{"id":79722,"date":"2025-09-20T20:23:20","date_gmt":"2025-09-20T20:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79722\/"},"modified":"2025-09-20T20:23:20","modified_gmt":"2025-09-20T20:23:20","slug":"simbolo-de-portugal-desde-ha-muito-ou-criacao-do-estado-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79722\/","title":{"rendered":"s\u00edmbolo de Portugal desde h\u00e1 muito ou cria\u00e7\u00e3o do Estado Novo?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cFomos os primeiros a acabar com a pena de morte\u201d. De acordo com o historiador Ricardo Raimundo, \u201caqui est\u00e1 um bom exemplo de uma mentira repetida tantas vezes que acabou promovida a verdade absoluta\u201d. O mestre em Hist\u00f3ria Moderna entrega este m\u00eas de junho aos escaparates nacionais o livro Fact-Checking \u00e0 Hist\u00f3ria de Portugal, obra com o subt\u00edtulo, \u201cverdades e mitos dos s\u00e9culos XIX, XX e XXI\u201d. No livro com a chancela da Manuscrito, Ricardo Raimundo desmonta mitos como aquele que abre estas linhas: \u201cn\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fomos os primeiros, como mantivemos a pena capital, em certos contextos, at\u00e9 bastante mais tarde do que outros pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p>Nas perto de 280 p\u00e1ginas do seu novo livro, o historiador desmonta \u201cmentiras com perna curta\u201d e analisa as vers\u00f5es mais populares \u2013 e nem sempre verdadeiras \u2013 da nossa Hist\u00f3ria. Entre os temas tratados pelo autor na presente obra figuram quest\u00f5es como \u201cfoi Portugal um pa\u00eds pioneiro na aboli\u00e7\u00e3o da escravatura?\u201d, \u201cera ou n\u00e3o fascista o regime liderado por Oliveira Salazar?\u201d, \u201cafinal, quando nasceram os tr\u00eas grandes do futebol portugu\u00eas?\u201d, \u201cfoi o 25 de Abril de 1974 uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, sem sangue e sem mortos?\u201d.<\/p>\n<p>Escreve Ricardo Raimundo na introdu\u00e7\u00e3o ao seu livro: \u201cNum momento em que assistimos ao extremar das ideologias pol\u00edticas, observamos frequentemente a manipula\u00e7\u00e3o dos factos e acontecimentos n\u00e3o s\u00f3 hist\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m do presente para justificar determinado tipo de teses. Acima de tudo, vemos o passado ser julgado com os olhos do presente, \u00e0s vezes por parte de quem tem a obriga\u00e7\u00e3o institucional de n\u00e3o o fazer\u201d<\/p>\n<p>Ricardo Raimundo \u00e9 colaborador do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. Colaborou no Dicion\u00e1rio Hist\u00f3rico das Ordens e Institui\u00e7\u00f5es afins em Portugal e \u00e9 autor de uma dezena de livros de divulga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, entre eles Enigmas e Mist\u00e9rios da Hist\u00f3ria de Portugal, Hist\u00f3ria de Portugal para Gente Curiosa, Grandes Vingan\u00e7as da Hist\u00f3ria de Portugal.<\/p>\n<p>Do livro, publicamos o excerto abaixo.<\/p>\n<p><strong>Galo de Barcelos: s\u00edmbolo de Portugal desde sempre ou cria\u00e7\u00e3o do Estado Novo?<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer turista que percorra as in\u00fameras lojas de recorda\u00e7\u00f5es espalhadas pelas cidades de Lisboa ou Porto, ou em qualquer outra parte de Portugal com express\u00e3o tur\u00edstica, facilmente se apercebe de que existe uma figura reproduzida nos mais variados itens \u2014 desde os tradicionais pins at\u00e9 \u00e0s miniaturas, passando pelos porta\u2011chaves, estampagens em T\u2011shirts, imagens, tudo nos mais diversos formatos, desde os mais pequenos at\u00e9 aos que imp\u00f5em respeito. Falamos do Galo de Barcelos. Assim sendo, \u00e9 frequente que o incauto turista associe o galin\u00e1ceo ao s\u00edmbolo que melhor representa Portugal e os portugueses. N\u00e3o \u00e9 de levar a mal, j\u00e1 que at\u00e9 estes \u00faltimos, principalmente os que menos aten\u00e7\u00e3o prestaram nas aulas de Hist\u00f3ria, reconhecem como verdadeiro e antiqu\u00edssimo representante do pa\u00eds o Galo de Barcelos.<\/p>\n<p>Na realidade, estamos perante mais uma das inven\u00e7\u00f5es do Estado Novo, principalmente de um homem: Ant\u00f3nio Ferro, diretor do Secretariado da Propaganda Nacional (futuro Secretariado Nacional da Informa\u00e7\u00e3o), o grande respons\u00e1vel, nas primeiras d\u00e9cadas do regime ditatorial de Salazar, pela sua propaganda e imagem. Foi ele o autor e o dinamizador da \u201cpol\u00edtica do esp\u00edrito\u201d, tendo gerido a representa\u00e7\u00e3o de Portugal no estrangeiro. Foi ainda comiss\u00e1rio\u2011geral das exposi\u00e7\u00f5es internacionais de Paris, em 1937, e de Nova Iorque, em 1939.<\/p>\n<p>Desempenhou igualmente um papel crucial naquela que foi a grande realiza\u00e7\u00e3o do Estado Novo, a Exposi\u00e7\u00e3o do Mundo Portugu\u00eas, no ano de 1940, tendo dirigido a Revista dos Centen\u00e1rios, \u00f3rg\u00e3o de propaganda da mesma. Foi o fundador do Museu de Arte Popular e da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio e o presidente da Emissora Nacional em 1941. Na lista de tradi\u00e7\u00f5es populares que criou, contabilizam\u2011se, a t\u00edtulo de exemplo, as marchas populares em Lisboa, surgidas no ano de 1932, a aldeia mais portuguesa de Portugal, em 1938, que terminou com a elei\u00e7\u00e3o de Monsanto, e o famoso Galo de Barcelos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Onde nasceu Afonso Henriques? Ter\u00e1 sido Vasco da Gama o descobridor do Brasil? Enigmas e Mist\u00e9rios da Hist\u00f3ria de Portugal explicados pelo historiador Ricardo Raimundo \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/842e48317670615a60952950b8650882a6e52e14.jpg\" alt=\"Onde nasceu Afonso Henriques? Ter\u00e1 sido Vasco da Gama o descobridor do Brasil? Enigmas e Mist\u00e9rios da Hist\u00f3ria de Portugal explicados pelo historiador Ricardo Raimundo \" width=\"921\" height=\"643\" data-mediabank-id=\"3738245\" data-post-id=\"1774837\"\/>O historiador Ricardo Raimundo.<\/p>\n<p>Foi em 1931 que o galo foi elevado, pela primeira vez, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolo de Portugal, numa fase em que Ant\u00f3nio Ferro se multiplicava em ideias e iniciativas. E alcan\u00e7ou essa fun\u00e7\u00e3o por um motivo muito simples: a necessidade, sentida por Ferro, enquanto respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o do V Congresso Internacional da Cr\u00edtica Dram\u00e1tica, Musical e Liter\u00e1ria, realizado em Lisboa, de gerar o espanto nos congressistas estrangeiros que ele tinha conseguido fazer deslocar a Portugal. Para esse efeito, ofertar\u2011lhes\u2011ia, como recorda\u00e7\u00e3o, uma pe\u00e7a \u00fanica de arte popular.<\/p>\n<p>Concebido pelos ceramistas de Barcelos, o galo circulava pelas feiras da regi\u00e3o havia j\u00e1 alguns anos, sem apresentar qualquer valor significativo. Aparecia conectado, como n\u00e3o podia deixar de ser, a uma lenda bastante antiga, que remontava ao per\u00edodo medieval. De acordo com a mesma, os habitantes de Barcelos andavam muito inquietos devido a um crime, cujo autor ainda n\u00e3o tinha sido descoberto. Em certo dia, surgiu um galego, que se transformou no principal suspeito, e as autoridades decidiram prend\u00ea\u2011lo. Todavia, ele jurava inoc\u00eancia, argumentando que estava simplesmente de passagem por aquelas terras, em dire\u00e7\u00e3o a Santiago de Compostela e em cumprimento de uma promessa que fizera. Sentenciado \u00e0 forca, o homem implorou, em desespero, que lhe fosse concedida autoriza\u00e7\u00e3o para se apresentar ao juiz que o condenara. Obtendo resposta favor\u00e1vel, levaram\u2011no \u00e0 resid\u00eancia do magistrado, que naquele preciso momento se encontrava a desfrutar de uma bela refei\u00e7\u00e3o na companhia de alguns amigos. Voltando a reclamar inoc\u00eancia, ao ver que nenhum dos presentes parecia acreditar no que afirmava, o galego apontou para um galo assado que repousava sobre a mesa e proferiu: \u201c\u00c9 t\u00e3o certo eu estar inocente como certo \u00e9 esse galo cantar quando me enforcarem.\u201d O juiz afastou o prato para o lado e n\u00e3o deu qualquer import\u00e2ncia \u00e0quele apelo; todavia, quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu\u2011se na mesa e cantou.<\/p>\n<p>O magistrado, tomando consci\u00eancia do erro que tinha cometido, apressou\u2011se a correr para a forca e foi ent\u00e3o que viu que o galego se salvou devido a um n\u00f3 malfeito na corda. O homem foi prontamente libertado e mandado em paz. Alguns anos mais tarde, o galego ter\u00e1 regressado a Barcelos para mandar esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em honra da Virgem Maria e de Santiago. Nele, mandou erguer um padr\u00e3o de pedra, representando Santiago a salvar um enforcado.<\/p>\n<p>O povo daquela regi\u00e3o adorava aquela hist\u00f3ria e, ao perceber isso, Ant\u00f3nio Ferro encarregou o realizador Leit\u00e3o de Barros, ent\u00e3o seu bra\u00e7o\u2011direito na organiza\u00e7\u00e3o do Congresso da Cr\u00edtica, de arranjar os galos. Aquela tarefa foi abruptamente perturbada e interrompida pela Revolta dos Ca\u00e7adores, que deflagrou em Lisboa, a 26 de agosto de 1931. Os instigadores daquele movimento pretendiam derrubar a ditadura militar. Contando com a participa\u00e7\u00e3o dos aviadores de Alverca, a conspira\u00e7\u00e3o era comandada pelo Tenente\u2011Coronel Fernando de Utra Machado, que fora ministro das Col\u00f3nias do governo republicano de Ant\u00f3nio Maria Baptista, pelo Major\u2011Aviador Sarmento de Beires, pioneiro da avia\u00e7\u00e3o, e pelo comandante Agat\u00e3o Lan\u00e7a, antigo governador civil de Lisboa. A rea\u00e7\u00e3o a este movimento surgiu de imediato. Lideradas pelo brigadeiro Daniel de Sousa, governador militar de Lisboa, e pelo General Farinha Beir\u00e3o, da Guarda Nacional Republicana (GNR), as for\u00e7as fi\u00e9is ao regime no poder controlaram a situa\u00e7\u00e3o ao fim de nove horas de intenso combate, que provocou a morte de cerca de 40 pessoas. Os mandantes da conjura acabaram por ser deportados para Timor. Ant\u00f3nio Ferro n\u00e3o participou diretamente no combate aos revoltosos, mas na defesa do governo alinharam o alferes Jorge Botelho Moniz, que com ele havia participado na revolta de 18 de abril de 1925 (o Golpe dos Generais, desencadeado contra as institui\u00e7\u00f5es da I Rep\u00fablica), e o Capit\u00e3o David Neto, seu correligion\u00e1rio no Golpe dos Fifis.<\/p>\n<p>Ultrapassado aquele epis\u00f3dio e retomada a normalidade, Leit\u00e3o de Barros deu continuidade aos trabalhos de que Ferro o incumbira, sem saber muito bem por onde deveria come\u00e7ar a busca. Recordava\u2011se muito vagamente de ter visto uns galos, alguns anos antes, numa feira do Senhor de Matosinhos, mas pouco mais. Decidiu ent\u00e3o pedir ajuda ao seu colega Artur Maciel, fervoroso entusiasta do trabalho de Ant\u00f3nio Ferro e apoiante da ditadura, que conhecia dos tempos da sua passagem pela Ilustra\u00e7\u00e3o Portuguesa, na \u00e9poca em que aquele era redator de O S\u00e9culo da Noite e tinha fama de \u201cenciclop\u00e9dico\u201d. N\u00e3o dispondo tamb\u00e9m de grande informa\u00e7\u00e3o, Maciel decidiu pedir ajuda \u00e0 fam\u00edlia Couto Viana, natural de Viana do Castelo, que prontamente resolveu o enigma. De acordo com o testemunho da fam\u00edlia, o referido galo nascera em 1925, inspirado na lenda, e dois anos depois come\u00e7ou a ser vendido nas feiras da regi\u00e3o. Os cr\u00edticos estrangeiros que foram agraciados com o galo adoraram a surpresa e contribu\u00edram amplamente para a sua divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As primeiras pe\u00e7as produzidas eram vermelhas, por serem cozidas a altas temperaturas. No entanto, Ferro logo mandou introduzir um conjunto de altera\u00e7\u00f5es, como, ali\u00e1s, era seu timbre, sugerindo que os galos fossem pintados de branco, preto e amarelo, primeiro, e de outras cores mais folcl\u00f3ricas, depois. Neste plano de transforma\u00e7\u00e3o, contou com o contributo extremamente importante do pintor natural de Barcelos, Gon\u00e7alves Torres, que lhe aplicou cores garridas e estilizou a crista e a cauda.<\/p>\n<p>A apari\u00e7\u00e3o internacional do Galo de Barcelos ocorreu em setembro de 1935, quando Ant\u00f3nio Ferro, chefiando o Secretariado da Propaganda Nacional, levou a Genebra uma memor\u00e1vel exposi\u00e7\u00e3o de arte popular. A\u00ed, obteve um sucesso inesperado. Em 1937, na Feira Internacional de Paris, o pavilh\u00e3o portugu\u00eas obteve o Grand Prix e a olaria barcelense brilhou, mais uma vez devido ao seu galo.<\/p>\n<p>Estes sucessos foram\u2011se repetindo: em 1939, na Feira Mundial de Nova Iorque e na Feira Internacional de S\u00e3o Francisco; em 1940, o galo voltou a triunfar na Exposi\u00e7\u00e3o do Mundo Portugu\u00eas, com a sua coloca\u00e7\u00e3o em lugar bem vis\u00edvel no pavilh\u00e3o dedicado \u00e0 vida regional.<\/p>\n<p>Foi aquele o momento escolhido para fazer dele, \u00e0 vista de centenas de milhares de visitantes, nacionais e estrangeiros, o \u00edcone que hoje conhecemos e que representa, muitas vezes, Portugal no estrangeiro. O animal voltaria a estar em destaque em 1947, na inaugura\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Popular, localizado em Bel\u00e9m, continuando, assim, a percorrer o caminho do sucesso. A atestar esta realidade, o\u00a0Jornal de Barcelos, na sua edi\u00e7\u00e3o de 2 de abril de 1959, concedia uma parte do seu espa\u00e7o \u00e0 transcri\u00e7\u00e3o de um telegrama que fora enviado de Paris, a 26 de mar\u00e7o de 1959, no qual podia ler\u2011se: \u201c[O]s galos de Barcelos inundam Paris, anunciando a Primavera. Era a internacionaliza\u00e7\u00e3o do Galo de Barcelos, enquanto marca do turismo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Entre os primeiros modelos e aqueles que figuraram na exposi\u00e7\u00e3o de 1940, a morfologia do Galo de Barcelos evoluiu. Sofreria nova altera\u00e7\u00e3o j\u00e1 na d\u00e9cada de 1950, per\u00edodo em que surgiu o negro como cor de fundo, que se tornou uma caracter\u00edstica do atual galo. O aparecimento do negro deveu\u2011se \u00e0 falta de pigmentos qu\u00edmicos durante a Segunda Guerra Mundial e \u00e0 facilidade de obten\u00e7\u00e3o da tonalidade, utilizando a cola de peixe como ve\u00edculo e a fuligem das chamin\u00e9s como pigmento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as t\u00e9cnicas anteriores \u00e0 d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo XX n\u00e3o possibilitavam o fabrico de galos com mais de 15 cent\u00edmetros de altura, sendo as pe\u00e7as dessa \u00e9poca, essencialmente, brinquedos com apito. Deste modo, os primeiros galos vermelhos, grandes e decorativos apareceram a partir dos anos 1930.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1960, o galo parece ganhar vida pr\u00f3pria. Surgem novas vers\u00f5es do animal, como os galos brancos, tamb\u00e9m conhecidos como \u00abgalos de noiva\u00bb. Pensados pelo escritor e diretor do Pal\u00e1cio de Cristal do Porto, Ant\u00f3nio Pinto Machado, por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o dos casamentos de S\u00e3o Jo\u00e3o, estes objetos foram entregues pela primeira vez em 1961, no almo\u00e7o realizado nos jardins do pal\u00e1cio. Cada um dos casais de noivos recebeu um galo pintado de branco e dourado, e a decorar as mesas estavam galos pintados da mesma forma e com cora\u00e7\u00f5es vermelhos. Posteriormente, estes galos desceram at\u00e9 Lisboa para serem ofertados aos noivos de Santo Ant\u00f3nio.<\/p>\n<p>Lan\u00e7adas as bases por Ant\u00f3nio Ferro, foi j\u00e1 depois da sua morte que o galo ganhou ainda mais for\u00e7a como s\u00edmbolo nacional. Em 1966, por ocasi\u00e3o da disputa do Mundial de Futebol em Inglaterra, foi a imagem da sele\u00e7\u00e3o nacional. No ano de 1974, num programa da esta\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o italiana RAI, Portugal e o Galo de Barcelos foram as principais atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No per\u00edodo que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, o galo continuou a figurar em muitos cartazes de promo\u00e7\u00e3o de Portugal enquanto destino tur\u00edstico. Apesar da mudan\u00e7a de regime, a imagem do pa\u00eds continuava muito similar \u00e0 do Estado Novo: um pa\u00eds de tradi\u00e7\u00f5es, de belas paisagens verdes, de sol e praia e, acima de tudo, muito hospitaleiro, gra\u00e7as \u00e0 simpatia do seu povo.<\/p>\n<p>J\u00e1 em pleno s\u00e9culo XXI, em 2007, a marca de cerveja Sagres, com o intuito de comemorar os 35 anos do lan\u00e7amento da mini, convidou o ateli\u00ea de design Dasein a elaborar um conjunto limitado de r\u00f3tulos especiais. Um deles tinha o Galo de Barcelos. No ano seguinte, o animal tornou\u2011se parte da cole\u00e7\u00e3o de primavera\/ver\u00e3o do estilista Nuno Gama.<\/p>\n<p>A \u00c1gua do Vimeiro, no ano de 2010, elaborou uma campanha publicit\u00e1ria intitulada Ser Portugu\u00eas, em que utilizava s\u00edmbolos da nacionalidade numa cole\u00e7\u00e3o de oito molduras magn\u00e9ticas. Acompanhando a sardinha, o azulejo, o el\u00e9trico, a caravela e a guitarra portuguesa, l\u00e1 se encontrava o Galo de Barcelos. E, em 2015, a artista pl\u00e1stica Joana Vasconcelos foi convidada a reinterpretar tal s\u00edmbolo, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es oficiais dos 450 anos do Rio de Janeiro. Assim, nasceu o Pop Galo, o s\u00edmbolo ampliado a uma escala monumental. Com 3,5 toneladas de peso e cerca de dez metros de altura, revestem\u2011no, aproximadamente, 17 mil azulejos e cerca de 15 mil leds ocupam as superf\u00edcies coloridas da obra. Infelizmente, por quest\u00f5es imputadas \u00e0 cidade brasileira, a obra acabou por n\u00e3o viajar para o outro lado do Atl\u00e2ntico e foi inaugurada em Lisboa, na zona da Ribeira das Naus, em 6 de novembro de 2016, aproveitando o facto de nessa semana ter in\u00edcio a Web Summit. Dali, viajou para Pequim, onde participou nas comemora\u00e7\u00f5es do ano chin\u00eas do galo, e esteve presente tamb\u00e9m em Bilbau.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2018, foi a vez de Barcelos, cidade que empresta o nome a este s\u00edmbolo, acolher o Pop Galo. N\u00e3o deixa de ser interessante que, por essa ocasi\u00e3o, a ent\u00e3o secret\u00e1ria de Estado do Turismo tenha referido que \u201ceste galo \u00e9 um dos seus [de Portugal] maiores s\u00edmbolos, exibindo em todo o mundo as nossas tradi\u00e7\u00f5es e autenticidades\u201d, acrescentando que se encontrava em prepara\u00e7\u00e3o uma campanha internacional do turismo portugu\u00eas, no \u00e2mbito da qual a pe\u00e7a de Joana Vasconcelos seria usada para promover Portugal. Referiu ainda que o galo de Barcelos \u201c\u00e9 uma das pe\u00e7as mais simb\u00f3licas da nossa autenticidade\u201d.<\/p>\n<p>Com as devidas dist\u00e2ncias, n\u00e3o nos parece que o diretor do Secretariado da Propaganda Nacional se opusesse muito a estas declara\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gia. Deste modo se construiu um s\u00edmbolo de Portugal. N\u00e3o sendo visto como tal, transformou\u2011se, em fun\u00e7\u00e3o do trabalho de um homem, na representa\u00e7\u00e3o de um povo, desde tempos remotos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cFomos os primeiros a acabar com a pena de morte\u201d. 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