{"id":80355,"date":"2025-09-21T10:51:08","date_gmt":"2025-09-21T10:51:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/80355\/"},"modified":"2025-09-21T10:51:08","modified_gmt":"2025-09-21T10:51:08","slug":"altamente-calorico-baixa-complexidade-de-sabor-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/80355\/","title":{"rendered":"altamente cal\u00f3rico, baixa complexidade de sabor \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Passaram oito anos desde o \u00faltimo livro de Dan Brown, Origem. Tendo o autor, no total, vendido cerca de 250 milh\u00f5es, n\u00e3o espanta que O Segredo dos Segredos, publicado agora pela Planeta, com tradu\u00e7\u00e3o de T\u00e2nia Ganho, tenha sido aguardado com entusiasmo pelas hordas de leitores do autor norte-americano.<\/p>\n<p>A esta altura do campeonato, n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rias grandes apresenta\u00e7\u00f5es. Desde O C\u00f3digo da Vinci, protagonizado por Robert Langdon, que agora regressa, o autor arranjou espa\u00e7o entre prateleiras por todo o mundo. Ali\u00e1s, s\u00f3 esse livro vendeu cerca de 80 milh\u00f5es de c\u00f3pias, al\u00e9m de ter sido adaptado para cinema. As teorias da conspira\u00e7\u00e3o atraem \u2013 intrigam \u2013, os c\u00f3digos incitam a curiosidade e a ideia de divulga\u00e7\u00e3o de segredos do Vaticano faz o resto. Feito o teste, ou seja, publicado o livro, os leitores, que viraram as p\u00e1ginas como quem come batatas fritas, tinham encontrado ali um fil\u00e3o onde lhes era agu\u00e7ada a curiosidade e despertada a vontade de ler. De livro em livro, Dan Brown foi usando esta f\u00f3rmula, nunca cedendo \u00e0 facilidade de se afundar no mesmo tema \u2013 ainda que cada livro se meta a mergulhar algures.<\/p>\n<p>Os romances de Dan Brown, que resultam sempre em sucesso comercial, s\u00e3o thrillers em que se junta a vida a teorias da conspira\u00e7\u00e3o que emergem de factos hist\u00f3ricos. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 muita, e pode partir de est\u00e1tuas ou de confer\u00eancias antigas, ou mesmo de refer\u00eancias arquitect\u00f3nicas, sendo que, muitas vezes, os livros tamb\u00e9m parecem guias tur\u00edsticos de cidades. Os cap\u00edtulos, regra geral curtos, deixam a ac\u00e7\u00e3o a pingar para um cap\u00edtulo posterior, que nunca vem logo a seguir. H\u00e1 v\u00e1rias ac\u00e7\u00f5es em simult\u00e2neo e o leitor \u00e9 constantemente interrompido, tendo de ler avidamente para compor a ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>                    <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/dan-brown-o-segredos-dos-segredos.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"2275\" class=\"news-photo\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>                <\/p>\n<p class=\"legenda\">\n            \u25b2 A capa de &#8220;O Segredos dos Segredos&#8221;, de Dan Brown, na vers\u00e3o portuguesa publicada pela Planeta<\/p>\n<p>Nisto, v\u00e3o pesando v\u00e1rias coisas. H\u00e1 o suspense, claro, que domina tudo. H\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o que o leitor recebe \u2013 no meio de uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o, sente-se que se encontram segredos h\u00e1 muito \u2013 h\u00e1 s\u00e9culos \u2013 escondidos. H\u00e1 uma parte quase educativa \u2013 o leitor depara-se com texto sobre monumentos, quadros, teorias, dando por si a aprender, como na escola, sobre factos aleat\u00f3rios, numa leitura que parece treino para o Trivial Pursuit. As descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o detalhadas e nisso n\u00e3o se pode dizer que Dan Brown conhe\u00e7a atalhos, uma vez que acaba por fazer uma constela\u00e7\u00e3o de elementos ver\u00eddicos que d\u00e3o suporte \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m constru\u00edda de forma irrepreens\u00edvel para que tudo venha a encaixar no fim.<\/p>\n<p>Ou seja, ler acaba por n\u00e3o diferir muito de compor um puzzle, puzzle esse onde as conspira\u00e7\u00f5es encaixam no curso da narrativa, respondendo a dilemas de criptografia antiga, complexa, misteriosa. Ao inv\u00e9s de uma imers\u00e3o liter\u00e1ria, o leitor d\u00e1 por si numa esp\u00e9cie de museu, saltando com as personagens entre marcos f\u00edsicos e \u00e9pocas hist\u00f3ricas e grupos influentes que agem no substrato da vida.<\/p>\n<p>Nisto, as personagens s\u00e3o m\u00e1quinas. Robert Langdon, que est\u00e1 para Dan Brown como Sherlock Holmes est\u00e1 para Conan Doyle, \u00e9 um inv\u00f3lucro, um her\u00f3i com conhecimentos de Wikip\u00e9dia e pernas de Rosa Mota, mas com a espessura emocional de uma folha de papel. Sabe-se, claro, que \u00e9 genial, mas o que tem por dentro \u00e9 um mist\u00e9rio t\u00e3o grande quanto os que desvenda. \u00c9 um acad\u00e9mico que, ao contr\u00e1rio de todos os seus pares, \u00e9 mundialmente conhecido; \u00e9 antiquado, ao ponto de ser quase anal\u00f3gico; usa um rel\u00f3gio com uma imagem do Mickey; veste-se \u00e0 velho; gosta de nadar. E isto \u00e9 quase tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Passaram oito anos desde o \u00faltimo livro de Dan Brown, Origem. 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