{"id":79251,"date":"2025-09-20T12:44:08","date_gmt":"2025-09-20T12:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79251\/"},"modified":"2025-09-20T12:44:08","modified_gmt":"2025-09-20T12:44:08","slug":"entre-israel-e-palestina-60-da-populacao-nao-escolhe-lados-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79251\/","title":{"rendered":"Entre Israel e Palestina, 60% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o escolhe lados \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, a sombra da guerra regressou \u00e0 Europa. As primeiras tropas russas cruzaram a fronteira da Ucr\u00e2nia no final de fevereiro de 2022 e, desde ent\u00e3o, entre militares e civis, centenas de pessoas t\u00eam morrido diariamente no leste europeu. No ano seguinte, a 7 de outubro, mais de mil israelitas foram mortos num ataque sangrento conduzido por membros do Hamas, despertando uma nova vaga de combates e bombardeamentos num conflito que dura h\u00e1 quase um s\u00e9culo. Nestes quase tr\u00eas anos de guerra, as autoridades palestinianas dizem que j\u00e1 morreram quase 65 mil habitantes da Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Perante estes dois conflitos em curso, a popula\u00e7\u00e3o mundial encontra-se cada vez mais polarizada. O apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia reina na Europa, sendo poucos os Estados que se colocam do lado da R\u00fassia. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao M\u00e9dio Oriente, os ataques e incurs\u00f5es de Israel na Faixa de Gaza t\u00eam merecido constantes cr\u00edticas \u00e0 medida que a guerra se alastra \u2014 e, no plano diplom\u00e1tico, dever\u00e1 estar para breve o reconhecimento do Estado da Palestina na Assembleia-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, no final de setembro. Israel continua, ainda assim, a receber total apoio de v\u00e1rios pa\u00edses europeus e dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Mas como \u00e9 que os portugueses se posicionam sobre estes temas? Apoiam maioritariamente algum destes Estados ou preferem manter-se neutros perante os conflitos? E, com a guerra na frente leste da Europa, ser\u00e1 que Portugal deve investir mais no setor da Defesa para estar preparado para um eventual conflito generalizado no continente? Estes e outros dados surgem no inqu\u00e9rito feito em parceria com a Netsonda, sobre Guerra e Seguran\u00e7a. Cruzando informa\u00e7\u00e3o recolhida em seis regi\u00f5es do territ\u00f3rio continental (Grande Lisboa, Grande Porto, Litoral Centro, Litoral Norte, Interior Norte e Sul), e analisando as respostas dadas pelas diferentes gera\u00e7\u00f5es, estes s\u00e3o os principais resultados.<\/p>\n<p>Com um conflito em curso a 4 mil quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia de Portugal, 76% dos inquiridos admitem estar preocupados com os atuais cen\u00e1rios de guerra. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre as mulheres que responderam ao question\u00e1rio, com 51% a manifestarem uma grande inquieta\u00e7\u00e3o com esta realidade, onde apenas 34% dos homens dizem o mesmo. Esta tend\u00eancia verifica-se noutras quest\u00f5es que foram colocadas sobre diferentes cen\u00e1rios, como terrorismo, por exemplo. Metade da popula\u00e7\u00e3o masculina admite estar preocupada com a possibilidade de ataques terroristas em solo nacional, mas a percentagem cresce para os 70% quando a mesma quest\u00e3o \u00e9 colocada \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Na mesma l\u00f3gica de preocupa\u00e7\u00f5es \u2014 como se sente perante diferentes tipos de amea\u00e7a \u2014, apenas 48% das pessoas que responderam \u00e0 Netsonda revelam temer o regresso de uma pandemia. De todos os cen\u00e1rios apresentados, este \u00e9 o que menos preocupa a popula\u00e7\u00e3o. Contudo, cruzando os dados com as idades dos inquiridos, percebemos que a realidade pand\u00e9mica atinge as gera\u00e7\u00f5es mais velhas com maior signific\u00e2ncia. Se 38% dos inquiridos que pertencem \u00e0 Gera\u00e7\u00e3o Z referem sentir-se preocupados com uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 vivida entre 2020 e 2023, o n\u00famero sobe para mais de metade quando se olha para aqueles que t\u00eam mais de 45 anos.<\/p>\n<p>As cat\u00e1strofes naturais e os extremos clim\u00e1ticos tamb\u00e9m s\u00e3o motivo de uma grande preocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Muito \u00e0 semelhan\u00e7a das outras quest\u00f5es, preocupam especialmente 80% das mulheres e 65% dos homens. De uma forma geral, estes eventos s\u00e3o motivo de inquieta\u00e7\u00e3o para 73% da popula\u00e7\u00e3o inquirida, numa altura em que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o cada vez mais sob os holofotes medi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A fechar o p\u00f3dio est\u00e3o os ciberataques, com 74% dos inquiridos a manifestarem alguma preocupa\u00e7\u00e3o com o assunto. Quando a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica ficou \u00e0s escuras, no final de abril, a primeira hip\u00f3tese levantada por muitos portugueses foi precisamente a de que um ciberataque que teria afetado a rede el\u00e9trica nacional. Chegou a circular uma <a href=\"https:\/\/observador.pt\/factchecks\/fact-check-cnn-noticiou-que-apagao-foi-causado-por-ciberataques-russos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">alegada not\u00edcia da CNN Internacional a indicar que teria sido a R\u00fassia a causar os estragos<\/a> sentidos no fim da manh\u00e3 do dia 28 de abril, antes de essa informa\u00e7\u00e3o ser desmentida.<\/p>\n<p>Ainda assim, a hip\u00f3tese foi levantada e, de acordo com o antigo diretor do Instituto Diplom\u00e1tico Jos\u00e9 Freitas Ferraz, isso significa que \u201cas pessoas est\u00e3o atentas ao cibercrime\u201d. Numa altura em que s\u00e3o constantes as not\u00edcias sobre esquemas online ou chamadas telef\u00f3nicas a propor oportunidades de emprego demasiado boas para serem verdade, a preocupa\u00e7\u00e3o dos inquiridos sobre este tema \u2014 apesar de n\u00e3o ser uma realidade t\u00e3o prevalente como \u00e9, por exemplo, no leste da Europa \u2014 continua a ser uma amea\u00e7a em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p>No meio de conflitos e amea\u00e7as terroristas, o cen\u00e1rio que convoca maior preocupa\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, o aparecimento de uma nova crise econ\u00f3mica. \u201cAs crises econ\u00f3micas t\u00eam sido, de uma forma muito constante, a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos europeus e a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos portugueses\u201d, destaca a antiga secret\u00e1ria de Estado da Defesa Nacional. Estas s\u00e3o a maior fonte de preocupa\u00e7\u00e3o dos inquiridos, com 86% a colocar as crises econ\u00f3micas em primeiro lugar.<\/p>\n<p>\u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o transversal, que afeta dos mais novos aos mais velhos, de norte a sul do pa\u00eds e em qualquer escal\u00e3o de rendimento. 82% daqueles que recebem mais de 3 mil euros por m\u00eas manifestam a sua preocupa\u00e7\u00e3o relativamente a este cen\u00e1rio, em compara\u00e7\u00e3o com 81% dos que t\u00eam rendimentos mensais inferiores a mil euros.<\/p>\n<p>Por todos estes motivos \u2014 e possivelmente outros que n\u00e3o foram discriminados neste inqu\u00e9rito \u2014, a maioria dos participantes (68%) considera o estado atual do mundo \u201cmau\u201d ou \u201cmuito mau\u201d. \u201cO que serve para os Millennials ou a Gera\u00e7\u00e3o Z indicarem o estado do mundo como mau, \u00e9 diferente do que serve aos Baby Boomers\u201d, indica a especialista. Essas perce\u00e7\u00f5es distintas tamb\u00e9m se comprovam analisando as respostas de cada uma destas gera\u00e7\u00f5es sobre o estado do mundo. Os Millennials (70%) e a Gera\u00e7\u00e3o X (73%) s\u00e3o os que se encontram mais preocupados com a situa\u00e7\u00e3o atual, comparativamente com a Gera\u00e7\u00e3o Z (55%) e os Baby Boomers (64%).<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 um pa\u00eds seguro, de acordo com os inquiridos. A grande maioria das pessoas que responderam ao question\u00e1rio da Netsonda (80%) revela sentir-se totalmente ou geralmente seguros em qualquer regi\u00e3o do pa\u00eds. Os dados s\u00e3o transversais a qualquer faixa et\u00e1ria ou escal\u00e3o de rendimento, mas nota-se ainda algumas discrep\u00e2ncias relativamente \u00e0s perce\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a sentidas em Portugal.<\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo ano, tem-se repetido o termo \u201cperce\u00e7\u00f5es\u201d associado ao crime e \u00e0 falta de seguran\u00e7a nas grandes cidades portuguesas. \u00c9 utilizado de forma recorrente por figuras pol\u00edticas, mas as autoridades acabam por remeter para os n\u00fameros. <a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/resposta-pronta\/crime-em-lisboa-so-ha-uma-forma-de-combater-especulacao-com-dados\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ao Observador, no in\u00edcio deste ano, o presidente do Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a, Criminalidade Organizada e Terrorismo<\/a> (OSCOT) considerava que os dados relativos a 2024 sobre a criminalidade na capital contrariavam estas \u201cperce\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Francisco Rodrigues, \u201ccertos partidos utilizam o tema da criminalidade como forma de arremesso pol\u00edtico\u201d, uma ideia apoiada tamb\u00e9m pelo antigo diretor do Instituto Diplom\u00e1tico Jos\u00e9 Freitas Ferraz. \u201cO ru\u00eddo pol\u00edtico-medi\u00e1tico choca de frente com a realidade\u201d, diz o ex-embaixador, refor\u00e7ando o papel dos partidos na instala\u00e7\u00e3o das \u201cperce\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a\u201d. De acordo com o Relat\u00f3rio Anual de Seguran\u00e7a Interna, a criminalidade violenta e grave diminuiu no distrito de Lisboa em 2024, havendo uma descida de 7,6% de todas as den\u00fancias participadas neste ano.<\/p>\n<p>Contudo \u2014 e como sublinhou ainda o presidente do OSCOT \u2014, isso \u201cn\u00e3o quer dizer que est\u00e1 tudo bem\u201d. Apesar de, na sua generalidade, as pessoas se sentirem seguras em Portugal, outras regi\u00f5es do pa\u00eds externas \u00e0 capital registam um aumento substancial das ocorr\u00eancias graves. Santar\u00e9m, Castelo Branco e Portalegre foram os distritos que viram o maior aumento de participa\u00e7\u00f5es de crimes graves em 2024 e, nos dados do inqu\u00e9rito da Netsonda, as regi\u00f5es Sul e Centro revelam as maiores percentagens de residentes que se sentem pouco ou nada seguros nos respetivos territ\u00f3rios (24%).<\/p>\n<p>De uma forma mais geral, as mulheres que responderam ao inqu\u00e9rito confessam sentir-se menos seguras que os homens: 24% da popula\u00e7\u00e3o feminina admite sentir-se pouco ou nada segura em Portugal; e, em contrapartida, apenas 17% dos homens reportam um sentimento semelhante. Tamb\u00e9m aqueles com rendimentos mensais mais baixos dizem sentir-se menos seguros em Portugal do que as classes mais altas. S\u00e3o 33% das pessoas com rendimentos at\u00e9 mil euros por m\u00eas que referem sentir-se pouco ou nada seguros no pa\u00eds e apenas 12% dos que recebem mais de 3 mil euros.<\/p>\n<p>\u201cA perce\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, mas sim ao imediato. E tamb\u00e9m pelo quadro das not\u00edcias e das redes sociais, a no\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a da mulher no dia-a-dia em rela\u00e7\u00e3o a furtos, a ass\u00e9dios, \u00e0 viol\u00eancia verbal e f\u00edsica \u00e9 muito maior que a dos homens\u201d, destaca a antiga secret\u00e1ria de Estado da Defesa Nacional Ana Santos Pinto, ligando a resposta das mulheres ao contexto do dia-a-dia, ao inv\u00e9s do contexto militar internacional.<\/p>\n<p>A especialista em assuntos de seguran\u00e7a distingue, tamb\u00e9m, a quest\u00e3o da perce\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e os dados concretos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 dados que indiquem que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o se sinta segura\u201d, refor\u00e7a Ana Santos Pinto, referindo que, muitas vezes, os coment\u00e1rios relativos \u00e0 inseguran\u00e7a no pa\u00eds s\u00e3o recolhidos em \u201csitua\u00e7\u00f5es de press\u00e3o securit\u00e1ria\u201d. \u201cVemos um assalto, vemos uma situa\u00e7\u00e3o violenta, e depois, nesse contexto, pergunta-se \u00e0s pessoas se elas se sentem seguras ou n\u00e3o\u201d, acrescenta, indicando que quando a popula\u00e7\u00e3o se encontra livre desta \u201cpress\u00e3o\u201d, na sua generalidade, as pessoas \u201csentem-se seguras\u201d.<\/p>\n<p>Quando comparado com o resto do continente, 59% dos inquiridos acreditam que Portugal \u00e9 mais seguro que os restantes pa\u00edses europeus. Os mais jovens, no entanto, t\u00eam mais d\u00favidas. Entre os 18 e os 28 anos, os portugueses distribuem-se igualmente entre os que pensam que a seguran\u00e7a em Portugal \u00e9 superior a outros pa\u00edses na Europa, mas outros 45% afirmam que \u00e9 apenas igual, n\u00e3o havendo qualquer diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente de seguran\u00e7a noutros Estados. As gera\u00e7\u00f5es mais velhas s\u00e3o mais assertivas nas respostas e notam uma grande diferen\u00e7a entre a realidade portuguesa e a europeia. Quase de forma un\u00e2nime (95%), os participantes no estudo acreditam que Portugal n\u00e3o \u00e9 menos seguro que outros pa\u00edses na Europa.<\/p>\n<p>                                     Quando come\u00e7aram as diferentes gera\u00e7\u00f5es?  <\/p>\n<p>                            \u2193 Mostrar<\/p>\n<p>                            \u2191 Esconder<\/p>\n<p><b>Gera\u00e7\u00e3o Z<\/b> \u2014 1997 a 2012<\/p>\n<p><b>Millennial<\/b> \u2014 1981 a 1996<\/p>\n<p><b>Gera\u00e7\u00e3o X<\/b> \u2014 1965 a 1980<\/p>\n<p><b>Baby Boomers<\/b> \u2014 1946 a 1964<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais velho, mais se valoriza o espa\u00e7o em que se est\u00e1 e aquilo que se chama a seguran\u00e7a das redes de contacto pr\u00f3ximo\u201d, explica Ana Santos Pinto, remetendo para a diferen\u00e7a nas perce\u00e7\u00f5es evidenciadas entre a popula\u00e7\u00e3o mais jovem e a mais velha. Dos 18 aos 28 anos, a especialista esclarece que, sendo uma gera\u00e7\u00e3o que \u201ctem cada vez mais experi\u00eancias\u201d, que v\u00ea nas redes sociais e na comunica\u00e7\u00e3o social aquilo que se passa noutros pa\u00edses \u2014 ou at\u00e9 atrav\u00e9s de viagens mais curtas \u2014, chegam \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre o contexto nacional e o europeu.<\/p>\n<p>Apesar de geralmente seguro, Portugal n\u00e3o est\u00e1 propriamente isento de amea\u00e7as b\u00e9licas. E, numa altura em que as tens\u00f5es n\u00e3o parecem diminuir nos pa\u00edses em conflito, os inquiridos acreditam que mais vale estar prevenido que, depois, sofrer as consequ\u00eancias da falta de prepara\u00e7\u00e3o para agir. 62% dos participantes no inqu\u00e9rito da Netsonda consideram que o Governo deveria gastar mais dinheiro em Defesa. \u201cQuando as pessoas pensam no investimento neste setor, pensam no Minist\u00e9rio da Defesa, na despesa militar, em meios humanos e em armamento\u201d, refere o antigo embaixador Jos\u00e9 Freitas Ferraz.<\/p>\n<p>Este dado \u00e9 \u201cconsistente\u201d, como afirma ao Observador a antiga secret\u00e1ria da Defesa Nacional Ana Santos Pinto. Tanto no inqu\u00e9rito da Netsonda, como no <a href=\"https:\/\/europa.eu\/eurobarometer\/surveys\/detail\/3372\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Eurobar\u00f3metro de primavera deste ano<\/a>, e ainda num <a href=\"https:\/\/www.idn.gov.pt\/pt\/publicacoes\/outraspubl\/outraspubl\/Documents\/Inquerito%20Populacao_7JUL2021\/Resultados%20Inqu%C3%A9rito%20%C3%A0%20Popula%C3%A7%C3%A3o%20Portuguesa%20IDN%20DGRDN%20IPRI%20ICS%20JUL2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">inqu\u00e9rito realizado pelo Instituto de Defesa Nacional em 2021<\/a>, a quest\u00e3o do or\u00e7amento da tutela revela sempre a mesma resposta: \u00e9 preciso investir mais. \u201cA posi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o portuguesa nunca foi de rejei\u00e7\u00e3o ou retra\u00e7\u00e3o ao investimento em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a e defesa, porque reconhecem o valor social e a import\u00e2ncia das For\u00e7as Armadas e, de uma forma alargada, tamb\u00e9m das For\u00e7as de Seguran\u00e7a, na sociedade portuguesa, e reconhecem que existe uma diminui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 das capacidades \u2014 como os pr\u00f3prios equipamentos est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para funcionar\u201d, diz a especialista.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que esta posi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel ao aumento do investimento na Defesa surge devido \u00e0s amea\u00e7as externas que se t\u00eam colocado ao longo dos \u00faltimos anos, ou estar\u00e1 mais relacionada com assuntos de seguran\u00e7a interna? Para Ana Santos Pinto, \u201cessa fronteira j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d, uma vez que \u201co tipo de capacidades que s\u00e3o utilizadas para ambos os meios s\u00e3o de duplo uso\u201d, ou seja, podem ser utilizadas tanto interna como externamente. \u201cAli\u00e1s, esse \u00e9 o programa que sustenta a capacidade de financiamento atrav\u00e9s do or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia, porque a UE s\u00f3 pode financiar capacidades de duplo uso\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>\u201cAquilo que era o cen\u00e1rio de conflitualidade no s\u00e9culo XX \u00e9 diferente do atual, nos primeiros 20 anos do s\u00e9culo XXI, e tendencialmente ser\u00e1 cada vez mais diferente. E, portanto, isso torna os equipamentos mais caros, porque s\u00e3o mais tecnol\u00f3gicos e exigem maior investimento, mas ao mesmo tempo diminui este diferencial entre o que se aplica apenas \u00e0 seguran\u00e7a externa ou \u00e0 defesa, e o que se aplica \u00e0 dimens\u00e3o interna\u201d, continua.<\/p>\n<p>Numa outra \u00f3tica \u2014 e sempre olhando para o contexto mundial \u2014, 51% da popula\u00e7\u00e3o que respondeu ao inqu\u00e9rito \u00e9 contra o regresso do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, um dado que tamb\u00e9m tem sido est\u00e1vel ao longo dos \u00faltimos anos. Os homens (43%) acabam por ser mais favor\u00e1veis do que as mulheres (28%), mas \u00e9 entre gera\u00e7\u00f5es que se sente a maior diferen\u00e7a. Na Gera\u00e7\u00e3o Z, os mais jovens, apenas 20% desejam o regresso do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, enquanto nos Baby Boomers este universo sobe para 56%. Porqu\u00ea essa diferen\u00e7a? \u201cPorque foram os que fizeram servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio\u201d, explica Ana Santos Pinto.<\/p>\n<p>\u201cTemos aqui uma diferen\u00e7a geracional entre aqueles que estiveram na guerra colonial, que podem ou n\u00e3o ser mais favor\u00e1veis ao servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio \u2014 que vai essencialmente at\u00e9 \u00e0 gera\u00e7\u00e3o que tem agora 70 e poucos anos \u2014, e aqueles que fizeram o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, mas n\u00e3o t\u00eam a experi\u00eancia da guerra colonial. Esses s\u00e3o os mais favor\u00e1veis ao servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, porque \u00e9 um servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio transicional, ou seja, com esta l\u00f3gica da prepara\u00e7\u00e3o muito mais social do que a prepara\u00e7\u00e3o para o conflito\u201d, refere a especialista em assuntos de defesa nacional.<\/p>\n<p>Com a guerra na Ucr\u00e2nia ainda muito presente na vida dos europeus, ao fim de mais de tr\u00eas anos e meio de conflito, a Uni\u00e3o Europeia questionou os cidad\u00e3os dos seus Estados-membros sobre o impacto que este conflito est\u00e1 a ter no seu quotidiano e v\u00e1rias outras quest\u00f5es relacionadas com o tema. No Eurobar\u00f3metro de primavera deste ano, foram abordados diferentes aspetos, mas na reta final do documento de 310 p\u00e1ginas encontram-se as perguntas referentes a esta guerra, e a\u00ed nota-se, tamb\u00e9m, um aprofundar das opini\u00f5es dos portugueses.<\/p>\n<p>Entre os inquiridos, 89% t\u00eam uma vis\u00e3o negativa da R\u00fassia, 89% concordam com a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas a Moscovo, 77% favorecem a disponibiliza\u00e7\u00e3o de apoio militar a Kiev e outros 84% apoiam a disponibiliza\u00e7\u00e3o de apoio humanit\u00e1rio. De uma forma geral e quase un\u00e2nime, a Europa (e Portugal) apoia a Ucr\u00e2nia. O mesmo reflete-se nos dados do inqu\u00e9rito feito pela Netsonda. 75% dos portugueses inquiridos apoiam a Ucr\u00e2nia. Dos 25% que sobram, 23% n\u00e3o t\u00eam posi\u00e7\u00e3o escolhida e os restantes 2% admitem apoiar a R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u201cEste resultado n\u00e3o me \u00e9 nada surpreendente\u201d, admite a antiga secret\u00e1ria de Estado consultada pelo Observador. \u201cA popula\u00e7\u00e3o portuguesa est\u00e1 entre aquelas que mais apoia a Ucr\u00e2nia a n\u00edvel europeu\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O outro conflito que ocupa o espa\u00e7o medi\u00e1tico gera muito mais divis\u00e3o entre os inquiridos. Todos os dias saem novas atualiza\u00e7\u00f5es sobre o conflito em Gaza, que s\u00e3o sempre recebidas de forma polarizada nas redes sociais e mesmo em organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Esta semana, a <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/09\/16\/comissao-das-nacoes-unidas-declara-pela-primeira-vez-que-israel-esta-a-cometer-genocidio-em-gaza\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas declarou oficialmente que as a\u00e7\u00f5es militares levadas a cabo por Israel se enquadram na defini\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddio<\/a>. Contudo, muitos intervenientes \u2014 incluindo pol\u00edticos e governantes \u2014 disputam esta acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A uma escala mais pequena, em Portugal, a realidade \u00e9 semelhante. Com cada publica\u00e7\u00e3o feita sobre a flotilha humanit\u00e1ria que se dirige neste momento para Gaza, com o objetivo de quebrar o bloqueio instaurado pelo governo de Benjamin Netanyahu no enclave palestiniano, o movimento protagonizado por Mariana Mort\u00e1gua e a ativista Greta Thunberg \u00e9, em simult\u00e2neo, apoiado e fortemente criticado por milhares de pessoas diariamente online.<\/p>\n<p>De uma forma geral, os inquiridos est\u00e3o preocupados com o conflito em Gaza (73%). S\u00e3o as gera\u00e7\u00f5es mais velhas, a Gera\u00e7\u00e3o X (83%) e os Baby Boomers (82%) que mais manifestam este sentimento e, ao mesmo tempo, quem expressa um maior apoio pela causa palestiniana. Enquanto no espa\u00e7o online se v\u00ea mais jovens a desejar o reconhecimento e a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, o inqu\u00e9rito da Netsonda permite verificar que os mais velhos t\u00eam uma maior express\u00e3o no que toca a escolher um dos lados do conflito.<\/p>\n<p>No total, 30% dos inquiridos apoiam a Palestina e apenas 10% apoiam Israel. Entre os Baby Boomers, o n\u00famero sobe para os 44% e, no caso israelita, fica nos 14%. Esta realidade difere do que se verifica na Gera\u00e7\u00e3o Z, onde 29% dizem apoiar a Palestina neste conflito na Faixa de Gaza e 9% apoiam Israel.<\/p>\n<p>O apoio pela Palestina est\u00e1 muito mais enraizado em popula\u00e7\u00f5es mais velhas, afirma Ana Santos Pinto. Para al\u00e9m do conflito atualmente em curso, \u201cos Baby Boomers s\u00e3o aqueles que acompanham a disputa territorial e cultural com maior continuidade e que veem, nestas quase oito d\u00e9cadas de conflito, que existe uma comunidade que tem tido um conjunto de expectativas n\u00e3o cumpridas e um conjunto de interven\u00e7\u00f5es militares e de indicadores de viol\u00eancia muito elevados\u201d, refere a ex-secret\u00e1ria de Estado.<\/p>\n<p>O que acontece nos mais jovens, segundo a especialista, \u00e9 mais o sentimento de \u201cuma causa entre outras causas\u201d, acrescentando que o tema \u201cest\u00e1 muito mais politizado no sentido ideol\u00f3gico de esquerda e de direita\u201d \u2014 algo que n\u00e3o acontecia com os Baby Boomers. \u201cA quest\u00e3o n\u00e3o se colocava neste espetro ideol\u00f3gico\u201d, continua Ana Santos Pinto.<\/p>\n<p>Apesar de ser um tema polarizado na nossa sociedade, existindo uma grande movimenta\u00e7\u00e3o para um dos lados do conflito, a realidade portuguesa \u00e9 mais definida por pessoas que se mant\u00e9m neutrais \u2014 quando tendencialmente a postura \u00e9 bin\u00e1ria. 60% dos participantes no estudo admitem um estado de neutralidade ou, simplesmente, n\u00e3o t\u00eam opini\u00e3o sobre o assunto. Para Ana Santos Pinto, esta aus\u00eancia de tomada de posi\u00e7\u00e3o deve-se, principalmente, ao facto de o conflito ser mais influenciado por um posicionamento ideol\u00f3gico pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>Este inqu\u00e9rito foi realizado pela Netsonda, em colabora\u00e7\u00e3o com o Observador, entre os dias 29 de Agosto e 3 de Setembro de 2025. O estudo foi realizado atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio online junto do painel Netsonda. O universo-alvo \u00e9 composto por uma amostra representativa de indiv\u00edduos com 18 a 64 anos residentes em Portugal continental. Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram recolhidas 800 entrevistas online (CAWI). Esta dimens\u00e3o amostral est\u00e1 associada a uma margem de erro de 3,46%, com um n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, a sombra da guerra regressou \u00e0 Europa. 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