{"id":79787,"date":"2025-09-20T21:27:10","date_gmt":"2025-09-20T21:27:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79787\/"},"modified":"2025-09-20T21:27:10","modified_gmt":"2025-09-20T21:27:10","slug":"comprada-por-2-dolares-lisnave-passou-de-toxica-a-apetecida-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/79787\/","title":{"rendered":"Comprada por 2 d\u00f3lares, Lisnave passou de t\u00f3xica a apetecida \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cJ\u00e1 foi vista como um ativo t\u00f3xico mas, felizmente, hoje n\u00e3o tem nada de t\u00f3xico. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, um ativo apetecido e com projetos para o futuro\u201d. \u00c9 a descri\u00e7\u00e3o da Lisnave feita pelo seu administrador-delegado, Nuno Santos, durante a apresenta\u00e7\u00e3o da biografia de Jos\u00e9 Sardinha, engenheiro hist\u00f3rico na vida dos estaleiros navais, que foi um dos arquitetos da Margueira, em Almada, e da Mitrena, em Set\u00fabal, e desde o final do s\u00e9culo passado a casa da Lisnave.<\/p>\n<p>A 11 de setembro, a Lisnave celebrou 64 anos de vida e passaram cerca de 25 desde que mudou de m\u00e3os. A empresa dos hist\u00f3ricos estaleiros do grupo Jos\u00e9 de Mello resistiu \u00e0s nacionaliza\u00e7\u00f5es, mas foi abalada pela crise europeia da ind\u00fastria naval e por uma constante tens\u00e3o laboral. Em 1993, o grupo Mello fez um acordo para a reestrutura\u00e7\u00e3o da empresa com o segundo Governo de Cavaco Silva. O Estado assumia uma fatura elevada para salvar a empresa e os mais de 5.000 postos de trabalho diretos, para al\u00e9m de muitos outros indiretos. Mas a instabilidade laboral e a enorme press\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 esquerda sacudiam a Lisnave e o acionista hist\u00f3rico saiu de cena.<\/p>\n<p>A Lisnave foi vendida a um pre\u00e7o simb\u00f3lico na viragem do mil\u00e9nio. A venda foi feita por um d\u00f3lar (em julho de 2000 ainda n\u00e3o estava a circular o euro) a dois quadros da empresa. Na verdade,<strong> Jos\u00e9 Rodrigues e N\u00e9lson Rodrigues<\/strong>, que n\u00e3o s\u00e3o familiares apesar do mesmo apelido, pagaram cada um d\u00f3lar: no total de 2 d\u00f3lares. Ainda\u00a0controlam a Lisnave atrav\u00e9s da Navivessel.<\/p>\n<p>Em julho de 2000, Jos\u00e9 Manuel de Mello, explicou assim porque vendia: \u201cEnquanto o meu nome estiver associado \u00e0 Lisnave, nem o poder pol\u00edtico nem poder sindical seriam capazes de estabelecer as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 sua viabilidade continuada\u201d. H\u00e1 quem pense que n\u00e3o bastava sair o grupo Mello, tamb\u00e9m o Estado tinha de se desligar da empresa que \u00e0 data era politicamente t\u00e3o t\u00f3xica como a TAP foi em tempos mais recentes.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Como ex-comunista Pina Moura defendeu o acordo com os Mello ao PCP <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>O ministro da Economia de Ant\u00f3nio Guterres foi fundamental para desatar o n\u00f3 da Lisnave. A 30 de abril de 1998, Pina Moura, ele pr\u00f3prio um ex-dirigente do PCP, respondia no Parlamento ao partido.<br \/>\u201cJ\u00e1 agora, Sr. Deputado Lino de Carvalho, quero dizer-lhe que se tiv\u00e9ssemos deixado ir a Lisnave para a fal\u00eancia, o Estado teria, em subs\u00eddios de desemprego, de disponibilizar imediatamente uma verba superior a 40 milh\u00f5es de contos (200 milh\u00f5es de euros). Ora, creio que o Sr. Deputado Lino de Carvalho n\u00e3o defenderia que deix\u00e1ssemos os trabalhadores da Lisnave abandonados \u00e0 sua sorte. Teria o pa\u00eds perdido uma ind\u00fastria de repara\u00e7\u00e3o naval que \u00e9 respons\u00e1vel por uma fatura\u00e7\u00e3o anual superior a 30 milh\u00f5es de contos\u201d.<br \/>Segundo Pina Moura, o Governo \u201cobrigou o Grupo Jos\u00e9 de Mello a comparticipar em termos financeiros, e fortemente, no plano de reestrutura\u00e7\u00e3o\u201d assinado.<br \/>\u201cPortanto, Srs. Deputados Lino de Carvalho e Oct\u00e1vio Teixeira, n\u00e3o apresentem o plano de reestrutura\u00e7\u00e3o da Lisnave como um favor, um frete, do Governo aos grupos econ\u00f3micos. O Governo cumpriu, na reestrutura\u00e7\u00e3o da Lisnave, um aspecto essencial da sua pol\u00edtica industrial, o de salvaguardar, modernizar e tornar mais competitiva a ind\u00fastria de repara\u00e7\u00e3o naval, que \u00e9, ali\u00e1s, uma ind\u00fastria com tradi\u00e7\u00e3o e futuro em Portugal.\u201d<\/p>\n<p>O tempo veio a dar raz\u00e3o a Jos\u00e9 de Mello. A Lisnave saiu das primeiras p\u00e1ginas dos jornais e depois de um renascimento tremido tornou-se numa empresa lucrativa. Muito mais pequena, mas apetecida. Os atuais acionistas fizeram uma proposta para <strong>estender a atual concess\u00e3o por mais 30 anos<\/strong> para amortizar investimentos em novas \u00e1reas viradas para a e\u00f3lica offshore e para a reciclagem de navios, mas a proposta foi recusada\u00a0num parecer emitido pela Procuradoria Geral da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Ainda assim, a Lisnve n\u00e3o desistiu e fez uma proposta formal de prorroga\u00e7\u00e3o <strong>por mais 15 anos<\/strong> em julho do ano passado. O Governo formalmente ainda n\u00e3o de uma resposta, mas publicamente j\u00e1 anunciou a inten\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar um concurso.<\/p>\n<p>\u201cO atual contrato de concess\u00e3o tem uma cl\u00e1usula de prorroga\u00e7\u00e3o, pelo que a Lisnave n\u00e3o pode afastar essa expectativa\u201d, afirma fonte oficial da Lisnave ao Observador. O \u201cparecer da PGR foi feito sobre um memorando\u00a0de inten\u00e7\u00f5es da Lisnave, que tinha por objetivo apenas iniciar as conversas sobre a concess\u00e3o, n\u00e3o era um pedido formal de prorroga\u00e7\u00e3o. Tal pedido s\u00f3 foi feito posteriormente, nos termos contratuais\u201d, acrescenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cJ\u00e1 foi vista como um ativo t\u00f3xico mas, felizmente, hoje n\u00e3o tem nada de t\u00f3xico. \u00c9, pelo contr\u00e1rio,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79788,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,7233,476,89,90,7269,10550,32,33,2588,7272],"class_list":{"0":"post-79787","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-comu00e9rcio","10":"tag-economia","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-indu00fastria","14":"tag-navios","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-transportes","18":"tag-transportes-maru00edtimos"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}