolvidos \u2013 sagrando-o como um competente e esfor\u00e7ado thriller de sobreviv\u00eancia que cumpre com os requisitos b\u00e1sicos de outros projetos similares.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"1000\" class=\"perfmatters-lazy\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/1758144018_631_animais-perigosos.jpg\"  data-\/><\/p>\n<p>animais perigosos<\/p>\n<p>&#8211; Publicidade &#8211; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os mist\u00e9rios e os perigos que se escondem no oceano sempre foram alvo de estudo e inspira\u00e7\u00e3o na&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75710,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[114,115,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-75709","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-film","11":"tag-filmes","12":"tag-movies","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75709"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75709\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}