{"id":7948,"date":"2025-07-30T03:55:05","date_gmt":"2025-07-30T03:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/7948\/"},"modified":"2025-07-30T03:55:05","modified_gmt":"2025-07-30T03:55:05","slug":"caderno-proibido-a-escrita-como-instrumento-de-reflexao-29-07-2025-painel-do-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/7948\/","title":{"rendered":"Caderno Proibido: a escrita como instrumento de reflex\u00e3o &#8211; 29\/07\/2025 &#8211; Painel do Leitor"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/paineldoleitor\/2023\/10\/comunidade-todas-vai-conectar-leitoras-e-redacao-por-grupo-no-whatsapp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Comunidade Todas no WhatsApp<\/a> se encontrou nesta segunda-feira (28) para debater o livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/05\/caderno-proibido-traz-quarentona-que-inspirou-obra-de-elena-ferrante.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Caderno Proibido<\/a>&#8221; da escritora \u00edtalo-cubana Alba de C\u00e9spedes. O encontro contou com a presen\u00e7a de Camila Berto, editora da Companhia das Letras e uma das respons\u00e1veis pela republica\u00e7\u00e3o da obra de C\u00e9spedes no Brasil.<\/p>\n<p>Camila Berto diz que sua rela\u00e7\u00e3o com Alba come\u00e7ou na pandemia, quando ouviu uma editora alem\u00e3 falar sobre a autora. Ela encontrou uma primeira edi\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1960 em um sebo e se apaixonou por sua escrita. Em meio a um movimento de diversos pa\u00edses para traduzir a autora, a Companhia das Letras optou por faz\u00ea-lo com linguagem atualizada. Tamb\u00e9m foi uma escolha manter os nomes originais dos personagens \u2013na primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira, por exemplo, o marido da protagonista Val\u00e9ria teve seu nome, Michele, traduzido para Miguel.<\/p>\n<p>Para ela, o livro &#8220;furou a bolha&#8221; ao ser indicado por clubes de leitura, em 2024, especialmente pelo clube de Pedro Paci\u0301fico, escritor e criador de conte\u00fado liter\u00e1rio conhecido nas redes como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bookster\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Bookster<\/a>. A autora francesa <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/annie-ernaux\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Annie Ernaux<\/a> tamb\u00e9m ajudou a popularizar a obra de Alba, dizendo que &#8220;mudou a sua vida&#8221;. Mas, entre as obras a que serviu de refer\u00eancia, destaca-se a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2024\/07\/elena-ferrante-lidera-os-100-melhores-livros-do-seculo-do-new-york-times-veja-lista.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">tetralogia Napolitana, de Elena Ferrante<\/a>, que diz ter se inspirado em &#8220;Na Voz Dela&#8221;, livro de Alba publicado em 1949.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea pensa que o livro foi escrito h\u00e1 tantos anos, Alba estava muito \u00e0 frente de seu tempo&#8221;, diz Camila sobre &#8220;Caderno Proibido&#8221;, publicado pela primeira vez em epis\u00f3dios no peri\u00f3dico italiano La Settimana Incom Illustrata, de 1950 a 1951, ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/segunda-guerra-mundial\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Segunda Guerra<\/a>.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria acompanha Val\u00e9ria Cossati, que compra ilegalmente um caderno preto \u2014item que n\u00e3o poderia ser comercializado aos domingos\u2014, e faz dele seu di\u00e1rio. Em suas p\u00e1ginas, relata sua rotina como m\u00e3e, esposa, dona de casa e funcion\u00e1ria de um escrit\u00f3rio, bem como a dificuldade de tempo e espa\u00e7o para se dedicar \u00e0 escrita.<\/p>\n<p>Por que o caderno \u00e9 proibido? A leitora Ana Fragoso aponta o per\u00edodo entreguerras como motiva\u00e7\u00e3o: um caderno, para Val\u00e9ria, que n\u00e3o era estudante, mas m\u00e3e, esposa e trabalhadora, seria sup\u00e9rfluo. Para Camila, o ato de ter algo s\u00f3 seu tamb\u00e9m parece simbolicamente proibido. Para as leitoras, a protagonista \u00e9 reduzida a m\u00e3e e esposa por sua fam\u00edlia. Seu marido, inclusive, a chama de \u2018\u2019mam\u00e3e\u2019\u2019, o que lhe causa vergonha e o desejo de ser apenas Val\u00e9ria, um indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>A leitora Ana Carolina Rodrigues, reflete que apesar de Val\u00e9ria ser &#8220;dona da casa&#8221;, j\u00e1 que \u00e9 quem cuida do lar, n\u00e3o encontra nela um lugar que lhe perten\u00e7a. &#8220;Essa falta de espa\u00e7o \u00e9 quase um personagem&#8221;. Para Kelly Linhares, o caderno tamb\u00e9m protagoniza a busca de Val\u00e9ria por sua identidade.<\/p>\n<p>Maridite Oliveira aponta as mudan\u00e7as causadas pela guerra, com as mortes de tantos homens, e o in\u00edcio do trabalho feminino fora de casa. &#8220;Alba traz mem\u00f3rias de um s\u00e9culo dolorido, mas de muitas transforma\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Anne Hilling relata ter sentido raiva de situa\u00e7\u00f5es descritas no livro, principalmente na culpa por ser um indiv\u00edduo com desejos e vontades, e n\u00e3o apenas cuidadora.<\/p>\n<p>Como parte da iniciativa Todas, a Folha presenteia mulheres com<a href=\"https:\/\/assinaturas.folha.com.br\/440301?_ga=2.124977869.698550227.1709558329-927799293.1695042663&amp;_mather=c36db753-b608-4659-9f59-21e805f2fd6d&amp;_gl=1*1aqn3rh*_gcl_au*NzkzOTIzNDk5LjE3MzY0MTg4NzE.*_ga*MzczOTk1ODIwLjE3MjcyMDQyOTg.*_ga_RY1LTN28TR*MTc0MTYwMjk5MS4xMzQuMS4xNzQxNjAzMDY1LjYwLjAuMA..\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> tr\u00eas meses de assinatura digital gr\u00e1tis<\/a>.<\/p>\n<p>                  <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Comunidade Todas no WhatsApp se encontrou nesta segunda-feira (28) para debater o livro &#8220;Caderno Proibido&#8221; da escritora&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7949,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[3842,3835,207,169,3837,1928,3841,3838,114,115,1907,3834,3836,236,864,237,170,3839,32,33,3840],"class_list":{"0":"post-7948","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-annie-ernaux","9":"tag-antifeminismo","10":"tag-arte","11":"tag-books","12":"tag-coletivo-feminista","13":"tag-companhia-das-letras","14":"tag-elena-ferrante","15":"tag-empoderamento-feminino","16":"tag-entertainment","17":"tag-entretenimento","18":"tag-escritores","19":"tag-feminismo","20":"tag-feminista","21":"tag-folha","22":"tag-literatura","23":"tag-livro","24":"tag-livros","25":"tag-machismo","26":"tag-portugal","27":"tag-pt","28":"tag-segunda-guerra-mundial"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7948\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}