{"id":78120,"date":"2025-09-19T15:02:13","date_gmt":"2025-09-19T15:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/78120\/"},"modified":"2025-09-19T15:02:13","modified_gmt":"2025-09-19T15:02:13","slug":"existe-relacao-entre-a-obesidade-e-a-microbiota-intestinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/78120\/","title":{"rendered":"Existe rela\u00e7\u00e3o entre a obesidade e a microbiota intestinal?"},"content":{"rendered":"<p>Catarina Sousa Guerreiro, professora associada de Nutri\u00e7\u00e3o na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, aborda a liga\u00e7\u00e3o entre a obesidade e a microbiota intestinal. A nutricionista destaca como as altera\u00e7\u00f5es na microbiota podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento da obesidade. Leia o artigo de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>A obesidade \u00e9 um dos grandes desafios de sa\u00fade p\u00fablica dos nossos dias. Em Portugal, quase 60% da popula\u00e7\u00e3o tem excesso de peso, e, como tal, identificar e controlar a sua causa torna-se crucial. Embora esteja hoje claro que a principal causa do excesso de peso e obesidade \u00e9 o consumo energ\u00e9tico superior ao seu gasto, outros fatores parecem tamb\u00e9m contribuir (de forma muito menos significativa) para este processo. Recentemente, a microbiota intestinal tem sido considerada como um desses fatores, dada a sua influ\u00eancia no metabolismo energ\u00e9tico, nos mecanismos que regulam a ingest\u00e3o alimentar, no sistema imunit\u00e1rio, na inflama\u00e7\u00e3o e muitos outros.<\/p>\n<p>Os estudos s\u00e3o j\u00e1 hoje claros a demonstrar diferen\u00e7as importantes entre a microbiota (conjunto de microrganismos presentes no intestino) de indiv\u00edduos obesos e indiv\u00edduos com peso ajustado, mostrando que desequil\u00edbrios microbianos (disbiose) podem estar associados a desregula\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, muitas delas centrais na fisiopatologia da obesidade.<\/p>\n<p>Estudos em animais mostraram que ratinhos criados sem microbiota intestinal, quando alimentados com muita energia, apresentavam pouca tend\u00eancia para ganho de massa gorda, mas, quando os seus intestinos eram colonizados com microbiota de outros ratinhos obesos, ent\u00e3o o ganho de peso era evidente, mesmo sem consumo mais elevado de energia.<\/p>\n<p>Parece ent\u00e3o ficar claro que a microbiota por si s\u00f3 \u00e9 capaz de, em parte, modificar o metabolismo energ\u00e9tico. Sabe-se tamb\u00e9m que as bact\u00e9rias intestinais t\u00eam um papel fundamental na fermenta\u00e7\u00e3o das fibras que consumimos e da qual resultam metabolitos muito ben\u00e9ficos, como os \u00e1cidos gordos de cadeia curta (ex: butirato ou propionato) que t\u00eam um papel importante na regula\u00e7\u00e3o da saciedade e no controlo do a\u00e7\u00facar no sangue, al\u00e9m de contribu\u00edrem para menores n\u00edveis de inflama\u00e7\u00e3o no organismo. Al\u00e9m disso, a microbiota pode influenciar a produ\u00e7\u00e3o de hormonas intestinais que controlam a fome e a saciedade, como o GLP-1 e o PYY, que tamb\u00e9m podem contribuir para redu\u00e7\u00e3o\/aumento da ingest\u00e3o alimentar, bem como melhorar o metabolismo da glicose, dois fatores essenciais para o controlo do peso. Parece, assim, mais uma vez ficar clara a associa\u00e7\u00e3o entre a microbiota e o excesso de peso.<\/p>\n<p>Persiste, no entanto, a d\u00favida acerca de qual o real papel das bact\u00e9rias intestinais no ganho de peso e tamb\u00e9m, qual o papel que podem ter no tratamento da obesidade. Ser\u00e1 que alterando a nossa microbiota, conseguimos controlar o peso? As respostas ainda s\u00e3o poucas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a microbiota intestinal \u00e9 altamente sens\u00edvel ao que comemos. Uma alimenta\u00e7\u00e3o rica em fibras (baseada em frutas, legumes, leguminosas, cereais integrais) e gorduras saud\u00e1veis, como o azeite, favorece o crescimento de bact\u00e9rias ben\u00e9ficas. A Dieta Mediterr\u00e2nica assenta nestes princ\u00edpios e \u00e9 hoje considerada a interven\u00e7\u00e3o nutricional com mais evid\u00eancia cient\u00edfica para melhorar a sa\u00fade metab\u00f3lica. Importa referir que dietas muito restritivas, por se tornarem desequilibradas nutricionalmente, n\u00e3o mostraram benef\u00edcios claros e duradouros em humanos no que diz respeito \u00e0 sa\u00fade da microbiota.<\/p>\n<p>Existem j\u00e1 estudos que tentam compreender o real benef\u00edcio de adicionarmos suplementos de probi\u00f3ticos \u00e0 nossa dieta com vista ao melhor controlo de peso. Por exemplo, estudos sobre o impacto da bact\u00e9ria Akkermansia muciniphila mostraram resultados interessantes na melhoria da resist\u00eancia \u00e0 insulina e na redu\u00e7\u00e3o de marcadores de inflama\u00e7\u00e3o, mas ainda estamos longe de conseguir afirmar que a toma de certas estirpes bacterianas consegue contribuir de forma significativa para a perda de gordura corporal. N\u00e3o impede isto que recomendamos o consumo de alimentos com propriedades probi\u00f3ticas (ex. kefir, iogurte\u2026) e prebi\u00f3ticas (ex. alho, cogumelos frescos) para prevenir e tratar quadros de obesidade.<\/p>\n<p>Podemos afirmar com algum grau de certeza que a microbiota intestinal \u00e9, sem d\u00favida, uma pe\u00e7a a considerar no complexo contexto da obesidade, mas assumi-la como agente determinante para controlo de peso \u00e9 demasiado simplista num quadro que se sabe verdadeiramente multifatorial. Apostar numa alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, rica em fibras e pobre em alimentos ultraprocessados, juntamente com a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico, ser\u00e1 a melhor estrat\u00e9gia para prevenir e controlar a obesidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Catarina Sousa Guerreiro, professora associada de Nutri\u00e7\u00e3o na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, aborda a liga\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":78121,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[3491,3492,870,3496,895,116,3498,3490,3493,3500,3494,170,1208,3495,3487,53,32,33,3486,3489,117,3497,3488,3499],"class_list":{"0":"post-78120","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-brochuras","9":"tag-capas-falsas","10":"tag-eventos","11":"tag-farmaceutico-news","12":"tag-farmacia","13":"tag-health","14":"tag-hematologia-e-oncologia","15":"tag-jornais","16":"tag-jornal-de-saude-publica","17":"tag-jornal-do-congresso","18":"tag-jornal-medico","19":"tag-livros","20":"tag-medicina","21":"tag-medico-news","22":"tag-nedicos","23":"tag-newsletters","24":"tag-portugal","25":"tag-pt","26":"tag-publicacoes","27":"tag-revistas","28":"tag-saude","29":"tag-sida","30":"tag-sociedades","31":"tag-womens-medicine"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78120\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}