{"id":80142,"date":"2025-09-21T04:03:22","date_gmt":"2025-09-21T04:03:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/80142\/"},"modified":"2025-09-21T04:03:22","modified_gmt":"2025-09-21T04:03:22","slug":"e-um-problema-em-escala-mundial-diz-infectologista-sobre-a-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/80142\/","title":{"rendered":"&#8216;\u00c9 um problema em escala mundial&#8217;, diz infectologista sobre a dengue"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) mostram que 3,6 bilh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sob risco de <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/assunto\/dengue\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dengue<\/a>, em 125 pa\u00edses. Em 100 deles, a doen\u00e7a j\u00e1 \u00e9 end\u00eamica. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 A mudan\u00e7a clim\u00e1tica e o aquecimento global t\u00eam uma \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com o aumento da infesta\u00e7\u00e3o de Aedes no mundo como um todo, aumentando o risco de dengue n\u00e3o s\u00f3 onde j\u00e1 \u00e9ramos acostumados, mas em pa\u00edses que era impens\u00e1vel achar que teria dengue, como Estados Unidos \u2014 diz a infectologista Raquel Stucchi, professora associada da disciplina de infectologia da Unicamp, durante o 24\u00ba Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado em Florian\u00f3polis. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Embora seja preocupante, essa dissemina\u00e7\u00e3o global da dengue pode trazer alguns impactos positivos, como o desenvolvimento de novas vacinas que venham a cobrir as lacunas deixadas pelas vacinas atuais e at\u00e9 mesmo o surgimento de um antiviral para a doen\u00e7a, que ainda n\u00e3o existe. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> No Brasil, os surtos de dengue vem piorando exponencialmente nos \u00faltimos 30 anos. Em 1995, 1753 munic\u00edpios estavam infestados com a doen\u00e7a. Em 2014, esse n\u00famero mais do que duplicou, atingindo 4532 munic\u00edpios. E isso aumentou ainda mais uma d\u00e9cada depois, em 2024, com quase todos os munic\u00edpios do pa\u00eds atingidos: 5385, de um total de 5569. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Segundo Stucchi, esse \u00e9 um problema que \u201cinfelizmente se manter\u00e1\u201d. Outra quest\u00e3o preocupante \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o do sorotipo 4 da dengue em alguns estados brasileiros e a possibilidade que esse subtipo do v\u00edrus se espalhe pelo pa\u00eds. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Possivelmente, teremos uma expans\u00e3o desse sorotipo 4, que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o circulava, para os pr\u00f3ximos anos, o que nos traz uma grande preocupa\u00e7\u00e3o em termos de preven\u00e7\u00e3o \u2014 alerta a m\u00e9dica. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Existem quatro sorotipos de dengue &#8211; DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Cada um deles s\u00f3 confere imunidade contra si mesmo, o que significa que uma pessoa pode ter dengue quatro vezes. Al\u00e9m disso, uma segunda infec\u00e7\u00e3o por dengue \u00e9 sempre mais perigosa que a primeira. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> No Brasil, nos \u00faltimos anos, se revezaram os tipos 1 e 2. Mais recentemente, o pa\u00eds enfrentou o reaparecimento da dengue 3. E, agora, dengue 4. Isso \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, pois a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui imunidade a ele, aumentando o risco de uma epidemia. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Atualmente, existe apenas uma vacina dispon\u00edvel no Brasil contra a doen\u00e7a, a Qdenga, da Sanofi. Ela est\u00e1 dispon\u00edvel no SUS para adolescentes de 10 a 14 anos e na rede privada para pessoas entre 4 e 59 anos. A faixa et\u00e1ria do SUS foi escolhida devido ao limite de disponibilidade da vacina por parte do fabricante e porque concentra o maior n\u00famero de hospitaliza\u00e7\u00f5es por dengue ap\u00f3s os idosos. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Pessoas a partir de 60 anos n\u00e3o foram contemplados pois o imunizante n\u00e3o est\u00e1 aprovado para essa faixa et\u00e1ria devido a aus\u00eancia de dados sobre seguran\u00e7a e efic\u00e1cia. A aus\u00eancia de dados de seguran\u00e7a da vacina em idosos e pessoas com comorbidades \u00e9 uma das dificuldades apontadas por especialistas para a vacina atual, assim como o fato de serem necess\u00e1rias duas doses \u2013 com intervalo de tr\u00eas meses entre as aplica\u00e7\u00f5es \u2014, pois isso reduz muito a cobertura vacinal. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 A posologia de dose \u00fanica vem favorecendo muito toda e qualquer vacina que a gente possa ter aprovada para dengue \u2014 afirma Stucchi. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Neste cen\u00e1rio, a grande expectativa \u00e9 pela aprova\u00e7\u00e3o da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, que \u00e9 de dose \u00fanica, e est\u00e1 sob an\u00e1lise da Anvisa. Diante da aus\u00eancia de uma vacina dispon\u00edvel em larga escala, a forma mais eficaz de prevenir a dengue continua sendo a ado\u00e7\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o baseadas no controle do vetor, que \u00e9 o mosquito Aedes aegypti, al\u00e9m do uso de repelentes. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Nesse quesito de controle do vetor, \u00e9 preciso inovar e adotar estrat\u00e9gias diferentes. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 O controle tradicional n\u00e3o freou (o Aedes). Os dados de dengue mostram isso \u2014 diz bi\u00f3logo Rodrigo Gurgel Gon\u00e7alves, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), durante o 24\u00ba Congresso Brasileiro de Infectologia. \u2014 Precisamos avan\u00e7ar em estrat\u00e9gias inovadoras para controlar esses mosquitos e frear esse tipo de aumento, fortalecendo o sistema de vigil\u00e2ncia dos vetores. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Algumas estrat\u00e9gias j\u00e1 recomendadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, segundo Gon\u00e7alves, s\u00e3o a estratifica\u00e7\u00e3o de risco, o m\u00e9todo Wolbachia (mosquitos infectados com a bact\u00e9ria Wolbachia), o uso de esta\u00e7\u00f5es disseminadoras de larvicidas, a borrifa\u00e7\u00e3o residual intradomiciliar. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 No caso da estratifica\u00e7\u00e3o de risco, tem v\u00e1rios projetos, como o Arboalvo, mostrando que, de fato, \u00e9 bom estratificar as \u00e1reas para saber a receptividade para a ocorr\u00eancia de dengue \u2014 diz o bi\u00f3logo. \u2014 Existem v\u00e1rias evid\u00eancias que a Wolbachia reduz a sobreviv\u00eancia dos mosquitos em 50%, que a Wolbachia impede que os v\u00edrus de dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito, reduzindo as taxas de infec\u00e7\u00e3o do mosquito, e al\u00e9m disso, \u00e9 considerado um m\u00e9todo autossustent\u00e1vel. Ou seja, a popula\u00e7\u00e3o de mosquitos vai sendo substitu\u00edda ao longo do tempo. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 borrifa\u00e7\u00e3o de paredes, ele explica que a tecnologia de borrifa\u00e7\u00e3o das paredes com inseticida j\u00e1 \u00e9 feita h\u00e1 muito tempo para o controle de outros vetores e agora tem sido usada contra o Aedes em im\u00f3veis como UPAs, escolas, UBSs, mostrando uma redu\u00e7\u00e3o da densidade de mosquitos nessas \u00e1reas. J\u00e1 na t\u00e9cnica de esta\u00e7\u00e3o de dissemina\u00e7\u00e3o de larvicida, o pr\u00f3prio mosquito carrega o larvicida que vai acabar com ele. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 \u00c9 tipo o cavalo de Troia \u2014 explica Gon\u00e7alves. \u2014 O mosquito \u00e9 atra\u00eddo para uma esta\u00e7\u00e3o, ele se contamina com um p\u00f3, que na verdade \u00e9 um larvicida. Depois, ele carrega essas part\u00edculas do larvicida e leva para todo lugar. E quem melhor do que o mosquito para identificar o criadouro de larvas, que \u00e9 dele? Ent\u00e3o, ele pousa nesses criadouros, deposita o larvicida e faz o controle. E existem v\u00e1rias evid\u00eancias cient\u00edficas tamb\u00e9m que esse m\u00e9todo funciona, aumentando em 90% a mortalidade dos mosquitos jovens. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> *A rep\u00f3rter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Infectologia <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) mostram que 3,6 bilh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sob risco de dengue,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80143,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1891,116,32,33,679,117],"class_list":{"0":"post-80142","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-dengue","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-reportagem","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80142\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}