{"id":8040,"date":"2025-07-30T06:15:17","date_gmt":"2025-07-30T06:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8040\/"},"modified":"2025-07-30T06:15:17","modified_gmt":"2025-07-30T06:15:17","slug":"livro-xamas-eletricos-na-festa-do-sol-de-monica-ojeda-e-romance-polifonico-em-busca-de-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/8040\/","title":{"rendered":"Livro \u2018Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u2019, de M\u00f3nica Ojeda, \u00e9 romance polif\u00f4nico em busca de identidade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-768614\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/xamas-eletricos-667x1000.png\" alt=\"xamas eletricos\" width=\"144\" height=\"197\" title=\"Livro \u2018Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u2019, de M\u00f3nica Ojeda, \u00e9 romance polif\u00f4nico em busca de identidade 1\"\/>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>O livro <a href=\"https:\/\/www.grupoautentica.com.br\/produto\/xamas-eletricos-na-festa-do-sol-1735\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" data-wpel-link=\"external\">\u201cXam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u201d<\/a>, da escritora equatoriana M\u00f3nica Ojeda, chegou \u00e0s livrarias em maio deste ano, com edi\u00e7\u00e3o da Aut\u00eantica Contempor\u00e2nea. A obra, j\u00e1 pelo t\u00edtulo, chama a aten\u00e7\u00e3o: o ar m\u00edstico e as combina\u00e7\u00f5es inusitadas de palavras acompanham todo o romance, que \u00e9 polif\u00f4nico e centrado na trajet\u00f3ria de jovens que comparecem a um festival. A hist\u00f3ria \u00e9 situada no ano 5540 do calend\u00e1rio andino, e parte da perspectiva dos indiv\u00edduos que se encaminham para um dos vulc\u00f5es dos Andes para uma festa que re\u00fane m\u00fasicos, dan\u00e7arinos, poetas e xam\u00e3s, sabendo que, ali, h\u00e1 tamb\u00e9m muitos que nunca voltam e que s\u00e3o totalmente transformados pela experi\u00eancia. Al\u00e9m dessa perspectiva, h\u00e1 tamb\u00e9m o pai de uma das jovens, que a abandonou na inf\u00e2ncia e vive h\u00e1 anos em uma floresta pr\u00f3xima do local \u2014 e ainda os cantos que v\u00e3o tomando for\u00e7a na narrativa e passam a ser incorporados \u00e0 narrativa. Toda a obra parte dessa busca m\u00edstica por algo palp\u00e1vel e real, que \u00e9 a pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p>O romance come\u00e7a com a perspectiva de personagens como Nicole, Mario e Pamela. Eles s\u00e3o alguns dos que decidem deixar pra tr\u00e1s a repress\u00e3o das cidades e os conflitos familiares para viverem a experi\u00eancia extrema da festa do sol. Nicole, por exemplo, \u00e9 convencida a ir pela melhor amiga, chamada de Noa, que \u00e9 uma personagem que vemos atrav\u00e9s da perspectiva dos outros \u2014 e vamos percebendo, assim, o quanto a personagem vai sendo impactada por essa experi\u00eancia, e como as tradi\u00e7\u00f5es andinas parecem estar ligadas aos pr\u00f3prios questionamentos dela. J\u00e1 Mario parece mais perdido quanto ao que toda a experi\u00eancia pode fazer com sua vida; enquanto Pamela, por sua vez, descobre uma gravidez e passa a conversar sozinha com o feto, que planeja abortar.\u00a0<\/p>\n<p>Todos est\u00e3o l\u00e1 por motivos mais ou menos claros, e passam a ser rondados tamb\u00e9m pela presen\u00e7a dos Desaparecidos \u2013 que a princ\u00edpio s\u00e3o indiv\u00edduos como eles, mas que subiram a montanha e nunca mais voltaram pra casa. Dizem que eles voltam para as festas e tentam atrair mais pessoas para abandonarem suas vidas de novo. Aos poucos, os leitores tamb\u00e9m s\u00e3o convidados a entender, a partir dessa polifonia de experi\u00eancias e das barreiras entre o dito e o n\u00e3o dito, exatamente como os Desaparecidos fazem isso e se h\u00e1 uma divis\u00e3o mesmo t\u00e3o clara entre os que est\u00e3o l\u00e1 apenas para a festa ou os que ficam para sempre.<\/p>\n<p>Toda essa narrativa \u00e9 permeada por outra quest\u00e3o, tamb\u00e9m latente: Noa planeja reencontrar o pai, que a abandonou na inf\u00e2ncia, e entender o que aconteceu com ele. Esse homem, por sua vez, aceita receb\u00ea-la, mas quando sua perspectiva toma for\u00e7a no livro, entendemos que ele nunca se arrependeu de ter deixado a filha e que fez isso por uma necessidade forte. Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a quase fantasmag\u00f3rica da av\u00f3 de Noa sinaliza uma rela\u00e7\u00e3o ancestral que pode surgir ali, \u00e0 revelia do que os demais personagens conseguem controlar.<\/p>\n<p><b>Uma m\u00fasica que guia<\/b><\/p>\n<p>Um ponto interessante para os leitores \u00e9 que a narrativa tamb\u00e9m conta com um gloss\u00e1rio, ao final, que ajuda a entender melhor certas palavras e tradi\u00e7\u00f5es andinas que aparecem ao longo do livro. Apesar das m\u00faltiplas vozes, que conseguem se diferenciar bem desde a marca textual que deixam na p\u00e1gina, mas tamb\u00e9m por aqueles a quem se dirigem, por seus objetivos ou suas observa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos outros, o livro sempre caminha para o mesmo destino: o vulc\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse misto de narrativas e de perspectivas pode fazer com que o livro pare\u00e7a confuso, mas longe disso. \u00c9 como rondar uma festa e conseguir incorporar um pouco do que cada indiv\u00edduo est\u00e1 pensando e sentindo, mas tendo em vista uma presen\u00e7a que j\u00e1 dita o tom e o sentido daquela experi\u00eancia. Por isso, apesar dos muitos caminhos que s\u00e3o apresentados ao longo do livro, h\u00e1 um s\u00f3 som que guia as palavras de Ojeda, e esse som \u00e9 o das cantoras da festa do sol, que fazem uma m\u00fasica cheia de vida.<\/p>\n<p><b>Liberdade est\u00e9tica<\/b><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-768616\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/monica-667x1000.png\" alt=\"monica\" width=\"147\" height=\"219\" title=\"Livro \u2018Xam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u2019, de M\u00f3nica Ojeda, \u00e9 romance polif\u00f4nico em busca de identidade 2\"  \/>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A liberdade est\u00e9tica de M\u00f3nica Ojeda j\u00e1 tinha aparecido antes, na obra de contos com perspectiva feminina \u201cVoladoras\u201d e no romance premiado \u201cMand\u00edbula\u201d, ambos tamb\u00e9m publicados pela Aut\u00eantica.\u00a0 Essas duas obras j\u00e1 apresentavam a destreza da autora em incorporar elementos fant\u00e1sticos com naturalidade e trazer os mitos andinos para dentro das narrativas mais contempor\u00e2neas, al\u00e9m das personagens femininas que fogem bastante do \u00f3bvio e que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es muito bem trabalhadas.\u00a0<\/p>\n<p>Mas \u00e9 com o trabalho de linguagem e de perspectiva que, dessa vez, em \u201cXam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u201d, ela atinge uma radicalidade na proposta que faz com que a viagem seja ainda mais alucinante. A sensa\u00e7\u00e3o de quem l\u00ea a obra, ao final da leitura, \u00e9 de tamb\u00e9m ter escutado as can\u00e7\u00f5es que guiam o livro, sentindo o frio da montanha ou a atmosfera de encantamento e medo que ronda os personagens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o) O livro \u201cXam\u00e3s el\u00e9tricos na festa do sol\u201d, da escritora equatoriana M\u00f3nica Ojeda, chegou \u00e0s livrarias&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8041,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-8040","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}